Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Acolhimento

Regresso à Igreja depois do Covid-19

Imagem
No próximo sábado (dia 30 de Maio), com a normalidade possível, vamos poder regressar à nossa casa, a igreja que nos acolhe para celebrarmos a nossa fé. Como se fosse uma primavera que impacientemente esperou o final do frio e das chuvas. O Convento de São Domingos, em Lisboa, também já está a ultimar preparativos para acolher aqueles que vão lá celebrar a sua fé. As medidas de segurança e de protecção, ainda que pareçam excessivas, não nos vão tirar a alegria do reencontro. Deixo aqui horários e lugares virtuais que se criaram para o tempo de pandemia e que continuarão a ser um complemento e prolongamento da nossa vida comunitária. Horários das Eucaristias: Dominicais: Sábados às 18.30h; Domingos às 12h e às 18h. De segunda a sexta-feira: 8h Sábados: 8.30h (Uso obrigatório de máscara e desinfecção das mãos à entrada da igreja)   Para aceder ao: Site da igreja do convento de São Domingos, clique aqui . Canal de Youtube do Convento, clique aqui . Meu canal de ...

Pequenos gestos que nos trazem a felicidade

Imagem
Ontem, alguns da João 13 fomos ao Centro de Apoio Social dos Anjos. Tínhamos pedido esta visita e foi importante porque tem as três valências que a João 13 vai também desenvolver: o banho, a roupa e a refeição. A Directora do CASA foi muito simpática e mostrou-nos tudo. Falou-nos da realidade teórica e prática. No refeitório estavam pessoas sem-abrigo a jantar: sopa, esparguete com carne assada e salada, fruta ou iogurte. Impressionou-me ninguém falar com ninguém. Mas é assim, não são um grupo, só partilham a mesma sorte, não há muito a contar. Mas no centro de acolhimento, onde estão 15 pessoas, fala-se. Encontrámos um senhor, de 59 anos, que contou-nos a sua história sem nós pedirmos: que tinha vivido no jardim do Campo Grande, que nem no Júlio de Matos o tinham aceitado de tão mau aspecto ter. Foi ali recebido e agora era outro. Estava despreocupado porque finalmente lhe tinham cortado as unhas dos pés, coisa que em três hospitais não tinham conseguido, mas estava preocupado porq...

O segundo exame

Imagem
Fiz ontem o exame de fim de semestre de italiano. Escrito e oral. Correu bem, com o que "correu bem" tem de vago. Hoje foi o segundo exame. O Cardeal Ravasi, que está por Lisboa, veio visitar o convento. Cá o recebemos, um irmão e eu, para não ficar mudo, lá pus em prática o meu mau italiano. Sobretudo a frustração de não saber usar o registo informal! O Cardeal a tratar-me por você e eu a tratá-lo por tu! Mostrámos-lhe a igreja, que apesar da chuva, o impressionou pela luz e pelos materiais. Perguntou-me quantos éramos, respondi que somos onze. Perguntou-me se eu era português, respondi-lhe que sim, e perguntou-me como é que eu sabia falar italiano. Lá lhe revelei o segredo: tenho trabalhos em Roma, comecei há quatro meses a aprender italiano e ontem tinha feito o exame. O padre que o acompanhava disse em tom jocoso: e hoje é o segundo exame! Voltando à visita, gostou da austeridade do convento, gostou da calma e do silêncio. No final pedi-lhe que assinasse o nosso ...

Visitas de Lisboa

Imagem
Ontem tive a alegria, eu, Feirão e Cotelo, de recebermos amigos de Lisboa. Vieram propositadamente para conhecer estas terras que tanto me prendem. Vieram, estiveram na Missa de Feirão, foram apanhar amoras, foram ver a vista desde a capela de São Cristóvão, e almoçaram em Cotelo. Almoçaram eles e almoçámos nós, também. Da parte da tarde, visita a Cotelo, ida a Caldas de Aregos e despedidas. Para Feirão e Cotelo foi um acontecimento: quem seriam? Amigos ou familia do senhor padre? As pessoas daqui gostam de saber estas coisas... Agradeço-lhes a visita e que se repita. (fotografia: vista de Feirão a partir do marco geodésico)

Um lanche e uma receita

Imagem
A tia Irene e o tio Domingos, de Feirão, convidam-me todos os anos a ir um dia merendar com eles. Por aqui diz-se que é para "sociar", que deve querer dizer socializar. E eu aceito com gosto. Mas há uns anos atrás marcou-se sobre a hora e a tia Irene, que tinha pouco pão em casa, fez umas fritas. Que saborosas! Perguntei-lhe como é que se faziam e a receita, disse ela, era a coisa mais simples de fazer: uns ovos, um "tchis" de farinha, sal e água. Depois é só fritar. Disse-me ainda que era o que se fazia para a merenda das vessadas, porque se faziam rápido e alimentavam. Tentei fazer estas fritas algumas vezes mas nunca me ficaram bem. Pensei eu que assim a olho a coisa nunca iria sair bem. Ontem lá foi o dia de merendar. E, entre outras coisas, lá estavam as fritas, gostosas como sempre. Lá gabei as fritas e lamentei-me de as minhas não saírem tão bem. "Então, senhor padre, disse-me ela, não se vai hoje daqui embora sem as ver fazer". E lá fizemos as f...

O dom do acolhimento

Imagem
Hoje é dia de Santa Marta. Ficou conhecida na História como aquela a quem Jesus "repreende" por uma das vezes em que Jesus foi a casa dela e de Maria, Marta andar atarefada com muitas coisas. Lembro-me sempre de um comentário de uma irmã "Marta" que, depois de eu num retiro comentar o episódio de Marta e Maria, fez no refeitório: Se não fosse a Marta Nosso Senhor não tinha almoço. É um facto. Mas Jesus, como dizem os Evangelhos, amava Marta e Maria e era amigo de Lázaro, irmão delas. Antigamente a Igreja celebrava neste dia estes três santos; agora está reduzida a Santa Marta, talvez por ser a mais velha. É padroeira de quem trata das lides domésticas e dos que se dedicam a servir os outros, fazendo disso a sua profissão. Estão contabilizadas nos Evangelhos as vezes que Jesus entrou em casa de alguém. São nove as casas em que Jesus entrou. Em todas elas alguma revelação se faz, mas na casa de Marta é mais que isso. Na casa de Marta está o gosto de acolher e ...

As Quartas da Quaresma

Imagem
O Convento onde vivo teve a ideia de promover, em cada quarta-feira da Quaresma, um final de tarde/princípio de noite, dedicado à celebração, oração e silêncio. Começa às 19.15h, com o jantar e termina pelas 22h, com a oração de Completas. Infelizmente não posso desfrutar destas quartas-feiras porque a sua preparação recai sobre mim. Tenho pena mas não me importo. Prever tudo o que vai acontecer, desde as inscrições das pessoas que querem tomar uma refeição ligeira em silêncio, escolher a música que se vai ouvir durante a refeição (hoje será música coral ortodoxa), preparar os textos de apoio à meditação, as fotocópias dos salmos das Vésperas e das Completas, o pôr a mesa, coisa que os pais mandam fazer aos filhos, supervisionar a refeição... tudo isto entendo como serviço. E faço-o em silêncio, com a ajuda de uma empregada. Há muitos anos atrás, confessei-me a um padre do pecado de me distrair nas missas por causa dos cânticos que tinha que cantar... que preferia não estar tão envolvi...

Aqueles de quem não gostamos tanto

Imagem
Às vezes, nas Missas das Crianças, uso uma oração Eucarística do Missal em que, numa das orações, se pede pelos nossos amigos " e também por aqueles de quem não gostamos tanto ". Não é uma realidade infantil. Todos fazemos a experiência do desamor: há pessoas que não gostam de nós mas há também pessoas de quem nós não gostamos tanto. E é um problema. E o desprezo ou a indiferença não é solução. Mesmo que pensemos que sim, o cristão é sempre chamado ao amor e nunca ao desprezo. Há um texto muito bonito de Santa Teresa do Menino Jesus sobre este tema. Também ela viveu este drama, e talvez pior que as nossas realidades, ela tinha dificuldades de relação com uma das Irmãs do Mosteiro onde viviam. Ela conta a situação e que fez para tentar mudar: " Há na Comunidade uma Irmã que tem o condão de me desagradar em todas as coisas: as suas maneiras, as suas palavras, o seu carácter, pareciam-me muito desagradáveis. Apesar de tudo, é uma santa religiosa, que deve ser muito agradáve...

O acolhimento

Imagem
Nos últimos dias tenho pensado na atitude e no valor do acolhimento. Nas tradições monásticas passa a ideia de que, quando recebemos alguém em nossa casa, esse alguém é o próprio Cristo, o "divino peregrino". Acolher é partilhar. É expormo-nos, é mostrarmos aos outros a alegria e a fraternidade. Este tempo de Natal propicia-se ao acolhimento. Desde o acolhimento em família e dos amigos até à fasquia mais elevada que é a de acolher o próprio Deus. Amanhã vamos receber, aqui no convento, cerca de sessenta pessoas que vêm fazer um dia de retiro com a Comunidade. Peço a Deus que saibamos praticar o dom do acolhimento e da hospitalidade. Afinal, amanhã seremos um grupo de cristãos que quer parar um dia para perceber se somos nós que construímos o presépio ou se é o presépio que nos constrói a nós. Aos que por aqui passarem rezem por nós.