quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Bom ano






Que o Deus dos recomeços e da esperança,
o Deus da alegria e do perdão,
o Deus da paciência e do amor,
o Deus eterno que entrou na nossa história,
por meio do seu Filho, Jesus,
Salvador do mundo e Príncipe da paz,
nos conceda um ano de 2015
cheio dos valores do Reino
e faça de nós discípulos da sua ternura e misericórdia.
Bom ano de 2015!

domingo, 28 de dezembro de 2014

Teve uma família

A encarnação de Jesus teve que ser o mais normal possível. Não apareceu do nada mas nasceu como qualquer ser humano e viveu numa família como todos nós. Nos nossos dias o conceito de "família" está em mudança. A própria Igreja entrou num caminho sinodal para tentar perceber e acolher as várias formas de uniões e de constituição de famílias. Não podemos estar à margem desta caminhada mas sempre tentando perceber que o acolhimento é mais belo que a recusa e que o amor terá que ser sempre a base de qualquer constituição familiar. O que santificará a família será sempre o amor e os valores que se vivem e testemunham. Bom domingo.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Depois do dia de Natal

Para mim é impensável o Natal sem Bach. Faz parte da música que escolho para me acompanhar nestes dias. Antes do dia do Natal as cantatas do Advento e, no dia 26, o Oratório de Natal. O tom alegre, jocoso, faz alegrar os tristes e rejubilar os alegres. Ninguém pode ficar insensível às harmonias de tons e sons, instrumentos e vozes de uma cantata ou do Oratório. A letra é espiritual, devota até, mas que eleva e leva-nos a rezar. Como por exemplo este coral que é uma oração e que tão bem fica neste primeiro dia de Natal:

 Como poderei acolher-te, 
e como poderei aproximar-me de Ti?
Ó Tu, que o mundo deseja, 
Tu que és o adorno da minha alma!
Ó Jesus, Jesus, vem, 
tu mesmo ilumina-me com a tua luz 
para que eu aprenda e saiba 
o que fazer o que te agrada.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Boas festas


Que a Luz nascida na noite de Natal
ilumine as nossas vidas e todas as sombrias regiões da morte.
Boas Festas.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Vem, Senhor Jesus

Vem, Senhor Jesus,
traz à nossa natureza o calor do teu amor.
Traz ao nosso mundo a luz da tua paz.
Vem, Senhor Jesus.

Vem, Senhor Jesus,
desenha a nossa vida com cores de esperança,
semeia no nosso jardim as flores da alegria.
Vem, Senhor Jesus, não tardes mais.
Maranatha!

domingo, 21 de dezembro de 2014

O desejo de Deus: a nossa felicidade

Este é o último domingo do Advento. Hoje escutamos no Evangelho o episódio da anunciação do Anjo a Maria. Já o escutámos duas vezes ao longo do tempo do Advento, mas hoje, acolhemos esta Palavra de Deus como um feliz anúncio para a humanidade, naquele tempo e no nosso tempo.
O Anjo dirige-se a Maria com a típica saudação comum no tempo de Maria: Salve, Ave, Kaire, em grego, todas com o mesmo significado: Alegra-te, Maria, porque Deus te escolheu a ti, cheia de graça. Este anúncio, cheio de alegria e de esperança, assim são sempre as mensagens de Deus, devem ecoar hoje no nosso coração: alegra-te, porque eu venho a ti, à tua vida, para te dar a alegria e a esperança.
Deus vem à nossa vida para a encher da sua presença e dar-nos a felicidade que precisamos, que significa, vivermos cheios do amor de Deus. Maria percebeu que a felicidade da humanidade passava pelo seu sim. Deu-o, sem reservas nem prazos. É este sim que cada um de nós deve dar, sempre que Deus no-lo pedir.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A caminho de Belém

Hoje começa a segunda parte do nosso Advento. Também nós nos pomos a caminho, como Maria e José. A caminho de Belém, Maria, grávida, vai montada num burrinho, coitado, que os transporta. O burro, figura secundária mas útil na vida de Jesus: de Nazaré a Belém transportando a mãe e o filho, em Belém tem lugar no presépio, aquecendo o Menino, de Belém para o Egipto, ajudando na fuga para não ser morto pelo malvado Herodes, talvez do Egipto para Nazaré e, finalmente, na entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém, que lembramos no Domingo de Ramos. Mas, neste tempo, o burro lá faz o seu trabalho: guiado por José vai calmamente para Belém, onde o Menino vai nascer.
Mas hoje, com José e Maria, encaminhamo-nos para Belém, onde o milagre da encarnação de Deus vai acontecer. Outro milagre pode acontecer na nossa vida: que o nosso coração seja o presépio, onde Jesus possa nascer.
(Fotografia enviada por uma amiga minha, que agradeço)

sábado, 13 de dezembro de 2014

E nós, quem somos?

O Evangelho deste domingo volta a falar-nos de João Baptista, mas desta vez, com a insistente pergunta que lhe fazem para saber quem é ele. Para João não há confusões: ele não é o Verbo, ele é a Voz. E uma voz incómoda, que clama no deserto, que prepara a vinda do Messias. João Esta pergunta a João é-nos hoje devolvida a cada um de nós: e nós quem somos? De que luz damos testemunho? Que palavras evangélicas proclamamos no nosso mundo? Hoje, cada um de nós é chamado a ser "João Baptista" na radicalidade da sua vida (enraizada em Jesus) e ser testemunha da Luz do mundo que é Cristo. O mundo pergunta à Igreja e aos cristãos: Quem sois? E, nós, que resposta damos? Bom domingo!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Os caminhos do Advento

Dura semana de confissões nos Maristas. Um após outro, cada um saberá o porquê sair do meio de uma aula para se confessar. Alguns são uns valentes pelo testemunho que dão.
Num intervalo reparei que, num vidro de um gabinete de coordenação estava um "Calendário de Advento", uma dinâmica importante e interessante para este tempo que nos leva ao Natal. Construído pelo "Marcha" (antigo "Animar"), em cada dia desvela-se a acção que vai estar presente durante o dia, desde o mais banal como "vou ajudar a minha mãe a fazer a cama" até ao "esta noite vou dizer a Jesus que o amo". Pequenos gestos que nos levam a grandes mudanças.
Coisa interessante para as famílias. Construir um calendário e, em cada dia, antes de sair de casa, ler o compromisso e praticá-lo. Quantas vezes os dias passam e nós nem nos damos conta?

sábado, 6 de dezembro de 2014

O verdadeiro São Nicolau

Toda a gente sabe que o Pai-Natal é uma péssima recuperação de São Nicolau, santo que a Igreja hoje celebra. O consumo (em especial a Coca-Cola) transformou-o num velho barrigudo, de barbas brancas e gorro. A única coisa que talvez tenha conseguido transmitir é o sorriso. Não se costumam ver "Pais-Natais" tristes e cansados. Cansados já se vêem. Não sei quem me comentava que na confusão de quem dá as prendas se dizia que era o Pai Natal. E alguém que tinha aprendido que era o Menino Jesus disse que não. E a contra-resposta foi que o Menino Jesus ajudava o Pai Natal porque era velhinho e andava cansado.
Hoje é o dia de São Nicolau e não o dia do Pai-Natal. Na quinta-feira passada li no Jornal Avvenire, um pequeno artigo de uma religiosa sobre a verdadeira história deste santo. Não vou aqui traduzir o artigo mas sim resumi-lo: Nicolau, que ainda não era bispo de Mira, te estando nós no século IV, teve conhecimento de uma história dramática: uma família nobre e rica cai na miséria. O pai, com vergonha do estado de pobreza em que estava, não tendo dinheiro para o dote do casamento de uma das filhas, decide atirá-la à prostituição. E Nicolau, às escondidas, atirou pela janela da casa desta família três bolas de ouro, com as quais o pai poderia casar a filha não deixando que ela seguisse o caminho pensado.
E a autora deste artigo parte daqui para dizer que a fé sustém e a graça vem ao nosso encontro pela Providência. Mas faz uma justa interpretação do Pai-Natal nas nossas decorações, desviando-o da Coca-Cola e do comércio frenético deste tempo, quando diz: "São Nicolau e as suas três bolas de ouro, percorreram a história, passando da casa do nobre de Patara às nossas árvores de Natal, como promessa de uma providência que não faltará e de uma visita do Alto que não deixará de trazer frutos à nossa vida".
Hoje é dia de São Nicolau. Dia de lembrar os mais pobres e aflitos e estar ao serviço da Providência para os ajudar. E posso pensar: porque é que não compro uma prenda a quem, provavelmente, não irá ter nenhuma?
(Fotografia: pormenor do Retábulo de São Cassiano, séc. XV)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Questões vitais

Ontem, num hospital de Roma, houve um encontro teológico-filosófico sobre a questão da eutanásia. Pena tenho eu que, na Igreja Católica, não poucas vezes, resumamos as questões da vida ao aborto e à eutanásia. Todos os cristãos devíamos reflectir, muito e profundamente as palavras de Jesus "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância". Mas achei interessante, num hospital, haver um encontro sobre a eutanásia, não na perspectiva da ciência ou da medicina, mas na perspectiva teológica e filosófica. Porque a vida humana é mais que uma questão de ciência. O valor e a dignidade de uma vida não depende só dos seus limites biológicos, ultrapassa-os. Mas, como digo, é bom perceber que as três grandes religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo são contra estes "atentados" à vida. Até nestes dois extremos, que são o início e o fim da vida. Aqui, a ciência (medicina) tem critérios avaliativos muito diferentes: se no aborto tem certeza para dizer que ainda não há vida, ainda não é um ser humano, para a eutanásia consegue dizer que, em certos casos, a situação de alguém, já não é vida. Portanto, deixamo-nos reger pelas nossas ideias em vez de encararmos a verdade filosófica (ontológica) da vida humana. Não é a mesma coisa um embrião humano que outras células que se multiplicam, como não se pode por fim à vida quando achamos que uma doença que nos ataca já não nos dá bom viver. E como a inteligência humana não tem limites - para o bem e para o mal - depressa estas questões vão avançando de acordo com ideologias ou convicções políticas (recentemente perguntaram-me se tinha visto na televisão um debate sobre a questão da eutanásia. Respondi que não, explicando: além de não ver televisão, as questões da vida não podem ser debatidas por políticos. Politizar o aborto ou a eutanásia é perverter toda a reflexão porque, não sejamos tão inocentes, muitas das propostas políticas não têm tanto em vista o bem comum mas o ter mais votos e conquistar o poder). Fugindo do aborto e da eutanásia, como se explica que um partido político defenda o não aborto e a não eutanásia, e depois venha a destruir famílias com políticas destrutivas como o desemprego, a emigração, e por diante? Não perceberão os políticos que não criar condições dignas de viver é tão grave como permitir o aborto ou a eutanásia? Não conseguem perceber que mandar emigrar, cortar nos salários, despedir pessoas é atentar contra a dignidade da vida humana? Se há virtudes que a política perdeu foram a transparência e a coerência.
O que diferencia e muito as sociedades democráticas da civilização grega das nossas pretensas sociedades democráticas, não é só o verdadeiro interesse pelo bem comum mas, sobretudo, porque entre os gregos havia pensadores, filósofos, que pensavam e punham a sociedade a pensar. Agora os políticos acham-se também filósofos, como se a política que se exerce actualmente, com tantos escândalos, perversões e interesses privados, pudesse ser compatível com a filosofia ou a ontologia. A filosofia não se rege por  números, normas económicas ou por conquista de votos mas sim pela existência humana, no que tem de mais nobre e sagrado.
Por isso, tenho para mim, que as questões vitais não podem ser, de modo algum, propostas, discutidas e decididas pelos políticos. Porque lhes falta o verdadeiro sentido da política: o bem comum, a dignidade da pessoa humana (que vai muito além do aborto e da eutanásia) e a boa formação da consciência. Quando vejo políticos envolvidos em negócios escuros (e nem todos são públicos) não fico só na vergonha da corrupção económica, mas penso sempre: como é que pessoas como estas, que estão ou deviam estar ao serviço do bem comum, são tão mal formadas ao ponto de terem atitudes destas? Podemos ter confiança nestes políticos e das suas políticas?
Para terminar e voltar ao tema que aqui hoje me trouxe, faltam nas nossas sociedades democráticas, pessoas (pensadores, sábios, filósofos) que sejam contracorrente das políticas baratas, para se poder fazer a verdadeira política: eu não mato ninguém não porque a lei me proíbe mas porque a vida e a dignidade humana é inviolável. Não são os políticos que me fazem chegar aqui, são os que pensam e formam a consciência social, envolvida na ética. Só assim as questões vitais serão verdadeiramente vitais para a sociedade.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Trabalhos da Comissão

Estamos a meio dos trabalhos da Comissão. Hoje tivemos a alegria de ter connosco o Mestre da Ordem que, apesar da sua agenda sempre tão cheia, conseguiu estar com a Comissão um pouco mais de uma hora. Escutou e falou, como gosta de fazer. Falámos das coisas mais técnicas da Comissão mas também do espírito comunitário da liturgia na Ordem. Quer que a liturgia seja um foco de união na Ordem e, para isso, conta connosco.
É sempre bom estar com o Mestre da Ordem. Aprendemos a simplicidade e a humildade.
No fim do encontro tirámos a fotografia oficial da Comissão. Aqui fica para a posteridade.

O pão que se parte e reparte

O Evangelho de hoje, a multiplicação dos pães na versão de São Mateus, fala mais do contexto do que do milagre em si. Do milagre apenas se diz que Jesus, tomando os sete pães e alguns peixes, abençoou-os, partiu-os e repartiu-os entre os discípulos que o distribuíram pela multidão. Estão aqui os gestos eucarísticos, que Jesus vai fazer na Última Ceia e na Ceia de Emaús; mas impressiona quem se aproxima de Jesus: uma grande multidão, com muitos coxos, aleijados, mudos, cegos e outra tanta gente. Jesus cura-os, tem pena deles porque há três dias que estão ali e não têm que comer.
Grande missão a da Igreja se repetir estes gestos de Jesus. O pão que se distribui por toda esta multidão, curada e alimentada por Jesus. Esta é a missão da Igreja: curar e alimentar quem dela se aproxima. Soeur Emmanuelle, uma mulher que entregou a sua vida a Deus gastando-a nos bairros de lata do Cairo e do Sudão, quando rezava o Pai nosso e pedia o pão de cada dia, explicava: o pão do coração e o pão da inteligência. O pão do coração que é o pão do amor e o pão da inteligência que nos ajuda a bem viver sobre a terra.
Em tempo de Advento, ao ouvir esta passagem do Evangelho, podemos pedir a Deus que nos ajude a curar e a alimentar tanta gente que tem fome de Deus. E volto a Soeur Emmanuelle (estou a ler alguns dos seus escritos): "Deus fez-se homem para ajudar os pobres. Nós cumprimos a nossa religião se ajudarmos os pobres. Queremos amar-nos uns aos outros de forma sincera, de ter, como Cristo, uma preferência por todos aqueles que sofrem e de trabalhar, se possível ao mesmo tempo, com todas as nossas forças, para que sobre a terra haja menos injustiças".

(imagem: multiplicação dos pães e dos peixes, miniatura de um livro de horas de 1240)

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ano da Vida Consagrada

No passado domingo começou o Ano da Vida Consagrada. Quer o Papa que este ano a Igreja reflita e viva o grande dom da vida consagrada na Igreja, "fazendo memória do passado, abraçar o futuro com esperança e viver o presente com paixão".
A Rádio Renascença convidou-me a participar no programa "Princípio e fim", conduzido por Ângela Roque, no qual dei uma pequena entrevista sobre este tema. Aqui está o link para quem quiser ouvir:
http://rr.sapo.pt/informacao_prog_detalhe.aspx?fid=189&did=170581

Também, às sextas feiras, noite de Natal e dia de Natal irei colaborar na rúbrica de sexta-feira "Reflectindo", de Francisca Favilla, com pequenas reflexões para viver o Advento. Na próxima sexta é já a primeira.


Roma com mau tempo

Estou em Roma, vim para a reunião da Comissão Litúrgica da Ordem, que, nos próximos seis anos, vai ser por mim coordenada. Começaremos dentro em pouco, com temas a tratar e debater, e trabalho a fazer.
Mas desta vez Roma está cinzenta. Desde que o avião aterrou, e isto ontem, não tem parado de chover. Ainda houve uma aberta para poder ter ido ao Vaticano mas, à vinda, já a trovoada se fazia sentir por lá e, durante a noite, veio mesmo para o Aventino. Talvez porque entre este monte e o outro lado do rio haja um declive, o eco dos trovões, além de nos acordar, metiam respeito.
Mas tudo tem o seu tempo, e até os raios e nuvens podem louvar o Senhor.