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A mostrar mensagens de 2014

Bom ano

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Que o Deus dos recomeços e da esperança,
o Deus da alegria e do perdão,
o Deus da paciência e do amor,
o Deus eterno que entrou na nossa história,
por meio do seu Filho, Jesus,
Salvador do mundo e Príncipe da paz,
nos conceda um ano de 2015
cheio dos valores do Reino
e faça de nós discípulos da sua ternura e misericórdia.
Bom ano de 2015!

Teve uma família

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A encarnação de Jesus teve que ser o mais normal possível. Não apareceu do nada mas nasceu como qualquer ser humano e viveu numa família como todos nós. Nos nossos dias o conceito de "família" está em mudança. A própria Igreja entrou num caminho sinodal para tentar perceber e acolher as várias formas de uniões e de constituição de famílias. Não podemos estar à margem desta caminhada mas sempre tentando perceber que o acolhimento é mais belo que a recusa e que o amor terá que ser sempre a base de qualquer constituição familiar. O que santificará a família será sempre o amor e os valores que se vivem e testemunham. Bom domingo.

Depois do dia de Natal

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Para mim é impensável o Natal sem Bach. Faz parte da música que escolho para me acompanhar nestes dias. Antes do dia do Natal as cantatas do Advento e, no dia 26, o Oratório de Natal. O tom alegre, jocoso, faz alegrar os tristes e rejubilar os alegres. Ninguém pode ficar insensível às harmonias de tons e sons, instrumentos e vozes de uma cantata ou do Oratório. A letra é espiritual, devota até, mas que eleva e leva-nos a rezar. Como por exemplo este coral que é uma oração e que tão bem fica neste primeiro dia de Natal:
 Como poderei acolher-te, 
e como poderei aproximar-me de Ti?
Ó Tu, que o mundo deseja, 
Tu que és o adorno da minha alma!
Ó Jesus, Jesus, vem, 
tu mesmo ilumina-me com a tua luz 
para que eu aprenda e saiba 
o que fazer o que te agrada.

Boas festas

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Que a Luz nascida na noite de Natal
ilumine as nossas vidas e todas as sombrias regiões da morte. Boas Festas.

Vem, Senhor Jesus

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Vem, Senhor Jesus,
traz à nossa natureza o calor do teu amor.
Traz ao nosso mundo a luz da tua paz.
Vem, Senhor Jesus.
Vem, Senhor Jesus,
desenha a nossa vida com cores de esperança,
semeia no nosso jardim as flores da alegria.
Vem, Senhor Jesus, não tardes mais.
Maranatha!

O desejo de Deus: a nossa felicidade

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Este é o último domingo do Advento. Hoje escutamos no Evangelho o episódio da anunciação do Anjo a Maria. Já o escutámos duas vezes ao longo do tempo do Advento, mas hoje, acolhemos esta Palavra de Deus como um feliz anúncio para a humanidade, naquele tempo e no nosso tempo. O Anjo dirige-se a Maria com a típica saudação comum no tempo de Maria: Salve, Ave, Kaire, em grego, todas com o mesmo significado: Alegra-te, Maria, porque Deus te escolheu a ti, cheia de graça. Este anúncio, cheio de alegria e de esperança, assim são sempre as mensagens de Deus, devem ecoar hoje no nosso coração: alegra-te, porque eu venho a ti, à tua vida, para te dar a alegria e a esperança. Deus vem à nossa vida para a encher da sua presença e dar-nos a felicidade que precisamos, que significa, vivermos cheios do amor de Deus. Maria percebeu que a felicidade da humanidade passava pelo seu sim. Deu-o, sem reservas nem prazos. É este sim que cada um de nós deve dar, sempre que Deus no-lo pedir.

A caminho de Belém

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Hoje começa a segunda parte do nosso Advento. Também nós nos pomos a caminho, como Maria e José. A caminho de Belém, Maria, grávida, vai montada num burrinho, coitado, que os transporta. O burro, figura secundária mas útil na vida de Jesus: de Nazaré a Belém transportando a mãe e o filho, em Belém tem lugar no presépio, aquecendo o Menino, de Belém para o Egipto, ajudando na fuga para não ser morto pelo malvado Herodes, talvez do Egipto para Nazaré e, finalmente, na entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém, que lembramos no Domingo de Ramos. Mas, neste tempo, o burro lá faz o seu trabalho: guiado por José vai calmamente para Belém, onde o Menino vai nascer. Mas hoje, com José e Maria, encaminhamo-nos para Belém, onde o milagre da encarnação de Deus vai acontecer. Outro milagre pode acontecer na nossa vida: que o nosso coração seja o presépio, onde Jesus possa nascer. (Fotografia enviada por uma amiga minha, que agradeço)

E nós, quem somos?

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O Evangelho deste domingo volta a falar-nos de João Baptista, mas desta vez, com a insistente pergunta que lhe fazem para saber quem é ele. Para João não há confusões: ele não é o Verbo, ele é a Voz. E uma voz incómoda, que clama no deserto, que prepara a vinda do Messias. João Esta pergunta a João é-nos hoje devolvida a cada um de nós: e nós quem somos? De que luz damos testemunho? Que palavras evangélicas proclamamos no nosso mundo? Hoje, cada um de nós é chamado a ser "João Baptista" na radicalidade da sua vida (enraizada em Jesus) e ser testemunha da Luz do mundo que é Cristo. O mundo pergunta à Igreja e aos cristãos: Quem sois? E, nós, que resposta damos? Bom domingo!

Os caminhos do Advento

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Dura semana de confissões nos Maristas. Um após outro, cada um saberá o porquê sair do meio de uma aula para se confessar. Alguns são uns valentes pelo testemunho que dão. Num intervalo reparei que, num vidro de um gabinete de coordenação estava um "Calendário de Advento", uma dinâmica importante e interessante para este tempo que nos leva ao Natal. Construído pelo "Marcha" (antigo "Animar"), em cada dia desvela-se a acção que vai estar presente durante o dia, desde o mais banal como "vou ajudar a minha mãe a fazer a cama" até ao "esta noite vou dizer a Jesus que o amo". Pequenos gestos que nos levam a grandes mudanças. Coisa interessante para as famílias. Construir um calendário e, em cada dia, antes de sair de casa, ler o compromisso e praticá-lo. Quantas vezes os dias passam e nós nem nos damos conta?

O verdadeiro São Nicolau

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Toda a gente sabe que o Pai-Natal é uma péssima recuperação de São Nicolau, santo que a Igreja hoje celebra. O consumo (em especial a Coca-Cola) transformou-o num velho barrigudo, de barbas brancas e gorro. A única coisa que talvez tenha conseguido transmitir é o sorriso. Não se costumam ver "Pais-Natais" tristes e cansados. Cansados já se vêem. Não sei quem me comentava que na confusão de quem dá as prendas se dizia que era o Pai Natal. E alguém que tinha aprendido que era o Menino Jesus disse que não. E a contra-resposta foi que o Menino Jesus ajudava o Pai Natal porque era velhinho e andava cansado. Hoje é o dia de São Nicolau e não o dia do Pai-Natal. Na quinta-feira passada li no Jornal Avvenire, um pequeno artigo de uma religiosa sobre a verdadeira história deste santo. Não vou aqui traduzir o artigo mas sim resumi-lo: Nicolau, que ainda não era bispo de Mira, te estando nós no século IV, teve conhecimento de uma história dramática: uma família nobre e rica cai na mis…

Questões vitais

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Ontem, num hospital de Roma, houve um encontro teológico-filosófico sobre a questão da eutanásia. Pena tenho eu que, na Igreja Católica, não poucas vezes, resumamos as questões da vida ao aborto e à eutanásia. Todos os cristãos devíamos reflectir, muito e profundamente as palavras de Jesus "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância". Mas achei interessante, num hospital, haver um encontro sobre a eutanásia, não na perspectiva da ciência ou da medicina, mas na perspectiva teológica e filosófica. Porque a vida humana é mais que uma questão de ciência. O valor e a dignidade de uma vida não depende só dos seus limites biológicos, ultrapassa-os. Mas, como digo, é bom perceber que as três grandes religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo são contra estes "atentados" à vida. Até nestes dois extremos, que são o início e o fim da vida. Aqui, a ciência (medicina) tem critérios avaliativos muito diferentes: se no aborto tem certeza para dizer que ainda não há …

Trabalhos da Comissão

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Estamos a meio dos trabalhos da Comissão. Hoje tivemos a alegria de ter connosco o Mestre da Ordem que, apesar da sua agenda sempre tão cheia, conseguiu estar com a Comissão um pouco mais de uma hora. Escutou e falou, como gosta de fazer. Falámos das coisas mais técnicas da Comissão mas também do espírito comunitário da liturgia na Ordem. Quer que a liturgia seja um foco de união na Ordem e, para isso, conta connosco. É sempre bom estar com o Mestre da Ordem. Aprendemos a simplicidade e a humildade. No fim do encontro tirámos a fotografia oficial da Comissão. Aqui fica para a posteridade.

O pão que se parte e reparte

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O Evangelho de hoje, a multiplicação dos pães na versão de São Mateus, fala mais do contexto do que do milagre em si. Do milagre apenas se diz que Jesus, tomando os sete pães e alguns peixes, abençoou-os, partiu-os e repartiu-os entre os discípulos que o distribuíram pela multidão. Estão aqui os gestos eucarísticos, que Jesus vai fazer na Última Ceia e na Ceia de Emaús; mas impressiona quem se aproxima de Jesus: uma grande multidão, com muitos coxos, aleijados, mudos, cegos e outra tanta gente. Jesus cura-os, tem pena deles porque há três dias que estão ali e não têm que comer. Grande missão a da Igreja se repetir estes gestos de Jesus. O pão que se distribui por toda esta multidão, curada e alimentada por Jesus. Esta é a missão da Igreja: curar e alimentar quem dela se aproxima. Soeur Emmanuelle, uma mulher que entregou a sua vida a Deus gastando-a nos bairros de lata do Cairo e do Sudão, quando rezava o Pai nosso e pedia o pão de cada dia, explicava: o pão do coração e o pão da int…

Ano da Vida Consagrada

No passado domingo começou o Ano da Vida Consagrada. Quer o Papa que este ano a Igreja reflita e viva o grande dom da vida consagrada na Igreja, "fazendo memória do passado, abraçar o futuro com esperança e viver o presente com paixão". A Rádio Renascença convidou-me a participar no programa "Princípio e fim", conduzido por Ângela Roque, no qual dei uma pequena entrevista sobre este tema. Aqui está o link para quem quiser ouvir: http://rr.sapo.pt/informacao_prog_detalhe.aspx?fid=189&did=170581
Também, às sextas feiras, noite de Natal e dia de Natal irei colaborar na rúbrica de sexta-feira "Reflectindo", de Francisca Favilla, com pequenas reflexões para viver o Advento. Na próxima sexta é já a primeira.

Roma com mau tempo

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Estou em Roma, vim para a reunião da Comissão Litúrgica da Ordem, que, nos próximos seis anos, vai ser por mim coordenada. Começaremos dentro em pouco, com temas a tratar e debater, e trabalho a fazer. Mas desta vez Roma está cinzenta. Desde que o avião aterrou, e isto ontem, não tem parado de chover. Ainda houve uma aberta para poder ter ido ao Vaticano mas, à vinda, já a trovoada se fazia sentir por lá e, durante a noite, veio mesmo para o Aventino. Talvez porque entre este monte e o outro lado do rio haja um declive, o eco dos trovões, além de nos acordar, metiam respeito. Mas tudo tem o seu tempo, e até os raios e nuvens podem louvar o Senhor.

Quando o Advento é poesia

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Gosto dos começos litúrgicos. Com mais gosto, ainda, quando começa o ano ou o Advento. Não é um eterno retorno, não é um ciclo que, não havendo imaginação para mais, se repete ano após ano, mas é o recomeço. Como o nosso Deus. O nosso Deus é um Deus de recomeços. Não nele próprio, porque Ele, sim, é o Eterno, o sem princípio nem fim, mas em nós. Deus recomeça, em cada ano, em cada dia, em cada hora, o seu projecto de amor e de salvação. O Advento traz consigo a poesia. Talvez porque se espera, evitando a todo o custo que o Natal não venha prematuro. Sentir o frio, trazer à memória as imagens das ânsias e das esperanças, cantar interiormente as músicas em tom menor, os Maranathás e os Vinde Senhor Jesus, transformando a música em oração. O Advento pede-nos paciência e fidelidade. A mesma paciência da mulher grávida que sente e espera o filho que traz no seu ventre. A mesma fidelidade da amada do Cânticos dos Cânticos, que procura sem desesperos o amado que vem. O Advento educa os noss…

Hoje nova apresentação

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Para onde vamos?

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Este título não quer ser uma pergunta metafísica nem ontológica. Bem mais simples e terreno. Para onde vamos pode ser a pergunta que cada um de nós vai fazendo quando entra em contacto com situações e modos de vida que nos surpreendem. Falo por mim e falo dos que tenho observado e que me pergunto, não querendo ser de modo nenhum um Velho do Restelo ou um desencantado deste mundo. Quando, às vezes me dizem que o mundo está pior, tento sempre corrigir, dizendo que mudou, é certo, mas para melhor ou pior ainda não podemos afirmar nem confirmar. Porque o nosso ponto de referência é o passado, e o passado teve as suas coisas boas e também as más. Estamos a mudar de comportamentos e de vidas, o que antes era impensável é hoje admissível e o que hoje é admissível poderá vir a ser no futuro impensável.
Nalgumas reflexões de grupo tenho vindo a dizer que o homem se auto-destruirá. Não é uma visão pessimista mas a verdade é que, como se diz por Feirão e arredores, "andamos a arranjar lenh…

Elogios

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Fiquei admirado por este fim-de-semana algumas crianças terem vindo dizer-me que gostaram da missa. Também alguns pais mo disseram. Talvez por ter sido mais acessível, concreto, prático, psicológico... Mas anoto aqui a conversa que o João fez no final da missa de sábado, enquanto autografava o livro para a sua família: Frei, gostei  muito da missa de hoje. E eu perguntei: Ó João, e então das outras, não gostas? E ele justificou: é que hoje o frei disse coisas que eu percebi muito bem, coisas do dia-a-dia. E nós, adultos, que pensamos que os miúdos estão a leste do que dizemos... estão é muito atentos!

Apresentação do livro - o que disse

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Foi hoje apresentado, como um filho que acaba de nascer, o meu primeiro livro de homilias. Deixo aqui o que mais ou menos disse, para partilhar com quem gostaria de ter estado mas não pôde:
Antes de mais gostava de agradecer a vossa presença, neste dia em que a Igreja celebra tão grande santo – São Martinho – um grande exemplo do amor a Deus e amor ao próximo. São Martinho ensina-nos que os pequenos gestos de amor como partilhar a sua capa com um pobre são construção do Reino de Deus. Este livro que estamos a apresentar – e agradeço desde já à Barbara as três paciências que teve para comigo: ouvir as homilias, ler o livro e fazer esta apresentação – dizia, este livro começa com uma apresentação que faço sobre a importância da pregação na Ordem dos Pregadores e, obviamente, na minha vida e no meu ministério de dominicano e de padre. Não vou aqui repetir o que lá está mas tenho de aqui dizer alguma coisa mais sobre o livro e como a homilia pode ainda ser útil depois de ser pregada. Tenho …

Prendas

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Ontem a minha afilhada Clara veio à Missa e trouxe-me a prenda de anos: este desenho.
A irmã também fez um
 e, na terça-feira as crianças da Ajuda de Berço também me ofereceram um marcador e uma mão pintada. 

Aqui ficam como recordação das belas prendas que se oferecem com um obrigado. Deixo ainda uma pequena oração do Ir. Roger: Jesus, nossa esperança,
faz-nos pessoas humildes do Evangelho.
Gostaríamos muito de compreender
que o que há de melhor em nós
se constrói com uma confiança muito simples...
tão simples que até uma criança pode alcançá-la.

Novo livro de homilias - convite

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Pode seguir o percurso do livro em: https://www.facebook.com/pages/FreiFilipeHomilias/1541632412715362?fref=ts

Uma prenda

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Ontem passei a tarde na Ajuda de Berço. Já é quase uma tradição lanchar com estes meus amigos pequenos e mais crescidos. E, como sempre, surpreenderam-me. Ofereceram-me uma t-shirt com as mãos e os pés deles lá marcados. São estas coisas simples que, como disse a raposa ao principezinho, faz de um dia um dia diferente. Agradeço-lhes, bem como à Ajuda de Berço, onde, como digo muitas vezes, encontro Cristo, simples, humilde e frágil.

Como foi?

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Na minha família alargada, temos o costume de ir muito ao passado. Com muita facilidade lembramos histórias e anedotas do passado, lembranças e afins. Há também a "tradição" das fotografias. Mostrar aos mais novos, uma e outra vez, até eles saberem identificar quem eram os que naqueles longínquos anos ficaram registados numa fotografia. Eu próprio, algumas vezes o fiz com as minhas sobrinhas, mostrando e perguntando quem era que estava na fotografia. E assim a memória se tem mantido viva.
Do meu nascimento só há uma cédula pessoal, preta, onde consta que nasci. Igual ao meu caso, milhões. Mas a família sabe mais que os dados oficiais. Tradições orais, que vão passando e que, no dia de hoje, se tornam presente. Como não tenho filhos e netos não hei-de ter, aqui fica, para a posteridade e por escrito o que sei do meu nascimento.
Esta manhã, quando acabámos de rezar Laudes, um frade perguntou-me: a que horas nasceste? E eu, olhando para o relógio, respondi: a esta hora. Assim …

O oleiro da minha vida

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Deus, oleiro da minha vida, que em cada dia saiba agradecer o tesouro que depositaste neste vaso de barro moldado com as tuas mãos.

Que a minha voz seja eco da tua Palavra e as minhas mãos traços de liberdade.

Deus, oleiro da minha vida, molda-me no teu amor.

Opção por ser feliz

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Acabo de chegar de Sevilha, onde estive nestes dias, para a toma de hábito dos noviços ligados à Península Ibérica: 11 no total, entre os quais cinco pertencentes à Província Portuguesa: dois portugueses e três do nosso Vicariato de Angola. Embora não precise de motivos para ir a Sevilha, desta vez vários motivos me levaram lá e a viver dias de alegria e o de hoje com mais intensidade. Quem nos conhece mais de perto diz que as nossas celebrações são austeras e que o nosso hábito é o mais bonito. Não querendo ser juiz em causa própria, confirmo que sim. As nossas celebrações são "essenciais", ou seja, realizam aquilo que significam com uma simplicidade e beleza que as valorizam.
Como a de hoje. Durante a celebração, onze homens são chamados pelo nome, à pergunta de quem preside: o que pedis?, respondem em uníssono: A misericórdia de Deus e a vossa; prostram-se por terra com os braços em forma de cruz e, depois da homilia, aproximam-se do provincial que lhes veste o hábito. T…

O fim dos hábitos

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A senhora que trata da nossa roupa chamou-me à lavandaria para me dizer que um dos meus hábitos estava no fim da vida. Que tinha umas manchas que não saíam nem com nada, que já se estava a desfazer em algumas partes e que, se pusesse lixívia nas tais manchas podia ser pior o tratamento que o benefício. Apesar de o ter herdado já bastante gasto (foi-me oferecido em Roma, há quatro anos, quando estive no Capítulo Geral) era o hábito que mais vestia, por ser de bom tecido e, sobretudo, leve. Mas tudo tem o seu fim, mas o fim deste hábito ainda não. Vou guardá-lo numa caixa, para ser usado na última celebração.
Esta semana é de hábitos. Irei a Sevilha tomar parte na tomada de hábito dos noviços dominicanos da Península Ibérica. Dois de Portugal, três de Angola (pertencem à Província de Portugal) e mais três da América Latina. Também eles herdaram hábitos de outros - é assim a tradição - e depois virá o tempo dos hábitos novos, sempre com a esperança de que morra o homem velho e nasça o h…

Mudança da hora e de ares

No dia da mudança da hora, talvez por habituação do corpo, acordo uma hora mais cedo, a mesma da hora antiga. Mas a brisa que esta manhã traz - a madrugada teve algum nevoeiro aqui no Alto dos Moinhos - é das poucas refrescantes nos últimos dias. Levou-me a Feirão, onde estas brisas suaves são mais frequentes logo manhã cedo e ao fim do dia. E levou-me às minhas primeiras caminhadas aqui no bairro, onde ao passar num vale da estrada das laranjeiras, sentia esta mesma frescura. Senhor, Deus de cada manhã, e desta tão luminosa e agradavelmente fresca, dá paz e conforto aos que andam fatigados com o calor da vida e das preocupações que moem. Que a tua frescura nos acalme e modele. Que a tua paz venha sobre nós, Deus que te revelas na brisa suave que o mundo procura e precisa.

Tutti quanti

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Gosto do Tutti quanti do italiano. "Todos" pode ser uma tradução. Entre as aulas teórico-práticas e a coincidência de ter, em cada semana, hóspedes italianos, tem sido uma mais valia. Tutti quanti. Depois do Sínodo, começou o trabalho dos mais "conservadores" da Igreja: desvalorização e imposição da doutrina. A par da conferência do Cardeal Kasper, a mesma editora faz agora sair uma entrevista do Cardeal-Prefeito da Doutrina da Fé, um dos notórios opositores ao Papa Francisco. Creio que o critério terá sido o da isenção: assim como publicaram o livro do Cardeal Kasper, agora também publicam esta entrevista. Mas ainda vai a procissão no adro. Por cá, nas Jornadas da Família e arredores, diz-se que o Sínodo nada mudou. Já só falta dizer que perderam tempo em lá ir. Faz-me lembrar as atitudes de alguns Bispos quando vieram da primeira sessão do Concílio: que ia ficar tudo na mesma. Depois, o P. Gonçalo Portocarrero escreve mais uma crónica infeliz: Que São João Baptis…

Preparar retiros

Uma das coisas que tenho vindo a perder ao longo da minha vida de padre são os retiros. Não por falta de convites mas por falta de tempo para os preparar. Mas a alguns tenho de dizer que sim. Pelo bem que me faz. Rezar o tema, prepará-lo, deixar-se levar pela Palavra de Deus e pelas intuições que dela saem, procurar nos livros (evitar ao máximo ir à net excepto se for mais rápido encontrar uma citação) aquela expressão ou aquela ideia que nos ajuda a arrumar e desenvolver o tema que se vai reflectir. Amanhã vou pregar uma recolecção. Uma conferência de manhã, celebração da Missa, conferência à tarde e regresso a casa. Os temas vão ser dois: a dimensão sagrada do tempo e a oração e acção do discípulo missionário. Foi bom voltar a construir um retiro. Não sei que imagem usar, a do oleiro ou a do sonhador, que começa com uma ideia que levam a outras ideias e que constrói. Construir, interior e exteriormente, para que a vida exterior seja cada vez mais pequena e a interior cada vez mais …

As questões do Sínodo

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Vai o Sínodo a meio. A primeira parte, mais geral, em que cada um podia dizer o que quisesse (o Papa teve expressões fortes que convidaram à liberdade de expressão pedindo aos Bispos, ao mesmo tempo parresia em falar e humildade em escutar), parece ter sido positiva para todos, conservadores, moderados ou liberais, como alguma comunicação social gostou e gosta de separar. Todos os que se inscreveram para falar puderam fazê-lo e, desta primeira parte, já saiu (não ainda em português) o documento que resumiu o tema e as abordagens que a ele se fizeram. 58 números, sem carácter vinculativo, mostram a grande abertura que o Papa quer dar a esta temática tão sensível e importante como é a da família. Várias vezes se tem repetido o que o Cardeal Kasper costuma dizer: não se trata de mudar a doutrina, trata-se de mudar a disciplina. Esta semana é de trabalhos de grupos. Por línguas, cerca de 20 bispos por grupo, voltam às questões, tentando ser práticos na teologia, na disciplina e na pastor…

As contas do meu rosário

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Celebra hoje a Igreja, e nós, dominicanos em especial, a festa de Nossa Senhora do Rosário. Especial porque a Ordem Dominicana é mariana. Desde o seu início que a Ordem foi mostrando e passando de geração em geração este carinho que cada dominicano deve ter por Nossa Senhora. Ao longo destes oitocentos anos cada dominicano reconhece esta presença maternal de Maria, de tal maneira que ela é até chamada de "Mãe dos Pregadores". Mas a festa de hoje realça um dos aspectos da pregação dominicana: o rosário. A tradição atribui a "invenção" do rosário ao próprio São Domingos, numa aparição que Nossa Senhora lhe fez, entregando-lhe o rosário - a Bíblia dos pobres - como também ficou conhecido. Cento e cinquenta avé-Marias, o mesmo número dos salmos, em que, por Maria se meditam nos mistérios de Cristo. E nas contas do rosário meditamos também nas nossas contas, o mesmo é dizer, meditamos na nossa vida. As nossas alegrias e preocupações, luzes e sombras, intenções e medita…

Emérito, vice ou ex qualquer coisa

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Impressionam-me as pessoas que vivem de títulos e para os títulos. Porque fazem disso o seu estatuto, como patentes que os comandantes colocam nas suas fardas. E tudo piora quando estes títulos se exibem na Igreja. Recebi um mail de um meu conhecido, pessoa de Igreja e de cargos, que até à pouco era presidente de um grupo e agora apresenta-se como vice de uma outra associação. O Papa tem oito títulos: Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, Primaz da Itália, Arcebispo Metropolitano da Província Romana, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano e Servo dos Servos de Deus. Creio que este papa só usará os das pontas, que são os que verdadeiramente interessam e dizem o que ele deve ser: viver para servir, servindo a Igreja de Roma, que está ao serviço do mundo. Há uns anos atrás, um bispo de Coimbra era conhecido pelo bispo "abcde" (Arcebispo-Bispo-Conde-Dom-Ernesto). Depois deste sucedeu-lhe um Bispo domini…

Regresso às aulas

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Buon pomeriggio, sentarvi, disse a professora, bem disposta e simpática, à medida que íamos entrando na sala. Há sete anos que não tinha aulas. Hoje foi o meu regresso. Aulas de italiano, esperadas e necessárias. A professora, italiana do sul, falou quase sempre em italiano, e ia dizendo que hoje se podia falar em português. O nosso grande problema, e pelo que vi posso dizer "nosso", vai ser falar. Compreender compreende-se, mais ou menos tiramos o sentido. Mas falar é que vai ser. Hoje foi aula breve, só de apresentações, uns dos outros e um apresentava o outro, as coisas básicas, nome, idade, o que faz e porque é que é que está a estudar italiano. Grande parte dos alunos está por Erasmus, um porque vai muito a Roma e eu por razões de trabalho. Lá tive que explicar a minha vida e os meus encargos... A dinâmica foi simples mas gira. Apesar de eu não ser muito de dinâmicas, a verdade é que esta aproximou idades e tornou mais engraçada uma aula que poderia ser só de assistênci…

A comunhão de Judas

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Se Judas comungou ou não na Ultima Ceia foi curiosidade que nunca tive em satisfazer. Lembro-me há uns anos atrás este tema ter aparecido à mesa e um confrade ter dito que não e disse-o com tanta segurança que acreditei. Mas parece que, afinal, comungou. Consultei um site ultra católico (são óptimos para dirimir estas questões) e, numa resposta a uma pergunta pertinente: se Judas estava em pecado mortal e se Jesus o sabia, porque é que lhe deu a comunhão?, o contestador responde de uma forma categórica, nada convincente: porque Deus é justiça e misericórdia. Por justiça não lhe devia dar a comunhão mas por misericórdia sim, porque Jesus esperou até ao último momento o arrependimento de Judas. Ora, esta resposta, pelo menos para mim, ainda me deixa mais perplexo que tudo o resto. Mas a resposta continua. É que, na altura da comunhão dos Apóstolos, explica o contestador, o pecado de Judas era um pecado privado. E não se pode negar a comunhão por causa de pecados privados. Se for pecado…

Regresso ao latim

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1. De repente regressei ao latim. Agora que o Missal e Leccionários da Ordem estão prestes a dar entrada na Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, entreguei-me a uma causa suspensa, a tradução da Liturgia das Horas do Próprio da Ordem. Mais uma riqueza espiritual do Rito Dominicano. As traduções e adaptações fáceis ficam por minha conta: Antífonas, responsórios breves e longos, procura das traduções existentes dos textos da Bíblia... O mais difícil, que são os textos patrísticos ou das origens da Ordem, ver-se-á para quem ficará. Horizonte: Feirão de 2015. Mas o latim está a morrer. Até na Igreja, que era um dos últimos redutos. As edições típicas, aos poucos, deixam de ser em latim. Quando estive em Dezembro no Vaticano, um monsenhor dizia isto mesmo: na actualidade os latinistas são só tradutores de latim e não como os de antigamente que pensavam e estavam estruturados para o latim. Hoje em dia raramente alguém escreve uma encíclica ou um Breve directamente e…

Onde encontrar Deus?

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A propósito da primeira leitura de hoje, do profeta Isaías, que nos convida a "procurar o Senhor enquanto Ele se deixa encontrar", deixo em jeito de partilha, este belíssimo texto de Santo Agostinho, tirado do Livro X das suas Confissões, em que fala da sua inquietante e descentrada procura de Deus. Talvez como muitos de nós, procuramos o Senhor fora de Deus e não nos damos conta que Ele está dentro de nós... Bom domingo!
Então, onde é que te encontrei, para te aprender? Com efeito, ainda não estavas na minha memória antes de eu te aprender. Onde é que, então, eu te encontrei para te aprender conhecer, senão em ti, acima de mim? E não há lugar em parte alguma, e afastamo-nos e aproximamo-nos, e não há lugar em parte alguma. Ó Verdade, em toda parte estás à disposição de todos os que te consultam, e respondes ao mesmo tempo a todos os que te consultam, e respondes ao mesmo tempo a todos os que te consultam, ainda que sobre coisas diversas. Tu respondes claramente, mas nem tod…

Bagunça informática

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Acabo de terminar uma "limpeza" à minha conta de email. Não sei quantos apaguei mas foram muitos. Levei esta tarefa para Feirão mas não deu sequer para começar. Até que, para procurar um mail que recebemos com certeza, se decide a apagar e ponto final. O meu contador de mails diz que neste momento, na minha caixa de entrada tenho só 289 mails. Bendito seja Deus. Os computadores prestam-se a juntar coisas importantes e outras não tanto. Tenho agora um anseio de passar mesmo à máquina e fazer também uma profunda limpeza. É preciso, tem que ser e o que tem que ser tem muita força. Para contrabalançar isto, recebi ontem um desenho do Santiago. Fez o desenho num A3, mostrou-mo no outro dia e ontem, quando fui a a casa dele, disse-me me tinha esquecido de o levar. O Santiago é muito meu amigo. Dos que daria a vida por mim. E não estou a brincar. Numa das Missas em que esteve, eu, numa pergunta retórica perguntava: e por mim? Quem daria a vida por mim? E o Santiago, timidamente, l…

Entre outras coisas... neuroteologia!

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Razão tem a minha mãe em dizer que o pior mês do ano é o Setembro. Desde pequena que experimentou esta realidade que me faz concordar com ela. Eu tenho dito que Setembro dá cabo do que Agosto me fez de bem. As pressões do recomeço e tudo o mais fazem de um mês que até é calmo em termos de agenda num rodopio de alegrias e dores, penas e trabalhos. Mas não venho aqui carpir nem vitimizar-me do mês pesado que me traz um ano de adianto. Se a chula de Paus canta o "vai-te embora mês de Maio", eu bem que cantaria "vai-te embora mês de Setembro". Mas estou a ser exagerado; não me posso queixar. Até porque Setembro tem o seu quê de calma e alegria. Por exemplo, faz hoje cinco anos que tomei posse da capelania do Hospital da Luz. Cinco anos que deram para conhecer muitas pessoas e muitas histórias de vida. Graças a Deus ajudado por leigos que me valem nas minhas aflições, vamos tentando levar uma presença e uma palavra de Jesus aos que sofrem e aos que sofrem por ver sofre…

Programações

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Acabam-se as férias e vem o Setembro, com os seus inícios de adaptações e programações. É um recomeço que para uns é desejado, para outros um "eterno retorno" e para outros ainda, o normal da vida. Para mim, os dias de arranque são custosos, porque estamos nós a dia quatro e já tenho coisas agendadas para Julho do ano que vem. O início de Setembro tem sido, para mim, de viagens físicas e mentais, de recomeçar as rotinas (não desgosto delas) e de programações. A viagem de regresso de Feirão, um até para o ano. Pareço um emigrante que sai do lugar que gosta,  uma árvore que se tem de transplantar. O dia do regresso, que rápido vem e parece uma fatalidade, é remediado por um "tem que ser que a vida não é isto". Ficam para trás os "amigos do Norte", a família que se juntou e viveu um mês junta... tudo acaba ou, para não ser tão pessimista, tudo se interrompe. A outra viagem"relâmpago" foi a Sevilha. Levar os noviços num dia e regressar no outro. Co…

As amoras e o seu doce

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Por estes dias as amoras dignaram-se amadurecer. Os de cá dizem que ainda é cedo para as apanhar mas a verdade é que as de silvão são grandes e doces. Com tanta abundância a família decidiu dedicar-se a fazer doce de amora silvestre para levar. Ontem foi dia de as apanhar. Uma equipa de 5, liderada pela minha mãe, que conhece os lugares dos silvões, fomos apanhá-las. Quase cinco quilos! Com a apanha das amoras vieram as histórias do passado, algumas delas mais caricatas e assim se passou o princípio da tarde. E começou-se a fazer. Em pequenas quantidades cada vez vamos fabricando o doce de amora, sem corantes nem conservantes. Basta paciência para ir lavar as amoras à fonte, onde a água é mais fresca, e depois a paciência de do sumo sair doce. A dividir por todos não custa a ninguém. Aqui fica a foto da primeira levada de doce de amora.

Visitas de Lisboa

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Ontem tive a alegria, eu, Feirão e Cotelo, de recebermos amigos de Lisboa. Vieram propositadamente para conhecer estas terras que tanto me prendem. Vieram, estiveram na Missa de Feirão, foram apanhar amoras, foram ver a vista desde a capela de São Cristóvão, e almoçaram em Cotelo. Almoçaram eles e almoçámos nós, também. Da parte da tarde, visita a Cotelo, ida a Caldas de Aregos e despedidas. Para Feirão e Cotelo foi um acontecimento: quem seriam? Amigos ou familia do senhor padre? As pessoas daqui gostam de saber estas coisas... Agradeço-lhes a visita e que se repita. (fotografia: vista de Feirão a partir do marco geodésico)

Linha do Douro

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Ontem foi dia de passeio, em família, da estação da Ermida até ao Porto. Claro que o percurso mais bonito é o da Ermida até ao Pocinho mas tivemos que fazer escolhas e decidiu-se por ir ao Porto, estreia para alguns. Talvez pra o ano fique a outra parte, com direito a pic-nic. O que mais demorou no passeio foram as viagens, lentas e desconfortáveis. E o passeio foi o passeio dos pobres: comboio até Campanhã e depois São Bento; almoço por lá e descida à Ribeira que, sim senhor, é bonita de se ver e desfrutar. Apesar de ser suspeito, não tenho dúvidas que dos concelhos de Viseu, Resende é o mais bem plantado. O Douro, limpo, calmo e deslumbrante, dão uma beleza rara a estas terras rudes, de montanhas e giestas. Em relação á linha do Douro, falo dos comboios, claro está, é uma pena  a negligência de quem de direito. Como é que se pode promover uma região, como a do Douro, com estações tão mal cuidadas, comboios a cair de podres e sujos, muitas vezes com atrasos (o nosso foi com um atras…

Um lanche e uma receita

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A tia Irene e o tio Domingos, de Feirão, convidam-me todos os anos a ir um dia merendar com eles. Por aqui diz-se que é para "sociar", que deve querer dizer socializar. E eu aceito com gosto. Mas há uns anos atrás marcou-se sobre a hora e a tia Irene, que tinha pouco pão em casa, fez umas fritas. Que saborosas! Perguntei-lhe como é que se faziam e a receita, disse ela, era a coisa mais simples de fazer: uns ovos, um "tchis" de farinha, sal e água. Depois é só fritar. Disse-me ainda que era o que se fazia para a merenda das vessadas, porque se faziam rápido e alimentavam. Tentei fazer estas fritas algumas vezes mas nunca me ficaram bem. Pensei eu que assim a olho a coisa nunca iria sair bem. Ontem lá foi o dia de merendar. E, entre outras coisas, lá estavam as fritas, gostosas como sempre. Lá gabei as fritas e lamentei-me de as minhas não saírem tão bem. "Então, senhor padre, disse-me ela, não se vai hoje daqui embora sem as ver fazer". E lá fizemos as fr…