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Último sol de Feirão

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Cheguei a Lisboa. Hoje de manhã, antes de sair, tirei esta fotografia ao nascer do sol em Feirão. Em Junho e Julho ele nasce mesmo por detrás do Penedo Gordo; agora que os dias começam a decrescer, ele nasce mais de lado. A aldeia ainda vivia a penumbra da noite e, por cima do rio, a névoa típica destes dias.  Adeus Feirão e, se não for antes, até para o ano, se Deus quiser.

Noite de Santo António

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Venho da noite de Santo António. Pus-me a caminho dos bairros antigos da Cidade: Mouraria, São Vicente e Alfama. Há muitos anos que não fazia esta volta. Tanta gente! Terminei a volta na Avenida. Ainda as marchas estavam a desfilar. A de Marvila - coincidência - ia entrar em cena. Como sempre, a mais bonita! Por muitos feriados que o Governo nos tire e também algum dinheiro, a alegria não nos tira. Viva o Santo António!

Datas que não se esquecem

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Sou um bocado esquecido em relação a datas; às dos outros e às minhas. Tenho uma agenda onde coloco as datas dos aniversários das pessoas amigas e muitas vezes esqueço-me de lá ir ver a quem toca festejar mais um ano; No diretório litúrgico (livrinho onde vêm as determinações da liturgia para cada dia) tenho os aniversários dos frades e as datas importantes do Convento e da Província; na minha cabeça muito poucas datas e às vezes confusas. Mas o dia de hoje é um dos que me ficou gravado. Talvez por estar associado a uma outra comemoração. Comecemos pela mais importante: hoje é o dia de aniversário da Dedicação da Sé de Lisboa. Temos que ir lá muito atrás na história lusitana, a 1150, três anos depois da conquista da cidade aos mouros, em que D. Afonso Henriques mandou destruir a mesquita e construir sobre ela uma igreja catedral para o seu primeiro bispo D. Gilberto de Hastings. Já agora, em atalho de foice, Catedral e Sé são dois sinónimos: Catedral, lugar da cátedra (cadeira) ...

Ainda Feirão

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Acabou o fresco, acabou a calma, acabaram as caminhadas nos caminhos toscos, acabou a paisagem verde e o chilrear das andorinhas às sete da manhã. Regresso a Lisboa. Mudança drástica: as paisagens são os prédios e os estádios, o fresco que vem é da ventoinha, as caminhadas são entre carros e buzinas, e às sete da manhã ouve-se o barulho dos carros a passar na avenida. Mas é assim a vida. Fazer o quê? Lembrar os tempos bons. No entanto, para mim, Feirão não acaba. Não tenho pena nem saudades; para o ano, Deus querendo, lá estarei de novo, e isso mata-me as saudades. Agora é tempo de arquivar as fotografias e publicar no Youtube a meia dúzia de músicas de Igreja que gravei. Mas a música de Resende não é só de Igreja. Se perguntarmos aos mais velhos como eram os serões dos meses quentes, respondem com saudade: ó sr. padre, era nas vessadas e nas cegadas e nas vindimas: trabalhava-se a cantar. À noite, vinha-se dos campos, arrumavam-se as coisas e ia-se para a eira dançar e cantar: uma con...

Alfama entre Missas

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Ontem fui à Baixa celebrar duas Missas: uma em São João da Praça e a outra na Sé. E, entre as duas Missas, aventurei-me nas ruas do bairro mais típico e mais antigo de Lisboa: Alfama. " Alfama representa, em relação ao burgo medieval que constitui a Lisboa do século XI, o resíduo mourisco de mais constante carácter. Distinta do outro aglomerado islâmico - a Mouraria - resultante directo da conquista de Afonso Henriques, ela fecha-se sobre si própria e mantém, no seu conjunto, a incerteza do traçado, a irregularidade das linhas de força, a variedade de contornos também comum aos núcleos populacionais do Próximo Oriente ". Este primeiro parágrafo, tirado da Colecção " Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa " - edição de 1973, antes de eu nascer! - diz bem o que se vê quando se palmilham as labirínticas ruas de Alfama. Já não há mouros, como é óbvio, mas vemos as tascas abertas a pouca luz, com o cheiro a vinho ou a fritos, vemos a barbearia e as mercear...

Lisboa é para ali

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Feirão, 1964. Estava o Outono a meio. Ele tinha trabalhado todo o Verão como jornaleiro: nas cegadas, nas malhas, na arranca da batata, na esterroa... De sol a sol, assim se define esta profissão. Vieram os primeiros frios e as primeiras chuvas. Nas terras pouco se faz, quem tem gado leva-o para o monte, em nõ chovendo ou nevando. Ele, como só tinha umas ovelhitas e um burro, e já três filhas, pequenitas mas espertas, não tinha muito por onde ir. Nem sequer o reco para matar pelo São Martinho que aí vinha. Vida dura, ingrata e desgraçada a de um homem que não tem uma lameira nem uns enxertados e nem sequer uns quintais no fundo do povo para poder trabalhá-los. Era tudo à míngua. Mas tinha dicidido que assim não ia continuar. Iria para Lisboa. Ainda não tinha dito à mulher nem sabia sequer o que ia fazer, mas o tio António tinha ido e estava bem, o tio Albino também e ele queria também tentar a sua sorte. À noite, na cama, disse à mulher que ia para Lisboa. A mulher, mais medrosa, riu-s...

As vidas dos irmãos

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Ontem à noite acabei de ler um livro muito importante para os Dominicanos: " A vida dos irmãos "; em latim, língua em que foi escrito, o título é " Vitae fratrum ". Claro que não li em latim, os meus dotes não chegam a tanto. Mas este livro é importante porque é do século XIII, escrito por um frade dominicano, fr. Gerardo de Franchet, curiosamente, fundador do primeiro convento dominicano de Lisboa, no Rossio, actual igreja de São Domingos, em 1241. É ainda importante porque narra histórias da vida dos frades, pouco anos depois da morte de São Domingos. Histórias verídicas (é preciso ter em conta o conceito de veracidade no século XIII), mandadas recolher pelo então Mestre da Ordem, Humberto de Romans, e que encomendou a este frade que as juntasse num livro. Estava em falta. Este livro foi-me dado em Fevereiro de 1999. Supostamente deveria ter sido lido nesse mesmo ano, porque fazia parte da leitura do noviciado mas, como nas nossas leis se diz que cada frade é prim...