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Cristo crucificado, hoje

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Hoje é dia de olhar para aquele que foi trespassado. Hoje é dia de olharmos para aquele que por nosso amor morreu na cruz. Hoje é dia de olhar para a Cruz e ver que o mundo continua a crucificar, com crueldade, homens e mulheres, inocentes e sem culpa.  Não podemos reduzir este dia a um dia de devoção. A narrativa da paixão continua actual porque também hoje vemos injustiças que crucificam os que, como Jesus, são hoje vítimas da violência das guerras. Vemos os que hoje, como Jesus, estão manietados, sem poder fazer nada da sua vida, porque dependem ou da generosidade ou da boa vontade dos outros, que às vezes têm pouca vontade em resolver os problemas. Vemos os que, como Jesus, são vítimas de esquemas, perseguição e difamação. Vemos os que, como Jesus, são traídos na amizade ou nas relações. Vemos os que, como Jesus, sofrem o abandono e são deixados à sua sorte. Vemos os que, como Pilatos, lavam as mãos ou encolhem os ombros não querendo saber do sofrimento e das injustiças que cau...

Dos Ramos à Paixão

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Começamos hoje a Semana Santa. A semana em que celebraremos de modo sacramental o que aconteceu realmente há 2000 anos. Não vamos ao passado, mas trazemos o passado para o presente porque o que aconteceu lá atrás continua vivo hoje em cada um de nós. Este domingo chama-se de Ramos na Paixão do Senhor.  Domingo de Ramos. Quando lemos a vida de Jesus narrada nos Evangelhos vemo-lo sempre a andar a pé ou de barco. Mas hoje Jesus pede aos discípulos que procurem um jumentinho para ele entrar em Jerusalém. A imagem é toda ela messiânica, ou seja, a da entrada do Messias na Cidade Santa. Porém, Jesus não escolhe o cavalo nem faz alarido com a sua entrada em Jerusalém. Jesus nunca se apresenta no espectáculo e na atitude superior mas sempre na humildade. É a multidão dos simples, dos que esperavam a libertação que mostram Jesus: arrancam ramos das árvores, colocam as suas capas no chão para Jesus passar e gritam hossanas (liberta-nos, salva-nos).  E é domingo da paixão. Porque sabemo...

Sexta-feira Santa: Um dia único no ano que justifica o silêncio e a mort...

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Saber descobrir Deus

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Às portas da Páscoa, todos procuramos um sentido para a vida e procuramos Jesus. Santo Agostinho, nas suas «Confissões» reconhece que procurava Deus fora dele e Deus estava dentro dele. O Cardeal Suenens, no seu livro «Vida quotidiana - vida cristã» (1965), fala-nos sobre como descobrir Deus. Perguntou-lhe Jesus: mulher, porque choras? A quem procuras? (São João 20, 15). O ENCONTRO NO JARDIM Voltemos a ler a página do Evangelho que descreve o encontro de Jesus e de Maria Madalena, em manhã de Páscoa, no jardim onde o Mestre fora sepultado: «Maria estava junto à entrada do túmulo, chorando. Enquanto chorava, abaixou-se e olhou para dentro do túmulo, e viu dois anjos com vestes brancas, sentados onde o corpo de Jesus fora posto, um à cabeceira e outro aos pés. Eles lhe perguntaram: Mulher, porque choras? Respondeu ela: Porque tiraram, o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Tendo dito isto, virou-se para trás e viu Jesus em pé, mas sem saber quem era ele. Perguntou-lhe Jes...

Oração da manhã: correcção de horários

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Correcção do horário de amanhã: 8.30h.

Saber sofrer com esperança

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Os tempos que vivemos são tempos que nos desafiam humanamente e ao nível da fé. O nosso olhar continua limitado, olhando só para o imediato sem grande capacidade de, em vez de perguntarmos o porquê podermos perguntar para quê? O Cardeal Suenens, no seu livro «Vida quotidiana, vida cristã» (1965), dedica um pequeno capítulo à questão do sofrimento, vivido desde a fé e a esperança. Aqui o deixo para a reflexão desta quarta-feira santa. Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória? (São Lucas 24, 26). O MISTÉRIO DA DOR Ninguém escapa ao sofrimento. A dor acompanha-nos, passo a passo, do berço ao túmulo, como a sombra segue o próprio corpo, no caminho Custa-nos a compreender o que forçoso nos é chamar o mistério do sofrimento. Quereríamos viver num mundo onde só fizesse sol: sombra - nunca. Se dependesse de nós, teríamos um mundo reduzido a duas estações: Primavera e Verão. Seria o sofrimento um amontoado de folhas mortas? Seria a rajada de ve...

Laudes com os dominicanos de Lisboa

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Saber calar

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Nas narrativas da Paixão impressiona o silêncio de Jesus. Só fala para dizer a verdade - nunca para se defender ou desculpar - ou perguntar a um soldado que lhe dá uma bofetada o porquê de lhe bater. Saber calar é uma virtude e uma arte. Deixo aqui a reflexão do Cardeal Suenens no seu livro de 1965 «Vida quotidiana - vida cristã» .   Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos estava estupefacto (São Marcos 15, 5). VISÃO DE NAZARÉ Teria sido uma família silenciosa, a Sagrada Família? Um lar de puros contemplativos? Ou uma casa como todas as outras, onde alternam o silêncio e a palavra, a prece e a conversação, o trabalho e o repouso? Tudo nos diz que seria um lar normal, como qualquer outro, onde se equilibram os silêncios e as palavras. A primeira impressão, todavia, é de silêncio. Maria recebe do Arcanjo a mais prodigiosa das novidades: a Anunciação. O diálogo é breve. Uma pergunta essencial: «Como será isso?» Uma resposta: «Faça-se em mim, segundo a tua ...

Saber agradecer

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Tenho um baú (são mais arquivadores que propriamente um baú), onde vou guardando artigos que no momento em que os encontro não os consigo ler, nas esperança de um dia ter tempo de voltar a abrir a tampa. Permite este tempo que abrisse a tampa deste baú e encontrasse uma obra clássica dos anos 60, escrita pelo vanguardista Cardeal Suenens, da Bélgica, que tanto fez de bem pelo Concílio Vaticano II. O livro chama-se: vida quotidiana - vida cristã. São muitos pequenos capítulos em que o Cardeal Suenens vai compaginando a vida quotidiana com a vida cristã. Como o Evangelho de hoje nos fala do gesto gratuito e de gratidão de Maria, irmã de Lázaro e de Marta, para com Jesus, derramando perfume de nardo puro sobre os seus pés e enxugando-os com os cabelos, coloco aqui um pequeno capítulo deste livro "vintage", sobre o saber agradecer. Nos próximos dias tentarei colocar mais pequenos capítulos, se o tempo mo permitir. SABER AGRADECER Damos continuamente graças a Deus por ...

Horário da Semana Santa

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Seja eu como tu, meu Jesus

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Senhor, saiba eu neste dia acompanhar-te no calvário de tantos irmãos e irmãs que sofrem tantas dores e abandonos. Seja eu como aquela Maria que te lavou os pés com as suas lágrimas e os perfumou com um caro perfume, quando deixo que o perfume das minhas acções exale na vida dos outros. Seja eu como aquele Simão, de Sirene, que te ajudou a levar a cruz, quando penso menos nas minhas fadigas e cansaços e amparo os que a cruz quer levar ao chão. Seja eu como aquelas mulheres de Jerusalém, ao chorarem por ti, quando também eu choro as dores e sofrimentos dos mais pobres. Seja eu como José de Arimateia, que te sepultou no seu sepulcro, quando saio do meu egoísmo e partilho com os outros o que tenho e o que sou. Seja eu como tu, meu Jesus, que deste a vida por mim, quando eu perceber que é dando que se recebe, que quando sou humilde me exaltas e quando morro para mim tu me ressuscitas. Sei, Senhor, que estarás em agonia até ao fim do mundo, por isso te peço: até ao fim da minha vid...

Acompanhar Jesus

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" Senhor, nosso Soberano, / cuja glória reina em toda a terra! / Mostra-nos pela tua Paixão, / que Tu, o verdadeiro Filho de Deus, / por todos os tempos, / mesmo nos tempos de maior humilhação, / sempre foste glorificado! " Foi assim que  J. S. Bach quis começar a sua Paixão segundo São João. Numa oração dirigida a Jesus, reconhece que tudo o que se vai ouvir não é uma história trágica mas sim glória de Deus manifestada no amor da Cruz, toda ela glória e luz. E assim começa esta semana da Paixão, em que somos convidados a ouvir e a viver a morte de Cristo, que passa pela Cruz mas que termina na Luz da Páscoa. A melhor Páscoa será se entrarmos com Jesus em Jerusalém, se nos sentarmos à mesa com ele na Última Ceia, se permanecermos junto à Cruz, se em silêncio também nós respeitarmos o sábado do túmulo e se no dia de Páscoa renascermos do lado aberto que ele nos mostra como sinais do Ressuacitado.

Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito

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Última palavra de Cristo na Cruz antes entregar a sua vida. Não sabemos se foi propositado ou não mas, quer a primeira quer a última palavra de Cristo foram orações ao Pai. Nas duas chama a Deus de Pai, como sempre Jesus chamou e nos ensinou a chamar. Também duas das frases são citações de salmos; Jesus personaliza o salmo 31, que é um salmo indicado para as horas de tribulação. Este grito de Jesus ao Pai, é uma entrega a Deus da sua vida: Jesus, no fim da sua vida e nós, em cada dia, numa entrega de confiança e de amor. Este grito é também o grito dos que, no meio do desespero, se entregam a Deus, as suas horas e dores, as suas angustias e os seus desesperos. Jesus dá-nos uma última lição antes de morrer: unidos ao Pai os vales tenebrosos da vida passam-se na calma e na confiança.

A paixão do Senhor

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Ao ler a Tua Paixão, Senhor, eu te peço: Que me livres do farisaísmo cego e insensível Que tantas vezes trai e mói Que contradiz e argumenta sem argumentos Que vive da aparência e do agradar aos outros. Ao ler a Tua paixão, Senhor, eu te peço: Que me faças compreender o gesto acolhedor Da Tal pessoa que o Evangelho não nomeia Mas que ficou guardado na memória da fé. O gesto solidário do Cireneu, que cansado e talvez até contrariado foi revelador de proximidade na dor; O gesto de misericórdia de José de Arimateia, Que cedeu o seu próprio túmulo para que o teu corpo Pudesse ter a dignidade que o sofrimento e a injustiça tiraram. Ao ler a tua Paixão, Senhor, eu te peço: Que me faças seguir o teu exemplo de humildade Que tantas vezes passa pelo silêncio: Silêncio diante da traição de um amigo Silêncio diante da incompreensão, em que qualquer palavra Gera ainda mais violência Silêncio diante dos ultrajes e das mentiras que afogam e matam Ao ler a tua Paixão, Senh...

Tudo está consumado

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Sexta palavra de Cristo na cruz. Não se trata de uma rendição ou de um deixar de querer viver. O tudo está consumado que sai da boca de Jesus é o anúncio de que tudo se completou e até ao fim da vontade de Deus e da salvação do homem. Tudo está consumado. Jesus, cansado, não de viver mas sim de sofrer, entrega ao Pai toda a humanidade por quem deu a vida. No entanto, a obra de Deus continua a precisar de homens e mulheres que prolonguem a consumação do mundo. Homens e mulheres que ajudem outros a perceber o sentido da vida e das coisas. Homens e mulheres que pensem as questões existenciais da vida e os modos de agir. Cabe agora, a cada um de nós, continuar a obra de salvação iniciada por Deus, consumada na Cruz por Jesus, entregue a cada um de nós na busca do sentido da vida e do amor.

Via Sacra

O meu amigo António Saiote ofereceu ao Convento um quadro com as estações da Via Sacra. O meu confrade, fr. José Manuel fotografou e fez este vídeo que partilho, desejando uma Boa Páscoa, meditando em todo o amor de Cristo por nós.

Tenho sede

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Quinta palavra de Cristo na Cruz. Não tem nenhum sentido espiritual, mas sim o que um homem cansado e agonizante sente depois de tantos tormentos: sede. Nos Evangelhos não é primeira vez que Jesus sente sede. Quando entra em Sicar e se senta à beira do poço, na hora mais quente do dia, Jesus também pede à Samaritana que lhe dê de beber. A sede, uma das primeiras necessidades humanas, tem na Bíblia uma outra dimensão mais espiritual: a sede de Deus, a sede de Jesus. Mas Jesus também tem sede de nós. Deseja-nos, quer-nos, ama-nos. A humanidade deseja Deus, mesmo que por vezes o negue e lhe vire costas. Este grito/pedido de Jesus de Cristo na Cruz, não é só dele mas de todos os crucificados da história e do mundo que, continuam hoje a gritar que têm sede: sede de pão, sede de água, de roupa e de casa; de dignidade e trabalho justo, de reconhecimento e de atenção. A sede é grande neste muito, a material e a espiritual. Mas assim como do rochedo do Antigo Testamento brotou água, ...

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?

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Quarta palavra de Jesus na cruz. Desta vez uma oração, o salmo 21, que Marcos só cita mas que talvez Jesus terá rezado pelo menos uma parte dele. Por um lado, algumas pessoas dizem que Jesus, na cruz, sentiu o abandono de Deus; mas não terá sido isso, terá sido a oração de confiança dirigida Aquele em quem Jesus entrega a sua vida. Mas sim, na boca de muita gente esta palavra de Cristo, é mesmo uma palavra de abandono em Deus. Uma cama de hospital, uma doença incurável e progressiva, um desespero, torturas, mortes injustas... Quem reza sente a presença de Deus. Mesmo se há abandono de saúde ou de pessoas. E Deus responde ao grito: Eu não te abandono,meu filho. Ainda que uma mãe se esqueça do filho que traz no seu seio eu nunca te abandonarei.

Mulher, eis o teu filho... Filho, eis a tua mãe

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Terceira palavra de Cristo na Cruz, exclusiva de São João. Numa visão mais afectiva e devota poderia pensar-se que Maria seria uma preocupação para Jesus e, antes de morrer, entregava a sua mãe a João e João a sua mãe para que um guardasse o outro. De facto, ainda hoje em Éfeso, cidade onde se diz ter morrido São João, existe uma casa visitável, em que se diz que foi onde Nossa Senhora viveu os seus últimos anos, na companhia de São João. Mas a leitura interpretativa é bem mais teológica que afectiva. Maria é agora não só a mãe de Jesus mas a Mãe do Messias; por isso, esta entrega é simbólica de uma outra entrega, da Igreja a cada um de nós, simbolizado no discípulo amado, mas de nós a Maria, à Igreja, a Esposa, a Mãe. Junto à cruz começa uma nova maternidade: sem deixar de ser mãe de Jesus passa a ser, também, mãe da Igreja. Hoje, quero também entregar um rapaz aos cuidados de Maria. Irá precisar deles. E vou rezar por ele, para que encontre sempre na Igreja uma Mãe.

Hoje estarás comigo no paraíso

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A segunda frase de Cristo na Cruz, é uma resposta a um pedido de um dos que foram crucificado com Jesus. A tradição atribuiu-lhe o nome de Dimas. Mais que uma palavra de conforto ou de ânimo é uma palavra de salvação: Hoje estarás comigo no paraíso . Esta atitude de Jesus, outra não seria de esperar, mostra-nos que é sempre tempo e ocasião de voltarmos para Deus. Dimas, que não deve ter tido muitos encontros com Jesus, ao vê-lo crucificado, tudo suportando em silêncio e oração a Deus, pede para ser admitido no Reino de Deus. A resposta de Jesus a este ladrão é a aplicação prática do que Jesus havia dito às multidões: há mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento. O P. António Vieira, num sermão que pregou sobre esta frase termina com esta oração: Rei dos reis e Senhor dos senhores, que morrestes entre ladrões para pagar o furto do primeiro ladrão, e o primeiro a quem prometestes o Paraíso foi outro l...