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Datas, nomes e apelidos

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Comecei há uns anos uma epopeia histórica e genealógica de tentar inquirir sobre os meus antepassados. Tudo começou ao encontrar nos livros paroquiais o registo de baptismo da minha mãe e daí aos pais e avós e, depois, começar a trepar por aí acima até ver onde conseguia chegar. Em Lisboa não tenho muito tempo para me dedicar a esta pesquisa, mas aqui por Feirão, quer por me puxar mais para esta causa quer por mais disponibilidade, continuo esta escalada na árvore genealógica da minha família. Consultados os registos paroquiais, entrei nos registos digitais onde, cada vez que procuro, encontro. Ontem, consegui chegar à 10ª geração, a uns antepassados longínquos de 1810, um registo de baptismo onde, a partir daí consegui chegar aos seus pais e avós. Datas, nomes e apelidos que nos fazem pensar as origens e como seriam: uma avó Leocádia Dias ou uma Genoveva das Arcas… Um Bernardo da Costa ou uma Ana da Fonte… como seriam, que fariam, como teriam vivido. Estes que nomeei não eram de Feirã...

O voltar atrás

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Tem-me impressionado nos últimos tempos o ter encontrado na minha vida algumas pessoas com Alzheimer. Não percebo nada da doença e compreendo a falta de paciência que a convivência com estas pessoas pode trazer. Eu falo e faço o meu melhor quando me encontro com estas pessoas, e alento a família que cuida delas. É, sem dúvida, um voltar atrás. Palavras, acontecimentos do passado fazem sentido enquanto que o presente não fica sequer registado. Mas o que mais me impressiona não é o esquecer-se do presente mas sim lembrar o passado. Como o caso de hoje: uma irmã dominicana, atacada com esta degeneração, que pouco ou nada fala, ao ouvir falar de uma terra de missão onde esteve, começa a repetir o nome da terra como se soubesse do que se estava a falar. Não sabemos se sabe ou não mas, quando ouviu o nome da terra, ligou-se à nossa conversa. Perguntei-lhe se queria ir lá comigo e disse que sim; perguntei-lhe onde ficava e já não soube responder. Um mistério... Não se trata de ir ao pass...

Na simplicidade

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Há percursos e ocasiões na vida que nos pedem simplicidade e essa simplicidade torna sublime os mesmos percursos e ocasiões. Foi o caso dos últimos dias em que fui com a João 13 a pé a Fátima. Fátima porque sim e a pé porque sim também. Há simplicidade em tudo. Desde a simplicidade das vidas à simplicidade das conversas, passando também pela simplicidade das orações e celebrações. Este ano descobrimos um pequeno campo, limpo e murado, com uma grande pedra no meio onde celebrámos Missa num dos dias e onde quisemos voltar para a Eucaristia de domingo. A simplicidade de tudo, a começar pelo lugar aprazível e acolhedor que, para mim, foi mais eloquente que a maior das catedrais ou mosteiros. A simplicidade dos cânticos e das orações, das leituras e das alfaias. Tudo simples, tudo belo, tudo marcante. E sentir a presença de Deus numa sombra, num sorriso ou numa lágrima, a força da fé que nos faz caminhar juntos, rezar juntos, e comungar na fé o corpo e o sangue de Cristo. Tenho ouvido no...

Pequenos gestos que nos trazem a felicidade

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Ontem, alguns da João 13 fomos ao Centro de Apoio Social dos Anjos. Tínhamos pedido esta visita e foi importante porque tem as três valências que a João 13 vai também desenvolver: o banho, a roupa e a refeição. A Directora do CASA foi muito simpática e mostrou-nos tudo. Falou-nos da realidade teórica e prática. No refeitório estavam pessoas sem-abrigo a jantar: sopa, esparguete com carne assada e salada, fruta ou iogurte. Impressionou-me ninguém falar com ninguém. Mas é assim, não são um grupo, só partilham a mesma sorte, não há muito a contar. Mas no centro de acolhimento, onde estão 15 pessoas, fala-se. Encontrámos um senhor, de 59 anos, que contou-nos a sua história sem nós pedirmos: que tinha vivido no jardim do Campo Grande, que nem no Júlio de Matos o tinham aceitado de tão mau aspecto ter. Foi ali recebido e agora era outro. Estava despreocupado porque finalmente lhe tinham cortado as unhas dos pés, coisa que em três hospitais não tinham conseguido, mas estava preocupado porq...

Estar perto de Deus

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Ontem, a caminho de Lisboa, parei em Fátima e comprei um livro que saiu recentemente: a biografia de D. Óscar Romero, Arcebispo de San Salvador, assassinado em 1980 enquanto celebrava Missa. Apesar da lentidão do processo de beatificação, o Papa Francisco desbloqueou-o e, finalmente, vai ser beatificado no próximo dia 23 de Maio. Foi morto por ódio à fé, como foi dito. A identificação de um pastor com o seu povo é a mais bela expressão de amor. Este bispo foi morto por denunciar injustiças, por estar do lado dos pobres e das vítimas, por estar no meio do povo que lhe foi confiado. A hierarquia eclesiástica não o apoiou muito. Quando lemos o seu Diário vemos que, muitas vezes está sozinho nas ideias e nas denúncias. Há dias tive uma reunião com a Comunidade de Sant' Egidio em Portugal. No final da reunião deram-me uma pagela com a fotografia de D. Óscar e, por trás uma frase dele, que aqui deixo: " Há um critério para saber se Deus está perto de nós ou se está longe: tod...

Vender a vida

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Escrevo o post mil deste blogue. Durante a semana tentei deixar aqui alguma coisa que fosse significativa mas não tive sucesso. Ainda ontem aqui vim tentar escrever uma oração ao Agricultor das nossas vidas mas também não tive inspiração suficiente para fazer correr o texto. Mas hoje, baseado numa notícia que li, decidi escrever sobre um tema que, não honrando o número mil não deixa de (me) nos fazer pensar. Por aqui começo. Quando me procuraram para editar o livro " Retalhos da vida de um padre ", dizia para comigo: nunca pensei que a minha vida pudesse vender. Mas o título e o motivo deste escrito é outro: trata-se de vender a vida sem mais, nua e crua, doa a quem doer e sofra quem tiver que sofre. É pior que as tragédias gregas, que educavam e edificavam, mostravam a dimensão ética da vida, a sua grandeza e a sua classe. A notícia que li esta manhã é que a vida da mãe do Cristiano Ronaldo (a partir de agora CR7) ia sair em livro. Até aí tudo bem. Mas a coisa muda qu...

Os não esquecidos da Páscoa

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Depois da Páscoa, mais do que fazer avaliações gasto tempo em lembrar aqueles que costumavam estar nas celebrações e, maior parte deles, por doença, não estiveram. Viveram a Páscoa em casa ou no quarto, na cama de um hospital ou a fazer exames; o cansaço da doença e talvez o peso da vida não lhes tenha dado o ânimo que precisavam para participar. " Ainda não é a hora ", recebi num mail; " Muito unido ", num sms... E assim se fazem presentes, associam-se a nós, que achamos ter mais saúde, ou pelo menos aguentamos mais. Mas não estão esquecidos. Olhamos para a Cruz e vemos em Cristo o seu rosto; e ficamos junto ao túmulo, na expectativa da ressurreição.

Diferente mas não indiferente

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A menina que de quem agora escrevo é uma menina diferente mas não indiferente. Diferente porque não anda, diferente porque não consegue responder bem às coisas que lhe perguntamos, diferente porque não é bem articulada. Mas não é indiferente. Nem ela a nós nem nós a ela. Normalmente associa um petit-nom a uma pessoa mais próxima, a outras o nome inteiro, a mim uma música. Sim, ela é muito musical. Não sabe as letras até ao fim, como eu e muitos como nós, mas sabe começar a lenga-lenga do coelho Alberto ou, quando me vê, o mexe e remexe. Mas encheu-me de ternura quando me pediram para ficar com ela uns minutos e, de repente, começa a cantar a música do amigo que me ama. Assim, do nada. E eu acompanhei. Uma outra criança olhava para nós e associava-se quando aparecia o nome “Jesus”. E eu emocionado com o que estava a ver. Meu Deus, como é que estas crianças, tão mutiladas de afectos naturais, que nós tentamos tapar com alguns remendos, cantam com ânimo e, quem sabe, com alguma intelig...