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As memórias que este dia me traz

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Tendo morrido o meu avô materno em Feirão e lá sepultado, tornou-se obrigatório, como naqueles inícios dos anos oitenta, vir à terra aos Santos. Não sei porquê mas acompanhei várias vezes a minha avó e agora que cá estou, tudo me vem à memória com doçura e lucidez. Eram poucos os dias, três no máximo: vínhamos de Lisboa no dia 31 de Outubro - sempre numa carrinha que nos trazia a nós e a mais algumas pessoas - e regressávamos no dia 2 ou três, conforme fosse o feriado. O ritual era simples: no dia trinta e um ir ao cemitério, lavar a campa, pôr flores - aqui diz-se compo-la - acender a vela e assim se fechava o dia. A casa de Feirão, já de si inóspita - naquele tempo a casa estava ainda por acabar - a juntar ao frio e às chuvas que pela serra de Montemuro fazem questão de aparecer nestes outonos, fazia com que só estivéssemos na casa de cima, a mais arranjadinha, com camas velhas vindas de Lisboa, para dormir. Os serões eram em casa da tia Lurdes, que era tão tia como todas as outras m...

Prefiro o paraíso - São Filipe de Neri

 Neste dia, há 4 anos, escrevi aqui a minha admiração por São Filipe de Neri. Admiração sempre crescente, à medida que os anos passam. Não posso ter a ousadia de dizer que me identifico com ele porque só mesmo o nome nos une. A santidade e a simplicidade de São Filipe de Neri deixam-me perplexo e a anos de luz deste homem de oração, de caridade e de muito humor. Mas, como diz o Papa Francisco, e bem, " há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós ". Prefiro o paraíso, ensinava ele às crianças abandonadas e rebeldes. O caminho do mal não nos leva ao paraíso e para o alcançar temos mesmo de fazer opções, preferências. Não sabemos muito da vida de São Filipe de Neri mas, no filme que se fez sobre ele, há um momento muito impactante: Há uns boatos sobre o mau uso de dinheiros entregues à igreja de São Filipe que ele usava para os po...

O que nos pode ensinar São Tomás de Aquino

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A Igreja lembra hoje e dos dominicanos celebram com festa e júbilo a figura incontornável de São Tomás de Aquino (Roccasecca 1225-Fossanova 1274). É mesmo incontornável. Mas confesso que só recentemente entrou nas minhas devoções. Quando entrei na Ordem, São Tomás era falado em qualquer círculo, para trás e para a frente e quem não conhecesse São Tomás ou não lhe tivesse devoção nunca seria um bom dominicano. A coisa andava sempre pelo "segundo São Tomás", "de acordo com São Tomás", "São Tomás escreveu"... às vezes apetecia pôr os reverendos tomistas à prova perguntando onde é que São Tomás tinha escrito ou onde é que ele tinha dito. As aulas de filosofia medieval não ajudaram e talvez a minha idade não conseguisse alcançar o seu pensamento. Digo isto sem nenhum escárnio ou desmérito dos frades tomistas mas a nós, mais novos, passavam-nos o certificado de ignorância. Por isso virei-me mais para Santo Alberto Magno, seu mestre, e de entre os grandes santos ...

As grandes santas da Ordem Dominicana III: Beata Amada

Como se disse na primeira parte desta exposição, a Beata Amada fez parte, durante muitos anos, do grupo das primeiras monjas da Ordem Dominicana, as três beatificadas em conjunto. No entanto, na revisão do Calendário litúrgico a Beata Amada saiu do grupo, por não e saber quase nada da sua vida. Por isso, seguindo a tradição, porque a tradição reaviva a memória, diremos o pouco que sabemos desta vida escondida, mas bem iluminada em Deus. A Beata Amada foi umas das quatro monjas que o Papa Honório III  enviou de Roma a Bolonha, afim de ajudar na construção do recém fundado mosteiro de Santa Inês. Não era difícil dispensar quatro monjas uma vez que o mosteiro de São Sixto contava, naquela altura, com mais de cem monjas. O Papa enviou estas quatro, talvez as mais santas e mais espirituais, para santificar e espiritualizar o mosteiro de Bolonha. Sabemos que ela, em Bolonha, era como que a secretária do mosteiro. Existem vários documentos escritos por ela, como o registo da fisionomia de...

As grandes santas da Ordem Dominicana II: Beata Cecília Romana

Tem agora espaço neste post a segunda beata das três primeiras grandes santas da Ordem Dominicana: Cecília Romana, por ser de Roma. Falamos da primeira historiadora de São Domingos. De facto, é ela que o descreve quer na figura quer na virtude. É uma das quatro monjas que, do mosteiro de São Sixto em Roma, vão para Bolonha, ajudar na construção espiritual do mosteiro, recentemente edificado. Com 17 anos era já monja de uma comunidade religiosa de Roma. Estando São Domingos em Roma, por volta de 1218/19, o Papa Honório pede-lhe um "milagre": que reúna num só mosteiro as várias pequenas comunidades monásticas femininas de Roma. Cecília vai ser a primeira a aderir a este projecto e vai convencer outras a juntarem-se todas numa só comunidade. Por ter tido esta atitude, foi sempre particularmente querida por São Domingos. É ela quem, no processo de canonização, vai revelar aspectos íntimos e virtudes de São Domingos. Foi, por isso, sempre muito querida por toda a Ordem, por poder ...

As grandes santas da Ordem Dominicana I: Beata Diana de Andaló

A Ordem Dominicana celebra hoje três grandes santas: As Beatas Diana, Cecília e Amada. Esta última saiu da celebração litúrgica, talvez porque se sabe muito pouco da sua vida. São três monjas, ligadas ao início da Ordem: A beata Cecília, de Roma, muito ligada a São Domingos, a beata Diana, de Bolonha, muito ligada ao Beato Jordão e a beata Amada muito ligada à fundação do primeiro mosteiro de monjas dominicanas em Roma. A beata Diana, quando lemos alguma biografia mais antiga, é elogiada com todos os superlativos: felicíssima, belíssima, cultíssima, nobilíssima, eloquentíssima... Imaginemos como não seria esta Mulher no século XIII. É em Bolonha, ao ouvir as pregações do Beato Reginaldo de Orleães, que estava há pouco tempo na Ordem e na recém fundação do Convento da cidade que ela pede para ser ajudada espiritualmente. Após algum tempo de discernimento, decide fazer profissão (ainda sem haver mosteiro nem monjas) de obediência e pobreza. E será São Domingos que a receberá. E, enquanto...

Dia de São José: Partilha da Palavra e comunhão espiritual

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Partilha de uma reflexão e comunhão espiritual. Vão passando por cá que irei fazendo coisas destas na medida dos possíveis.

Entre os nascidos de mulher

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"Entre os nascidos de mulher não houve ninguém tão grande como João Baptista". É assim que Jesus fala de João Baptista. E falo eu, hoje, por ser o dia em que se faz memória do seu martírio. Jesus tinha grande estima por João Baptista. Uma estima que, naturalmente nasceu da sua relação familiar - seriam segundos primos - mas sobretudo porque ambos se envolveram na mesma causa: o Reino de Deus. João Baptista preparou os corações para acolher o Reino de Deus e o seu Messias e Jesus veio inaugurá-lo como Rei e Messias deste Reino de Deus que nasce nos nossos corações e se contagia a quantos, de coração sincero o acolhem. Vidas diferentes, uma mesma causa. João assume uma atitude de penitência e vai para o deserto, junto às margens do Jordão, para convidar a quantos dele se aproximam a mudar de vida e valores, de acordo com a sua pregação. Jesus está nas cidades e aldeias dizendo às pessoas que o Reino já chegou. Ao contrário do Baptista, Jesus não jejua nem faz penitência....

O pai, São José

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Ainda não se descobriu em profundidade a espiritualidade de São José. Há uns anos Leonardo Boff escreveu um livro bem interessante sobre São José. E, depois disso, continua a escrever sobre o que descobriu e sobre o que escreveu. Hoje deixo só esta imagem de São José, quadro de uma igreja do Canadá. Se repararem na cara de Deus e de São José é a mesma e até no pormenor da barba... Leonardo Boff fez, no Brasil, uma segunda edição do livro. Na primeira o título foi menos convidativo: São José e a personificação do Pai. Esta nova edição tem um título mais adequado à realidade: São José, o pai de Jesus numa sociedade sem pai. Actual, real e profundo.

Francisco, o pastorinho de Fátima

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Hoje, em Portugal, celebra-se a memória dos dois pastorinhos de Fátima, Francisco e Jacinta Marto, canonizados em 2017 pelo Papa Francisco. Tenho uma especial devoção pelo Francisco. Calado, contemplativo, inimigo de contendas e de desafios. Simples, humilde e sereno, é o que vejo na sua vida. Mas, sobretudo, contemplativo. É impressionante a experiência de Deus que ele faz. Diz ele assim: " Nós estávamos a arder, naquela luz que é Deus e não nos queimávamos. Como é Deus!!! Não se pode dizer! Isto, sim, que a gente nunca pode dizer! Mas que pena Ele estar tão triste! Se eu o pudesse consolar !" Os pastorinhos não são santos por terem visto Nossa Senhora. São santos porque, tendo visto Nossa Senhora, compreenderam a mensagem do Evangelho e trilharam um caminho de santidade. Exemplos, modelos e intercessores são estas crianças, nossas conterrâneas, simples e puras, como todos nós deveríamos ser.

Pedro Claverie e Companheiros, Mártires da Argélia

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É hoje beatificado um grupo de 19 mártires da Argélia, encabeçados pelo bispo dominicano Pierre Claverie. Além deste dominicano, contam-se também seis religiosas e a comunidade trapista que o filme "Dos deuses e dos homens" veio imortalizar. Todos amigos de Deus e das pessoas, sem distinção de religião. Hoje são para nós um modelo, certamente, mas também uma chamada de atenção para a perseguição religiosa que ainda nos nossos tempos acontece e, tantas vezes, pela calada. Deixo aqui um extrato da homilia de Pierre Claverie, pronunciada no dia da tomada de posse da sua diocese de Orán, a 9 de Outubro de 1981: Irmãos e amigos. Todos nós somos nómadas. Muitos de vocês são-no por causa do vosso trabalho, outros por causa das circunstâncias que vos forçou a se desenraizarem; mas, espiritualmente, todos somos nómadas. A fé é o movimento em direcção a Deus: ela responde ao apelo irresistível do seu amor e nos leva a sair de nós mesmos para amar como Deus mostrou que am...

A última carta

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 Não queria deixar passar e4ste dia 24 de Novembro sem fazer referência a um grupo de mártires (127), quase todos da Família Dominicana, que durante mais de 100 anos foram perseguidos e executados por ódio à fé. Um deles, bispo, Valentín Berrio-Ochoa, morre com apenas 34 anos, decapitado, por ter fé cristã e por a anunciar. Neste dia nós, dominicanos, lemos a última carta que São Valentín escreveu à sua mãe. Mostra a ternura de um filho e a força de um bispo. Aqui a deixo, como partilha. Querida mãezinha do meu coração: Recebi uma carta sua no princípio deste ano. Que alegria ver a letra da minha mãe! O meu coração ficou muito contente quando soube que estava uma velhinha vivaça e que ainda fiava com prazer. Com gosto soube que todos os dias vai à Missa e que reza por todos a Jesus amado. Pergunta-me, minha mãe, pelo meu modo de viver e que comidas como… Querida mãezinha, eu vivo muito bem, como um senhor Bispo, e não me falta nada de comer. Aqui não há pão. Se tiver u...

São Vicente de Paulo: uma inspiração

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A Igreja faz hoje memória de São Vicente de Paulo. Padre do século XVII, destaca-se na Igreja e no mundo pelo empenho na formação dos padres e na sua proximidade com os pobres. A sua vida, o evangelho vivido e actualizado no seu tempo, o seu zelo e a sua caridade continuam hoje a ser contagiantes em muitos lugares do mundo. São Vicente não teve problemas em dizer, naquele século XVII que "Se dez vezes formos ao encontro dos pobres, dez vezes encontraremos a Deus", ou "não sei quem é mais carente: se o pobre que pede pão ou o rico que pede amor", mas sobretudo o conselho de que entre ir rezar ou ir ajudar um pobre, esta segunda coisa é mais importante: "Não se trata der deixar a Deus, se é por amor de Deus que deixamos a oração: servir um pobre é também servir a Deus". De há muito tempo que me inspira este dia e este santo. Ser padre, estar ligado à formação nos dominicanos e estar presente numa Associação inteiramente dedicada aos pobres. Só me fa...

Santa Mónica

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Hoje a Igreja faz memória de Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, que amanhã se celebrará. Desde cedo que ganhei afeição por esta mulher de Deus, conhecida na história da sua vida e na liturgia pelas lágrimas derramadas pelo seu filho Agostinho. Por um lado porque a minha paróquia de origem é de Santo Agostinho e, porque a minha avó, além de gostar do nome, dizia que se tivesse tido mais alguma filha a chamaria de Mónica. Nenhum dos filhos a honrou com o nome, bem sabendo que gostos são gostos e Mónica não faz parte dos nomes da moda. Mas foi sempre para mim um dia de alegria e consolação. Lembro-me da minha mãe e das mães e mulheres que pacientemente suportam contrariedades e, em silêncio rezam pelos seus filhos. As lágrimas de Mónica não foram em vão, foram oração. Não foram desespero nem revolta, foram esperança e confiança naquele que consola e enxuga as lágrimas dos que choram. As lágrimas de Mónica foram esmola colocada no cofre das ofertas, foram oblação de incenso no al...

O Santo noviço

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Tenho na minha mesinha de cabeceira um livro espanhol, publicado em 1921, sobre a vida de santos, beatos e veneráveis da Ordem Dominicana. Livro antigo, com vidas e histórias ainda mais antigas, como a que aqui vou contar, sobre um santo noviço. A história parece ter sido verídica, medindo a distância entre o verídico do século XIV com o verídico do nosso tempo. Esta história do santo noviço tem, pelo menos, duas réplicas: uma em Itália e outra em Santarém, Portugal, e o noviço tem nome e tudo: Beato Bernardo de Morlaas. Mas vamos primeiro à mais documentada e depois um breve apontamento à versão portuguesa. No século XIV, em Maiorca, há uma grande peste que dizima famílias de sangue e religiosas. Uma criança, que não teria mais de sete anos, vai viver para o convento dos Padres Dominicanos e aí cresce na fé e na virtude. Ganha especial devoção por uma grande imagem de Nossa Senhora que tinha o Menino Jesus nos braços e aí passava muitas vezes e muito tempo contemplando a Virgem Mar...

São FIlipe de Neri

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Celebra hoje a Igreja o dia de São Filipe de Neri. Quando entrei na Ordem e me perguntaram qual seria o meu santo onomástico - o normal seria que fosse São José, como já havia muitos Josés na província e quase ninguém me conhece por José - escolhi São Filipe. Mas, com a ressalva minha - de pouca lucidez e mania de grandezas - que seria o Apóstolo e não o outro (este de Neri). Com os anos a lucidez foi aumentando e a mania das grandezas decrescendo, e descobri a alegria, simplicidade e amor aos mais pobres, sobretudo com as crianças, de São Filipe de Neri. E adoptei-o também como santo protector. Em 2010, quando estive em Roma no Capítulo Geral, tive a oportunidade de ver o filme da sua vida e visitar a igreja onde está sepultado. Conquistou-me! De modo, que neste dia, peço a Deus que me dê a alegria e a generosidade deste santo que admiro e venero. E que São Filipe de Neri me desculpe o descuido que lhe dei e que não merecia. Deixo, como memória, uma parte do filme em que São Fi...

Os sonhos mortos

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Três dias depois do Natal a liturgia lembra os Inocentes, que são santos por, sem saberem, terem dado a vida por Cristo. Os Santos Inocentes a quem a vida e os sonhos lhes foram tirados. A tirania e crueldade de Herodes, que julgava que um recém-nascido lhe ia tirar o poder... perpetuada em pessoas e situações actuais de ataques contra os mais indefesos deste mundo, as crianças. Os Santos Inocentes, muitos ou poucos - sendo que um já seria muito! - são os que foram e são tirados à força dos braços dos pais por não terem condições de os criar (e o amor não basta!), são os que são violentados, desde a infância roubada, obrigados a guerrear ou a trabalhar, quando a sua felicidade deveria ser estudar e brincar, são os que raramente vêm os pais, que trocam a sua presença por dinheiro ou animais. A espada e a tirania do século XXI estão dissimuladas em atitudes e maneiras de pensar, nada inocentes, que vão matando, lentamente, retirando o sorriso dos lábios e o brilho dos olhos de que...

Pobres e humildes

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A Igreja fez ontem memória de São Martinho, uma dos mais ilustres santos da nossa Europa. Na liturgia há uma antífona que me impressiona sempre que a rezo e muitas vezes vem à minha mente: Martinho, pobre e humilde, entrou rico no céu. Pobres e humildes . Palavras doces, virtudes nobres, próprias dos grandes santos, pedras duras no caminho largo da vida, tantas vezes obstáculos para caminhar no caminho de Deus. Pobres e humildes . Uma pobreza que não é uma condição forçada de quem não tem alternativa, mas própria de quem quer ter a maior riqueza deste mundo e do outro: Deus.  Pobres e humildes . Uma pobreza que é opção de vida, tantas vezes contradição, mal compreendida por um mundo de consumo e de fartura. Uma pobreza que é irmã, partilha e solidariedade, apelo a procurarmos e desejarmos o pão de cada dia, que nos sustenta no essencial e nos liberta do excesso e do acumular de bens. Humildes e pobres . Uma humildade verdadeiramente humilde, pese a redundância. Humildade q...

Uma avó comum

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Nós, dominicanos, celebramos hoje a memória da beata Joana de Aza, mãe de São Domingos. É como uma avó comum de todos os dominicanos. Talvez se possa achar que esta mãe é santa por causa do filho mas, a verdade é que a mãe, de certa maneira, é que santificou o filho. Em Caleruega, terra onde nasceu São Domingos, diz-se que São Domingos é o santo que tornou conhecida a terra, mas a Beata Joana é que é a santa do coração. A Beata Joana distinguiu-se pela sua dedicação aos filhos e uma grande caridade para com os pobres, doentes e mutilados das guerras das conquistas e reconquistas do século XII. Por isso, faço hoje aqui memória de tão ilustre avó, pedindo-lhe que nos deixemos contagiar com a sua caridade e alegria de servir os mais pobres e necessitados.

Tudo e nada

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No sábado passado celebrei missa na igreja do mosteiro das monjas dominicanas de Olmedo. Na sacristia encontrei sobre a mesa um texto de São Norberto (sec. XI) sobre o sacerdote. Li-o na Missa do Campo Grande, a propósito do Evangelho que falava da nomeação dos Doze e do seu envio. Deixo-o aqui como partilha: " Sacerdote, tu não é tu porque és Deus. Tu não és para ti porque és servo e ministro de Cristo. Tu não és teu porque és para a Igreja. Tu não és para ti porque és o mediador entre Deus e os homens. Tu não te bastas porque és pecador. Tu não és para ti mesmo porque não és nada. Oh sacerdote! Quem és, então? Tudo e nada! Tem cuidado contigo, para que não se diga de ti o que disseram de Cristo na Cruz: «salvou os outros e não pode salvar-se a si mesmo »".