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Um casamento... e um baptizado

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Teoricamente já devia estar de férias. Não as consegui tirar por motivos vário que não vêm aqui ao caso. Mas, independentemente de ter ido de férias ou não, hoje teria que estar em Lisboa. Em Maio o Tiago, fotógrafo das celebrações dos Maristas, e que conheço há pelo menos 11 anos, no final de uma celebração veio convidar-me para o casar e baptizar o filho. Sim, em vez de pedir digo convidar. Senti-me honrado. Durante 11 anos ele e outros fotógrafos passaram pelas celebrações, sem eu ter dado grande importância... afinal alguma coisa ficou. E eu fiquei contente pelo convite. Em Maio disse-lhe que estaria de férias mas que viria para o casamento e baptizado do filho. Foi hoje, na igreja de Miraflores. A igreja é recente, pouco mais de um ano, bonita, apesar da péssima acústica. Dedicada à Santíssima Trindade, com muita luz, e também o vitral azul faz-nos entrar no mistério. A celebração foi simples, e encontrei todos os outros fotógrafos com a respectiva parentela. Alegria e emoção. ...

João de Deus

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Naquele longínquo outono de 1894, uma jovem rapariga, antes do sol desaparecer, uma rapariga, que tinha dado à luz durante a noite anterior, pegou no seu crio, entre lágrimas e dor, e saiu de casa. Não podia criá-lo. A pobreza em casa era mais que muita, mais uma boca para alimentar era mais fome, o rapaz que lho fez não quis saber nem dela nem dele… O engodo foi grande: que gostava muito dela, que a amava e até que queria casar com ela… mas precisava de uma prova da parte dela. Ela, coitada, a pensar que entregando-se seria a melhor prova de amor, deu-lhe o que ele quis. O problema foi que ele fartou-se dela ao cabo de um mês, que afinal era novo para se casar e ela que pensasse noutro porque ele não ia casar e o amor tinha arrefecido. Ela, coitada, decidiu esconder a barriga o mais que pôde, o que não foi difícil porque entre as roupas e as vagueações pelos povos a mendigar pouco se via por casa. Saia manhã cedo e chegava já à hora da ceia. Não se escondia nem mentia, ia mesmo men...

Jesus e as crianças e as crianças de Jesus

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Ontem, na Missa dominical do convento, foi dia de festa e de emoção. Festa pelo Corpo de Deus e festa porque quatro crianças foram baptizadas e duas delas com mais uma que se juntou fizeram a sua primeira comunhão. E de onde veio a emoção? Veio do facto de uma vir cá à Missa com o pai e que, andando na catequese numa paróquia que não a nossa, pediu para ser baptizada na igreja do convento porque gosta desta igreja. Depois, duas meninas do Lar Madre Teresa de Saldanha, a Rafaela, de seis anos e a Andreia que, não sabendo bem a idade, andará pelos nove. E, da Ajuda de Berço, baptizou-se também um rapaz, o Mamudo, de dez anos, que pediu para acrescentar o nome "José". A emoção vem daqui. Aprenderam a conhecer e a amar Jesus nas instituições onde vivem. Por vontade deles quiseram ser baptizados e, o Rúben, quis fazer a primeira comunhão. E como a generosidade tem de transbordar, muita gratuidade houve à volta desta festa: o ofertório da Missa será distribuído por estas duas in...

Mais um desenho

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Esta manhã baptizei o Diego. Rapaz bem disposto, atento à homilia que (lhe) fiz, numa celebração familiar mas com intensidade de fé e de amor. No final, o primo Gonçalo, veio mostrar-me o desenho que fez sobre o baptizado, E lá apareço eu, de vermelho, não sei se de cruz na mão ou de mãos em cruz. Mas sim, está tudo lá. Que os anjos protejam o Diego e que o baptismo que hoje recebeu o faça crescer no Amor. E ao Gonçalo um abraço e obrigado pelo desenho!

O baptismo da Clara

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Hoje foi baptizada a Clara. Além de ter sido eu a baptizar, os pais tiveram a amabilidade de me convidar para ser o padrinho. Pais que admiro, não pelo convite mas pelo caminho de aproximação e integração na Igreja. E mais não os gabo para não os estragar. Confesso que gosto mais dos baptismos do que dos casamentos. Ao olhar para quem baptizo vem-me sempre à mente a história da semente: uma semente que plantamos no dia do baptismo e que, a partir de hoje, os pais, padrinhos e familiares terão de regar, cuidar, fazer crescer, com a graça de Deus, para que ela um dia, se sinta amada e querida por Deus. Neste final de dia faço esta oração a Deus: Abençoa e protege, Senhor, a Clara e a sua família. Protege-a do mal e do desamor, protege-a dos perigos e do que não faz crescer. Abençoa-a com a tua presença, acompanha-a com as tuas mãos ternas e abraça-a com a força do teu amor. Que ela, como Jesus, cresça em sabedoria, estatura e graça diante dos teus olhos e dos nossos...

Fim de tarde agridoce

Agridoce ou doceagri. O meu final de tarde começou por ser de alegria: batizei o Francisco, um menino com menos de um ano, conhecido de uma família que conheci quando me cruzei com um doente paliativo do Hospital da Luz. A esse doente acompanhei-no no final da sua vida, um final que nunca esquecerei. Fiz-lhe o funeral, casei o filho do meio, batizei no ano passado um neto e hoje outro. Em abril vou casar o filho mais novo. É gente de fé. O pai, que morreu no ano passado confidenciava-me certo dia: não peço a Deus um milagre para mim; peço que, no dia da minha morte livre uma criança de cancro. Nunca se saberá se Deus o ouviu. Talvez sim. Mas, depois do batizado, fui ao IPO visitar uma criança de 10 anos, que sofre exactamente de um cancro malvado. Anda nesta luta há um ano e a coisa está difícil. A visita foi curta. Perguntei-lhe como se sentia, se tinha dores... Ás vezes sobram-nos palavras mas depois chegamos à conclusão que nos faltam palavras. Gostava de ter dito a este rapaz q...

Desbatizar

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Este meu post vem na sequência da notícia que o Expresso trouxe neste sábado sobre o tema do "desbatizamento". Uma triste notícia não tanto pelo tema - é bom que se saiba que há pessoas que são batizadas e que não se identificam com a religião na qual foram batizadas - mas pela superficialidade e até alguma falta de respeito para com quem é batizado. Mas a isso já estou (os cristãos já estamos) habituado. Por isso este meu post é um comentário a estas duas páginas sobre um tema que acaba por não ser tema porque, como iremos ver, ninguém se pode desbatizar, como também ninguém pode apagar o nome da certidão de nascimento ou o nome da escola onde se andou. Mas isso será mais adiante. Antes de mais, dizer que ninguém se pode desbatizar e que o que se deveria dizer é que se pode fazer uma declaração formal de que se abandona a Igreja Católica (equivalente ao termo apóstata, repúdio total da fé cristã, cân. 751, que para os que se crêem "desbatizados" é título de glória...

A toque de sinos

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Nada mais bonito que ouvir sinos tocar. Já foi o tempo em que marcavam a vida da cidade ou da aldeia. Desde o toque para a escola até ao toque para a missa ou a rebate para fogo, o sino tem cadências diferentes, formas de se exprimir e de nos dizer o que quer ou que se passa. Tenho na minha memória alguns sons de sinos. Como esquecer os sinos em Feirão que, no domingo, nos anunciam com festa a Missa? Ainda hoje me arrepiam. Ou os de Taizé, com um timbre tão próprio... O sinos têm e transmitem sentimentos. O sino canta quando alguém é baptizado ou casa. Chama quando é para ir à Igreja à Missa ou ao terço. Chora quando morre alguém. E, se é homem, chora de uma maneira; se é mulher, chora de outra. E vamos sabendo o que se passa pela maneira como tange. Hoje fui ao Paço do Lumiar fazer o baptizado do Gonçalo. Uma igreja antiga, lindíssima, do século XVII (1603), com um belo adro. Entregue aos jesuítas desde há quatro anos, o padre Alberto, homem simpático e acolhedor, pôs os sinos a tocar...

Crónica de um sábado de Maio

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Os sábados de Maio, já há alguns anos, estão reservados, quase exclusivamente a baptizados e primeiras comunhões. O primeiro foi hoje. Com uma celebração de baptizados, manhã cedo, em que seis alunos do Externato Marista de Lisboa receberam o baptismo, Missa de primeira Comunhão às 11 horas, aqui no Convento, e, à tarde, uma outra celebração do baptismo do Miguel, um bebé de Campo Maior. De todas as liturgias sacramentais da Igreja, a do baptismo, para mim, é a que tem maior beleza. Porque é simples - o simples é sempre belo - com as perguntas e respostas, a interacção entre presidente e criança e de criança com os pais e padrinhos. Porque é rica em símbolos - os óleos, a água, a vela, a veste branca - ritos que explicam a condição do baptizado, que deve ser luz, que é ungido, que é purificado e que ganha uma nova vida, tornam estas celebrações íntimas, pessoais e emocionantes. Amanhã continuam as celebrações de primeiras comunhões, desta vez num outro colégio. Para se conseguir resist...

Um baptizado e um casamento

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O dia de ontem foi um dia alegre. Há cinco anos celebrava a minha Missa Nova em Marvila. Ontem, ao meio dia baptizei a Madalena e às quatro da tarde assisti ao casamento da Sara e do Zé. Conheço as familias. Os pais da Madalena foram crismados este ano e fizeram a preparação comigo; a família do Zé conheci-a no hospital, nos últimos dias do pai dele, também Zé, que ajudei a preparar o seu encontro com Deus. É assim a vida de um padre. Para cá e para lá. Hoje celebrei às nove horas em São Domingos de Benfica e estou de partida para Pinhal de frades, ao casamento da minha prima Telma. Mais um momento de encontro da família que é grande.