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O milagre de Maio

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O Maio despontou cheio de força e calor. O milagre vai acontecendo com as flores que se abrem e os frutos que gestam. Tenho a alegria de ver crescer as folhas das figueiras com as promessas de frutos doces e agradáveis, tenho a alegria de sentir as fragâncias das flores da laranjeira e do limoeiro, tenho a felicidade de ver a mutação das flores das cerdeiras em pequenas promessas de carnudos frutos. Tenho saudades das minhas giestas em flor, que imagino estarem agora exuberantes nos montes e vales da serra de Montemuro e dos meus silvados, também eles floridos, que me prometem doces amoras no Verão. E as maias que, irreverentes, crescem nestes ainda descampados do Alto dos moinhos. É a Páscoa da Natureza que se une à Páscoa da vida e à Páscoa de Jesus. Toda a criação canta o mesmo hino nos seus próprios sentidos e tons: Tudo o que vive e respira louve o Senhor.

Uma fresca noite de silêncio

Estou em Feirão. Consigo dormir aqui uma noite.  Dou comigo a sentir uma noite fresca e cheia de silêncio.  17 graus de uma frescura natural, vinda do monte de Felgueiras, a descer sobre esta aldeia, também ela silenciosa. Ouvem-se os grilos e, ao longe, um cão que ladra. Nada mais. Retenho as imagens do dia:  montes verdes e o feno já cortado molhos de espigas à espera de serem malhados os pastores que regressam ao povo com o seu gado, à mesma hora que eu, de uma missa. a água fresca da fonte seara que só de a ver me refresca o balir de um cabrito de dois dias que não encontra a mãe o sorriso de uma criança com quem brinco como se também eu fosse criança o toque das Trindades que reza em mim Ave-Marias... Este é o Feirão possível neste meu verão: uma noite feita de frescura e de silêncio. Hoje eu sou Feirão. 

Pinheiros de Roma

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Quando fazemos o trajecto entre o aeroporto de Fiumicino e o centro de Roma, para além das paisagens e igrejas há também uma espécie de pinheiros que, ou é de serem italianos, ou de eu achar que a galinha da vizinha é melhor que a minha, que são diferentes , para mim, muito bonitos. Parecem cogumelos gigantes em tom de verde. Esguios, com uma copa muito certinha (vista de longe), um tudo ou nada semelhantes às árvores dos montes alentejanos, mas com a diferença dos seis ou sete metros de altura. Estes pinheiros são mesmo grandes. Mesmo ao longe. Mas bonitos. E hoje cheirosos. Cheguei ao convento de Roma 10 minutos antes de uma senhora trovoada - as trovoadas de Roma são de fugir! - chovia pouco mas cheirava a pinheiro molhado. E como é bom o cheiro do pinheiro molhado. Em Roma estão um pouco por toda a parte estes pinheiros. Vemo-los em Trastevere, nas colinas da estação de Ostiense, na subida de Santo Anselmo, nos Foros imperiais... excepção feita ao circo máximo, que aí imperam os...

As cerejas!

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Não tive tempo e já vai tarde a minha homenagem às cerejas! Em Resende vão fazê-la no próximo fim-de-semana. Estive na semana passada em Lamego, onde as cerejas, boas, rijas e abundantes, se colhiam e vendiam por todo o lado. Uma monja ao olhar para as cerdeiras, dizia-me: pára, frei, que elas estão a pedir misericórdia! De facto, estavam as cerdeiras carregadas na estrada de Bigorne para Lamego. Provei as de Sucres e as de Lamego (da cidade e do mosteiro). Não tive oportunidade de ir às de Resende...  Em Feirão não há cerdeiras. Ou pelo clima ou sem motivo aparente válido, aquele enclave não produz cerejas. Temos as amoras e muitas graças a Deus. Mas veio-me à mente que há uma zona agrícola em Feirão que tem o nome de "Sardeiras". Lá a terra é fértil, numa pequena colina, haviam umas pequenas hortas, perto da aldeia, com abundância água, onde as pessoas iam (agora está tudo praticamente abandonado) buscar os produtos da época desde as batatas às cebolas e couves e coisa...

De Assis para o mundo

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Hoje o meu coração "instala-se" em Assis, onde estive em Novembro do ano passado. Mas propriamente fora do centro da vila, naquele pequeno convento onde se diz que São Francisco escreveu o hino das criaturas. Assis tornou-se o altar da paz. Sim, São Francisco, que tanto pediu a Deus que fizesse dele um instrumento da sua paz, conseguiu contagiar a Igreja com este sentimento universal e necessário para a harmonia do mundo. A paz, dom que vem de Deus, que cada ser humano deve pedir a Deus e promover à sua volta. Aquela pequena Assis continua hoje a ser lugar de encontro, de fraternidade, de promoção da paz e do bem. Também eu, hoje, me sento ao lado de Francisco de Assis, naquele ermo, e contemplo o Criador através das criaturas: o irmão sol e a irmã brisa, a irmã água e a mãe terra... hoje toda a criação se compromete em ser sinal de paz e harmonia para que os nossos corações se unam ao bater da Natureza e ao coração de Deus.

Volta saloia

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Dia de passeio do Estudantado dos Dominicanos de Lisboa. Desta feita, os dois estudantes e o postulante com o Padre Mestre, que é este quem vos escreve. Saímos cedo para que a volta fosse feita com tempo e calma. De Lisboa fomos directos a Mafra, onde batemos com o nariz nos portões da igreja. Ainda perguntei a uma rapariga e sabia se abriam a igreja. Espantada, respondeu? Não está aberta? Então o padre deve ter adormecido! Ora ficámos sem saber se estava fechada por o padre ter adormecido, se era por ser segunda-feira ou ainda por ser feriado. Menos mal que todos já conheciam o convento e, por isso, passámos à segunda etapa: a aldeia do Sobreiro. Uma pequena paragem, a aldeia ainda estava a acordar. O dia prometia, por ser feriado, já havia música no ar e os cozinheiros nos pratos e nos doces. Tenho boas ideias da aldeia do Sr. José Franco, que bem conheci quer no Sobreiro quer na Ericeira, mas a aldeia está a degradar-se e merecia uma renovação ou um restauro faseado... Do Sobre...

Uma nuvem

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Ontem à noite, vinda do Douro, apareceu esta nuvem, lentamente, que se colocou em cima do Penedo Gordo, passou e desfez-se. Passava pouco das nove da noite. Aqui fica o registo.

Recuperar a identidade

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Semana calma, de trabalho, descanso, leitura e oração. Sozinho consegue-se, com mais gente, muitas vezes tem que se deixar aconselhar pelo Senhor, que nos diz para entrarmos no nosso quarto ou, então, imitá-lo, indo para um lugar ermo. Hoje, mesmo sozinho, fui rezar vésperas e o terço ao Fojo, capela que tanto me diz. Mas, esta semana, graças a Deus, tem sido de descanso, apesar do trabalho. Acabei hoje de traduzir o Ritual das Profissões, agora é fazer a revisão e, depois, pedir a correcção. Trouxe, para leitura, dois livros que marcam a actualidade da Igreja: a encíclica do Papa sobre o cuidado da casa comum e o livro do Cardeal Kasper sobre a misericórdia. O primeiro está perto da varanda, o outro na mesa-de-cabeceira. Já tinha começado a ler encíclica nos dias em que estive de “retiro”. Agora peguei nela, no número que tinha deixado. E, na varanda, diante do Penedo Gordo, sentindo a brisa da tarde, o cantar dos pássaros e as campainhas das vacas, leio o número 84, que diz ...

Giestas em flor

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Fui a Lamego celebrar Santa Catarina de Sena com as Monjas Dominicanas. "Estão mais airosas" é o comentário que todos fazem. De regresso passei pelos montes de Feirão, como faço sempre que vejo a indicação de saída para os meus lados. E vi as giestas em flor. As maias ainda estão atrasadas e os tojos no seu vigor; mas as giestas estão agora a abrir-se à alegria da Primavera. Deu para matar saudades e suspirar pelas férias, que breve chegarão.

A Fraga Cimeira

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Ardeu ontem, em Cotelo, a Fraga Cimeira. Tem este nome o monte mais alto e emblemático de Cotelo. Visitei-o na segunda-feira, véspera do incêndio. Pela primeira vez saí da povoação e fui para os montes, acompanhado por dois rapazes, que conhecem bem os montes de Cotelo. Apesar de falar mais de Feirão, também pertenço a Cotelo. Como me dizem as pessoas de lá, o senhor padre ainda é daqui. É um facto. Ali nasceu o meu pai, aí fui, embora poucas vezes, talvez demasiado poucas, concluo agora, visitar os meus avós, tios e primos paternos, sempre com alguma resistência, porque em Feirão é que tínhamos casa e os amigos da nossa idade. Mas como vamos crescendo e a nossa visão das coisas crescendo também, agora sou muito mais de Cotelo. Desde os mais velhos, que me viram desde pequeno, com o meu pai, que passava pelo povo, falava a toda a gente e parava na casa dos tios para lhes pedir as “benções”, até aos mais novos, conquistados, talvez, pela proximidade e naturalidade que tenho com ele...

Conversas de sacristia

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Aqui no Norte, as sacristias são tudo menos lugar de recolhimento. Além de pequenas – obedecem ao princípio antigo de ser o lugar de guardar as coisas e de o padre se “vestir” – são sempre lugar de marcações de Missa, recados, combinações e de conversa. Hoje foi a minha primeira missa dominical em Feirão. No domingo passado celebrei noutra paróquia, perto do rio Douro. No fim da Missa, alguns dos anciãos do povo (homens experientes e educados apesar de lavradores) vieram falar-me. Conversa que pode ser de circunstância, mas que são de verdadeiro interesse, pelo menos entre os interlocutores. Senhor padre Filipe, mais um ano e cada vez mais novo, o tio Manuel é que está rijo, a idade não lhe passa pelas costas, sim, caminho já para os oitenta e cinco, e não passa pelas costas mas pelos dentes, que já poucos tenho. O tio Domingos, aqui, é que está bom. Sim, o Domingos bebe boa pinga, anda bem cuidado. Conversa para lá e para cá, entre dois anciãos e este que escreve estas linhas...

Quinta-feira da espiga: um poema

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Oferece o canto o cuco a que lhe faz o ninho. O labor das abelhas eleva-se das rosas imitam as searas vénias de mandarim. Há guizos de rebanhos nas papoilas de Maio o corpo das cerejas cobriu-se de cetim. (Poema de Soledade Martinho Costa | quadro de Anabela Aiveca)

Ordens da Primavera

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Chegou a Primavera. Este ano com o céu azul e o sol forte. Estão 18 graus. Embora há já alguns dias que se vinha notando a mudança, a partir de hoje começa o recomeço. É hora de despertar. As núvens que se afastem para que o sol comece a aquecer, a chuva que venha mais mansinha, os que hibernam acordem, a neve que comece a derreter, as árvores espreguicem os seus ramos e concedam-nos o milagre dos frutos, as plantas façam despontar as suas flores, com as suas cores vivas e os seus cheiros perfumados. E nós, seres humanos, não fiquemos só a ver as mutações da natureza. Aproveitemos a força da Primavera e recomecemos também nós uma vida nova; a Páscoa está aí e o universo já se começou a preparar.

Os lírios

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Já se notam os efeitos da Primavera. Temperaturas mais quentes, as árvores e plantas começam a rebentar e a libertar os seus perfumes. No claustro do convento já nasceram os jarros, despontam as novas folhas da laranjeira e, este ano, com lírios que, mesmo não sendo os bíblicos, nos ensinam que a beleza está na simplicidade. Rebentaram pela primeira vez. Brancos. Naquele canto do claustro onde antes estiveram rosas. É inevitável olhar para eles e não lembrar do elogio que Jesus lhes fez: " Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! Pois eu vos digo: Nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles ". É bom ter lírios no claustro e ter olhos para poder olhar para eles.

O verde

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Falo hoje do verde. Não pela grande vitória do Sporting mas pelo verde que pude contemplar - foi mais que ver - nas planícies do Alto Alentejo. Estive no sábado em Estremoz com uma passagem rápida, já ao final do dia, pela Cartuxa de Évora para entregar um trabalho que um amigo meu lhes fez. Mas foi a simplicidade de Natureza, num sábado de grandes chuvas, uma casa lá longe, um chão verde molhado, algum gado a pastar e muitas oliveiras que encheram os meus olhos. Comprei hoje um livro que procurava há já uns dias: A alegria de ser padre, do Cardeal dominicano Schönborn. São as conferências que ele pregou em Setembro passado em Ars a mil e duzentos padres de todo o mundo. Não sou clericalista. No entanto, não me posso esquecer que sou padre. Vai ser a minha leitura espiritual para estes dias de Quaresma. Deixo-vos uma oração que encontrei logo nas primeiras folhas, oração de Santa Teresinha para ganhar ânimo e coragem para o dia-a-dia (o título da oração no original é "Oração para ...

O arco-íris

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Foi Deus quem criou o arco-íris. Pelo menos é assim que conta o livro bíblico das origens (Génesis). Talvez para justificar este fenómeno natural que, para mim, é uma prenda que a Natureza tão raramente nos oferece, o autor fala dele, pela primeira vez, depois do dilúvio, dando voz a Deus que o cria e que o explica: « Vou estabelecer a minha aliança convosco, com a vossa descendência futura e com os demais seres vivos que vos rodeiam: as aves, os animais domésticos, todos os animais selvagens que estão convosco, todos aqueles que saíram da arca. Estabeleço convosco esta aliança: não mais criatura alguma será exterminada pelas águas do dilúvio e não haverá jamais outro dilúvio para destruir a Terra.» E Deus acrescentou: «Este é o sinal da aliança que faço convosco, com todos os seres vivos que vos rodeiam e com as demais gerações futuras: coloquei o meu arco nas nuvens, para que seja o sinal da aliança entre mim e a Terra. Q uando cobrir a Terra de nuvens e aparecer o arco nas nuvens, r...

Entre abóboras, couves e nabos

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Quem me visse hoje de manhã diria que era um lavrador; ou se soubessem que era frade, diriam que era trapista. Uma manhã passada numa quinta a acartar abóboras e a apanhar nabos, grelos, lombardos, cenouras e couves. Bendito seja Deus. Na quinta do Ramalhão, propriedade das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, com a Prioresa a ajudar (na verdade ela é que cortava as hortaliças!), no dia em que fazia anos! Terra abençoada. Tudo o que ali se semear ou plantar tem sucesso! Que bonita manhã de Outono: uma quinta com o nevoeiro fresco de Sintra, um lavrador a arrancar cenouras, outro a cortar canas, terras lavradas, as laranjeiras a darem cor aos seus frutos, as ameixoeiras a quererem florir, a combinação entre o castanho e o verde, a água que corre em várias fontes... Que riqueza e que beleza! Para as Irmãs que, generosamente, nos dão estes frutos da terra e do trabalho humano e para mim que ainda posso sair uma manhã para poder desfrutar da beleza da terra trabalhada. Depois de ca...

Férias

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Finalmente de férias. Que valem não tanto pelo descanso mas pela mudança de ares e pelo aconchego da família: mãe, irmão e cunhada, tios e primos. Agora começa o tempo da leitura, dos passeios a pé, visita e revisita de lugares que se tornam obrigatórios cada vez que cá venho. Hoje a fotografia é do alto do monte de S. Cristóvão. A 1145 m de altitude, uma pequena capela erguida em honra deste santo. Uma vista única e deslumbrante. O rio que se vê ao fundo é o mais bonito do país, o Douro. Faço aqui outra experiência. Pároco nesta freguesia. A Missa às oito da manhã, as confissões, as visitas às pessoas… Aqui, à semana, é o padre que toca para a Missa. Fica aqui o vídeo do sino a chamar os fiéis. (Por lapso e por falta de net não consegui colocar o vídeo. Penso que agora já está operacional...).

Música para descontrair

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Escrevo este post ao som de um cd acabado de comprar. Música clássica, a minha preferida, a que me concentra e a que me acalma e a que me entende num dia muito ritmado como o de hoje. Oiço a 5ª sinfonia de Widor, em órgão. Embora a data da morte de São Domingos seja o dia 6 de Agosto, a Igreja só o celebra a 8. Vai ser amanhã. Normalmente não o festejamos porque muitos irmãos estão de férias (eu próprio era para estar já no meu casulo da aldeia serrana de Feirão...); mas este ano foi diferente. Acolhemos um encontro de jovens de todo o mundo, ligados aos Dominicanos. Está a ser em Fátima. E amanhã vêm a Lisboa para celebrar, no "meu" convento, o dia de São Domingos. Eles que são um pouco mais de 100 com mais cerca de 300 pessoas, portuguesas, que se juntam a esta celebração. É, portanto, um dia grande e celebrado em grande. Mas preocupa-me o lanche que se segue depois da Missa... A logística sempre me preocupou e me alterou. O receio de correr mal... Será que a comida vai che...

Frutas no meu quintal

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Hoje o dia está muito límpido. A claridade realça os tons da natureza. O verde das árvores, o amarelo dos limões, o vermelho das romãs e das camélias. Vivo no segundo andar do convento. Da minha varanda vejo estas cores iluminadas pelo sol. Em especial a romãzeira, árvore tão presente no mundo bíblico também na vida de um grande santo português, São João de Deus, que, tentando resolver a sua vida, lhe aparece um menino, na verdade era o Menino Jesus, com uma romã na mão (granada em castelhano) e lhe diz: " João de Deus, Granada é a tua cruz ". Mas, mais bonita é a passagem do Livro do Cântico dos cânticos onde se lê: " Eu pertenço ao meu amado e o seu desejo impele-o para mim. Anda, meu amado, corramos ao campo, passemos a noite sob os cedros; madruguemos pelos vinhedos, vejamos se as vides rebentam e se abrem os seus botões e se brotam as romãzeiras. Ali te darei as minhas carícias ."