Memórias de um neto
É verdade que por detrás de um (grande) homem está sempre uma grande mulher. Eu, apesar de não ser um grande homem, tive uma grande mulher, a quem devo quase tudo, desde o meu nome até à minha ordenação. E não é a minha mãe mas sim a minha avó, que morreu há 10 anos e, se fosse viva, teria 77 anos. Sim, é verdade. O meu nome foi ela quem o escolheu: José, o nome do meu avô/padrinho, e Filipe, por causa de um padre de Feirão que, segundo dizem, era muito generoso para com os pobres. Com este nome fui batizado, os meus avós foram os meus padrinhos, e foram-no de facto. Ofereceram-me no dia do batismo um fio de ouro com uma cruz e uma medalhinha também de ouro com a inscrição "Lça dos padrinhos", que conservo e uso. Foi graças à minha avó que perseverei, foi graças a ela que senti o icentivo de ir para o seminário e, depois, para os dominicanos. Um cancro começou a miná-la. Primeiro no útero e, quando se deu conta, nos intestinos. O tempo da sua doença foi um tempo santo para...