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Um coração puro

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A caminhada da Quaresma que é, antes de mais, um tempo de libertação, faz nascer em nós um desejo de mudança. As renúncias e penitências que nos impomos são ajudas para nos libertarmos. Pedimos a Deus um coração puro e temos de fazer por ter um coração puro. Um coração puro é o contrário de um coração manchado. E a Quaresma pode ser este tempo favorável de purificação. Com a ajuda de Deus, retirarmos do nosso coração toda a maldade que não nos deixa ser felizes nem fazer felizes os outros. Isto é uma espécie de morte: morrer para o mal para poder nascer o bem.  Se o grão de trigo lançado à terra não morrer… Esta frase de Jesus adquire hoje um duplo significado. Por um lado, a sua própria morte, que Jesus compara a um grão de trigo. Também Jesus será sepultado, não para ficar no túmulo, mas para nos dar o fruto da sua ressurreição: a vida eterna. Mas também nos quer dizer que na nossa vida há mortes que temos de fazer acontecer para que delas possa nascer vida: pessoas, relações e ...

Um pai que ama o seu filho

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  Uma das maiores aflições que os pais devem ter é a de verem um filho sofrer ou mesmo perdê-lo. Não tenho dúvida que qualquer pai ou mãe, se pudesse, assumiria essa dor e daria o seu lugar para que o seu filho não sofresse.  Hoje escutámos na primeira leitura uma passagem muito complicada. O mesmo Deus que deu um filho a Abraão, pede agora a sua vida como sinal de fé. As explicações desta passagem são várias e a maior parte delas vão no sentido de ser uma prova de fé. Daqui não tenho dúvidas que os problemas da nossa vida são muitas vezes provações em que se pode questionar a fé, mas, mais importante, é que a fé ilumine as nossas provações e dificuldades. Esta leitura diz-nos isso: a nossa vida é semeada de alegrias e esperanças, mas também com as suas penas e sofrimentos, incompreensões e injustiças e contrariedades. Uma primeira pergunta poderia ser esta: com que atitude enfrento, vivo, os problemas da minha vida? Será que a fé nos faz chamar Deus desde o início ou só o cha...

Não nos deixeis cair na tentação...

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O evangelho das tentações é lido neste primeiro domingo quer por causa do número 40 quer por causa de Jesus ter ido para o deserto. É este o número muito simbólico, mas significativo dos dias do dilúvio, dos quarenta anos que o povo de Israel demorou a atravessar o deserto desde o Egipto à terra prometida, os quarenta dias das nossas quaresmas… e o deserto que é ao mesmo tempo o lugar da provação, o lugar do despojamento, mas também o lugar privilegiado para escutar a voz de Deus. No profeta Oseias há uma passagem que diz isto mesmo: vou conduzir o meu povo ao deserto para lhe falar ao coração . E assim como o número quarenta tem um simbolismo forte também o deserto pode ser uma metáfora da nossa vida, reconhecendo nesta passagem do Evangelho o que pode acontecer na nossa vida.  Jesus era tentado por Satanás . As tentações fazem parte da nossa existência. Desde as inofensivas tentações até às mais gravosas, que causam dano não só a nós, mas também aos outros, dos mais pequenos a nó...

A poesia da Quaresma - 7

Se sois riqueza, como estais despido? Se Omnipotente, como desprezado? Se rei, como de espinhos coroado? Se forte, como estais enfraquecido?  Se luz, como a luz tendes perdida? Se sol divino, como eclipsado? Se Verbo, como é que estais calado? Se vida, como estais amortecido?  Se Deus? estais como homem nessa Cruz? Se homem? como dais a um ladrão, Com tão grande poder, posse dos céus?  Ah, que sois Deus e Homem, bom Jesus! Morrendo por Adão enquanto Adão, E redimindo Adão enquanto Deus (Fr. António das Chagas)  

A poesia da Quaresma - 6

guia-nos, Deus, na viagem através do deserto até ao lugar da tua crucifixão e da tua Páscoa. guia-nos, Deus, da via cinzenta dos nossos dias à via gloriosa da tua cidade. seja este o tempo favorável para a confissão do pecado e do louvor, nós que vivemos na fragilidade do corpo nómada o imaginário do oásis e os lugares de repouso. guia-nos, Deus, para a inquietação que permanentemente te nomeia, Deus em Jesus Cristo e no Espírito consolador.

A poesia da Quaresma - 5

Portanto farei uma escada no coração. E pelos degraus subirei da minha casa Até bater com o pensamento no altíssimo. Apagarei os passos e o cérebro como um rasto no deserto Sempre atento como a águia quando fixa o sol Sem pestanejar. Farei portanto a escada no deserto para fixar A luz. Da minha casa subirei sem palavras Em silêncio, portanto, pisando o coração.  (Daniel Faria)  

A poesia da Quaresma - 4

No deserto, uma voz, O sol quente, o SILÊNCIO, a secura, o abismo, a tentação de ser Deus. Mas, mais forte do que eu é essa força que habito e que me habita e que sinto, essa marca, essa pegada que nenhum vento dissipa. E já não há pressa, nem tempo... E a resposta se intui, e é a tarde serena, e uma brisa se escuta... Tudo passa... E o horizonte de areia converte-se na Palavra. (Maria Helena Cabral)

A poesia da Quaresma - 3

Que coração tão duro, seco e frio Se poderá livrar do sentimento, Vendo num vagaroso movimento Fugir as claras águas deste rio?  Tamanho mal em tantos males crio, Que não fica lugar ao pensamento Para chorar sequer um só momento A secura, a dureza, em que me esfrio.  A corrente das águas, branda ou tesa, Mal pode desfazer minha secura, Pode mal abrandar minha dureza;  A saudade d’alma branda, e pura, Em que há-de acender minha frieza, Consiste na divina formosura. (Frei Agostinho da Cruz)  

A poesia da Quaresma - 2

Do alto deste monte, numa manhã assim, só há duas coisas a fazer: chatear deus ou deixar deus em paz. Minto. É claro que há uma terceira via (mas dá muito trabalho): fingir que não o vejo nem o oiço do alto deste monte na luz desta manhã. (A. M. Pires Cabral)

A graça do recomeço - homilia

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Começamos hoje, de uma forma muito diferente e se calhar nunca imaginável, o tempo da Quaresma. A Quaresma é um tempo e um rito. Um rito que tem muitos ritos dentro dela. Por exemplo, o rito da imposição das cinzas, que para muitos cristãos será hoje espiritual.  E podemos ver o rito de duas perspectivas: ou como rotina (mais uma quaresma) ou como um mecanismo que nos ordena (uma quaresma que traga novidade às nossas vidas). Antoine de Saint-Exupery, no Principezinho, define o ritual nesta segunda dimensão, que é a verdadeira. O principezinho pergunta à raposa o que é um ritual e a raposa responde-lhe: “É uma coisa de que toda a gente se esqueceu: é o que torna um dia diferente dos outros dias e uma hora diferente das outras horas”.  Todos os anos, quarenta dias antes da Páscoa, a Igreja reúne-se para dar início ao tempo de conversão (de regresso a Deus, como iremos cantar daqui a pouco) numa atitude de verdade e humildade. Aliás, atitudes indispensáveis que estão por detrás d...

A poesia da Quaresma - 1

Caminho deserto sem marcas nem flores, vou cantando amores que minh'alma busca. Sentindo, sem medo tão brandas as dores... Correndo e voando, Olhando o azul. Caminho sedenta, Sem pressa nem pausa... E o céu tão perto! (Maria Helena Branco)

Caminhos de conversão

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Livro de horas para a Quaresma - dia 40

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É sempre necessário um inverno para embalar uma primavera.

Livro de horas para a Quaresma - dia 39

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Jesus estará em agonia até ao fim do mundo...

Livro de horas para a Quaresma - dia 38

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Tudo o que respira louve o Eterno! Louve o Eterno!

Livro de horas para a Quaresma - dia 37

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O egoísmo é o veneno da amizade.

Livro de horas para a Quaresma - dia 36

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O Senhor é meu pastor: nada me falta. Se atravessar as ravinas da morte eu não temo nenhum mal, porque tu estás comigo.

Livro de horas para a Quaresma - dia 35

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A quem espera o tempo abre as suas portas

Domingo de Ramos - preparar o domingo

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Livro de horas para a Quaresma - dia 34

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Preferi a estrela que vos guia ao sol que vos queima.