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Vidas contemplativas

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Tenho vivido dias pouco contemplativos mas ligados a pessoas contemplativas. Vidas que me têm impressionado por aquilo que, de certa maneira, poderia ter sido também a minha vida mas que hoje reconheço que não foi a vontade de Deus. Na terça-feira depois da Páscoa o noviciado foi a Évora, com o principal objectivo de visitar a Cartuxa. Para mim a quarta ou quinta visita, sendo que as últimas já não são de curiosidade mas sim de admiração pela vida simples e austera, aparentemente vazia mas sem dúvida homens cheios de Deus. A visita foi de certa maneira rápida, uma vez que coincidiu com o passeio pascal da comunidade. Passámos nas partes principais da Cartuxa: igreja, capela da comunidade, claustro, cela, biblioteca e cemitério. As perguntas iam surgindo naturalemente, ao mesmo tempo que se tiravam algumas fotografias. Ao meio dia rezámos as Ave-Marias (na Cartuxa o Regina Caeli só se reza depois de Laudes), ao mesmo tempo que os sinos tocavam. Aliás, na cartuxa superabunda o silên...

Solidão habitada

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Acabo de enviar um mail aos Cartuxos de Évora. Hoje celebram o seu fundador; é dia de São Bruno. Os cartuxos são conhecidos pela sua austeridade de vida, pelo silêncio e pela solidão. Tudo contrário aos desejos do mundo: temos mais do que o necessitamos, não suportamos o silêncio (dois exemplos: a malta nova com os phones nos ouvidos e a televisão que preenche o silêncio) e vemos a solidão como uma coisa horrível, quase uma doença. Mas com os cartuxos não é assim. Eles optaram pela austeridade, optaram por uma vida de silêncio e pela solidão. Como se vivessem no deserto. Têm como ícone São João Baptista. Acham que Deus fala no deserto, que só com o silêncio se pode ouvir Deus e só com a solidão poderão desfrutar da sua presença. São pouco conhecidos. Não fazem grandes propagandas nem vocacionais nem existenciais. Mas eles lá estão, rezando pelo mundo e suas necessidades, com os que rezam e pelos que não rezam, com os que têm fé e pelos que a não têm ou a perderam. Um apostolado invisív...

São Bruno

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Hoje é dia de São Bruno. Tenho-lhe muita devoção e invejo os seus monges. Quem me conhece deve rir-se com o que vou dizer mas, apesar de não ser cartuxo, sempre que visito uma Cartuxa ou passo por alguma imagem de São Bruno, fico com pena de Deus não me ter dado tão nobre vocação. Porque é no silêncio que Deus se revela, é no silêncio que Deus nos visita, é no silêncio que nós nos visitamos e conhecemos mais profundamente, é no silêncio que ouvimos a voz rumorosa de Deus que nos enche e sacia, é no silêncio que melhor rezamos, é no silêncio que somos autênticos. O silêncio destes homens, imposto por regra mas acolhido por vocação, é diferente dos nossos silêncios: os nossos são, às vezes, sinal de angústia, de debilidade, de medo, de orgulho, até de ódio pode ser. O silêncio cristão é um silêncio positivo: de humildade, de contemplação, de alegria e de amor. Defendo a Cartuxa contra aqueles que dizem que são pessoas 'inúteis' ou que fariam melhor trabalho pelo reino de Deus se ...