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Oiro que o Senhor nos manda

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Feirão acordou hoje com uma chuva miudinha. Entre o nevoeiro e a chuva que molha. Podia-se chamar ‘morrinha’ ou chuva ‘molha tolos’, porque, como se diz e bem, só um tolo é que abre um chapéu-de-chuva e só um tolo se deixa molhar. O que é certo é que à hora da Missa, sempre às 8 horas, o nevoeiro cobria Feirão e a tal chuva miudinha caía. No fim de Missa, no adro, depois dos bons dias e de algumas despedidas – já mais alguns regressam a Lisboa – conversando com a tia Irene, dizia ela que esta chuvinha “era oiro que Nosso Senhor nos manda”. Expressão bonita. Os campos andam secos, sem água para regar porque as águas do povo, nestes meses de verão não se podem abrir para o caso de se dar alguma emergência. Por isso é oiro que Nosso Senhor nos manda. Ao mesmo tempo, como se tivessem combinado, os agricultores dedicam estes dias a ir apanhar lenha e a cortá-la. Na casa ao lado da nossa, tem-se acordado com o cantar do carro de vacas e das campainhas de quem o transporta. Arrecadar no ...

Nestes dias

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Refugiei-me por uns dias para trabalhar afincadamente em dois projectos: preparar algumas coisas da  próxima reunião da Comissão Litúrgica da Ordem, que vai ter lugar em Roma, na semana que vem, e também terminar o texto do primeiro livro de homilias que, se Deus quiser, vai ser publicado em Novembro. Muda-se de editora, de registo e de prefaciador. A seu tempo tudo se saberá. Levo a biografia do Papa João XXIII para ler. Assim Deus me dê tempo para fazer ao menos metade do que tenho pensado. E de passar por aqui. (imagem: Botticcelti, São João em Patmos, a escrever o Apocalipse, 1492 )

Tá tudo bem com você?

Tenho recebido alguns mails a estranharem a minha ausência por este blogue. Pois é, se me conhecessem já teriam percebido que quando ando muito atrapalhado de trabalho o blogue é quem se vai ressentir. O blogue e as respostas aos mails. Mas, respondendo a uma pergunta que me parece ter vindo do Brasil, respondo: sim, tá tudo legal. Ou seja,  a acumulação de cargos faz com que, estando aparentemente mais por casa não tenho estado em casa. Agora tive vinte minutos para vir aqui dizer olá, está tudo bem. Mas, graças a Deus as experiências dos últimos dias são boas. Dão trabalho e cansam, mas são boas. E, pronto, estão-se a esgotar os vinte minutos. Agora jantar e Celebração penitencial. Ciao!

Uma manta para recordação

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Lembram-se da “reportagem” que fiz no ano passado sobre um tear de Cotelo, com data de 1831? Foi no dia 23 de Agosto. Se lá forem hão-de reparar que ela estava a fazer uma coberta. Pois este ano a tecedeira, D. Clarinda, fez-me a grata surpresa de ma oferecer! Como cabe na cama de cá, vai cá ficar. Por causa do tear ser pequeno as cobertas são feitas em duas partes e depois unidas. Estão a terminar as férias deste ano. Embora a grande parte das pessoas com quem estive não passem por este blogue, aqui deixo o meu agradecimento pela estima, consideração e amizade que me têm e eu também lhes tenho a elas. Cada vez me sinto mais ligado às berças. Não é só questão de terra. É questão de feitio e identidade. Talvez para o ano haja mais.

Ao fim de dez anos

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Não me faltariam nem tempo nem temas para escrever. Numa aldeia em que quase nada acontece e os dias passam iguais, tudo pode ser motivo de interpretação e de escrita. Mas não quero ser pesado. Hoje deixo só a referência a um livro que me fizeram chegar: O Missal da Ordem dos Pregadores em português. Veio pelos correios, com a eficácia do dia seguinte e da promessa do carteiro: O senhor padre não se aflija que correio que aqui chegue em seu nome vem na hora. Disse-me isto porque só vêm cá dia sim, dia não, excepto correio azul. Simpático. Um trabalho iniciado por mim, no ano 2003, só agora, 10 anos depois, vê finalmente a sua versão mais digna possível. Já não se trata de fotocópias encadernadas a argolas mas uma edição de altar, com a qualidade que a Missa merece. Não é uma versão oficial mas sim ad interim , ou seja, para uso interno. Mas este é o meio caminho, ou dois terços dele. Em Novembro, se Deus quiser, farei entregar na Congregação para o Culto Divino e dos Sacrame...

As segadas e as malhas

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Vi, ontem, em Cotelo, uma malha. Não se confunda o sentido original do verbo malhar, que significa debulhar com um malho (ou mangual, como se diz por aqui) os cereais. Daqui derivou um outro sentido, metafórico, que é dar pancada a alguém (levas uma malha, dou-te uma malha). É do primeiro sentido que falo e, ao ver a malha numa propriedade veio-me à memória da minha não tão curta idade, que já conheci três modos de malhar. O primeiro, que só recordo mesmo na memória de infância e só vi uma vez, é o mais tradicional: fazia-se a segada (corte das espigas nos campos) e faziam-se molhos. Depois, com esses molhos fazia-se uma meda com as espigas para dentro para que os pássaros não as viessem comer ou a possível chuva estragar. Estando a segada feita um carro de vacas trazia os molhos. Desfazia-se a meda e voltava-se a fazê-la já na aldeia, nas eiras, que as mulheres iam preparando para a malha. A preparação da eira não era do modo mais higiénico, hoje a ASAE suspendia qualquer tenta...

Parar às dez e meia

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O relógio da igreja acaba de tocar as dez e meia. Eu estou desde as nove na sala de cima, um lugar privilegiado da casa, sossegado, a traduzir textos. E parei. Dei-me conta que não havia nenhum barulho humano. Parecia uma aldeia desabitada. De quando em vez uma brisa agradável, que entra por uma janela, o cantar dos pássaros e pouco mais. Olho para a estrada e vejo um homem que regressa, de enxada às costas. Do outro lado oiço, por fim, o chiar de um carro de vacas que vem carregado de fieitos. Fieitos deve ser uma deturpação de fetos mas aqui fetos não existem, o que existem são fieitos. E as campainhas das vacas. Servem para afastar os lobos mas aproximam as moscas. As de gente rica têm várias fiadas de campainhas, se é gente mais pobre, uma basta. As vacas são junguidas (outra adulteração de jungidas) para trabalhar. Bem diz o Eclesiastes: É melhor dois do que um só: tirarão melhor proveito do seu esforço. Hoje trazem os fieitos para se lhes fazerem a cama: as lojas são forrada...

O trabalho humano: escravidão ou vocação?

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Hoje é dia feriado em muitos países do nosso mundo. A Igreja, como noutros dias do ano, aproveita estas celebrações civis para se associar com uma festa religiosa. Hoje, na Igreja, celebramos a memória de São José, operário. Muitas pessoas, que conhecem menos bem a Bíblia, dizem que o trabalho foi um castigo de Deus por o homem ter desobedecido às suas ordens. Esquecem-se, no entanto, que Deus, quando decide criar o homem, à sua imagem e semelhança, fá-lo para que ele domine a terra, ou seja, continue a obra criadora de Deus. O trabalho, na Bíblia, aparece como uma dignidade concedida ao ser humano de poder submeter a si toda a criação. Outra coisa é o "castigo" que Deus dá ao homem por ter desobedecido às suas ordens. Também aí é claro que o que Deus diz é que, a transgressão leva a que o homem tenha que de suar para conseguir dominar a terra e dela tirar os frutos para se alimentar. Porquê? Porque a natureza deixou de lhe obedecer ( Porque pecaste... a terra produzirá es...

Ao regressar de Aveiro

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Estou a chegar de Aveiro. Fui lá fazer uma conferência sobre Nossa Senhora. A casa das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena tem lá a "enfermaria provincial" (não sei se este é nome oficial). E a emoção é muita quando visito as irmãs doentes. E mais me emociona o amor e o carinho que as Irmãs têm no cuidado para com estas Irmãs que gastaram a sua vida fazendo o bem e agora estão acamadas, ou são muito velhinhas, ou estão mais esquecidas... Contam-me como entraram lá e como estão; as que já partiram e as que estão de novo. Tudo tão silencioso, limpo, bem cuidado... Quanta presença de Deus! O piso das irmãs doentes é, para mim, um verdadeiro santuário. E agradeço (quem sou eu para agradecer) a dedicação destas irmãs. Digo-lhes muito: já têm o céu garantido. E elas respondem-me: também temos o nosso feitio... Como todos. Mas Deus prefere olhar ao bem que fazemos. Esse sim tem mérito, dá frutos e edifica. (imagem: Edy Legrand, o bom samaritano, 1950)

Feno, centeio e tojo

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Diz-se que o trabalho da mulher nunca acaba. É verdade e aqui no norte vê-se bem. Mas o trabalho do lavrador não é mais brando. Se bem que as tarefas estão bem definidas, o que é certo é que, salvo raras exceções, o trabalho mais pesado é para os homens e o mais leve para as mulheres. Não quero com isto dizer que os homens trabalham mais, até porque considero que as mulheres são bem mais sacrificadas, mas são trabalhos diferentes. Terminou há poucos dias o trabalho do feno: cortá-lo, virá-lo, colhê-lo e guardá-lo no palheiro. Depois veio a recolha do centeio: cortá-lo, enfaixá-lo, malhá-lo e guardar o grão e a palha. Agora, enquanto se esperam pelas batatas, que estão já estão quase prontas para arrancar, fazem-se trabalhos “intermédios”: durante esta semana vi sair carros de vacas com o estrume das lojas para levar para os campos. Hoje vi outro carro com o arado que, às 8.30h, já vinha de lavrar um campo, e via ainda outro que trazia tojos para forrar as lojas dos animai...

Tudo a trabalhar

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Enquanto uns estão de férias – que não vivemos cá –, outros trabalham nos vários trabalhos agrícolas desta época quente. O trigo e o feno já foram cortados. O trigo está em molhos nas lameiras á espera do dia próprio, quando secar mais o grão, para poder ser trazido para as eiras e malhado. Se bem que isto era mais antigamente. Hoje em dia, por comodidade, já se malha o trigo na própria lameira, que os tratores vão lá e poupam tempo. Mas a pressa nestes dias é a de colher o feno. Depois de cortado, antigamente com a gadanha e agora com umas máquinas sofisticadas como as de cortar relva, tem de ser virado e colhido pouco tempo depois para não secar. Depois de colhido é colocado no palheiro para aí ficar para os meses em que não há erva para o gado comer. Antigamente todo o feno era pouco. Agora já só se apanha o justo e necessário porque os anos cansam e os mais novos não se agarram a estes trabalhos. Mas para algumas pessoas, o gado ainda é quem os vale. E lá ouvimos, manhã cedo...

São José, operário

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Celebra hoje o mundo que se diz civilizado, o dia do trabalhador. A Igreja, que não quer ficar fora das comemorações, fixou neste dia a memória de São José, operário. Não para ser contra-corrente, nem fazer festas à parte, mas para valorizar a dimensão humana do trabalho. Na Bíblia, o trabalho aparece como imposição de Deus, um castigo pela desobediência dos primeiros pais. Antes deste desafortunado acontecimento, Deus tinha dado ao homem tudo o que tinha criado: "«Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se movem na terra.» Deus disse: «Também vos dou todas as ervas com semente que existem à superfície da terra, assim como todas as árvores de fruto com semente, para que vos sirvam de alimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus e a todos os seres vivos que existem e se movem sobre a terra, igualmente dou por alimento toda a erva verde que a terra produzir.» E a...

Onze do onze de dois mil e onze

Ontem, às onze horas e onze minutos do dia donze do onze do ano de dois mil e onze, estava no céu, que é como quem diz, no avião. A caminho de Roma. Dou-me conta que começa a acontecer com Roma o que já há anos tem acontecido com Fátima: ir em trabalho. E não há tempo para marcar programas extras. Vai-se com pouca antecedência, está-se na reunião e regressa-se ao final do dia ou no dia seguinte de manhã. Mesmo que por ilusão se possa pensar que a reunião acaba antes e pode-se ir à cidade eterna ver esta ou aquela igreja ou ainda a janela da sala de trabalho do Papa. A grande alegria é que fico hospedado, pela primeira vez, em Santa Sabina. Santa Sabina é uma das mais antigas igrejas de Roma. No século XIII o papa deu-a a São Domingos, e aí viveu e daí se fez a Cúria Geral. Já tinha estado duas vezes neste Convento, mas sempre de visita, de passagem. Desta vez vai ser diferente. Vou em trabalho, uma reunião de preparação de um encontro dos provinciais dominicanos da Europa que, em 2012,...

Estou vivo

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A ausência de escrever deve-se à catadupa do previsto e do inesperado. Têm sido dias complicados, cheios de trabalho (não estou a queixar-me porque há quem trabalhe bem mais do que eu), que barram, ainda que indirectamente, a vinda a esta janela, para dizer a vida. Às vezes a vida é como uma mó de azenha: se água é pouca roda devagar, se é muita não pára de girar. De modo que este pequeno post é só para dizer que estou vivo e que, domingo, acaba o reboliço de celebrações. Espero acalmar e vir cá com calma dizer da minha justiça.

A cigarra e a formiga ou o adiantar trabalho

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Tenho andado como a formiga da fábula de Esopo: a adiantar trabalho. Ela recolhia durante o verão para ter durante o inverno; eu aproveito estes dias para preparar o que aí vem de trabalho: conferências, retiros, encontros, meditações. Algumas coisas têm de sair da minha lavra, enquanto outras tenho que as procurar. E nem sequer olho para as cigarras. Elas que toquem e cantem. Eu é que não posso; tenho que produzir (por curiosidade, a adaptação "cristã" da Walt Disney da fábula é bem mais interessante. Enquanto que na fábula de Esopo a formiga diz: Já que cantaste agora dança, nesta versão cristianizada as formigas recolhem a cigarra no seu abrigo, alimentam-na e depois a Rainha pede-lhe para tocar para elas!). Mas foi numa das buscas que andava a fazer sobre temas religiosos que encontrei um depoimento da deputada-reformada Odete Santos. E espantou-me pelo que que diz de Cristo: " Lembro-me do Cristo, à minha cabeceira. O Cristo morre por dó, silenciosamente: com a cabe...

Ausência

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Vou a Valência... Já volto. Que não haja inveja. É em trabalho.

Fenómenos estranhos

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O meu silêncio no blogue deve-se, essencialmente, a duas coisas: trabalho e arrumações de ano novo. So hoje acabei de me desfazer de papelada, e que quantidade de papel tinha armazenada, de coisas que, se calhar, daqui a uns tempos irei procurar e não encontrar. Mas isso é só daqui a uns tempos. Mesmo assim foi uma actividade divertida: ver o que arrumo, que na altura achei importante e que agora não faz muito sentido conservar, os artigos que fotocopiei, as sebentas do curso de teologia (dos apontamentos desfiz-me há já uns anos), dos cursos de música e das pautas... Enfim, fiquei reduzido a quase nada e dos estudos de Teologia ficam apenas dois arquivadores: o da minha tese de licenciatura (recordação afectiva) e o da tese de mestrado, que ficou para me lembrar que tenho este assunto ainda pendente. Gostava, mas não o vou fazer, de falar das vergonhas das campanhas eleitorais. De acções compradas em saldos, etc. etc. Isto de um presidente em exercício fazer campanha eleitoral para um...

2011: agendas, datas e acontecimentos

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Para alguns estar em Setembro a falar de 2011 é ainda uma realidade distante. Para mim, já desde Julho que, num calendário improvisado, ia assentando as datas que me iam pedindo para celebrações, casamentos, Missas, conferências, reuniões... Mas só hoje as passei para a agenda. Ao som de Bach, que dá ainda um ar mais 'trágico' (Bach nunca é trágico mesmo quando é trágico). As trombetas, o órgão possante e o coro como que a dizer-me: e se não chegares lá? E se não conseguires fazer?... Ainda funciono à moda antiga: uma agenda de papel, pequena, cómoda, com a indicação dos santos para me orientar e eles me orientarem a mim. Ainda não funciono com agendas electrónicas nem com calendários interactivos. Não tem nada de transcendente ocupar os dias com o que é regular e com o que é extraordinário. Graças a Deus ainda não sofro de rotinas embora elas sejam positivas - no meu ponto de vista - porque organizam o tempo que, sem o relógio a marcar os segundos, e em o corpo a reagir aos es...

Deus ajuda quem madruga

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Seis da manhã, toca o relógio. Dois minutos depois toca o sino a Trindades. Começam a ouvir-se os guizos das vacas. Vêm 'junguidas'. Vão para a arranca da batata. O pai, velho, e o irmão; a filha, o genro e três netos. Lá vão eles, estrada fora, com o mata bicho tomado, para perto do Penedo Gordo onde, dias antes, conseguiram que o fogo não lhes chegasse às terras onde tinham as batatas e o milho. Por lá estiveram todo o dia. Ao final da manhã veio a única mulher da família, com o seu filho mais novo, para fazer o almoço e levarem-no ao local do trabalho. Continuou o trabalho tarde fora e eis que chegam agora, extenuados, perto das oito da noite, uns à frente dos outros. Á frente, por um atalho, a mulher, outra vez com o filho mais novo para adiantar o jantar; pela estrada o pai com o irmão para se irem lavando; e, a terminar a procissão, ouve-se o chiar do carro. As vacas no seu passo vagaroso, cansadas ou moles, nunca o saberemos, e o condutor a tocá-las para que se apressem....

Horário de Verão

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Já com ares estivais começo hoje o meu horário de Verão. A Missa do Campo Grande suspende-se até meados de Setembro; aqui no Convento a Missa matém-se mas com menos gente e mais rotatividade nas presidências das missas. É bom termos na vida ritmos diferentes. Para mim, até Setembro, vai ser um tempo de trabalho à sombra: fazer o que não consegui fazer durante o ano como ler, escrever, pautar (passar músicas a limpo no computador), programar o próximo ano pastoral.... Trabalho sempre em férias mas... a meio gás. Brindo a este novo tempo. Como Abraão - lia-se hoje na primeira leitura da Missa - sinto-me à sombra do carvalho de Mambré. Trabalhar à sombra. E que não me iluda pois, mais rápido do que penso, virá a mudança de horário. (Gustave Courbet, Pôr-do-Sol no lago de Géneva, 1876)