Quando o Advento é poesia

Gosto dos começos litúrgicos. Com mais gosto, ainda, quando começa o ano ou o Advento. Não é um eterno retorno, não é um ciclo que, não havendo imaginação para mais, se repete ano após ano, mas é o recomeço. Como o nosso Deus. O nosso Deus é um Deus de recomeços. Não nele próprio, porque Ele, sim, é o Eterno, o sem princípio nem fim, mas em nós. Deus recomeça, em cada ano, em cada dia, em cada hora, o seu projecto de amor e de salvação.
O Advento traz consigo a poesia. Talvez porque se espera, evitando a todo o custo que o Natal não venha prematuro. Sentir o frio, trazer à memória as imagens das ânsias e das esperanças, cantar interiormente as músicas em tom menor, os Maranathás e os Vinde Senhor Jesus, transformando a música em oração.
O Advento pede-nos paciência e fidelidade. A mesma paciência da mulher grávida que sente e espera o filho que traz no seu ventre. A mesma fidelidade da amada do Cânticos dos Cânticos, que procura sem desesperos o amado que vem.
O Advento educa os nossos sentimentos e atitudes. Educa-nos para a austeridade, para a ânsia saudável, para a esperança de um mundo novo a construir. Com o Advento o roxo faz caminho connosco, o caminho da vida é aplanado para que o Messias venha tirar o nosso pecado, transformar a nossa mentira em verdade e a nossa maldade em doce bem.
Vem, Advento, e traz contigo a esperança e a luz. Faz chover a justiça sobre a nossa terra, destila dos teus favos o mel da fidelidade, que o frio que trazes conserve a nossa fidelidade, acende em nós as velas do amor, da fraternidade, do acolhimento e da entrega. Que toda a criação se una a ti para receber aquele que tudo cria e recria, o Deus dos recomeços. Vem, Senhor Jesus.

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