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Um princípio de Advento

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Começou mais um Advento. O meu, logo no domingo, no convento, e agora em Roma nesta primeira semana. Também aqui vivo o meu Advento: com os trabalhos que me ocupam na Cúria, com o silêncio que vivo na abadia dos cistercienses onde tivemos que ficar por causa das obras em Santa Sabina, e com a oração que este ano decidi acompanhar com a Comunidade de Santo Egídio. Sempre que venho a Roma faço por participar numa celebração mas, desta vez, vou tentar estar em todas. A oração de Santo Egídio, que se faz na belíssima imagem de Santa Maria in Trastevere, enche a alma: sempre temática (ontem era pelos doentes e hoje com Maria), a leveza da sequência da celebração (meia hora), a beleza dos cânticos acompanhados pelo órgão da igreja e por um pequeno coro que se forma em cada dia, os pequenos gestos que se transformam em rituais (ontem escreviam-se nomes dos doentes e acendiam-se pequenas velas por eles), a escuta da palavra e a homilia que se faz (concreta e actual), tudo ajuda na fé e na e...

Roma revisitada

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Vim a Roma. Mais uma reunião da comissão litúrgica, esta com menos dias porque todos andamos ocupados. Mas deu para ter uma tarde livre. E aproveito para visitar as igrejas que mais me dizem e que quero aqui registar. Igreja de Santa Maria Sopra Minerva . Uma Igreja dominicana em todos os sentidos. Pinturas de Fra Angelico (de tal maneira surpreendentes que Michaelangelo depois de as admirar disse: este homem viu o céu). Os seus anjos e os seus azuis inconfundíveis, a delicadeza das formas e a harmonia estética fazem daquela igreja uma joia de Roma. Fra Angelico está lá sepultado e Santa Catarina de Sena também. Grande Dominicana, esta, que sem saber escrever tão mulher e mística foi. Fui rezar-lhes para lhes pedir inspiração para as coisas que digo e faço. Por curiosidade, o nosso Cardeal Marto é o Cardeal desta igreja e ontem esteve cá a tomar posse dela. De lá, nuns não sei quantos mil passos que o telemóvel contou, basílica de São Pedro . Gosto de celebrar lá mas é raro ac...

Pinheiros de Roma

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Quando fazemos o trajecto entre o aeroporto de Fiumicino e o centro de Roma, para além das paisagens e igrejas há também uma espécie de pinheiros que, ou é de serem italianos, ou de eu achar que a galinha da vizinha é melhor que a minha, que são diferentes , para mim, muito bonitos. Parecem cogumelos gigantes em tom de verde. Esguios, com uma copa muito certinha (vista de longe), um tudo ou nada semelhantes às árvores dos montes alentejanos, mas com a diferença dos seis ou sete metros de altura. Estes pinheiros são mesmo grandes. Mesmo ao longe. Mas bonitos. E hoje cheirosos. Cheguei ao convento de Roma 10 minutos antes de uma senhora trovoada - as trovoadas de Roma são de fugir! - chovia pouco mas cheirava a pinheiro molhado. E como é bom o cheiro do pinheiro molhado. Em Roma estão um pouco por toda a parte estes pinheiros. Vemo-los em Trastevere, nas colinas da estação de Ostiense, na subida de Santo Anselmo, nos Foros imperiais... excepção feita ao circo máximo, que aí imperam os...

800 anos depois

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As conclusões

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Termina hoje o Congresso onde tenho estado. Ontem o dia foi dedicado à missão, muito focado na questão do testemunho como primeira pregação. À tarde tivemos a celebração de vésperas na basílica de Santa Maria sopra Minerva, onde estão sepultamos Santa Catarina de Sena e o beato Angélico e onde fizemos uma homenagem às mulheres pregadoras e aos artistas. Hoje estaremos em conclusões e declarações finais. Depois do almoço iremos a São João de Latrão onde há 800 anos, no dia senhor São Domingos recebeu a bula da confirmação da Ordem de Pregadores. Aí celebraremos Missa com o Papa Francisco.

Diálogo inter-religioso

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O tema do dia de ontem é o mesmo do deste post. As palavras acolhimento, diálogo e compreensão estiveram presentes em quase todas as conferências e encontros. Mas realço duas conferências de dois frases que me marcam e cujos textos, quando os encontro, tornam-se de leitura obrigatória. De manhã, a conferência de Felicíssimo Martinez, frade da província do Rosário. Falou da pregação como encontro e de quatro momentos de salvação: salvação do corpo, salvação da palavra, salvação do Evangelho e salvação do pregador. No intervalo pedi-lhe a conferência para ser estudada com os noviços e com os estudantes. A outra conferência foi do nosso frei Jean-Jacques Perenès, da província de França, actualmente prior da comunidade de Jerusalém. Com um percurso muito variado mas sempre desinstalado do que é uma vida estável num convento da tranquila Europa, ele tem uma visão diferente sobre inquérito é viver como minoria e como se pode compreender e dialogar com o islão. No final da sia conferência des...

Direitos humanos

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O dia de ontem ficou marcado pelo tema que nos ocupou durante o dia que foi sobre a preocupação dos refugiados, migrantes, maus-tratos e tantas situações de gente desprotegida e sem esperança. Depois de duas conferências introdutórias repartimo-nos por grupos, línguas e temas. O meu foi o dos direitos humanos. Enquanto isto, a terra tremia por estas terras, embora muito poucas pessoas do congresso se tivessem dado conta.  Depois do almoço fomos ao teatro, ou melhor, o teatro veio até nós. Veio da Suécia, uma companhia de teatro cuja presidente é uma irmã dominicana. Não posso aqui contar em pormenor a peça mas eram 3 actos em que no primeiro se assistia a um debate sobre o destino de um convento que se ia encerrar, depois encontros históricos com o bispo Diego, Catarina de Sena, Bartolomeu de las casas e Giordano Bruno. No terceiro acto retomava-se o primeiro para perceber a atitude de cada um dos que entraram no debate. A peça tinha também momentos musicais e instrumentais que tor...

Aberturas

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Às 18h começava a sessão de inauguração do congresso dominicano. Passou um pequeno vídeo sobre a vida dominicana em várias presenças: pregação, estudo, vida comum. O coro dos alunos de um colégio dominicano deu início à sessão com a execução do hino do Jubileu "Laudare, beneficente, praedicare". Depois o ex-Mestre da Ordem, frei Carlos Aspiroz fez uma memória do percurso percorrido nestes últimos anos, que foram de preparação. De seguida, o Cardeal-Arcebispo de Praga, também ele dominicano, fez a oração de sapiência, dando graças a Deus e pedindo perdão pelas infidelidades e tropeços que não mancharam a Ordem como também a Igreja. E deu-se a palavra ao Mestre da Ordem que deu início formalmente ao congresso. Que não se trata de um Capítulo Geral nem de um congresso de história; que seja um encontro de família para lançar a Ordem no presente-futuro. E para completar as intervenções, falou o Ministro Geral dos Capuchinhos, que é também o presidente da conferência dos superiores...

Um pauzinho de net

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Estou em Roma para participar no encerramento das comemorações dos 800 anos da aprovação da Ordem dos Pregadores a que pertenço. Vim com o meu Padre Provincial por ser o promotor provincial do Jubileu. Começará esta tarde, com um Congresso, com a sessão de abertura, por parte de grandes personalidades da Ordem. Seremos mais de 400 pessoas (de toda a Ordem e Família Dominicana) e estamos em vários pontos de alojamento. A mim calhou-me um hotel (que é mais uma casa religiosa), com uma vista óptima mas sem net. Ou melhor, sentado no bidé da casa de banho, virado para o lado do lavatório, consigo ter um pontinho de wi-fi, que vai dando para ver mails e escrever. Chegámos ontem, fizemos boas caminhadas e visitámos alguns sítios... A entrada ontem à tarde na basílica de São Pedro foi facilíssima, não estariam mais de 40 pessoas lá dentro. E esta manhã ida a Santa Sabina para resolver alguns assuntos provinicias. Encontrámos o anterior Mestre da Ordem, actual bispo de uma diocese...

Dar lugar a Deus

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Inaugurou-se, hoje, no Vaticano o presépio e acenderam-se as luzes da grande árvore de Natal. Eu, porque estava em outros afazeres, cheguei meio minuto antes de apagarem as luzes. O Papa não esteve na cerimónia mas recebeu esta manhã os que estiveram envolvidos quer na construção do presépio quer no enfeite da árvore. E, com palavras simples, agradeceu e disse isto, que acho que todos nós deveríamos ter presente nas nossas casas: " O presépio e a árvore transmitem uma mensagem de esperança e de amor, e ajudam-nos a criar o clima natalício favorável para viver com fé o mistério do nascimento do Redentor, que veio ao mundo com simplicidade e mansidão. Deixemo-nos atrair, com a alegria das crianças, diante do presépio, porque lá compreende-se a bondade de Deus e contempla-se a sua misericórdia que se fez carne humana para enternecer o nosso olhar. " Nada de transcendente mas não deixa de ser uma bela reflexão a caminho do Natal.

P. Congar e a liturgia

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Não sei se há algum estudo académico ou literário sobre esta faceta do P. Congar. Um frade incontornável na Igreja do século XX e também na Ordem, mesmo se sofreu alguma coisa antes do Concílio, fosse por pressão do Vaticano (Pio XII) fosse por parte da Ordem, que o queriam silenciar. Uma coisa é certa: o P. Congar mostrou aos que se achavam na verdade que poderiam estar a ser injustos para com a Verdade. De tal modo que o Concílio lhe dará razão e o Papa João Paulo II fá-lo-á cardeal, já doente, no fim da sua vida. Voltando ao tema. Não sei se há algum estudo sobre a relação do P. Congar com a liturgia. Mas, nestes dias de trabalho, em que me coube juntamente com o secretário fazer uma "informatização" do conteúdo dos arquivo da Comissão, encontrei, por acaso, uma carta do P. Congar ao então Mestre da Ordem fr. Vicente de Couesnongle sobre a aprovação do primeiro livro litúrgico da Ordem, aprovado depois do Cocílio. Trata-se de um pedido que o Mestre da Ordem fez a ...

Uma das sete colinas

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Tal como Lisboa, Roma também tem as suas sete colinas. Uma delas, a que está mais a sul, é a do Aventino, onde está o convento de Santa Sabina, onde estou nestes dias. Este bairro, que desde a Antiguidade foi sempre considerado dos mais "ricos", sempre foi um bairro calmo, em que o movimento se faz praticamente para ir ver a vista da cúpula de São Pedro. No vale do Aventino está o famoso Circo Máximo e, do outro lado, outra colina, onde está uma outra nobre colina, a do Palatino. Voltando a esta colina, ela tem quatro basílicas: a de Santo Anselmo, a mais recente e onde está o grande centro de estudos em liturgia, a de Santo Aleixo (San Alessio), cuja história é comovente mas que não cabe neste espaço, a de Santa Sabina, uma cristã romana cuja basílica se construiu sobre a sua casa, e Santa Prisca, ou Priscila, uma cristã que, segundo a tradição foi baptizada por São Pedro, e de quem São Paulo fala em várias das suas cartas. Era uma veneranda cristã que recebia a Igreja na...

As esperas

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Um ditado diz que quem espera sempre alcança mas um outro não ilude: quem espera desespera. E aqui estou eu, no aeroporto de Lisboa, à espera de um avião que me levará a Roma mas que já vai partir com atraso. O aviso chegou ao meu telemóvel tinha eu acabado de sair de casa. O ambiente é calmo, apesar de tudo isto parecer um centro comercial. A música de fundo demasiado mexida para estas horas da manhã, as lojas de marca vazias, as do galo de Barcelos, que agora se tornou o ícone de Portugal, vão tendo algumas pessoas à procura de vinho do Porto ou de pastéis de nata... E movimento. Pessoas para trás e para a frente, com malas e sacos, casacos, e até um senhor com um grande guarda-chuva. Na minha mala de mão vai só o portátil e uma pasta com documentos de trabalho. Mais uma vez os trabalhos de Roma, da comissão litúrgica a que presido. Aqui estou eu, sentado numa cadeira de espera, tentando não desesperar e querendo Roma alcançar. 

Vanitatis vanitatum

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1. Este título, que é tirado da Bíblia, do início do livro de Cohelet, é de difícil tradução. A mais normal é "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". Mas não é a melhor tradução. Nós não temos sinónimo de vanitas... que em espanhol seria vanidad e, em português, vanidade, algo que significasse "aquilo que é vão". Não se trata de ser vaidoso ou que as vaidades sejam pecado mas que não adianta andarmos atrás do que é vão porque tudo é vão. Mas escolhi este título para ilustrar a fotografia que coloquei que, na sua medida, vai bater no refrão latino. Trata-se de uma montra, numa rua de Roma, dedicada a paramentos e roupas clericais mas tipo alta costura. Elogia-se a loja de fazer tudo por encomenda, personalizado, não para qualquer um mas para quem tenha dinheiro. Viveu de glórias, de vaidades e vanidades, costurando as batinas e as outras insígnias dos papas. O Papa Francisco travou a sucessão de papas que se vestiam naquela loja, preferindo panos e costuras mais b...

Cheiro a tílias e sabor a cerejas

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Com menos um dia de trabalho e com dossiers que se terão de terminar nesta sessão plenária, o tempo corre com os pormenores que aparecem à última da hora. O grande trabalho, no qual já se trabalhava quando entrei na Comissão Litúrgica, é o da aprovação do Calendário da Ordem. A única versão oficial é dos anos oitenta, quando se editou o Próprio da Ordem. De lá para cá, muitos santos e beatos se fizeram e necessitam de espaço no calendário. Não se trata de colocar um em cada dia; existem regras e existe o Calendário Romano, geral, que tem precedência sobre os calendários particulares. Hoje devemos terminar este trabalho que leva já quase dez anos. Daqui a pouco iremos discutir algumas modificações de datas (são cerca de 30/40 modificações e acrescentos) para depois aprovar o Calendário. À tarde, com o Secretário da Comissão, devo preparar todos os documentos para serem entregues na Congregação do Culto Divino: um esboço de carta do Mestre da Ordem a pedir a aprovação, um relatório, a...

A primavera da Ordem

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Nós, dominicanos, celebramos hoje a memória de duas grandes mulheres da Ordem dos Pregadores: as beatas Diana e Cecília. Na Missa, o Presidente dizia que elas, juntamente com São Domingos, com o Beato Reginaldo e com o Beato Jordão da Saxónia, fazem parte da Primavera da Ordem. E assim é. Quando lembramos estas duas mulheres, olhamos para o rosto feminino da Ordem, para o que é pura amizade e profundo amor pelos frades e pelas vocações. Da Beata Cecília temos o retrato de São Domingos, que descreveu no processo de canonização e, da Beata Diana, o interesse e amor pela Ordem, em especial quando o Beato Reginaldo foi enviado para Bolonha por São Domingos, e onde vivia Diana, e pelas vocações, interesse tão bem demonstrado nas Cartas que escreveu ao beato Jordão. Numa biografia das suas vidas, que estou tentado a traduzir, diz-se que elas são o exemplo de uma santa e saudável amizade e de uma direcção espiritual bem sucedida. E assim é. A esta memória, tão grata aos dominicanos de Roma...

Uma passagem discreta

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Entre o Convento de Santa Sabina e o centro da cidade, quem faz o caminho a pé, pelo lado direito do Tibre, se se quiser atalhar, pode ir pelo bairro judeu. A Sinagoga de Roma, conhecida e vistosa é a cara do bairro que passa discreto. Outrora um gueto, hoje tem umas lojas de revendas, de pratas e de comida kosher são o resquício de um bairro que, noutras épocas foi de grande movimentação. Mas na esquina da primeira rua, com as portas voltadas para a Sinagoga está uma discreta capela, que é conhecida como Igreja de São Gregório da Divina Piedade. Esta igreja, de fachada simples, apenas com uma pintura de uma Cruz e de uma inscrição em latim e hebraico. Esta inscrição, segundo as notas do bairro, é tardia, do século XIX, em que se faziam as pregações de porta aberta para que os judeus ouvissem e se convertessem. A inscrição, longe de ser uma tentativa de diálogo inter-religioso, era mais uma provocação. Trata-se de uma citação do Antigo Testamento, do profeta Isaías, no capítulo 65, ...

Última aquisição

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Em Roma, para mais uma reunião da Comissão Litúrgica. Os trabalhos, desta vez, poderão ser muitos se cumprirmos a agenda, que trás muitos assuntos pendentes. Assim, se houver decisão, apesar dos poucos dias, poderemos dar um grande avanço. Cheguei ontem a Roma, sem atrasos, o que fez com que pudesse passear por Roma, aproveitando o sol, mesmo com frio. E fui ao Vaticano, entrei em São Pedro, rezei pelas várias intenções (desta vez houve mesmo pessoas amigas a pedirem que rezasse lá por elas) e acabei por ficar para a Missa. Missa concelebrada, no altar da cátedra, que fica detrás do altar do Papa. Missa em latim, presidida por um cónego da Basílica, que me convidou para estar ao lado dele. Falámos dos Dominicanos e dos Jesuítas, e da presença dos portugueses no Vaticano. Missa cantada - entre o gregoriano dos cantores da basílica e a polifonia e um coro da Austrália que tinha vindo cantar a São Pedro. No fim da Missa, regresso ao convento, para as Vésperas e o jantar-pizza, como é...

Revisitar São Sixto

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A tarde de hoje foi declarada livre. Após dias de trabalho faz falta ter um tempo livre para descansar ou fazer outras coisas. Pedi para que avisassem as irmãs dominicanas missionárias de São Sixto que iríamos visitar o convento. Pessoalmente já lá tinha ido mas há sítios, livros, refeições, que se visitam e revisitam sem cansar. E como grande parte dos membros da Comissão não conheciam, a ideia foi bem aceite e acabámos por ir. Recebeu-nos uma irmã italiana - Sor Maria Rosa - que nos explicou tudo tão bem e com tão grande vivacidade que parecia ter estado na construção do convento. Mas falar de São Sixto é fala do século IV, altura da construção da primeira basílica, onde se crê ter sido morto o grande Papa Sixto II, e dias depois, noutro sítio, o diácono São Lourenço. E falar também do século XIII, porque foi este o primeiro convento dos Dominicanos em Roma, em tempos de São Domingos. Esta Irmã, devota mas não beata, explicou-nos bem a estadia de São Domingos naquele lugar: do...

A vontade de Deus

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Em tudo e sempre a vontade de Deus. Assim deve ser e mal vai quando assim não é. Esta manhã, o padre que presidia à missa conventual aqui em Santa Sabina começava a sua homilia dizendo mais ou menos assim: Quando fazemos as coisas por amor estamos a fazer a vontade de Deus. E ela deixa de ser feita quando os interesses passam a ser pessoais, económicos ou políticos. Este padre, tímido no trato, acabou por ser corajoso na pregação. Porque nós, cristãos, devemos estar muito atentos e sempre a perguntarmo-nos sobre as verdadeiras motivações do que fazemos: é por amor a Deus ou por amor ao lucro, ao estatuto ou ao orgulho? O cristão não pode ser como um lobo mau que veste a lã da boa ovelha, ou seja, não pode colocar a capa do amor a Deus para esconder os seus interesses. Por um lado porque tarde ou cedo se descobrem "não há nada oculto que não se venha a revelar", mas por outro porque tem de ter consciência de que Deus tudo vê, até o que vai no íntimo do nosso coração ...