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Um Menino na praia

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Sempre gostei de passear à beira-mar. Sentir o sol, o mar, a areia e a brisa que refresca nos dias quentes. Depois da minha conversão tornou-se um lugar especial. É certo que a minha vida não permite passear tanto como queria. Afinal tenho a minha comunidade, a minha cela, os meus sermões, as pessoas que me procuram... Mas preciso da beira-mar. Sobretudo quando tenho mais dificuldades. Sempre fui um homem de estudo, primeiro profano, agora religioso. E, quer queiramos quer não, as coisas de Deus são mais fáceis de viver do que entender. E há lugares escondidos onde a minha mente nunca chegará. Mas a história que vos quero contar passou-se, exactamente, à beira-mar. Pediram-me que escrevesse sobre o mistério da Santíssima Trindade. Um pedido exigente mas necessário. As heresias andam por aí e não podemos deixar que elas alastrem. Isto de andar a dizer que temos três deuses, ou que o Filho ao encarnar deixou de ser Deus não se pode admitir. Percebi que seria uma empresa muito difícil. No...

Mães que choram os filhos

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Hoje a Igreja celebra Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho. Pelo que se apresenta desta mulher, ela tornou-se conhecida pelas lágrimas que chorou pelo seu filho, Agostinho que não era cristão e que andava desencaminhado. A oração de santa Mónica que se rezou na missa, parece um pouco desactualizada. Nela pedia-se a Deus que, assim como ela chorou pelo filho, assim nós saibamos chorar os nossos pecados para alcançar a graça do perdão de Deus. Parece um pouco desfocada esta intenção. Se calhar deveríamos pedir pelos filhos que entristecem as mães ou pelas mães que sofrem pelos filhos desnorteados. Mas aqui o que se realça são as lágrimas que se choram. A importância das lágrimas. Elas aparecem em dois extremos, quando são verdadeiras: ou choramos de alegria ou de tristeza. Ovídio dizia que a nossa existência está envolvida em lágrimas: " Nascemos com lágrimas, entre lágrimas nos decorre a existência e epilogamos com lágrimas o nosso último dia ". Os emocionados dizem que choram...

Os nossos fantasmas

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Não acreditamos em fantasmas mas temo-los na nossa cabeça. De vez em quando a consciência traz-nos à memória coisas do passado, aquelas que nós pensávamos já estarem resolvidas e arrumadas na nossa cabeça. E assaltam-nos o pensamento, perturbam-nos, cismamos nelas e chegamos à conclusão que, afinal, apesar do passar dos anos, de até ter sido uma coisa de somenos, estão por resolver. O que fazer? Exorcizar. Sem padre. Só com Deus. E com Ele fazer o caminho catártico para que voltarmos à paz que perdemos. Deixar que Ele afugente o passado pecado mas perdoado. E então veremos o céu azul, sem nuvens nem fantasmas, porque eles, afinal, não existem.

Os Dominicanos e a pregação

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Recebi um mail de um historiador amigo que me pedia alguns esclarecimentos sobre a pregação, que faz parte do carisma da Ordem Dominicana, e como nos Mosteiros das monjas contemplativas ela se pratica. Respondi-lhe assim: 1º Franciscanos e Dominicanos. O que nos une não é o carisma, ainda que pudesse ser parecido, mas o estilo de vida. De facto, com São Francisco e São Domingos, surge um novo modo de vida religiosa: as Ordens mendicantes. E é isto que nos une. Assumimos um mesmo estilo de vida pela mendicância, diferentemente da vida monacal que até então era a única. A forma de governo e estrutura diferem em bastante dos beneditinos que foram, desde o século IV até ao XII a grande referência. 2º Pilares da Ordem de São Domingos. Para ser preciso, a nossa Constituição Fundamental, baseada no espírito de São Domingos diz que o que nos é especifico é: vida comum, estudo, oração e pregação. Vem resumido no nosso parágrafo IV da referida Constituição. Já no século XIII, quando o Papa Hon...

Diário de Miguel Torga I

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Estou a terminar a leitura do segundo volume do Diário de Miguel Torga. Fui sublinhando algumas reflexões que me fizeram pensar. Aqui deixo uma, esperando ir colocando ainda outras. " Coimbra, 1 de Março de 1972 - O amor do próximo, que os discípulos oficiais de Cristo pregam de cor, é isto que a profissão diariamente me ensina: estar sempre disponível para acudir ao semelhante, de dia, de noite, a toda a hora, com a mesma solicitude, a mesma paciência, a mesma compreensão. Ouvir queixas, enxugar lágrimas, minorar sofrimentos, incutir confiança. Dar a cada alma aflita uma solidariedade real, a ser-lhe concretamente prestável, como o Autor do mandamento o foi, a impor as mãos, a exorcizar, a curar e a ressuscitar... "

Até aqui se escreve da gripe A

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Este fim-de-semana dois padres escreveram, em dois jornais, sobre o vírus H1N1. O P. Anselmo Borges no Diário de Notícias de sábado e o P. Gonçalo Portocarrero de Almada no Público de ontem. Dois padres com ideias diferentes. Este último, muito sarcástico, ataca não só o vírus (chama-o de Anti-Cristo, imaginem!) mas também aqueles que promovem comportamentos de prevenção nas celebrações religiosas. O P. Anselmo, mais reflectido e até pedagógico aproveitou o tema da gripe para abordar o porquê dos ritos em causa, em especial o da comunhão na mão. Identifico-me mais com este. O P. Gonçalo queria que se tomassem todas as medidas de prevenção, mas fora da Igreja. Não se toquem nos ritos senão fica tudo vazio! E vemos que alguns ritos, nas nossas celebrações caíram num banalismo tal que o rito da paz, com muita frequência entra numa balbúrdia que perturba a comunhão (reparemos que, desde o ofertório o povo está de pé, pode ajoelhar na consagração, está concentrado e depois vem o 'saudai...

A vida de São Macário

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Já cheguei a Lisboa. Mas na véspera de vir embora, na noite de quinta-feira, a minha mãe contou a vida de São Macário, como se fazia antigamente quando não havia televisão. Esta história é uma tradição oral. Não se sabe quem é este são Macário. O que diz a tradição é que vivia na serra que tem hoje o seu nome, que fica perto de São Pedro do Sul. A imagem que pus é a capela do santo onde se diz ter vivido. Vou aqui contá-la tentado ser fiel ao que ouvi e ao que a minha mãe ouvia, quando era pequena, do pai dela. " O santo São Macário era almocreve. E por isso passava muito tempo fora de casa. E era muito tentado pelo diabo. Numa das vezes que regressava à sua terra, um amigo disse-lhe: 'Macário, andas tu fora de casa e a tua mulher deitada na cama com outro homem'. Macário ficou indignado. Entretanto os seus pais tinham ficado doentes. A mulher de Macário trouxe-os para sua casa para tratar deles. Eles estavam de cama. A mulher saiu para ir à fonte e Macário chegou a casa....