quarta-feira, 30 de junho de 2010

O Pão nosso


Leio um artigo da revista "Pública", sobre o pão, de autoria de David Lopes Ramos, que vou transcrever de seguida.
O pão que, como sempre me ensinaram, não se pode estragar. Nestes tempos de consumismo, em que o pão se tornou banal, que nos desfazemos dele como se de lixo se tratasse, aqui deixo a minha veneração ao pão, maravilhosa invenção humana, fruto da sua inteligência e, ao mesmo tempo, fruto dos quatro elementos do universo.
"O pão é muito mais novo do que a humanidade. Só tem uns dez mil anos. Antes de descobrirem as técnicas de farinação, os homens comiam os cereais em grão. Os citadinos tendem a esquecer-se de que o pão se faz, não nasce da terra como o arroz, a batata, as maçãs ou as cerejas, que consumimos tal como os colhemos. Com o pão, não basta colher a espiga e já está. 0 pão sua-se – “Comerás o pão com o suor do teu rosto”, sentenciou o Criador a Adão, quando ele não resistiu à maçã do Paraíso –, confecciona-se à força de braços. 0 pão semeia-se, sega-se, colhe-se, debulha-se, mói-se, amassa-se, molda-se, forneia-se e, só então, o podemos comer.

Nós, os da cultura greco-romana e judaico-cristã, conhecemos o contributo dos gregos e dos romanos no aperfeiçoamento das técnicas de elaboração do pão, sabemos que em Roma, onde a profissão alcançou grande peso social, a primeira escola para padeiros foi fundada 500 anos antes de Cristo. A religião católica faz do pão o protagonista do seu momento mais marcante, o Mistério da Eucaristia. E o tema da sua oração mais significativa, o Pai Nosso, a quem se pede a graça do pão de cada dia. Os judeus têm o pão ázimo, ou seja, não levedado, como símbolo de um dos seus momentos decisivos como povo, que foi o da fuga precipitada da escravatura no Egipto para a Terra Prometida, sob a direcção de Moisés. Tão precipitada que não deu tempo sequer para o pão levedar.
Há muitos outros episódios bíblicos em que o pão surge como protagonista. O da multiplicação dos peixes e dos pães é um deles. Já no nosso imaginário português avulta o da transformação do pão em rosas por Dona Isabel, mulher de D. Dinis, rei que, ao que consta, apreciava pouco as inclinações caritativas da rainha, feita santa pela Igreja Católica.
Apesar de ser presença diária e obrigatória em todas as mesas do Ocidente e de ser encarado em praticamente toda a humanidade como um elemento fundador e fundamental, os que o temos em abundância não lhe damos muitas vezes a atenção que merece. Há quem, esquecendo que há quem chore por o não ter, o rejeite em nome de estereotipados conceitos de elegância. 0 pão não engorda. 0 pão é um alimento rico e nutritivo. O que pode fazer mal são as companhias.
Há uma infinita variedade de pães conforme as regiões em que é produzido e as matérias-primas a que se recorre. Em Portugal, o pão faz parte da trilogia da dieta mediterrânica, de mãos dadas com o azeite e o vinho, e conhecem-se mais de 100 variedades. O pão é um alimento suficiente. Havendo pão, não há fome que meta medo. Há dois provérbios portugueses que ilustram esta realidade: “Para boa fome, não há ruim pão” e “com pão e vinho, já se anda o caminho”. O pão dos pães em Portugal é o de trigo. Historicamente não foi sempre assim, com o trigo a conhecer o seu apogeu durante a presença romana, tendo decaído drasticamente com as invasões dos bárbaros, principalmente dos suevos e visigodos, em que se voltou a recorrer às bolotas e outros produtos para matar a fome.
A civilização europeia assenta os seus fundamentos na cultura agrícola dos cereais: trigo, centeio, aveia e cevada. Em Portugal, os dois primeiros e, mais tarde, com a chegada à América, o milho, são as matérias-primas dos pães mais saborosos. O trigo a sul, com destaque para o Alentejo; o centeio no Nordeste Transmontano e Beira Interior; o milho no Norte e litoral. A situação mantém-se até aos dias de hoje".

sábado, 26 de junho de 2010

Um jogo de bilhar

Ontem à noite estive a ver dois documentários sobre comunidades religiosas francesas. Um de monges ortodoxos, com os seus ritmos e ritos, poucos, vestidos de preto contrastando com as cores das paredes do mosteiro, todo pintado de ícones. Vivem afastados da cidade. Trabalham, rezam, comem - aqui ressalta a frugalidade da mesa - falam pouco e quando necessário.
O outro, mais ocidental, de uma abadia cisteciense. Mais numerosos, vivem num edifício austero, ou não fosse uma abadia a sério, também trabalham e comem mas sempre em silêncio. Só as orações rompem o silêncio. Aqui não falam uns com os outros, mas todos falam a Deus. O dia repartido entre a oração, o trabalho - vivem do fabrico de queijo de ovelha - e o descanso, assim vivem estes monges, também afastados da cidade, rodeados de montanhas e de árvores que, por ter sido gravado o documentário no inverno, estavam vestidas de neve.
Falaram dois monges: o Abade, homem de meia idade, sobre vocações. O segundo, mais velho, dizia que antes saía mais da abadia por causa dos afazeres mas que agora está mais por casa. A este mais velho fizeram-lhe uma pequena entrevista. Uma das perguntas foi a que também me fazem a mim: qual a diferença entre um monge (frade) e um padre? Eu dou sempre uma resposta mais prática: porque antes de ser padre já era frade, que se pode ser frade sem ser padre mas, a grande diferença é que um frade que não seja padre não pode celebrar a Eucaristia nem os outros sacramentos. No entanto, reforço sempre que gosto que me chamem de frei porque acho que sou mais irmão que pai (significados da palavra frei e padre). Mas este padre deu uma resposta mais espiritual e muito mais interessante. Disse ao questionador mais ou menos nestas palavras ao mesmo tempo que fazia numa tábua um desenho imaginário que eu reproduzi e aqui coloquei como imagem: "É simples. Temos aqui Deus, aqui a humanidade e aqui o monge. O monge tem a missão de falar a Deus da humanidade enquanto que o padre tem a missão de falar de Deus à humanidade. Um monge que seja padre tem a dupla missão. É como um jogo de bilhar". E aqui está tudo dito. Apontar a bola para Deus para que ela acerte nos humanos e apontar a bola aos humanos para que toque em Deus. É preciso muita pontaria!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A amizade espiritual


"Um amigo fiel é uma poderosa protecção; quem o encontrou, descobriu um tesouro".
Isto lê-se na Bíblia (Sir 6, 14). Não é passagem única, e na Bíblia temos vários exemplos disso, veja-se, a título de exemplo, a amizade entre David e Jónatas, filho do rei Saúl, amizade tal que Jónatas chegou a amar David como a si mesmo (1 Sm 18, 1-5). Hoje, durante o silêncio da oração da manhã, distraidamente folheei o Livro das Horas e encontrei um texto sobre a verdadeira, perfeita e eterna amizade. Este texto é do século XII, do Beato Aelredo, abade, que escreveu um tratado sobre a amizade espiritual. Este excerto vinha no seguimento do episódio que lembrei, da amizade entre David e Jónatas. Então termina assim este texto: "Esta é a verdadeira, perfeita, estável e eterna amizade. Não se deixa corromper pela inveja, não diminui com suspeitas, não se dissolve pela ambição; posta à prova não cedeu; assaltada, não caiu; batida por tão graves insultos, ficou inflexível; provocada por tantas injúrias, permaneceu imóvel". Diante de uma definição destas, tem ou não razão a Bíblia de que quem encontra um amigo, descobriu um tesouro?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Silêncio e tanta gente

1984. Maria Guinot leva ao Festival da canção uma das mais bonitas músicas que marcaram a minha infância, juventude e que ainda hoje mexe comigo. Não pelo amor mas pelo constante contraditório da letra: um sim alegre ou um triste não, troco a minha vida por um dia de ilusão... Sempre esta música me disse que também somos contradições. Faz parte da existência humana. Já ontem disse que não tenho jeito para a poesia. Mas acredito que a poesia nasce do silêncio e da solidão. Aliás, para a escrever e para a ler. Também na vida, às vezes o silêncio é bom para escrevermos e lermos a nossa vida. Escrever isto, hoje, neste neste blogue, é porque quer aqui quer na vida, sentimos, às vezes, que a vida é silêncio no meio de tanta gente.

terça-feira, 22 de junho de 2010

O Mar

Era Agosto e Miguel Torga estava em Miramar. Escreveu este poema sobre o Mar:
Mar!
E é um aberto poema que ressoa
No búzio do areal...
Ah, quem pudesse ouvi-lo sem mais versos!
Assim puro,
Assim azul,
Assim salgado...
Milagre horizontal
Universal,
Numa palavra só realizado.

Não tenho o dom da poesia, esse grande milagre de juntar as palavras ao sentimento e de ultrapassar com a escrita o limite do olhar.
Mas hoje estive na praia. Uma da praias da minha vida. Vou à praia para andar, ver o verde da floresta e o verde do mar. Não sei se é verde ou azul. Mas que mais dá? São cores que se adoram, seja o verde do mar ou o verde da floresta com o azul do céu. Mas gosto das cores da floresta, das cores da areia, das cores do mar e das cores do céu. Gosto do vaivém das ondas que rebentam e que fazem as crianças gritar, gosto de me envolver com esta natureza tão natural e tão própria, gosto do mar que puxa e empurra, gosto da linha que separa - ou será que une - o mar ao céu.

domingo, 20 de junho de 2010

Raphanus raphanistrum


Raphanus raphanistrum é o nome técnico, latino, de uma planta, o saramago. Foi um amigo quem mo disse, ontem, quando falávamos da morte do escritor. E é sobre o escritor, José Saramago, que escrevo este post, poucos minutos antes da meia-noite do dia em que foi cremado. Como premissa do que se segue, vale a pena dizer que não sei nada de literatura, e que o meu contacto com Saramago é só mesmo o do prazer da leitura dos seus livros, sem introduções nem explicações.
Saramago é, sem dúvida uma pessoa de referência. Seria pobre deixar de ler Saramago, ou outro escritor qualquer, por ser comunista ou ateu. Como qualquer pessoa, somos mais do que aquilo que aparentamos ser. Saramago era rebelde, inconformado, do contra, diríamos nós em bom português. Li alguma coisa dele; o que mais gostei foi a 'Jangada de pedra', achei piada ao 'Caim', entusiasmou-me o 'Memorial do Convento', fez-me pensar as 'Intermitências da Morte', foi para mim aborrecida a 'Viagem do Elefante', não tive curiosidade em ler o 'Evangelho segundo Jesus Cristo' e era assíduo do seu blogue.
Só esta noite tive oportunidade de ver notícias sobre o funeral e as reacções. A do Vaticano (na verdade é a de um jornalista que escreve para o jornal diário da Santa Sé), só foca o contínuo ataque à Religião, e critica o sistema político com o qual estava ligado; o que é redutor. A da Igreja portuguesa muito mais sensata, sincera e abrangente. Mas a que mais gostei foi a da Ministra da Cultura: "Saramago não tinha fé em Deus, mas se Ele existe, certamente Deus teve fé nele".
Para mim, de Saramago ficam os livros que li e os que estão para ler. Fica a sua escrita complexa, corrida, mas sempre bem pontuada. E fica a sua imagem de Deus, reproduzida em cada livro que escreveu. Deus não lhe era indiferente, por isso falava dele. Uma concepção reduzida, enervante até, para quem tem fé... mas presente. Saramago dizia que Deus não existia mas, no fundo, ele sabia que existia porque falava dele e o incomodava.
A paz não é um conceito cristão nem religioso. Por isso, depois desta existência terrena, o que lhe desejo é que descanse verdadeiramente em paz.

As aparências


Na primeira leitura do Ofício de Leituras deste domingo, leu-se uma passagem do Primeiro Livro dos Reis. Para mim das mais bonitas dos livros históricos da Bíblia: a unção de David como rei. O episódio é todo ele revestido de sentimento e de pormenores. Deus diz a Samuel que vá a Belém para ungir aquele que Ele tinha escolhido para suceder a Saúl. Em Belém vive um homem com sete filhos. Samuel ao ver o mais velho pensou que era ele o escolhido de Deus. Mas Deus diz-lhe ao ouvido: "Não te impressiones com o seu belo aspecto, nem com a sua elevada estatura, porque não foi esse que Eu escolhi. Deus não vê como o homem; o homem olha às aparências, o Senhor vê o coração". E assim correram os outros cinco filhos e será o mais novo, o que está a guardar o rebanho, David, que o Senhor escolhe para suceder o rei morto.
Ver os outros com os olhos de Deus é o desafio para o crente. Não às aparências mas ao coração; não ao que as pessoas têm mas ao que as pessoas são.

sábado, 19 de junho de 2010

Luzes escondidas


Se olharmos à noite para o céu estrelado, o que vemos? A lua, formosa e brilhante, as estrelas que cintilam, as constelações mais ou menos nítidas. E achamos tudo de uma grande beleza e simplicidade. Mas esquecemo-nos do principal. É que, se há luz no firmamento, é graças ao Sol, que não se vê mas que ilumina e dá sentido a uma noite de céu aberto. Assim é na nossa vida. Às vezes olham para nós, acham-nos brilhantes, com luz própria, esquecendo-se que há um sol, que por discrição se colocou em segundo plano para iluminar estas pobres luzinhas celestes. Este post fica aqui escrito para lembrar aquelas pessoas, chamo-os de amigos, que têm a humildade, a amizade e a força de, na sombra, iluminar.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Um Diário


Há muitos anos ofereceram-me o Livro em Branco. Adoptei-o como Diário. Ainda o tenho, misturado com os outros livros. A ideia que então tinha de Diário era ir todos os dias deixar por escrito o que me tinha acontecido. Depressa desisti porque não havia matéria e poderia tornar-se aborrecido. Retomei o Diário quando entrei no Seminário. Numa outra concepção, tornou-se o Livro das Emoções. Escrevia o que a alma me dizia e o que o pensamento me ditava.
O primeiro Diário que li foi o de Florbela Espanca. O que se conhece é o do seu último ano de vida, 1930. Dramático, neurasténico, nostálgico, depressivo, porque não?... mas verdadeiro. A partir de Agosto entra-lhe a ideia da morte. Em Novembro pensa no suicídio, que o concretiza no próprio dia de anos, 8 de Dezembro. Dia trágico aquele. O do seu nascimento, o do seu casamento, o da sua morte. Seis dias antes escrevia uma só frase, terrível, sobre o sentido da vida: "E não haver gestos novos nem palavras novas!". Mais tarde, comecei a ler o Diário de Miguel Torga. E dei-me conta que ainda não tinha acertado. A ideia de que um Diário é uma coisa privada é um engano. Quando escrevemos ficamos sempre com medo de que nos leiam o que escrevemos mas, ao mesmo tempo, temos a certeza de que não vamos ter tempo - e não queremos - de o queimar ou de o apagar no computador. Quem escreve um Diário sabe que um dia outros irão encontrá-lo e ficarão a conhecer não só os dias do escritor mas as suas emoções e a sua maneira de ver os acontecimentos do mundo e da sua história. Com o a exposição da Internet, muitos blogues tornaram-se verdadeiros Diários. O meu é. Mas, porque está mais exposto, não é o que devia ser. Aqui as emoções são filtradas, algumas omitidas. Não é por mal nem é para proteger o escritor; é sobretudo para proteger os outros, porque não vivemos sozinhos no mundo e a nossa vida toca na dos outros. Miguel Torga, no seu Diário, logo nas primeiras páginas escrevia assim: "Um Diário não é isto. Diário é o daquele inglês que, para que ninguém o lesse, até uma cifra inventou. O que eu diria aqui se soubesse escrever em cifra!".
E, curiosamente, actualmente acontece-me o contrário do que se passava nos meus primeiros passos da escrita privada. Se então não tinha matéria para escrever, hoje tenho matéria que não pode ser aqui escrita. Fica num outro Diário, num outro blogue, este de um só leitor: Deus que tudo conhece e tudo sabe.
Há mais de um ano que escrevo neste Diário. Preenche a minha solidão, palavra que a uns dá medo mas que a mim dá calma. É na solidão, sem música nem conversas que partilho as emoções da vida. Estou consciente de que me exponho, tento não expor os outros. Mas o que é a vida senão um corpo aberto a tudo e a todos?

sábado, 12 de junho de 2010

Amigos



Rezava assim Santa Catarina de Sena pelos seus amigos: "Deus eterno, peço-te por todos os que me deste para amar com um amor especial e com especial atenção. Quer eles sejam iluminados com a tua luz, que toda a imperfeição lhes seja retirada para que na verdade possam trabalhar no teu jardim aonde os enviaste".

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O Ano Sacerdotal

Antes de falar do ano sacerdotal que hoje termina, quero partilhar algumas fotografias de uma região que me é querida pela paisagem e tranquilidade que lá vivo. Ontem andei à volta do rio Zêzere, fui ao centro geodésico do nosso país, visitei a Batalha, antigo Convento Dominicano, passei por Fátima e, por fim, porque a vida não é um passeio, regressei ao Convento onde trabalho me esperava.








Hoje, o Papa terminou, em Roma, o Ano sacerdotal. Uma alegria triste. Se por um lado foi tempo de valorizar o papel dos padres na vida da Igreja e das pessoas, porque o padre se não está para as pessoas não tem razão de existir, pois a sua vida é estar ao serviço, por outro lado este ano foi manchado com o problema da pedofilia dos padres da Igreja Católica. Houve quem dissesse que este desmascarar partiu de dentro da própria Igreja, de movimentos que reivindicam o casamento dos padres e a ordenação das mulheres. Não quero acreditar que possa ter sido assim, como também não achei bonito aproveitar estes acontecimentos para servirem de bandeira para outras guerras dos mesmos movimentos.
Mas, quer queiramos quer não, o mal existiu e existe, infelizmente, apesar dos pedidos de perdão que o Papa possa fazer, como aliás fez esta manhã, em Roma. A questão dos afectos na vida de um padre ou está muito bem resolvida ou acaba em desequilíbrios. E, hoje em dia, estas questões podem ser detectadas antes da ordenação. Não é depois de ser ordenado padre que as coisas dão no que dão nem será a imposição das mãos que irá sanar os comportamentos desviantes.
Mas a pedofilia foi uma nuvem, espessa, negra, num céu que brilha. Também serviu este ano para pensar e agradecer a pessoas que nos ajudaram na fé. Tantos padres que morreram martirizados, que nos ouviram quando precisámos, que rezaram connosco e por nós....
Há uns meses atrás recebi um mail em que uma amiga me oferecia um vídeo do Youtube. Aqui fica como homenagem aos padres da minha vida, alguns deles que, com o seu testemunho, me entusiasmaram a seguir a Cristo como eles o fizeram.


Uma mensagem


Chego de um dia de viagem. Respondo a mails em atraso e abro cartas que precisam de ser lidas e de respostas. Uma delas, de agradecimento, traz um cartão com este desenho de um ex-dominicano, há dois anos falecido, e com esta mensagem também escrita por ele: "Olhai a terra com um olhar de criança, sorri às coisas como um homem que vai em viagem, e a esperança encherá a concha da vossa mão direita e o tempo será para vós como um arbusto que cresce". Assim termina o meu dia 10 de Junho.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

São Marcelino Champagnat


Já aqui falei de São Marcelino Champagnat e, frequentemente, falo dos Maristas, sobretudo pela assistência religiosa que lá vou dando, com a ajuda de Deus e também com a dos professores e dos próprios alunos. Ontem foi dia de São Marcelino Champagnat. Ele é o fundador dos Irmãos Maristas e está na origem dos vários Colégios Maristas, espalhados por todo o mundo.
Hoje, no Externato Marista de Lisboa, há festa, a festa do Fundador que incluiu, obviamente, a celebração da Eucaristia.
Celebrar a santidade de um homem de Deus é lembrar a sua vida, os seus ensinamentos, tomá-lo como modelo.
São Marcelino queria que os alunos que frequentassem as suas escolas fossem, ao mesmo tempo, bons cristãos e bons cidadãos. Queria que houvesse boa relação entre professor-aluno, que a educação fosse mais do que aprender a ler e a escrever. Queria que todos amassem muito a Nossa Senhora, "a nossa Boa Mãe", pois, como ele dizia: "Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus".
Era uma pessoa alegre e não gostava de ver os Irmãos tristes porque, "a tristeza mata a piedade, provoca discórdias e escandaliza o próximo".
Era um homem humilde e ensinava o caminho da humildade aos que queriam ser Irmãos Maristas; esse caminho tinha quatro etapas. A primeira é procurar conhecer-se, a segunda meditar nas vantagens que a humildade traz e nos males que o orgulho produz, a terceira praticar a obediência e a caridade e, finalmente, conservar a modéstia em tudo e em toda a parte.
Era um homem caridoso, sobretudo para com os mais pobres e amava a pobreza. Dizia que a limpeza e a simplicidade deveriam ser os únicos ornamentos das casas dos Irmãos.
Era um homem perseverante. Perseverante na oração, na correcção dos seus defeitos, diante das dificuldades e adversidades... Perseverança que o tornava firme e constante nos seus projectos e intuições.
Neste ano Sacerdotal, tenho pena que tenhamos ficado só na figura do Santo Cura de Ars. Teria sido muito enriquecedor iluminar outros padres que deram a sua vida a Deus gastando-a ao serviço dos irmãos.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Um santo passou por nós


Recebo um mail de uma amiga com este título. Estava à espera de um powerpoint ou de um vídeo do Youtube. Mas não. Era sobre o P. João Resina, que ontem faleceu, no hospital de S. José, após cinco meses de internamento.
Ontem e hoje tenho vindo a escutar alguns testemunhos do P. João. Homem da ciência, Professor de Física, no Técnico, homem de Deus, quer pelas palavras quer pelos actos, homem entre homens, que a todos nos empurrava para o caminho da autenticidade da vida cristã que implica sempre compromisso.
Conheci-o há 10 anos, quando veio pregar um retiro à minha comunidade. Lembro-me que estavamos com alguma dificuldade em arranjar um pregador que nos agradasse. Por fim saiu o nome do P. João que foi unanimemente aceite.
Há três anos, na sequência de um AVC, teve de abrandar o ritmo na sua actividade pastoral na paróquia do Campo Grande. E pediram-me que o substituísse na 'Missa das Seis'. É daqui que vem a minha recente ligação e colaboração no Campo Grande.
Do P. João guardarei duas coisas: a profundidade da sua mensagem e a sua simplicidade na sua transmissão.
Quando começo a pensar na homilia do Domingo, leio sempre dois comentários às leituras. Um deles é o livro das suas homilias, que ficarão como testemunho de que a fé só tem sentido quando amamos verdadeiramente a Deus e ao próximo, sobretudo os pobres e os que sofrem.
O P. João morreu no dia do Corpo de Deus. Há uns anos atrás, também num dia do Corpo de Deus, ele dizia assim numa homilia: "Chamamos a este encontro comunhão. União de cada um de nós com Ele, união de cada um de nós com todos os irmãos. E que sentido teria unirmo-nos a Cristo, alimentando ou aceitando a desunião entre os irmãos. Mais: não esqueçamos que a Comunhão não é o convite a fechar os olhos ao mundo. Somos despertados para ir ao encontro dos homens, trabalhar no duro, como Ele trabalhou, por um mundo diferente, onde haja justiça, paz e amor".