Espiritualidade dominicana - textos de apoio (sessões 1 e 2)


(apresentação de uma cronologia da vida de São Domingos, apresentada por fr. Vito-Tomás Gómez Garcia, op, publicada no Livro "Santo DOmingo de Guzmán - escritos de sus contemporáneos", Edibesa, 2011) 

CRONOLOGIA DA VIDA DE SÃO DOMINGOS 

1170 – Data que Teodoro de Apolda assinala para o casamento de Félix e Joana, pais de São Domingos. 

1174 – Provável data de nascimento de São Domingos, em Caleruega. 

1180 – Por volta de este ano começa a sua formação com o seu tio Gonçalo, arcipreste, em Gumiel de Izán. 

1187 – Por volta deste ano começa os seus estudos em Palência (artes/filosofia). [Há uma tradição premonstratense que diz que São Domingos professou e viveu no mosteiro de La Vid entre 1187 e 1193]. 

1193 – Por volta deste ano, ainda em Palência, começa os seus estudos teológicos. 

1196 – Por volta deste ano vende os seus livros para socorrer os pobres, fundando uma “Esmolaria”. 

1197 – Por volta deste ano integra o cabido de Osma. 

1199 – Documento em Osma em que São Domingos assina como sacristão do cabido. 1200 – Provável data da ordenação de São Domingos. 

1201 – Documento com assinatura de São Domingos, como subprior, com data de 13 de Janeiro. 

1203 – Nos primeiros dias de Outubro viaja com Diogo de Acebes à Dinamarca, a pedido do rei Valdemar II da Dinamarca. Episódio do estalajadeiro.

1204 – Nos finais de Fevereiro regressa da Dinamarca. 

1205 – Depois do dia 19 de Maio, segunda viagem à Dinamarca. De lá partem para Roma. 

1206 – Nos inícios de Março, Diogo de Acebes intervém numa reunião sobre pregação no sul de França. Talvez depois tenham regressado a Osma. Em Julho, voltam ao Languedoc, e entram em contacto com o bispo Fulco, de Toulouse. Fundação de Prouille. 

1207 – Antes do dia 25 de Março, Fulco doa Prouille a Diego e ao seu grupo. A 30 de Dezembro morre Diogo de Acebes, em Osma. Primeira eleição de São Domingos como bispo de Comminges, que renuncia.

1208 – São Domingos fica praticamente só, entregando-se à pregação. 

1211 – No final do ano, Fulco entrega a São Domingos a direcção de Prouille. 

1212 – Em Dezembro é eleito bispo de Beziers, que renuncia. 

1213 – Em Janeiro está a viver em Carcassonne, como vigário do bispo para as questões espirituais. 

1214 – Antes de 25 de Maio o Bispo Fulco dá-lhe o benefício de Fanjeaux. 

1215 – Eleito bispo de Couserans, mas renuncia. Em Janeiro, Pedro de Ceilão e Tomás juntam-se a Domingos fazendo votos. Por volta do mês de Maio, Fulco nomeia a Domingos e aos seus seguidores pregadores permanentes na sua diocese. São Domingos acompanha o bispo Fulco ao IV Concílio de Latrão. 

1216 – Terminado o Concílio regressam a Toulouse. São Domingos e os companheiros escolhem a Regra de Santo Agostinho como regra de vida. Viagem a Roma. O Papa Honório III confirma a comunidade de São Romão de Toulouse a 22 de Dezembro. 

1217 – Em São Pedro, visão dos Apóstolos: “Vai e prega”. Bula da confirmação da Ordem a 21 de Janeiro. A 15 de Agosto dispersão os primeiros frades. 

1218 – Em Roma, pregação na igreja de São Marcos. Prepara a fundação de São Sisto. Decide fundar convento em Bolonha. Vai a Madrid receber na Ordem as primeiras monjas. Em Dezembro, fundação do primeiro convento de frades em Espanha (Segóvia). 

1219 – Recebe a profissão de Diana de Andalò. Honório III encarrega São Domingos de fundar São Sisto, onde instala provisoriamente um convento de frades: a mesa de São Sisto. 

1220 – Primeiro Capítulo Geral da Ordem, em Bolonha, a 20 de Maio. Primeiras Constituições. 

1221 – Em Janeiro viaja a Roma. Honório III entrega-lhe Santa Sabina. 28 de Fevereiro primeira comunidade de monjas em São Sisto. 2º Capítulo Geral. Nascem as primeiras províncias da Ordem. Finais do mês de Julho vai para Bolonha. Morre a 6 de Agosto. A Ordem conta com 25 conventos. 

 1233 – 24 de Maio, trasladação dos restos mortais de São Domingos. Início do processo de canonização.

 1234 – 3 de Julho, canonização de São Domingos, em Rieti, por Gregório IX.

(texto da Legenda de São Domingos, escrita por fr. Constantino de Orvieto, que ilustra como se vê a fundação da Ordem dos Pregadores inscrita no plano de Deus e profetizada por São Gregório)

4. Tendo Deus, em muitos lugares e de muitos modos, convidado antigamente os eleitos ao banquete eterno, ultimamente, nos nossos dias, enviou o seu servo a dizer aos convidados para virem, pois estava já tudo preparado. Este servo, segundo a interpretação de São Gregório, é a Ordem dos Pregadores que seria enviada nestes últimos tempos para admoestar os homens da próxima chegada do juiz. Com efeito, o aparecimento de uma futura nova Ordem de Pregadores, a ser enviada próximo do fim do mundo, previa-o claramente a Sagrada Escritura quando diz: Enviou o seu servo à hora da ceia. A hora da ceia é a hora do fim do mundo e nós encontramo-nos no fim dos séculos. O primeiro fundador e patriarca desta Ordem foi o bem-aventurado Domingos, cuja admirável vida, gloriosa morte e prodígios das virtudes em que, pela divina graça, resplandeceu quer durante a vida quer depois da morte, e cuja verdade nos foi transmitida por testemunhas fidedignas, abarcaremos numa linguagem simples e verdadeira, invocando a graça d’Aquele que conduz a vida dos seus santos ao mérito e a sua morte ao triunfo, sendo, por isso, proclamado merecidamente admirável nos seus santos. 

(texto da "Vitae Fratrum", escrita por fr. Gerardo Franchet, que fala de um sonho sobre como Jesus Cristo faz fundar a Ordem dos Pregadores para a conversão e salvação das almas) 

3. A visão que acabamos de contar poderia confirmar-se com o que um monge já de avançada idade, contou a frei Humberto, mais tarde Mestre da Ordem de Pregadores estando na Abadia de Buen Valle, cisterciense, da diocese de Viena. Disse-lhe o seguinte: Quando o Papa enviou doze abades da nossa Ordem a pregar aos albigenses, sucedeu que um deles passou por um sítio em que, segundo contavam, um homem tinha sido ressuscitado. O abade enviou um monge para indagar o que tinha de facto acontecido; e, no caso de ser certo perguntasse àquele homem o que tinha visto. Eis a resposta: «vi Maria Santíssima ajoelhada durante três dias seguidos diante do seu Filho suplicando-Lhe pelo mundo. Seu filho, recordando-Lhe tudo o que tinha feito pela humanidade e como esta Lhe correspondia, disse-Lhe: «Que fazer perante a ingratidão?» Maria respondeu-Lhe: «Meu Filho age segundo a Tua misericórdia». Comovido pelos rogos da sua Mãe, disse Cristo: «Farei o que pedes. Actuarei com misericórdia. Enviar-lhes-ei Pregadores para que os admoestem. Se se emendarem esquecerei a sua maldade; se o não fizerem, não haverá perdão». Estas coisas referiu-as o ancião antes que aparecessem os Pregadores. Pode crer-se, sem dúvida que a Ordem nasceu graças às súplicas da gloriosa Virgem e Mãe. É necessário viver para a Ordem e honrar de modo especial a Maria. 

(texto da Legenda de São Domingos, escrita por fr. Pedro Ferrando, no qual se faz alusão ao sonho da Beata Joana de Aza, mãe de São Domingos)

3. A sua mãe, antes de o conceber, viu em sonhos que daria à luz um cachorro, portador de um facho luminoso na boca e que, ao nascer, parecia incendiar o mundo inteiro. Isto prefigurava que iria nascer um pregador exímio, portador do facho de uma palavra ardente com que inflamaria fortemente a caridade arrefecida nos corações de muitos e zelosamente, com os latidos da pregação, afastaria os lobos dos rebanhos, despertaria também as almas adormecidas no pecado para a vigilância das virtudes. O que realmente assim aconteceu.

Mensagens populares deste blogue

Oração para o início de um retiro

Primeira Comunhão

Oração para o fim da Quaresma