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A mostrar mensagens de Agosto, 2015

Uma liturgia que faz vibrar

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A comunidade tem vivido dias de saudável alegria. Desde a semana passada que temos connosco cinco postulantes, vindos de Angola, que nos fizeram um refresh neste mês de Agosto. São expansivos e contagiam a sua alegria. Apesar de ser um pouco cansativo para mim - é a primeira vez que estão na Europa, tudo é novo e tudo demora o seu tempo - têm vindo a aprender o espanhol que vão precisar para o noviciado e eu, em alguns momentos, além de sair com eles, também lhes falo um pouco da nossa vida dominicana. A mim contagiam-me também os sons africanos. De facto, a maneira leve e alegre de celebrar faz vibrar a fé, faz sentir Deus mais perto. Esta manhã falei-lhes da nossa dimensão litúrgica. Do "breviter et succinter" e do "magis et minus pro tempore observetur", que são duas expressões antigas, da nossa espiritualidade litúrgica, quer querem dizer que a nossa liturgia deve ser breve e sucinta (a primeira expressão) para não perder nem a devoção nem o tempo do estudo, e…

Divergências no fado

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Gosto de ouvir cantar o fado mas, confesso, para mim, os verdadeiros fadistas já morreram quase todos. Bem, um ainda vive, que admiro, o Vicente da Câmara. Os contemporâneos têm a sua piada, alguns até devem ser louvados pela inovação que tentam trazer à interpretação mas, como digo, dos vivos, ninguém consegue substituir a eterna Amália ou o Alfredo Marceneiro, Teresa Tarouca ou ainda a Hermínia Silva (tenho mais na lista...). Já a minha mãe pensa de maneira diferente. Diz que gosta de ouvir os fados na voz de quem os imortalizou mas outros também os cantam bem. Eu não sou assim. Nalguns casos nem consigo ouvir outras vozes a cantar fados que só ficam bem naqueles que os interpretaram. Pior é quando agora, nas escolhas da voz, tentam imitar os originais... imitações baratas. Quem canta, bem como quem lê, deve interpretar e não se contentar em imitar... Alguns exemplos: haverá alguém que cante tão bem o fado das tranças pretas como o Vicente da Câmara? Ou alguém que cante tão bem o f…

O trigo loiro

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Fui a Fátima com alguns noviços. Estão por cá uns dias de descanso e combinámos ir a Fátima num 12/13 para sentir a experiência. Eu próprio não ia num destes dias festivos há já muitos anos. E foi bom. A peregrinação de Agosto é já conhecida como a peregrinação dos migrantes, junta-se muita gente para rezar, agradecer, pedir...
Fomos então os quatro e aproveitámos a ida para também nós participarmos no programa do Santuário. Eu encontrei vários padres que não via há já algum tempo e eles viveram com intensidade as várias celebrações. Sempre emocionante é o ofertório desta peregrinação porque há o costume de oferecer o trigo, as primícias, diria eu. E, de todos os lados, com sacos maiores ou mais pequenos, nas mãos, nos ombros ou à cabeça, lá iam entregando a sua oferta. Enquanto isso cantava-se o velhinho cântico tomai e recebei as horas do meu dia... De regresso, um noviço comentava comigo: é impressionante ver que são os mais pobres que mais partilham... é um facto.

Voluntariado João 13

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O caminho do céu

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Aos santos pertencem os adjectivos mas puros e doces. Há dias, ao ler um artigo sobre São Domingos (que antigamente se celebrava neste dia), o autor dizia que a sua vida se resumia no episódio da venda dos livros: era ele estudante em Palência quando, durante uma crise que empobreceu toda a cidade, São Domingos vai vender os seus livros porque não podia estudar em peles mortas enquanto peles vivas morriam à fome. Este episódio, que talvez tenha passado despercebido durante algumas épocas da história e da espiritualidade dominicanas, agora começa a ter um especial relevo. E, se poderíamos dizer que este episódio da vida de São Domingos é puro, natural e doce, o mesmo se pode dizer de um outro santo, que a Igreja hoje celebra: São João Maria Vianney. Um homem simples e puro, com gestos condizentes à sua vida. Para mim, o encontro com o pequeno pastor à entrada de Ars é o que mais me faz gostar deste santo. Aconteceuhá 200 anos e conto-o pelas minhas palavras. Corria, então, o ano de 18…