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A mostrar mensagens de 2018

As exigências da Quaresma

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Começámos ontem a Quaresma. O tempo é difícil de tão fácil que é. Difícil porque só nos pede que sejamos simples e autênticos.
Olharmos para a nossa vida, e tentarmos não cair coisas em que tantas vezes nos reconhecemos pecadores: ser simples e autêntico nos pensamentos, nas palavras, nos actos, e ganharmos coragem para não continuarmos nas omissões. A Quaresma pede pouco: atenção, disponibilidade e atitude. A deixarmos a mesmice, as rotinas que nos anulam, a darmos tempo a Deus e aos outros mas, sobretudo, a nós.
A Quaresma dá-nos muito. Dá-nos sentimentos fraternos e de acolhimento, dá-nos misericórdia e perdão, dá-nos um caminho que nos conduz à luz que dissipa as nossas trevas.
A Quaresma é simplesmente isto: quarenta dias para ser feliz em Deus.

A porta e a chave

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No passado dia 2 de Fevereiro celebrou-se o dia do Consagrado. O Papa Francisco celebrou a Missa no Vaticano com os consagrados que lá se reuniram. Uma homilia curta, com alguns recados que pode ler aqui. Tocou-me uma frase em que o Papa dizia que, na vida consagrada, os jovens abrem as portas mas os mais velhos é que têm as chaves. E, no decorrer dos anos, vamos (vou-me) apercebendo da verdade que isso é. Pela minha parte, e ao mesmo tempo, comecei a ler as Meditações, de Marco Aurélio, um clássico da literatura romana (o título que ele deu ao livro foi "para mim mesmo". No primeiro livro (são 12), ele começa por "meditar" dizendo o que deve aos seus antecessores: avô, pai, mãe, bisavô, tutor, filósofos... dando a impressão que a sua personalidade não se construiu em teorias mas sim nas vidas que o rodearam. Aparecem valores como a rectidão, a piedade e a generosidade, a simplicidade de vida... coisas que verdadeiramente constroem. Como se sabe da vida de Marco A…

Esse homem és tu!

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Na Missa diária temos vindo a ler na primeira leitura passagens do Antigo Testamento, em especial nesta semana o ciclo de David. Ontem escutámos a paixão assolapada do rei David por uma mulher casada, Betsabé. Queria envolver-se com ela, mas sendo casada havia um pequeno empecilho, o marido Urias. Mas há gente que acha que os meios justificam os fins. Lá conseguiu deitar-se com Betsabé, que engravidou, o marido veio a saber e David, para o despachar, como Urias era soldado, coclocou-o na frente da batalha, com a indicação de que não o socorressem se ele fosse ferido porque ele queria que Urias morresse. Alguns poderão pensar: como é que a Bíblia relata uma coisa destas? Pois é, é a história humana. Nós, humanos, somos às vezes como o rei David: fazemos tudo o que está ao nosso alcance para chegarmos aos nossos objectivos, nobres ou nem por isso. Mas a história não acaba aqui e hoje escutámos a segunda parte: Deus manda o profeta Natã ir ter com David para lhe pedir contas da asneira …

Os presentes decifrados

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Chegámos à segunda festa mais importante do Natal: a Epifania do Senhor. O episódio relatado na Missa deste Domingo é o da saga dos Magos do Oriente que seguem uma estrela, que se perdem e que se voltam a encontrar com ela e que os leva à casa onde estava o Menino. A realidade terá sido bem mais simples que o nosso imaginário mas não deixam de ser enigmáticos os três tipos de presentes que oferecem ao Menino: Ouro, Incenso e Mirra. A tradição cristã interpretou desde cedo o que eles significavam a nível teológico: o ouro, que Jesus era Rei; o incenso, que Jesus era Deus; a mirra, que Jesus era Homem. Tive a oportunidade de, antes do Natal, ir ouvir a Oratória de Natal de Bach. A última é a da Epifania. E, uma área, interpretou igualmente os três presentes: o ouro que simboliza a fé, o incenso que significa a oração, e a mirra que significa a paciência. Mas a mesma ária pedia a Jesus que ele também nos desse esses mesmos presentes; a fé, a oração e a paciência, para sermos mais ricos …