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Erguer o trigo

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Ia eu a caminho de Lamego, onde estive nos últimos dias, quando no Mezio vi uma coisa que há décadas não via, e que só as mulheres faziam que era "erguer o trigo". Esta expressão era dita pelas mulheres quando iam purificar os grãos de centeio ou de trigo. A técnica não podia ser mais simples e prática: num dia de vento brando, estendia-se no chão uma manta e a mulher pegava numa bacia com os grãos de trigo que tinha malhado e erguia-o mais alto que a cabeça e deixava ir caindo os grãos enquanto o vento se encarregava de levar com ele as praganas e outras impurezas leves. Como dizia, ha pelo menos mais de 20 anos que não via nenhuma mulher fazer este trabalho tão puxado e tão elegante. Mas, desta vez, apesar da técnica ser a mesma daqueles tempos, alguma coisa mudou: a senhora estava em cima do telhado plano da casa e o marido ajudava-a, ao seu lado. E ficou-me esta imagem, não sabendo eu quando é que volto a ver, se é que voltarei ver, mas deu para voltar atrás e mata...

O dom das lágrimas

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Palavras do Papa Francisco, durante a viagem de regresso ao Vaticano, depois de estar nas Filipinas, sobre o dom das lágrimas, mulheres e pobres: Outra coisa é o pranto. Uma das coisas que se perde quando se está demasiado bem, ou não se percebe bem o que se tem, ou estamos habituados à injustiça, a esta cultura do descartável, é a capacidade de chorar. É uma graça que devemos pedir. Havia uma bela oração nos antigos missais, para pedir o dom das lágrimas. Dizia mais ou menos assim: “ Ó Senhor, que concedestes que Moisés, com o seu bastão, fizesse sair água do rochedo, fazei que do rochedo do meu coração saia a água do pranto ”. Belíssima esta oração! Nós, cristãos, devemos pedir a graça de chorar, sobretudo os cristãos que estão bem, e chorar sobre as injustiças e chorar sobre os seus pecados. Porque as lágrimas abrem-te para perceber novas realidades ou novas dimensões da realidade. Foi o que disse a rapariga e o que eu lhe disse a ela. Ela foi a única a fazer aquela pergunta à ...

Mulher bíblica

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" Uma mulher de valor, quem a poderá encontrar? O seu preço é muito superior ao das pérolas. O coração do marido nela confia e jamais lhe falta coisa alguma. Ela proporciona-lhe o bem e nunca o mal, em todos os dias da sua vida. Ela procura lã e linho e trabalha de boa vontade com as suas mãos. É semelhante ao navio do mercador, que traz os seus víveres de longe. Levanta-se, ainda de noite, distribui o alimento pelos da sua casa e as tarefas pelas suas servas. Ela pensa num campo e adquire-o, planta uma vinha com o ganho das suas mãos. Cinge fortemente os seus rins, e os seus braços têm sempre força. Ela sente que o seu negócio pros­pera, a sua lâmpada não se apaga du­rante a noite. A sua mão pega na roca, e os seus dedos fazem girar o fuso. Estende os braços ao infeliz, e abre a mão ao indigente. Não teme a neve para os seus familiares, porque todos eles têm roupa a dobrar. Faz para si belas cobertas, e os seus vestidos são de linho e púrpura. Seu marido é considerado nas por...

Santa Priscila (Prisca)

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Existe em Roma, no Aventino, perto da igreja de Santa Sabina (Cúria Geral dos Dominicanos), uma pequena igreja dedicada a Santa Priscila ou Prisca (diminutivo). A igreja está escondida, mas é das mais antigas de Roma, falamos do século II, tendo até sido construída sobre um templo dedicada a Mitra, uma deusa pagã. A que se visita hoje não é desse tempo mas muito posterior (Séc. XVII-XVIII). Escreve-se aqui desta santa porque hoje se celebra o dia da sua morte e porque, segundo a tradição cristã, esta foi a primeira mulher mártir cristã e por isso, considerada a primeira mártir do ocidente. O que se sabe dela é mais por tradição do que por dados históricos. Sabe-se que, com treze anos, terá sido baptizada pelo próprio São Pedro e era certamente conhecida por São Paulo (na carta aos Romanos [16, 3] são Paulo manda a uma saudação especial a Prisca e Áquila, seus colaboradores). Como grande parte dos primeiros cristãos de Roma, que eram perseguidos por prestarem culto a Cristo, denunciaram...

As mulheres da nossa vida

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Hoje é dia da mulher. Não é preciso ser-se muito egoísta para nos lembrarmos daquela que é a grande mulher da nossa vida: a nossa mãe. A coragem em nos ter dado à luz, os trabalhos e canseiras na educação para que não nos faltasse nada, o amor que transformavam as obrigações em doações, as nossas mães são umas heroínas embora não entrem nas listas das mulheres mais famosas ou influentes da sociedade. Falo a partir da mulher da minha vida, a minha mãe. Sei e acredito que para algumas pessoas a referência às mães não é a melhor, a começar por talvez terem sido abandonadas ou por algum corte de relações mais tarde, ou ainda por terem chegado à conclusão que a mãe, afinal, não foi quem lhe deu o pão mas quem lhe deu a educação. Na minha vida há duas mulheres para um lugar: a minha mãe e a minha avó. Não é necessário haver briga nem conflito. Cabem as duas. As duas me deram o pão e a educação. As duas me pegaram ao colo, as duas foram confidentes (aqui tenho que reconhecer que a minha avó f...