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Pequenez

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Ontem, a caminho de Lamego, voltei ao Penedo de São João. Senti-me tão pequenino... Ora reparem.

A propósito do café

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A minha querida aldeia de Feirão é uma das freguesias condenada a desaparecer, por causa do reordenamento do território. Já era para se terem decidido os novos ajustes, junta-se a esta ou junta-se àquela, mas foi o prazo prolongado até ao final de Setembro. Mas para dizer que em Feirão, outrora um lugar de passagem e de comércio – alguns defendem que o nome lhe vem de uma grande feira que se fazia neste lugar –, está pobre na área em que nos antanhos se especializou. Está agora a começar uma nova Associação dos Amigos de Feirão, com sede na antiga escola, para ver se ao menos temos um café aberto. Mas comércio já cá não existe. Antigamente (no tempo dos meus avós e tios mais velhos) havia algumas tabernas que vendiam pouco mais que o vinho ou aguardente, e a mercearia ficava nas Dornas, atrás do Penedo Gordo, uns quarenta minutos a pé, para cada lado. Para não fazermos café em casa ou irmos sempre à Associação, hoje fomos tomar café a São Cipriano. Aproveitámos para desce...

Quinta-feira da espiga: um poema

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Oferece o canto o cuco a que lhe faz o ninho. O labor das abelhas eleva-se das rosas imitam as searas vénias de mandarim. Há guizos de rebanhos nas papoilas de Maio o corpo das cerejas cobriu-se de cetim. (Poema de Soledade Martinho Costa | quadro de Anabela Aiveca)

Da janela do meu quarto

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O mosteiro das Dominicanas, como já se sabe, fica por detrás dos Remédios. Quem olha da baixa da cidade pensa que depois do escadório que leva até à igreja do Santuário, não há mais nada. Mas sim. E esta é a vista do “depois-dos-remédios”. Da janela do meu quarto, ou melhor, da janela do quarto onde estou vê-se a torre da igreja da Senhora dos Remédios, vê-se Santa Marta de Penaguião e toda a serra do Marão onde se plantou a cidade de Vila Real. Vê-se ainda, à direita, embora a fotografia não mostre, a capela de São Domingos de Fontelo, também com uma vista esplêndida sobre Lamego, Régua e a Serra do Marão. Ora, se tudo isto está metido nas serras altas, como é que não havia de fazer frio nesta altura?

Um salto a Nápoles

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A convite do Provincial da Província de São Tomás de Aquino (Sul de Itália), fui passar o fim-de-semana a Nápoles. Vi tudo e não vi nada. Para padres, em vinte e quatro horas que coincidam com um domingo, não nos resta muito tempo. Fiquei hospedado num convento do século XVII (foi a primeira vez que dormi numa cela tão antiga!), nos arredores de Nápoles, em Madonna Dell'Arco. Um convento com um santuário dedicado a Nossa Senhora, com uma devoção curiosa de uma imagem de Nossa Senhora, encontrada num arco de um aqueduto romano. Foi ontem a festa com direito a Missa com Bispo e tudo. Mas fui muito bem acolhido num convento enorme para os poucos frades que agora lá vivem. Como disse, num dia não dá para conhecer Nápoles. Tive oportunidade de passear pelo centro da cidade no sábado à noite e, no domingo, tirar esta e outras fotografias da cidade de Nápoles. Não foi tirada de um miradouro. Foi tirada de um outro convento com esta largueza de beleza de uma cidade que tem como pano de fun...

À procura do tamanqueiro... entre outras coisas

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1. Ontem andei pelo concelho de Resende. Como não há café em Feirão, aproveitamos para ir conhecer outras terras. Fomos a Paus e a São Marinho de Mouros, que já é vila. Aldeias situadas nos vales da serra de Montemuro, com o rio Bestança pelo meio, como se fosse uma risca a separar os dois lados, rio que vai desaguar ao Douro. Consegui ver a igreja graças ao sacristão, que ma foi abrir por ser quem era. De uma beleza única, com os conhecidos quadros de Grão Vasco e a arquitectura românica. Não se compreende como se faz propaganda da vila e ao chegarmos lá damos com as portas da igreja fechadas. 2. Hoje foi dia cheio. Depois da Missa da manhã, todos os dias às 8 horas, uma grande caminhada até um santuário que fica a cerca de seis quilómetros, o Santuário do Senhor do Fojo (refúgio). Este era o meio do percurso. Acompanhada por uma senhora de Cotelo, a terra do meu pai, lá continuámos a nossa caminhada, falando da vida, mais ela do que eu, desta vez pelos caminhos antigos. O almoço foi ...

Feirão em imagens

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Todas as manhãs um passeio. Hoje foi de Feirão às Dornas, um povo que fica detrás do Penedo Gordo, a minha vista de todas as horas. Aqui ficam algumas fotografias sobre esta freguesia. (Um campo de milho) (Uma casa típica de Feirão. Em baixo as lojas, em cima as casas) (A flor da abobreira. E lá andam, as incansáveis abelhas a tratar da vida delas... e da nossa!) Um pastor - da minha idade - que vem do monte. (esta é uma das vistas panorâmicas de Feirão) (Silvão, de onde se apanham as maiores amoras e as mais doces)

Fui ao Porto

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Chego de um dia cansativo. Fui, manhã cedo ao Porto, para ter uma reunião com os arquitectos que fizeram o Convento onde vivo, e regressei logo a seguir. Já não sei há quantos anos não ia ao Porto de Comboio. Para dizer a verdade, acho que só fui uma vez, pelo ano de 1997, há 13 anos atrás. Mas valeu a pena ir ao Porto. Pensei levar o computador para trabalhar alguma coisa pela viagem, mas optei por levar um livro e um bloco para ler e talvez escrever. Tirei umas notas sobre as estações onde o pendular parou. Uma das coisas que concluí é que o excesso de velocidade rouba-nos o prazer da contemplação. Isto de que a viagem de comboio é mais bonita porque se vê a paisagem... é ilusão num alfa pendular. Por isso, pouco tenho a dizer dos percursos mas alguma coisa fica das estações. 1. Santarém. Tem uma bela estação, tipo casa de bonecas. Cá fora os azulejos que mostram as curiosidades e os encantos da cidade. 2. Entroncamento. O Entroncamento de bonito não tem nada; refiro-me à estação. Mi...

Volta Saloia

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Em bom português, hoje foi dia da volta saloia. Fui a Mafra. Não por causa do Saramago - não costumo fazer dessas romarias, nem fui à procura da Blimunda nem do Sete-Sois. Fui ver, com amigos, o Convento. Fazer o caminho antigo, não cair na tentação das auto-estradas que poupam tempo mas que também nos tiram as vistas; descer para depois subir, ver ao longe as torres tão próprias do Convento e ao perto terra trabalhada e por trabalhar. Chegar ao Convento, entrar na igreja que parece grande, e que é pela grandeza interior porque, tal como os homens, as igrejas não se medem aos palmos, visitamos os santos que a habitam, alguns com mais devoção, e apreciamos o esplendor do grandioso século XVIII português. E depois assomar-se à varanda de São Sebastião, na Ericeira, para sentir a frescura do mar, vê-lo mais forte do que noutras praias visitadas, e ver a imensidade do mundo. Almoçar com mais amigos, acompanhar a brincadeira das crianças que ora nadam ora lêem. E sentir-se tranquilo, em cas...

Onda suave

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Hoje, depois de andar à beira-mar, parei. Sentei-me. E pensei na morte. O que ficará? E pensei na vida como um estar à beira-mar, sentado ou deitado, olhando a beleza do mar, sentido o calor sol e a frescura do mar. Esperar até que venha o meu pôr-do-sol e com ele declinar. O que ficará? O decalque do meu corpo na areia até que aquela onda, ao mesmo tempo suave e atrevida, me apague e leve para alto mar.

Rodízio... espiritual

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Hoje estive no Rodízio. Não num rodízio de carnes... mas numa casa de retiros, em Colares, pertinho da Praia Grande. Fui pregar uma recolecção a um grupo de senhoras que pertencem a um movimento da Igreja Católica, as Noelistas. E como estamos ainda no princípio da Quaresma, foi a Quaresma o tema da recolecção. Um retiro é sempre bom quando agrada e aproveita às duas partes. A mim, como sempre, foi proveitoso não só por poder estar no Rodízio, com o mar no limite do horizonte, mas sobretudo pela partilha da fé e da esperança de uma possível, verdadeira e necessária conversão. Mas ficou-me esta imagem gravada na minha memória. Não é casa onde estivemos nem fui eu que tirei a fotografia. Encontrei-a na net. Esta casa, que foi o antigo convento de São Saturnino e agora um hotel de luxo, está num vale, é o único aglomerado de casas, virado para o mar, como que divinamente colocada entre as duas montanhas. Voltando à casa onde estive, bem mais modesta mas muito agradável, aqui deixo a chama...