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A mostrar mensagens de Setembro, 2013

Abismos

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No próximo domingo iremos escutar uma parábola transversal a todos os tempos: o abismo cada vez maior entre ricos e pobres: os ricos cada vez mais ricos ou, em tempos de crise como os que vivemos, um pouco menos ricos e os pobres em tempos de crise e fora dela, cada vez mais pobres. Realidades terrestres que, sendo contraditórias neste mundo, se invertem no dinamismo do Reino. Se neste mundo o abismo entre ricos e pobres é grande ele torna-se intransponível no Reino de Deus: os ricos serão pobres e os pobres ricos, porque deles é o reino dos céus. Comportamentos consequentes é o que Jesus nos pede no dia-a-dia. E dar ouvidos ao Evangelho, que tão claro nos fala. Bom domingo!

Cartas de amizade espiritual

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Estou a terminar a tradução de umas cartas muito especiais e queridas na Ordem Dominicana: as cartas do Beato Jordão de Saxónia com a Beata Diana de Andaló. O cuidado e a preocupação de um pelo outro são sinais do que mais belo pode acontecer entre nós, humanos: a amizade. Ele, como Mestre da Ordem sempre a girar pelos conventos da Ordem e ela, no Mosteiro de Santa Inês de Bolonha, a rezar por ele. Sempre que ele tem tempo escreve-lhe uma carta, sempre com saudades e vontade de se encontrarem. Não temos as de Diana a Jordão; só as de Jordão para Diana.
Casualidade ou não, na semana passada enviei uma carta às Monjas de Lamego, elas estavam preocupadas com as decisões do Capítulo Provincial a meu respeito e, como não têm Internet nem conta de e-mail, teve que ser mesmo carta. Livrei-me de escrever à mão, actividade que pratico cada vez menos, excepto nas assinaturas e algumas notas. Caso contrário, tudo no computador.
Chegou a resposta. Publico-a aqui, para verem o que é este sentimento…

Doze dias premonitórios

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Dizem que o tempo dos últimos doze dias do ano são premonitórios para o resto do ano: dia 20 mês de Janeiro, dia 21 mês de Fevereiro, e por aí fora.
Mal comparado, estes doze últimos dias têm sido também eles premonitórios. Entre o que tenho de abandonar e o que tenho de assumir, papéis para um lado e caixas para outro, livros emprestados que se acumulam à espera de tempo para serem lidos, adaptações e outras coisas, prevêem bem o que aí vem. Não se assuste o leitor que os meus movimentos serão mais internos que externos. Lisboa continuará a ser o meu areópago embora outras diásporas também farão parte da minha vida.
Este intróito é só para explicar a ausência no blogue nos últimos dias.
Mas ontem á noite, entre o serão e o sono, li de uma assentada  um pequeno livro que me ofereceram. Chama-se Óscar e a Senhora-Cor-de-Rosa. É a história de um menino de dez anos que tem um cancro e restam-lhe doze dias de vida (daqui os doze dias premonitórios) que os vai aproveirar para escrever cartas…

Deus e o dinheiro

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O Evangelho deste domingo tem o seu quê de desconcertante: Jesus conta uma parábola sobre um administrador infiel, que acaba por ser elogiado pela sua desonestidade e esperteza. Histórias destas, de administradores infiéis, que vivem de lucros, mentiras, favores e cunhas, infelizmente não são parábolas, acontecem em vários âmbitos das nossas sociedades. Mas o Evangelho é duro para os filhos da luz, para os discípulos de Cristo: é que não podemos servir a Deus e ao dinheiro, ou seja, o dinheiro não pode estar à mesma altura de Deus e, definitivamente, não se pode tornar o nosso deus. Esta é uma questão séria para quem quer ser cristão a sério. Será que Deus, para nós, vale mais que outras riquezas? Bom domingo!

António Ideias e a procura de Deus

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Sou amigo do António Ideias e ele é também meu amigo. Se vivêssemos há uns séculos atrás seríamos bons amigos espirituais. Admiro a sua fé e o seu testemunho. Desde que o conheço e como o conheci, vejo nele um homem que caminha e voa, que em tudo procura Deus e certamente o encontra mais que eu. Também ele me ajuda a ir encontrando Deus. Pensamos de modo igual sobre Deus e os homens, sobre a Igreja e os caminhos do mundo. Poucas vezes discordámos em assuntos mais espirituais. Admiro-o porque no difícil que já viveu conseguiu encontrar refúgio em Deus. Procurou-me há uns anos por questões espirituais e, há um ano, pôs-me à roda com ele e com outros, todos pilotos, na formação de um grupo de pilotos católicos. O grupo está formado, vai andando, de acordo com as escalas e as vidas de cada um. Faz parte dos seguidores deste blogue. É para mim uma honra. Teve um acidente grave na semana passada e está em coma no hospital. Fui vê-lo na sexta-feira. Demorei pouco, não me atrevi a falar-lhe…

O segundo programa de rádio

Passou na sexta-feira, na Antena 1, o segundo programa de rádio que gravei para a Rádio Ecclesia, no contexto da Semana Social. Este segundo programa fala um pouco sobre o meu trabalho no Hospital da Luz. Aqui deixo o link, se quiserem ouvir: Rádio Ecclesia.

Acolher ou excluir?

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O Evangelho deste domingo que começamos agora a celebrar parte de uma murmuração dos escribas e fariseus sobre o contacto de Jesus com os publicanos e pecadores: “Este homem acolhe os pecadores e come com eles”. A resposta de Jesus a esta observação é em discurso indirecto, através de três parábolas muito conhecidas, em que nos falam da procura de alguma coisa que se perde (uma ovelha, uma moeda, um filho) e da alegria quando se encontra. Jesus ensina-nos, assim, que para Deus não há excluídos e que nós devemos alegrar-nos mais com o acolhimento do que com a exclusão. Esta foi a missão de Jesus, esta é a missão do cristão. Serão verdadeiros os nossos sentimentos de acolhimento do outro na nossa vida e na nossa comunidade? Bom domingo!

Exaltação da Santa Cruz

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Demorou tempo para que os cristãos compreendessem o valor da Cruz. Por muito que São Paulo dissesse que a Cruz é glória mesmo quando para uns é escândalo e para outros loucura, nos primeiros séculos a Cruz era mesmo vergonha. Jesus dizia aos discípulos que tinha de subir a Jerusalém para sofrer, morrer e ressuscitar e logo, Pedro, lhe diz: Deus te livre de tal, Senhor! E, como nos diz a tradição, o próprio Pedro andava a fugir da Cruz, fugindo de Roma, até que lhe aparece o Senhor e lhe diz que vai a Roma para ser crucificado. Pedro segue, então, Jesus, e acaba por ser também crucificado.
Hoje a arte estragou muito as cruzes. Transformam em obras de arte o que foram dois paus toscos, mal acabados, presos com cordas ou pregos para aí crucificarem um malfeitor que se dizia Filho de Deus. Trazemos e mostramos as cruzes que trazemos ao peito e esquecemo-nos da que trazemos às costas, às vezes tão difícil de carregar.
Hoje a Igreja celebra a Exaltação da Santa Cruz. Não sabemos como era a c…

Programa de rádio

Decorre em Fátima, durante esta semana, a Semana Socia. Este ano, à sombra do Ano da Fé, o tema é Testemunhar a caridade no ano da Fé. A Agência Ecclesia pediu a minha colaboração para dois programas de rádio, na Antena 1. Ontem passou o primeiro, na sexta-feira será o segundo. Deixo aqui o link de acesso ao programa de rádio: Ecclesia Rádio.

Uma visita de honra

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Recebemos, hoje, no convento, uma visita de honra. O Patriarca de Lisboa, que é também Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa veio jantar connosco. Com o Capítulo, ainda reunido, e com a Comunidade. Foi um jantar simples mas agradável, com a presença de um bispo próximo, que falou se si e que nos escutou, com a mais valia de ser historiador e podendo complementar as conversas com dados históricos e especialmente dominicanos (Convento do Corpo Santo, Madre Teresa de Saldanha, Bartolomeu dos Mártires...).
Oferecemos-lhe algumas das nossas publicações mais recentes e pedimos-lhe que assinasse o nosso livro de honra, onde escreveu uma breve dedicatória chamando-nos de "meus irmãos dominicanos". No final despediu-se calmamente de cada um de nós e pelo nome! A um dos irmãos presentes, que vai mudar de convento e de apostolado disse-lhe: "boas mudanças exteriores e interiores". Belo conselho. Que assim seja.
E pronto, o Capítulo está a acabar. Amanhã o Provincial c…

Visita-relâmpago

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Sem querer nem estar programado tive que ir a Lamego. A pedido do Bispo de Lamego fui presidir à eleição da nova priora do Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia, do qual sou visitador por parte da Ordem.
Como tinha algum tempo disponível fui na véspera, dia 8, dia de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade de Lamego. Ainda deu para ver as ruas e o escadório iluminado. E, na segunda de manhã, ainda tive a possibilidade de ir até à Régua, tomar um café. O bom tempo, a calma do rio Douro e a beleza do socalcos, dão à vila e a quem lá passa uma tranquilidade que nem mesmo o helicóptero, que de repente aparece para apanhar água para apagar algum fogo, consegue tirar.
Por fim, às 16 horas, começou o acto de eleição, em tudo igual ao dos frades excepto que, para as monjas, as eleições têm que ser presididas pelo Bispo ou por algum padre por ele delegado. Calhou-me a mim e também a um outro padre, assistente do Bispo para a vida religiosa da diocese. As nossas eleições começam sempre…

Renunciar para seguir caminho

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O Evangelho deste domingo usa três verbos exigentes para a caminhada cristã: preferir, tomar e renunciar. Jesus diz que temos de o preferir acima de tudo, inclusivamente que a nossa própria vida, que temos de tomar a nossa cruz para o seguir e renunciar a todos os bens para poder ser seu discípulo. Estes três verbos trazem consigo a liberdade e as consequências de uma escolha. Palavras exigentes às quais o cristão tem de se moldar. Não podemos usar a mensagem de Jesus só para o que nos convém. A radicalidade da vida e da mensagem de Jesus passou por uma grande humildade, que leva o discípulo a não querer outro caminho a não ser o do mestre. Estaremos nós prontos a renunciar para seguir caminho? Bom domingo.

Iniciativas de paz

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Ao mesmo tempo que se fazem as negociações para a guerra, levantou-se uma voz simples mas mais forte, que pediu que não se avançasse para o confronto mas que o diálogo ajudasse na promoção da justiça, olhando mais ao bem comum do que aos interesses pessoais, tendo em conta, sobretudo, que os indefesos, que são sempre os mais castigados e as principais vítimas da maldade humana. O Papa Francisco convocou para amanhã um momento de oração e de jejum pela paz no mundo inteiro, mas em especial pela paz Médio Oriente e na Síria. Toda a humanidade está convocada para esta jornada: católicos e não-católicos, crentes e não crentes, todos os homens e mulheres de boa vontade. O que o papa pede é simples: que troquemos os nossos programas de sábado à noite por um momento de oração e de jejum. É simples: em vez da telenovela, do facebook ou do tempo imoderado na internet, que haja um momento de oração em família, ou numa comunidade cristã, a pedir a Deus que nós, humanos, nos entendamos e percorr…

Novo Provincial: Te Deum Laudamus!

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Os dominicanos portugueses têm novo provincial: fr. Pedro Fernandes. Vem do Porto, onde é pároco da paróquia de Cristo-Rei. Nas nossas Constituições, acerca dos elegíveis a priores - e neste caso o de prior provincial, lê-se que deve ser "prudente, caritativo, zeloso pela observância regular e pelo apostolado". Ao fr. Pedro cai-lhe que nem uma luva. Ficam mal as felicitações de "parabéns". Quando não se é candidato nem se não se está à espera... A melhor felicitação, no meu ponto de vista, é de agradecer ter aceitado e transmitir-lhe força e fraternidade. Faço minha, para ele, a oração dominicana de envio de um frade em missão: Cristo Jesus, que é o Caminho, a Verdade e a Vida
trace, segundo a sua vontade, o teu caminho
os teus pensamentos e todas as tuas acções.
De dia, a sombra benfazeja do Senhor te envolva
de noite, que um tranquilo descanso
revelador da sua graça te reconforte.
Que a mão do Senhor te conduza
e que Ele envie diante de ti, como companheiro,
o anjo da …

Um Cristo de um tronco

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Coloquei à entrada do meu quarto, este tronco, tosco, que, ao perguntar em Feirão o que fazia lembrar, a maioria dos olhos só viam uma fisga. Tinha ido, de manhã, apanhar lenha para queimar nos assados e, enquanto estraçava a lenha (pela serra de Montemuro usa-se esta palavra para significar partir, rachar), ao pegar neste tronco, tirei só os ramos, em movimentos rápidos e automáticos, e quando o ia atirar para a caixa da lenha olhei melhor e vi, naquele tronco o corpo de Cristo. Aos poucos consegui convencer a família de que poderia ser o corpo de Cristo. O meu tio deu um tratamento à madeira para se não estragar e colocou atrás uma pequena argola para pendurar. Queriam que o deixasse em Feirão mas não, veio comigo. Partilho-o hoje convosco.