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Erguer o trigo

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Ia eu a caminho de Lamego, onde estive nos últimos dias, quando no Mezio vi uma coisa que há décadas não via, e que só as mulheres faziam que era "erguer o trigo". Esta expressão era dita pelas mulheres quando iam purificar os grãos de centeio ou de trigo. A técnica não podia ser mais simples e prática: num dia de vento brando, estendia-se no chão uma manta e a mulher pegava numa bacia com os grãos de trigo que tinha malhado e erguia-o mais alto que a cabeça e deixava ir caindo os grãos enquanto o vento se encarregava de levar com ele as praganas e outras impurezas leves. Como dizia, ha pelo menos mais de 20 anos que não via nenhuma mulher fazer este trabalho tão puxado e tão elegante. Mas, desta vez, apesar da técnica ser a mesma daqueles tempos, alguma coisa mudou: a senhora estava em cima do telhado plano da casa e o marido ajudava-a, ao seu lado. E ficou-me esta imagem, não sabendo eu quando é que volto a ver, se é que voltarei ver, mas deu para voltar atrás e mata...

Em dia de São Domingos

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Vim a Lamego com os noviços celebrar o dia de São Domingos com as nossas monjas dominicanas. Este dia de família dominicana tem várias celebrações e motivos de festa. Um deles, que cada vez mais está presente, é trocarmos SMS com mensagens dominicanas. Eu enviei a minha, manhã cedo, e recebi uma resposta que me agradou pelo conteúdo e pela ligação. Respondeu-me assim um frei de Angola: Feliz dia de São Domingos para si também Frei. Obrigado pelas vezes que comigo falou de Deus; Não se esqueça de mim quando falar com Deus! Este "trocadilho" espiritual está ligado ao que se dizia de São Domingos que só falava de Deus ou com Deus. E isto peço neste dia tão Dominicano: que saibamos falar de Deus aos outros e não os esqueçamos de falar dos outros com Deus.

Recebestes de graça, dai de graça

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Com alegria recebi o último livro de homilias para o Ano A. É um fim de um ciclo, foram três anos a escrever e rever textos e concordâncias, numa tentativa de melhor acolher e pôr em prática a Palavra de Deus que a liturgia nos oferece. Também com alegria que a primeira apresentação se fará já, de hoje a oito dia, em Lamego! Grande acolhimento me têm feito e que só posso agradecer. Igualmente com alegria decidi oferecer o lucro dos meus direitos para a Ajuda de Berço, uma pequena migalha para ajudar a construir uma nova casa para acolher crianças abandonadas com doenças com cuidados continuados e paliativos . Aqui fica o convite para quem possa lá ir.

Giestas em flor

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Fui a Lamego celebrar Santa Catarina de Sena com as Monjas Dominicanas. "Estão mais airosas" é o comentário que todos fazem. De regresso passei pelos montes de Feirão, como faço sempre que vejo a indicação de saída para os meus lados. E vi as giestas em flor. As maias ainda estão atrasadas e os tojos no seu vigor; mas as giestas estão agora a abrir-se à alegria da Primavera. Deu para matar saudades e suspirar pelas férias, que breve chegarão.

Cartas de amizade espiritual

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Estou a terminar a tradução de umas cartas muito especiais e queridas na Ordem Dominicana: as cartas do Beato Jordão de Saxónia com a Beata Diana de Andaló. O cuidado e a preocupação de um pelo outro são sinais do que mais belo pode acontecer entre nós, humanos: a amizade. Ele, como Mestre da Ordem sempre a girar pelos conventos da Ordem e ela, no Mosteiro de Santa Inês de Bolonha, a rezar por ele. Sempre que ele tem tempo escreve-lhe uma carta, sempre com saudades e vontade de se encontrarem. Não temos as de Diana a Jordão; só as de Jordão para Diana. Casualidade ou não, na semana passada enviei uma carta às Monjas de Lamego, elas estavam preocupadas com as decisões do Capítulo Provincial a meu respeito e, como não têm Internet nem conta de e-mail, teve que ser mesmo carta. Livrei-me de escrever à mão, actividade que pratico cada vez menos, excepto nas assinaturas e algumas notas. Caso contrário, tudo no computador. Chegou a resposta. Publico-a aqui, para verem o que é este sentime...

Visita-relâmpago

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Sem querer nem estar programado tive que ir a Lamego. A pedido do Bispo de Lamego fui presidir à eleição da nova priora do Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia, do qual sou visitador por parte da Ordem. Como tinha algum tempo disponível fui na véspera, dia 8, dia de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade de Lamego. Ainda deu para ver as ruas e o escadório iluminado. E, na segunda de manhã, ainda tive a possibilidade de ir até à Régua, tomar um café. O bom tempo, a calma do rio Douro e a beleza do socalcos, dão à vila e a quem lá passa uma tranquilidade que nem mesmo o helicóptero, que de repente aparece para apanhar água para apagar algum fogo, consegue tirar. Por fim, às 16 horas, começou o acto de eleição, em tudo igual ao dos frades excepto que, para as monjas, as eleições têm que ser presididas pelo Bispo ou por algum padre por ele delegado. Calhou-me a mim e também a um outro padre, assistente do Bispo para a vida religiosa da diocese. As nossas eleições começam sem...

O meu dia de São Domingos

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  Só não escrevi ontem sobre São Domingos porque muita coisa foi publicada neste blogue. Foi um dia cansativo, confesso, mas cheio. A missa habitual das oito da manhã na capela de Santa Eufémia. Foi assim porque à tarde, à hora da sesta como antigamente, comecei o tríduo de preparação para festa de Santa Luzia, que acontecerá no próximo domingo. Só depois do tríduo fui para Lamego, celebrar a festa de São Domingos. Quando estou cá por cima e me é possível, vou celebrar com as Monjas, de cujo mosteiro sou visitador. A igreja do mosteiro cheia, o que significa que as irmãs são queridas e estimadas pelas pessoas. Estavam também a comunidade das irmãs dominicanas de Santa Catarina de Sena de Castro Daire. Presidiu o Sr. Bispo de Lamego, D. António Couto, que pregou sobre São Domingos. E, para mim, bem. Da importância de falar de Deus e com Deus. Que muitas vezes falamos de Deus mas não falamos com Deus. Que São Domingos soube conjugar a Palavra, Oração e Fraternidade. E que num te...

O retiro em Lamego

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Algumas pessoas perguntam-me sobre o retiro de Lamego... que não escrevi nada... Como deve ser fácil de concluir, o retiro faz parte da intimidade da vida do seminário... Por isso não poderei escrever muito sobre o que vivi. Com temor e tremor aceitei pregar-lhes o retiro. Era uma grande responsabilidade, pelo menos para mim. Mas sim, para mim foi uma grande experiência pastoral, estar com aqueles que se preparam para serem padres. Cada um com o seu percurso, todos alegres e bem-dispostos, fez-me voltar aos meus tempos de seminário. A qualidade das celebrações, a exigência que estes rapazes fazem da sua vida, faz-me sentir por eles uma grande e profunda admiração. Já a terminar o retiro, veio-me à cabeça uma passagem da oração sacerdotal de Jesus: " Faz que eles sejam teus inteiramente, por meio da Verdade; a Verdade é a tua palavra ". É o que rezo a Deus por aqueles onze rapazes. E que Deus os guarde. (Fotografia panorâmica da cidade de Lamego)

Vidas paralelas IV

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Conclui-se este ciclo de artigos sobre as vidas paralelas, para dizer o que foram estes dias para elas e o que foram para mim. As Constituições das Monjas dizem que elas fazer um retiro anual de oito dias completos. Pode-se perguntar para que é que estas mulheres que vivem em silêncio e contemplação precisam ainda de um retiro e de oito dias, se a vida delas já é um retiro... Creio que o fazem por outros motivos que a obrigação das Constituições, se bem que estas irmãs são fiéis cumpridoras das leis. Faz sentido que, no ano, haja uma quebra na rotina. Abrandam o trabalho, as visitas são mais curtas e reduzidas, tendo mais tempo para a oração e meditação a partir dos temas que o pregador traz, quer lhe seja encomendado um tema quer seja livremente escolhido pelo próprio, que é o que costuma acontecer. Normalmente, nos retiros que oriento - e este é o segundo de oito dias a esta comunidade - costumo ter duas partes distintas: uma mais bíblica, que costuma ser na parte da manhã, e outra ...

Vidas paralelas III

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Seguem as vidas paralelas, deste mosteiro de monjas de clausura, onde estou hospedado durante estes dias. Vidas paralelas por causa da linha de separação estabelecida, e que é mais que uma ficção: onde não é porta é grade e onde não é grade é parede. Outro espaço dividido é o da capela do mosteiro. Aqui é uma grade que separa o coro das irmãs do altar e dos outros fiéis (as celebrações são sempre abertas embora, com a distância e os horários a participação se resuma à Missa) e, na sacristia, uma porta, que ao mesmo tempo faz de confessionário (a porta tem uns buracos a meio) e que divide a sacristia das irmãs, onde estão guardadas as alfaias, e a sacristia do padre, onde ele se paramenta para as celebrações. Comecemos pela capela. É bom que se diga que neste mosteiro não há fechaduras exteriores. Ou seja, as fechaduras ou as traves só fecham por dentro. Por isso, num mosteiro destes, nunca poderão sair todas as irmãs porque não conseguem nem fechar nem abrir o mosteiro. Na capela a me...

Vidas paralelas II

Sigo com as vidas paralelas. Há o sino que é comum aos dois lados. Apesar de estar do lado da clausura, ele ouve-se em todo o mosteiro e arredores. O primeiro toque é às seis da manhã para despertar, e o último por volta das dez da noite para deitar. O som e o ritmo é sempre igual: compassado, de toada forte, a dizer-nos que devemos deixar o que estamos a fazer porque outra coisa mais impotante nos chama. Há também a comida, que é a mesma do lado de lá. Pelo menos é o que elas dizem e devemos acreditar. A mesa é frugal mas de qualidade e preparada com carinho. A sopa sempre boa, à moda do norte, sempre com um grão de arroz ou um fio de massa. Talvez um habito dos tempos de crise em que se engrossava a sopa com arroz ou massa. Certamente que não será o tipo de sopas recomendadas pelos nutricionistas, mas são do melhor, sopas fartas. Três conchas que as refeições não são só sopa. O prato principal varia entre o peixe, a carne e os ovos. Como fazem criação de galinhas já se pode imaginar...

Vidas paralelas I

Neste mosteiro há uma linha (parede, grade) que divide dois tipos de vida: os que vivemos para cá da linha e as que vivem para lá da linha. À outra banda chama-se clausura; a esta banda, hospedaria. A clausura está fechada e vedada a quem não faz parte do grupo, e só se quebra por razões de verdadeira necessidade: alguma avaria que justifique a entrada de alguém, a visita a uma irmã doente por parte do médico ou do padre. Tirando isso, mais ninguém passa, nem mesmo familiares ou amigos. Para isso há a hospedaria, os locutórios (sala separada por uma grade para conversação com as irmãs), ou a roda (sistema de passagem das coisas da rua para o mosteiro). Ao princípio acha-se estranho. Haver sempre alguma coisa que separe, mas depois habituamo-nos à ideia. A própria natureza do mosteiro quase nos obriga a viver do mesmo modo que as monjas excepto numa coisa: do nosso lado está a porta da rua, que se pode usar livremente. É o que tenho feito. Afinal, nem sou, nem estou na clausura.

Primeiras chuvas

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Chegaram as primeiras chuvas a Lamego. Como se de pássaros migrantes se tratasse, vieram suaves, sem ninguém dar conta. Ontem as nuvens, hoje as águas. É um tempo nostálgico. O cheiro a terra molhada, tão próprio e inconfundível, misturado com o que sai dos pinheiros, também aspergidos pela chuva, passarinhos que cantam as suas melodias tristes ou alegres, só eles saberão. Da janela do quarto, onde passo grande parte do dia, vejo as três cruzes que servem ao mesmo tempo de torre sineira ao mosteiro. Olhando para baixo as torres do santuário dos Remédios que, cada quarto de hora nos dizem que o tempo vai passando e, em frente, as montanhas de Trás-os-Montes, hoje encobertas pela neblina. A cidade não se vê. Está lá em baixo, escondida, com o seu barulho e agitação. Aqui já não vai haver barulho o resto do dia. Só há de manhã, para a Missa. Os carros que sobem ao mosteiro, as pessoas que se cumprimentam e o padeiro que vem trazer o pão. Também eu me junto a esta nostalgia. Estes dias são...

Pregação em Lamego

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Estou em Lamego. Vim pregar o retiro anual às Monjas Dominicanas. O trabalho de dois meses esgota-se agora em oito dias. É sempre bom voltar a Lamego, mesmo que em trabalho. É como voltar ao centro de tudo. E lembrar Feirão. Mesmo não indo lá, ao olhar da auto-estrada o monte que encima a aldeia ou ver em Lamego o rio Balsemão que serpenteia por montes e vales desde as terras do Rossão, é uma ligação, quase que diria, umbilical. Lamego ainda tem réstias de sol quente. Fins de tarde outonais em que as cores das folhas da videira são gémeas dos raios do entardecer. É nesta paisagem, dura mas doce, que vou passar os próximos dias. Rezando, trabalhando e pregando.

Da janela do meu quarto

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O mosteiro das Dominicanas, como já se sabe, fica por detrás dos Remédios. Quem olha da baixa da cidade pensa que depois do escadório que leva até à igreja do Santuário, não há mais nada. Mas sim. E esta é a vista do “depois-dos-remédios”. Da janela do meu quarto, ou melhor, da janela do quarto onde estou vê-se a torre da igreja da Senhora dos Remédios, vê-se Santa Marta de Penaguião e toda a serra do Marão onde se plantou a cidade de Vila Real. Vê-se ainda, à direita, embora a fotografia não mostre, a capela de São Domingos de Fontelo, também com uma vista esplêndida sobre Lamego, Régua e a Serra do Marão. Ora, se tudo isto está metido nas serras altas, como é que não havia de fazer frio nesta altura?

Segundo passo

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De Aveiro para Lamego. O retiro "correu bem", expressão tão neutra e tão vaga, mas as Irmãs gostaram e isso é o que importa. Ao almoço, as Irmãs "doentes" desceram ao refeitório para fazerem um pouco de recreio connosco. Foi um momento muito agradável, apesar da surdez de uma, da cegueira de outra e dos noventa anos de outra ainda. E agora estou em Lamego, com outras Irmãs, as monjas dominicanas, em visita "oficial". Rápida mas oficial. Na mesinha de cabeceira tenho as constituições delas para dar uma vista de olhos. O dia de amanhã vai ser de escuta: receber cada irmã, conhecer, ouvir, perguntar... Uma grande diferença de clima: aqui atrás dos remédios (para não dizer atrás do Sol posto) está frio. Muito frio. O que me vale é ter aqui um aquecedorzinho para onde desloquei a mesa para poder ler e escrever com algum calor. Quem tem capa sempre escapa. Eu não trouxe a minha do hábito, mas ainda assim, escapei com esta fonte de calor. Como ontem não vim escre...

Presença dominicana em Aveiro

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Estou a meio do retiro. Estão cerca de vinte Irmãs Dominicanas. Esta casa de Aveiro é uma casa especial. Está num bairro moderno de Aveiro, ao pé da universidade, inserida nos prédios que aqui se construíram. É o número um da rua. São quatro pisos, com um grande terraço, onde se pode ter uma vista panorâmica da cidade. Esta casa começou por ser uma residência para universitárias. Estava bem localizada, os pais ficavam sossegados porque estavam em casa das Irmãs, e também havia alguma pastoral. Entretanto, com a tributação ao Estado por parte das obras sociais da Igreja Católica, não puderam continuar. E esta casa foi convertida em casa de acolhimento às Irmãs que passam por aqui e também a grupos, e também uma casa de repouso/enfermaria para as Irmãs doentes ou de muita idade. Aqui vive-se a compaixão. Não é pena mas sim compaixão. A capacidade de entrega e doação de Irmãs que cuidam destas que estão acamadas, que sofrem de Alzheimer, que têm muita idade, que não vêem por causa dos dia...

fora do mundo e do tempo

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Não sei quem sou nem o que faço aqui. Tudo me é estranho: o sítio, os outros, até eu sou estranha a mim própria. Todas vestidas como eu, mandam-me para aqui para rezar, para ali para comer, para acolá para me deitar. Como se eu soubesse o que isso é. Sigo o instinto: para rezar desço um andar, para comer vou para a sala do fundo, para um quarto a meio do corredor que é onde me deito. Só me lembro do antigamente: umas canções em latim, dos poucos nomes das pessoas de quem me lembro, está tudo morto e fico confusa: aquele parece que é o frei Domingos mas afinal disse-me que se chamava Filipe, aquela ali parecia-me a irmã Maria e afinal ela também diz que é outra! Não sei se a confusão é minha ou se são eles que estão a brincar comigo. E sinto-me baralhada. E para não me baralhar ainda mais calo-me e vejo. Isso sim, olhos abertos a tentar perceber o que é que está para aqui a fazer tanta gente, tantas freiras que me conhecem e que eu conheço com outros nomes. E passam os dias, as horas e ...

Périplo

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Inicio amanhã um périplo de viagens... em trabalho. Começo um retiro em Aveiro, até sexta-feira, de lá sigo para Lamego para fazer uma visita "formal" às monjas dominicanas e de Lamego ainda espero ir à Galiza visitar um outro mosteiro (visita de cortesia). Espero manter em dia a escrita deste livro. Enquanto isso, o pedido de sempre: orate pro me!

O lado B da vida

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Hoje foi, para mim, um dia atípico. Substituí um frade nas celebrações da Palavra do Externato Marista . E logo três: duas do oitavo ano e uma de um décimo segundo. As caras vamos conhecendo-as, as dos mais velhos melhor, porque estão no colégio há mais tempo (alguns estão desde os três anos!). Cada turma prepara a celebração, que dura mais ou menos 45 minutos, a partir de um tema que têm vindo a explorar: a primeira turma do 8º ano escolheu o tema "crescendo", o 12º escolheu o tema "reflexo" e a segunda turma do 8º o tema "o lado B da vida". É claro que associei à turma: 8ºB, lado B, mas este tema levou-me para as antigas cassetes em que tinham o lado A e o lado B. Esta turma acha que o lado B é o lado da originalidade, o lado do deixar-se levar pela sua consciência e por aquilo que acredita. E, de facto é grande o desafio. Na partilha da palavra (esta turma escolheu um texto de Fernando Pessoa e o Evangelho do episódio da Marta e Maria) fala-se sobre a ...