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A mostrar mensagens de Maio, 2014

Crismados

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No sábado passado foram crismados na paróquia de São Domingos de Benfica sessenta e três cristãos. De vários grupos e procedências, vinte e sete foram daqui do Convento. Na realidade o grupo era de trinta, sendo que três fizeram a iniciação cristã na vigília Pascal. Não se tratou só de abrir inscrições. De facto, adultos que queiram ser crismados (ungidos) têm que aprofundar a sua fé e a sua relação com Deus. Estes, de Outubro até sábado passado, cá se reuniram, num ritmo quinzenal, para aprender a abrir e a ler a Bíblia, a entrar nos dogmas da fé (Credo) e na vida da Igreja (sacramentos).
Fazer caminhada com gente adulta vale a pena. Porque querem, porque se interessam, porque se entregam, porque querem avançar... e nós vamo-nos dando também.
Um mês antes do Crisma, decidiu-se que escreveriam uma carta ao bispo que os ia crismar - este ano foi o Sr. Patriarca - e nessa carta escreveriam o que quisessem, mas que tivessem presentes duas questões: porquê avançaram? Que compromisso faze…

As promessas de Jesus

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Jesus promete-nos, no Evangelho deste domingo, que estará sempre connosco. Presença que não será física mas sim, e essa garantida, espiritual e sacramental. Palavras que nos dão força e coragem para o anúncio do Evangelho. Esta presença não quer dizer que não iremos sofrer; quer dizer que Ele estará connosco. Esta é a força que a Igreja necessita para o seu apostolado: o Espírito Santo, assim conduziu a vida e a missão dos Apóstolos é o mesmo e com o mesmo vigor que hoje conduz a nossa vida. Bom domingo!

Aguarelas

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Finalmente tive uns minutos para, antes de aqui vir, ir colocar no site dos dominicanos, do qual sou o responsável (ainda que muito ausente), umas aguarelas digitalizadas.
A autora e artista, Luísa Albuquerque, que tenho por amiga, minha e dos dominicanos. Há tempos pedi-lhe um trabalho ambicioso (da minha parte): pintar as etapas da formação dominicana. Fê-las e ofereceu-as. Irão ficar em quadros numa sala do convento. Digitalizei as imagens e deixo-as hoje aqui, com um grande obrigado à Luísa. São quatro, referentes às etapas da vida dominicana: aspirantado, postulantado, noviciado e estudantado. Se quiserem saber mais sobre este tema vão ao site dos dominicanos, link vocações.

Sempre com Jesus

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Jesus, caminho da minha vida,
vem ao meu encontro nas encruzilhadas da indecisão,
ilumina os meus passos com a tua luz,
pega-me ao colo quando me sentir cansado,
e sê peregrino, comigo, na estrada do bem.

Jesus, verdade que me liberta,
ensina-me as palavras do perdão e da misericórdia.
Que a verdade que tu és e praticaste
seja modelo para a minha vida
que algumas vezes se desvia
pela mentira e pela omissão.

Jesus, vida da minha vida,
enche-me do teu calor,
afasta de mim as nuvens da morte e do pecado.
Que vivendo para ti viva da tua abundância,
que olhando para o meu próximo lhe leve a tua vida e a tua paz.

Jesus, caminho, verdade e vida,
dá-me a tua mão e conduz-me ao Pai.

Jesus e o Pai

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Em plena Páscoa, a liturgia deste quinto domingo convida-nos a reler uma parte do discurso de Jesus depois da Última Ceia. Jesus, sabendo o que lhe ia acontecer e o que isso traria de tristeza e desilusão aos seus discípulos, fala-lhes da sua missão depois da morte: vai à nossa frente para nos preparar o lugar. Para onde vai? Para junto de Deus, Pai. Como é que se vai para lá? Por Jesus, que é o caminho. Jesus afirma-se como o Caminho, a Verdade e a Vida. Três atributos que deveriam estar presentes na nossa vida cristã: caminharmos sempre à luz do Evangelho, viver e procurar sempre a verdade e garantir para nós e para os outros a vida em abundância que Jesus tem para dar. Jesus quer para os seus discípulos relações iguais às dele com o Pai. Estaremos nós a corresponder a este desejo do Senhor? Bom domingo!

Jesus foi confundido

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Nos relatos da Ressurreição, Jesus foi confundido pela Madalena por um jardineiro. Muito certamente porque no primeiro dia da semana, naquele tempo também primeiro dia de trabalho, todos recomeçavam os seus trabalhos. Na zona do túmulo de Jesus haveria um ou mais jardineiros que cuidavam dos espaços verdes. Mas mesmo biblicamente esta imagem de jardim e jardineiro está muito presente: não é Deus o jardineiro que cria o Éden, jardim do paraíso, onde Adão e Eva passeavam e falavam a Deus como com um amigo? A amada do cântico dos cânticos não andava nos jardins à procura do seu amado ?
Ora, a frescura do jardim, a manhã das flores que se abrem ao sol e se erguem para o alto, lembra, e bem, o Ressuscitado, que numa manhã florida, brotou da terra e floriu para nunca mais murchar.
Mas serviu este preâmbulo para aqui partilhar algumas fotografias que tirei a flores do Convento. As grandiosas estrelícias, também e curiosamente chamadas "aves do paraíso", e umas orquídeas que me ofe…

Um centenário

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Há umas semanas coloquei na agenda do computador o primeiro centenário do meu avô paterno. Nunca aqui falei dele; chegou hoje o seu dia. Para dizer que foi das pessoas mais calmas que conheci. Tudo o contrário da minha avó paterna e do meu lado materno. Quando nasci tinha ele 62 anos. Homem pobre, com sete filhos, com o pouco que herdou dos pais e dos sogros teve que migrar, poucos quilómetros, para uma terra do mesmo vale, o Rossão, para ir fazer umas terras e delas tirar algum lucro. Os filhos foram todos à escola. Não passaram da instrução primária, mutilados da infância e do estudo porque de casa iam para a escola e da escola voltavam para casa para ir trabalhar. As raparigas, tecedeiras como a mãe, os rapazes ficavam por conta do pai. Os mais velhos a cavar e a lavrar como homens e os mais novos ajudavam no que podiam, iam para o monte e os do meio - o meu pai, por exemplo - iam muitas vezes de terra em terra entregar as mantas feitas no tear.
Tudo se criou, refrão muito usado p…

Às cavalitas

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Hoje fui à Ajuda de Berço. Uma das crianças repara sempre nos pormenores e gosta muito de usar as coisas que eu levo, normalmente o relógio. Mas hoje reparou no fio que trago normalmente escondido, e perguntou-me o que é que eu tinha no fio. Descoberto o encoberto, mostrei-lhe uma pequena cruz, que me ofereceram, de metal, igual à do Papa Francisco e que ilustra este post. Ele olhou para ela e interpretou: tu és este (era Jesus) e este sou eu, que estou às tuas cavalitas (a ovelha aos ombros). Pediu para a usar e dei-lha. Quando nos despedimos voltou atrás e deu-me a cruz. Perguntei-lhe se queria usar uma cruz. Respondeu: sim, uma igual à tua. Vou acabar por lhe oferecer a minha porque cruzes de trazer ao pescoço há muitas.

Mais desenhos

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Duas meninas ofereceram-me hoje, no final da Missa, desenhos que fizeram. Do Bom Pastor, claro está, não fosse hoje o seu domingo. E perceberam bem a homilia: Jesus é que é o Bom Pastor! Aqui os deixo, rezando nesta noite por estas meninas para que, ao longo da vida se sintam protegidas e amadas por este Bom Pastor, que também deu a vida por elas.

O cheiro a rebanho

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Jesus, ao longo do seu ministério, usou muitas imagens para falar do Reino de Deus e dele próprio. Imagens maioritariamente rurais que, mesmo que nós não tenhamos uma ligação directa com elas, conseguimos ainda alcançar o sentido de uma parábola ou de um discurso de Jesus.
No quarto domingo da Páscoa, que começamos a celebrar, aparece-nos uma imagem de Jesus, pouco usual, em que se aforma como a porta das ovelhas. Obviamente que esta imagem é para chegar a uma outra muito mais significativa, que é a do bom Pastor. Mas quer numa imagem quer na outra, a relação é sempre a do rebanho: a porta por onde passa o rebanho, o pastor que vive e dá a vida pelas suas ovelhas.
O Papa Francisco, na recente Exortação Apostólica, pede aos pastores que "cheirem a rebanho", e que acompanhem o rebanho que lhes foi confiado: umas vezes à frente, outras atrás e outras ainda no meio. Assim como um rebanho sem pastor fica desprotegido, assim também um pastor que não se entregue ao seu rebanho corre…

O meu afilhado mais velho

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O meu afilhado mais velho, que não pertence à família de sangue, está crescido. No secundário, responsável, atento, rapaz de Igreja no bom sentido. Sou padrinho de Crisma dele, o que me honra e aproxima. Encontro-o bastantes vezes, quer na escola quer aqui no Convento, mas hoje deu para perceber isso mesmo: está crescido e responsável. Apareceu hoje no convento para preparar uma celebração mas, confusão de horários e para não andar para a frente e para trás, ficou para a Missa. Sentei-o ao meu lado no coro dos frades, rezou connosco as vésperas e esteve na Missa. Também estive na celebração que ele com outros colegas tinham preparado. No fim até comentou o Evangelho! Rapaz crescido, e responsável, torno à dizer. Que Deus o conserve atento, disponível e próximo. E faça dele um bom cristão.(Imagem: Davide Ghirlandaio, retrato de um jovem, séc. XV)

Nota 1

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"Vive a tua fé, constrói a caridade". Esta é uma das notas do meu telemóvel. Nas notas do meu telemóvel tenho frases que vou guardando, como se fossem sementes para germinar. Lá escrevi orações, "poemas", expressões que ouvi, qualquer pequena coisa que devia guardar. E listas também: dos doentes a visitar, de coisas a comprar, tudo cabe numa nota de telemóvel. Esta frase com que inaugura uma nova etiqueta neste blogue, era o refrão para uma letra de uma música de um festival de música. Infelizmente para quem ma pediu, a falta de inspiração e de tempo não deu para mais. Há duas semanas o meu telemóvel queixou-se de peso de notas. Que não podia acrescentar mais porque não tinha onde as guardar. Tive que apagar algumas, de números, que não sei a que se referiam. Mas pensei ir deixando aqui as notas mais antigas que, na altura, não vingaram mas também não têm necessariamente que ir para a lixeira electrónica sem mais.(imagem: calendário flamengo, séc XVI)

Ele continua connosco!

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Avançando na Páscoa, também nós, hoje, somos convidados a sentir a presença de Jesus ressuscitado. Neste domingo iremos escutar o famoso episódio de Jesus com os discípulos que, desanimados, regressavam a Emaús, a sua terra. Estes dois discípulos além de perceberem que Jesus ressuscitou, que era verdade o que as mulheres diziam e era verdade que tinha aparecido a Simão, descobrem ainda que Ele continua a caminhar com eles e connosco. Que nós, algumas vezes não o vejamos, não nos pode levar a dizer que não caminha connosco. Curioso este relato porque, se à Madalena Jesus dá-se a conhecer quando a chama pelo nome, aos discípulos de Emaús revela-se ao repetir os gestos da Última Ceia. Assim deveria ser a nossa vida: caminhar com Jesus a Emaús, onde Ele se dá a conhecer, mas não ficar lá: regressar a Jerusalém para testemunhar esse encontro. Bom domingo!

Primeiros passos de Maio

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Lá começou hoje o mês de Maio, mês malfadado pela chula de Paus, que o manda embora com as suas variedades. Uma vez perguntei à minha mãe porquê e ela explicou-me: Maio e Setembro são os piores meses para quem espera que a terra dê frutos...
Mas a canção não deixa de ter razão: o mês de maio tem variedades. Na minha vida, então... dizia hoje uma professora com quem estive: o mês de Maio devia ser desdobrado.
Mas lá começou o mês de Maio, como começaram estas linhas e para voltar ao tema. Hoje fui a Fátima a pé. Uma etapa de 23 quilómetros (Alcanena-Fátima), com professores e pessoal não-docente dos Maristas. Uma manhã de caminho, entremeado com mistérios do terço, cânticos e também caminhar em silêncio ou com alguém que nos alcança ou que alcançamos. É sempre custoso mas também sempre libertador. Dá para conhecer melhor as pessoas com quem cruzamos, cada uma no seu trabalho, e sem grandes margens para conversas.
Amanhã é que vão ser elas, diziam alguns; outros respondiam: já estão a ser…