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A mostrar mensagens de 2018

Dia de São Domingos

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Felicíssimos dias de nosso Pai São Domingos, com aumentos de graça e eternidades de glória! Assim se cumprimentaram hoje as Irmãs Missionárias Dominicanas do Rosário.

Anno histórico: Frei João da Silva

Perdida a batalha de Alcácer, deu o Xerife licença a Belchior do Amaral, Ouvidor geral, que fora do nosso exército, para que pudesse ir tratar do resgate dos Fidalgos cativos. Com esta permissão passou a Tânger, onde visitou a Frei João da Silva, que se achava enfermo. Aquela cidade; era Frei João religioso da Sagrada Ordem dos Pregadores, do mais ilustre sangue de Portugal e dotado de excelentes prendas: acompanhou a El Rei Dom Sebastião naquela infeliz jornada, e chegando enfermo a Tânger, lhe ordenou El Rei que ficasse ali até convalescer. Estando de cama, sem conhecido perigo, o visitou (como dissemos) Belchior do Amaral, a que. Frei João disse: que já sabia que tudo era perdido, e que eram mortos e cativos os principais Fidalgos portugueses, e que também não ignorava a morte do Bispo do Porto, Aires da Silva, seu irmão. Porém que toda esta perda, posto que tão grande não era nada, em comparação da perda de El Rei, sobre a qual ouvia várias opiniões: que lhe pedia muito o quisess…

Anno histórico: Madre Brites Leitoa

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A venerável Madre Brites Leitoa, depois de ser dama da Infante Dona Isabel de Aragão, mulher do infante Dom Pedro, Regente de Portugal, na menoridade de El Rei Dom Afonso V, e depois de ficar viúva em idade de vinte e sete anos de seu marido Dom Diogo de Ataíde, dos Condes de Atouguia, se retirou para a Vila de Aveiro, e encerrada com algumas poucas mulheres na casa de uma sua quinta, fazia vida tão virtuosa e edificativa, que logo buscaram a sua companhia outras senhoras, e passou brevemente a sua casa a Oratório e a Recolhimento e ultimamente ao religiosíssimo Mosteiro de Jesus de Aveiro da Ordem de São Domingos, sendo sua fundadora, primeira Vigária e Prioresa enquanto viveu, a Madre Brites Leitoa, a qual com a sua grande direcção, prudência e santidade deu tão bom princípio à vida religiosa naquele Convento em dia de Natal de 1464 que ainda conserva a mesma forma, e observância da sua primitiva e santa fundação; e este Reino o estima e venera como jardim singular, sempre florente…

Uma fresca noite de silêncio

Estou em Feirão.
Consigo dormir aqui uma noite.  Dou comigo a sentir uma noite fresca e cheia de silêncio.  17 graus de uma frescura natural, vinda do monte de Felgueiras, a descer sobre esta aldeia, também ela silenciosa.
Ouvem-se os grilos e, ao longe, um cão que ladra. Nada mais. Retenho as imagens do dia:  montes verdes e o feno já cortado molhos de espigas à espera de serem malhados os pastores que regressam ao povo com o seu gado, à mesma hora que eu, de uma missa. a água fresca da fonte seara que só de a ver me refresca o balir de um cabrito de dois dias que não encontra a mãe o sorriso de uma criança com quem brinco como se também eu fosse criança
o toque das Trindades que reza em mim Ave-Marias... Este é o Feirão possível neste meu verão: uma noite feita de frescura e de silêncio. Hoje eu sou Feirão.

E Jesus Cristo foi mendigo?

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Quando estive em Roma, ao ir ao Vaticano, encontrei à porta de um hospital esta imagem de Cristo-mendigo. Há várias, ao que parece, por Roma. Ela passa despercebida. Porque está a um canto e porque não é exuberante. Eu vi a imagem, tirei as duas fotos que aqui ficam e, entretanto, algumas pessoas, ao passar, também "descobriram" esta imagem.
Coloquei-a no fundo do écran do meu computador. Acaba de vir ao meu quarto um noviço que me perguntou que imagem era esta. E eu disse-lhe que era Jesus. E ele perguntou-me: E Jesus foi mendigo? Respondi o que me saiu: Jesus não foi mendigo mas cada mendigo é Jesus.

Anno histórico: Dom Frei Valério de São Raimundo

Dom Frei Valério de São Raimundo, natural da vila de Estremoz, religioso da Ordem dos Pregadores, mestre de Filosofia e Teologia, prior dos conventos de Évora e Lisboa, vigário do mosteiro do Sacramento, provincial da mesma Ordem, deputado da inquisição de Évora e do conselho Geral do Santo Ofício e Bispo de Elvas. Nesta dignidade se tratou em tudo como religioso, e governou louvavelmente aquela diocese, com muito zelo e vigilância. Foi grande esmoleiro e benfeitor de alguns conventos. Morreu neste dia, ano de 1690. (Anno Histórico, volume II, 28 de Julho, par. V, p. 423-424)

Destino da Imagem do Rei Salvador

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Em 1910, o Estado fez leilão da Imagem do Rei Salvador, sendo arrematada pelo ourives Cunha, estabelecido na Rua da Palma.
Mais tarde encontrava-se à veneração dos fiéis num dos altares da Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica.
Com o decorrer do tempo, a entrada de um novo pároco e pessoal mais moderno tornou-se ignorada a sua origem histórica e o seu valor religioso, pelo que foi retirada para uma dependência do templo.
Então, pedimos ao Cardeal Patriarca D. Manuel Gonçalves Cerejeira que se lhe desse um lugar condigno e Sua Eminência determinou que fosse entregue aos cuidados das Freiras Dominicanas do Colégio de São José do Ramalhão, em Sintra, que a receberam com imensa devoção e regozijo, colocando-a no altar da sua Capela. Nessa ocasião, era Superiora a Reverenda Madre Maria Teresa Catarina, O.P., no século D. Maria da Purificação de Almeida (Lavradio), descendente dos dez primeiros Padroeiros do Mosteiro do Salvador que rejubilou e nos disse que a entrega da Ven…

Padroado do Mosteiro do Salvador de Lisboa

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Inauguro hoje, neste blogue, uma nova etiqueta, a que dou o nome de "espólio". Não só meus, que ainda não entreguei a alma ao Criador, mas também. Nesta etiqueta vou começar a colocar aquilo que de curioso fui encontrando no espolio de irmãos, familiares e amigos, e também de papeis que fui guardando para ler ou conservar, que me pareceram ter algum interesse. Será uma etiqueta de partilha e de memórias, para que as memórias não se apaguem nem se reciclem deixar rasto. Hoje deixo aqui um documento "histórico", uma fotocópia de um registo feito pelo Conde dos Arcos, sobre o Padroado do Mosteiro do Salvador de Lisboa. O original encontra-se no arquivo da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena, no Ramalhão. O fr. José Maria Ribeiro, de feliz memória, tinha esta cópia porque admirava não só este mosteiro, bem como a imagem do Salvador, que entrará na próxima entrada.
Padroado do Mosteiro do Salvador de Lisboa
Origem

Em tempos remotos, na rampa que ve…

Anno histórico: Madre Isabel do Presépio

Neste dia, ano de 1505, morreu no Mosteiro do Salvador de Lisboa, da Ordem de São Domingos, a Madre Isabel do Presépio, a qual durante trinta anos não foi vista senão no coro, refeitório e em actos da comunidade. Mostrou o céu, que fora de grande merecimento este modo de vida, porque muitos anos depois da sua morte, abrindo-se a sua sepultura, se achou o corpo inteiro, os hábitos sãos, e saiu tal suavidade, que encheu e admirou todo o mosteiro. (Anno Histórico, volume II, 23 de Julho, par. II, p. 396)

Anno histórico: trasladação do Santo Cristo

No mesmo dia, ano de 1638, se trasladou com soleníssima procissão da igreja de São Domingos para a do Carmo de Lisboa, a milagrosa imagem do Santo Cristo, na representação de morto, a qual fora resgatada e trazida de terra de Mouros. É a sua capela um maravilhoso santuário, onde se esmerou a piedade, a grandeza dos fiéis, e as de todos acham pronto remédio e eficaz patrocínio nas maiores tribulações particulares e públicas.
(Anno Histórico, volume II, 18 de Julho, par. II, p. 376)

Anno histórico: Frei Bartolomeu dos Mártires

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Dom frei Bartolomeu dos Mártires, foi natural de Lisboa, religioso da Sagrada Ordem dos Pregadores e um dos mais excelentes Varões, que ela teve desde os seus primeiros fundamentos: foi insignemente Grande, assim na compreensão das ciências, como no exercício das virtudes. Apesar de extraordinárias diligências que fez, por não sair do sossego da sua cela o nomeou a Rainha D. Catarina (regente então do Reino), Arcebispo de Braga, e naquela excelsa dignidade deu tão ilustres provas de zelo, de vigilância, de beneficência e de amor, de caridade pastoral, que renovou os heróicos exemplos e nobilíssimas acções dos primitivos Padres da Igreja; contente com o preciso trato, e sustento para si e para um certo número de capelães e criados, tudo o mais das suas rendas era dos pobres. Visitou por vezes o Arcebispado, não para tosquiar as suas ovelhas mas para lhes dar o pasto espiritual da doutrina e também o material, remediando com grossas esmolas, aos que achava necessitados. Chegou a partes…

fr. José Maria Ribeiro, op (1939-2018)

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Partiu ontem, para junto de Deus, assim nos faz crer a fé, o frei José Maria Ribeiro, que nasceu em São João da Ribeira, no dia 21 de Novembro de 1939. Não foi fácil a sua infância e juventude. Nasceu anão, diferente das outras crianças, o que para uns causaria pena e a outros alguma graça. Mas, apesar da diferença nunca quis ser diferente. Fez tudo como os outros, como sempre recordava. Sei também que a sua catequista era também anã, porque a encontrei uma vez e falou-me dele e depois, ele de ela, com carinho. Como o frei José Maria tinha uma grande memória e muitas memórias, vou tentar aqui deixar algumas, contadas por ele, e outras que nós lembramos. [Quando há uns anos morreu uma senhora muito ligada a nós, dominicanos, e eu contei algumas histórias, ele pediu para eu as por por escrito para não entrarem no esquecimento. Não o fiz, mas hoje faço-o para que não se perca uma vida tão simples, humilde e dominicana.] Ainda criança veio a Lisboa com o pai. Dizia que o primeiro sítio o…

Pinheiros de Roma

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Quando fazemos o trajecto entre o aeroporto de Fiumicino e o centro de Roma, para além das paisagens e igrejas há também uma espécie de pinheiros que, ou é de serem italianos, ou de eu achar que a galinha da vizinha é melhor que a minha, que são diferentes , para mim, muito bonitos. Parecem cogumelos gigantes em tom de verde. Esguios, com uma copa muito certinha (vista de longe), um tudo ou nada semelhantes às árvores dos montes alentejanos, mas com a diferença dos seis ou sete metros de altura. Estes pinheiros são mesmo grandes. Mesmo ao longe. Mas bonitos. E hoje cheirosos. Cheguei ao convento de Roma 10 minutos antes de uma senhora trovoada - as trovoadas de Roma são de fugir! - chovia pouco mas cheirava a pinheiro molhado. E como é bom o cheiro do pinheiro molhado. Em Roma estão um pouco por toda a parte estes pinheiros. Vemo-los em Trastevere, nas colinas da estação de Ostiense, na subida de Santo Anselmo, nos Foros imperiais... excepção feita ao circo máximo, que aí imperam os …

Anno Histórico: frei João de São Tomás

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O Doutíssimo Padre Frei João de São Tomás, foi natural de Lisboa, baptizado na freguesia de Nossa Senhora dos Mártires. Passou a Castela com os seus pais, que eram da obrigação do Cardeal Alberto, e em Madrid recebeu o hábito da sagrada Religião dos pregadores, e nela foi um novo sol da escola tomista, como testificarão as suas obras, impressas em doze grandes volumes, que são outros tantos pregões das suas grandes letras. Por elas e por suas esclarecidas virtudes, o nomeou Filipe IV para seu confessor, sendo ele português, em tempo em que ardiam as guerras entre Castela e Portugal; mas sobre esses escrúpulos ou receios que podia afectar a política, prevaleceu a grande reputação em que era tido; aceitou aquela ocupação constrangido por obediência de seus prelados, e não viveu no exercício dela mais de um ano: faleceu santamente neste dia, ano 1644.
(Anno Histórico, volume II, 17 de Junho, par. III, p. 222-223)

Anno Histórico: Introdução

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Volto ao Anno Histórico, editado em Lisboa 1744. O título oficial é Anno histórico, diário portuguêz, notícia abreviada, de pessoas grandes e cousas notáveis de Portugal. O seu autor é o Padre Mestre Francisco de Santa Maria, da Congregação de São João Evangelista.
São três volumes, muito patrióticos, onde se fala de santos e veneráveis, ilustres da monarquia e da Igreja, fogos e tremores de terra, fenómenos normais e menos normais. E curiosidades também, quase sempre no último lugar, como a que termina o dia 21 de Agosto, que assinala: "No mesmo dia, em sexta-feira, pelas oito horas da manhã, ano de 1736, faleceu na cidade de Lisboa, em casa do Marquês de Abrantes, com perfeito conhecimento e muita conformidade cristã, e com mais de cento e doze anos de idade, Maria da Silva, natural da cidade de Tanger, que serviu mais de um século a casa do mesmo Marquês, desde o tempo de seus terceiros avós, vivendo sempre donzela e com muitas virtudes morais". Pelos vistos era um feito …

O Santo noviço

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Tenho na minha mesinha de cabeceira um livro espanhol, publicado em 1921, sobre a vida de santos, beatos e veneráveis da Ordem Dominicana. Livro antigo, com vidas e histórias ainda mais antigas, como a que aqui vou contar, sobre um santo noviço. A história parece ter sido verídica, medindo a distância entre o verídico do século XIV com o verídico do nosso tempo. Esta história do santo noviço tem, pelo menos, duas réplicas: uma em Itália e outra em Santarém, Portugal, e o noviço tem nome e tudo: Beato Bernardo de Morlaas. Mas vamos primeiro à mais documentada e depois um breve apontamento à versão portuguesa.
No século XIV, em Maiorca, há uma grande peste que dizima famílias de sangue e religiosas. Uma criança, que não teria mais de sete anos, vai viver para o convento dos Padres Dominicanos e aí cresce na fé e na virtude. Ganha especial devoção por uma grande imagem de Nossa Senhora que tinha o Menino Jesus nos braços e aí passava muitas vezes e muito tempo contemplando a Virgem Maria…

Contextos Dominicanos

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Os Dominicanos devem a sua existência a São Domingos de Gusmão, nascido provavelmente em 1174, em Caleruega, Espanha, e morreu em 1221, Em Bolonha, Itália. A sua cronologia é relativamente curta, quer por falta de informação quer porque como escreveu um Dominicano, não sabendo se para se justificar ou para confirmar o que muitos confirmamos: Os dominicanos preocuparam-se sempre mais em fazer as coisas que em narrá-las. Assim foi com São Domingos. Não temos autobiografias e os relatos mais antigos só são escritos dez anos depois, já com vista à canonização do Santo Fundador. Mas a história tem a curiosidade como ingrediente principal e consegue-se cruzar vidas e acontecimentos. É o caso de um Bispo de Osma, onde São Domingos foi cónego, que nuns inícios da nossa história era só um bispo que gostava de São Domingos, que o chamou para Osma e que o requisitou para uma viagem à Dinamarca, onde então se deram conta da heresia. Com a investigação histórica mais recente sobre a Ordem, figura…

Welcome home!

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Vinda do nosso antigo convento, no Corpo Santo, e tendo ido a restaurar, regressa hoje a casa São Domingos, limpinho e formoso!
Aproveito para deixar aqui a descrição física de São Domingos, que uma monja sua contemporânea fez dele: "O aspecto exterior do bem-aventurado Domingos era o seguinte: estatura média, corpo franzino, belo rosto um tanto avermelhado, cabelo e barba ruivos, lindos olhos. Da sua fronte e entre as sobrancelhas irradiava um certo esplendor, que atraía a todos ao seu respeito e simpatia. Andava sempre risonho e alegre, a não ser quando se enchia de compaixão por qualquer aflição do próximo. Possuía umas mãos compridas e lindas. Era dotado de uma forte, bela e sonora voz. Nunca foi calvo, mas usava uma rasura íntegra, formando uma espécie de coroa com os cabelos, entre os quais apareciam algumas cãs."
Esta imagem não é uma réplica do relato mas uma interpretação barroca, feliz.
Bem-vindo a casa, Pie Pater!

São FIlipe de Neri

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Celebra hoje a Igreja o dia de São Filipe de Neri.
Quando entrei na Ordem e me perguntaram qual seria o meu santo onomástico - o normal seria que fosse São José, como já havia muitos Josés na província e quase ninguém me conhece por José - escolhi São Filipe. Mas, com a ressalva minha - de pouca lucidez e mania de grandezas - que seria o Apóstolo e não o outro (este de Neri). Com os anos a lucidez foi aumentando e a mania das grandezas decrescendo, e descobri a alegria, simplicidade e amor aos mais pobres, sobretudo com as crianças, de São Filipe de Neri. E adoptei-o também como santo protector.
Em 2010, quando estive em Roma no Capítulo Geral, tive a oportunidade de ver o filme da sua vida e visitar a igreja onde está sepultado. Conquistou-me!
De modo, que neste dia, peço a Deus que me dê a alegria e a generosidade deste santo que admiro e venero. E que São Filipe de Neri me desculpe o descuido que lhe dei e que não merecia.
Deixo, como memória, uma parte do filme em que São Filipe …

Uma vida peregrina

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Há vários anos e várias vezes por ano que acompanho peregrinos que vão a é a Fátima.
Faço-o por ministério mas também por solidariedade.
Tantas vidas e tantos problemas como os passos que se dão, a vida torna-se peregrina, também ela, com encruzilhadas e rotundas, estradas planas e outras rotas mais distantes.
A grande parte dos que peregrinam a pé chegam agora, cansados, com dores e bolhas.
Mas alegres porque chegaram e cumpriram o que prometeram.
Há pessoas que dizem, e com razão, que dizem que Deus não quer estes sofrimentos.
Eu não questiono. Tento dar força e sentido aos quilómetros que se percorrem.
Uma das poucas vezes que falei com uma senhora que ia a pé sobre esta questão e lhe disse que Deus não queria estes sofrimentos ela respondeu-me: Eu sei que Deus não me pediu isto; mas eu quero oferecer-lhe. É pecado? Aprendi com a resposta. Orgulho-me de quem vai a pé. Agora, nas idas e vindas, apito e estendo o braço. É o meu pequeno alento para que sintam a solidariedade na fé e na oraç…

Dia de todas as mães

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Mudando de data em data, o dia da mãe fixou-se no primeiro domingo de Maio. Talvez por causa das flores de Maio, de ser o mês de Maria... como se fosse preciso justificação para celebrar o dia daquelas que nos deram à luz, que nos criaram e cuidaram, que ocupam os nossos dias e a nossa vida, porque as mães nunca saem da nossa vida, por muito que a distância teime em separar... Não há nada mais forte e profundo que a ternura de uma mãe. Da nossa mãe. De formas várias, mais ou menos dadas, mais ou menos percebidas, as mães são os nossos troncos, para podermos sobreviver. Hoje é o dia da minha mãe. Igual a todas as outras e tão diferente de todas as outras. É a minha mãe. Gosto que os noviços oiçam a canção de Isabel Silvestre sobre as mães. E hoje deixo-a aqui, como homenagem à minha e a todas as mães: obrigado, Mãe, obrigado mães, por terem gasto a vossa vida em função da nossa vida.

A pequena Helena

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Dois dias fora de Luanda para visitar o novo projecto dos dominicanos no Huambo. Como os dias são poucos e grandes as distâncias (de carro, entre Luanda ao Huambo, 12 horas!) tive que ir de avião (1 hora). Do aeroporto directamente ao mosteiro das minhas queridas irmãs monjas, no Kuito, antigo Porto Amélia. Uma calorosa recepção, uma vez que tinham passado já dois anos desde a primeira e única visita. Lá fiquei todo o dia de segunda-feira, onde tive dois encontros com as irmãs, um ligado aos critérios de admissão das vocações e outro sobre os 800 anos da fundação do primeiro convento em Portugal. Celebrámos Missa, onde falei às irmãs da força do Espírito Santo que ultrapassa os nossos limites e as nossas previsões, da importância de afinar o nosso ouvido à voz do Bom Pastor, e um pedido de oração pela nossa Ordem. Ontem, depois da Missa e do pequeno almoço, as irmãs convidaram-me a entrar na quinta do mosteiro. Um verdadeiro milagre! O que semeiam e plantam, o que colhem... Deram-me …

Chuva e calor

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Em Angola é tempo de chuva e calor. As chuvas são um transtorno para o trânsito e para as pessoas. O calor um incómodo que cansa e mói.
Terminada a primeira parte do meu programa, o dia de hoje foi dedicado à formação dos freis e irmãs estudantes de Luanda. Formação litúrgica com tempo e espaço para ensaio de cânticos e esclarecimento de rúbricas. Éramos cerca de 45 pessoas da Família Dominicana, e fomos para o Quilometro 12, onde os nossos frades têm uma comunidade e o Mosaiko, e onde as irmãs dominicanas do Rosário têm um centro de formação. Foi lá, num pátio, que aconteceu este encontro de formação. Impressiona-me e comove-me a maneira como sou tratado. A delicadeza de me terem preparado um quarto para eu poder descansar (que não usei), a delicadeza de me levarem a ir visitar a Escolinha da Paz, um projecto educacional e de saúde, da responsabilidade das nossas irmãs dominicanas de Santa Catarina de Sena, a delicadeza de me prepararem água fresca (depois de fervida, claro) para ate…

Angola, segunda vez

Escrito durante o voo e publicado no recente convento de São Tomás de Luanda, aqui venho escrever estas linhas para dizer que vim a Angola. O voo, atrasado duas horas, foi tranquilo e bem passado. Trouxe apenas três livros para ler durante estes dias, e muito bom seria que, pelo menos, dois fossem lidos para Lisboa. Durante a viagem atirei-me à nova exortação apostólica do Papa Francisco sobre a santidade. Não a consegui ler toda mas dei um grande avanço. O que é que eu acho? Para além da frescura do texto, uma grande, profunda e realista humanização da santidade. Como ser santo, hoje, a partir do Evangelho e da nossa vida. Curiosidade nesta exortação está em que o Papa fala constantemente ou na segunda pessoa do singular, ou na segunda pessoa do plural. Estratégia ou não, faz-nos envolver, senti-lo envolvido e perceber que é mesmo para nós, pecadores, o recado da santidade. Vale a pena ler. E vale a pena ouvir Rodrigo Leão no seu álbum "o retiro". Foi a música que me acomp…

De geração em geração

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Partilhar o que se sabe é o que se vive é umas das experiências humanas mais bonitas. Desde o partilhar um brinquedo ou uma brincadeira quando somos crianças, até à partilha de saberes e preocupações, mais ou menos existenciais.Como já escrevi, estou em Sevilha num encontro de promotores vocacionais. E uma coisa que se tem falado muito é dos vários tipos de gerações que vão aparecendo. Eu não sabia que pertencia à geração X... (melhor assim porque sempre rejeitei pertencer à mal afamada e injustiçada primeira "geração rasca") e que a actual geração, depois termos já esgotado o alfabeto, estamos na geração alfa (nascidos depois de 2010). Cada uma com as suas características, nem melhores nem piores que as outras, com as suas forças e as suas debilidades. Em relação às vocações, a Igreja terá de entender quem nos procura. E mais do que uma consagração ou até de um sentido para a vida, as últimas gerações procuram felicidade. E aqui há uma outra inflexão na concepção de promoção …

Volver a Sevilla

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Estou no aeroporto quando já devia estar no ar, a caminho de Sevilha. Mas o avião atrasou-se um bocadinho (2 horas!) e só agora avisaram. Mas sim, vou a Sevilha, à minha amada Sevilha, onde há vinte anos atrás fiz o meu noviciado. Desta vez vou participar num encontro de formadores europeus, integrado num outro encontro, também em Sevilha, de provinciais europeus. Vou sobretudo para ouvir e aprender mas pediram-me também uma pequena apresentação sobre a visão portuguesa do problema das vocações e acompanhamento de irmãos em formação. Ou seja, como é que em Portugal se faz este discernimento e acompanhamento. Se tiver tempo virei aqui escrever o que disse e o que penso sobre o assunto, mas para já três atitudes que vou pedir a quem me ouvir e que considero essenciais no discernimento e acompanhamento de vocações: paciência, presença e estudo. Portugal está na moda e até na Ordem. Vamos lá ver se marco golo, mesmo sem ser de bicicleta. Nos vemos!

Páscoa 2018

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Conheci, nos dominicanos, uma bonita invocação de Cristo Ressuscitado: o Alecrim que perfuma a vida. Foi fr. José Augusto Mourão quem colocou esta invocação num dos cânticos que adaptou. Foi esta invocação que pedi ao pintor António Saiote que a pusesse numa pintura, há uns anos atrás. Infelizmente não a tenho em suporte digital mas coloquei o quadro no corredor dos quartos do noviciado, onde vivem os noviços e eu. Mas não é difícil imaginar Cristo Ressuscitado num campo alentejano entre alfazemas e alecrins perfumados. Para dizer que nesta Páscoa ele é o perfume e a cor das nossas vidas. E é isto que desejo a quem por aqui passar nestes dias: que Cristo Ressuscitado, Alecrim que perfuma a vida, alegre e perfume as nossas palavras e acções, para que elas sejam ressuscitadoras. Boa Páscoa!

Oração para o fim da Quaresma

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Senhor, neste último dia da Quaresma
quero oferecer-te os meus passos da Quaresma.
Quarenta dias de desertos e oásis.
Quarenta dias de areias e pedras,
ventos frios e dias quentes,
rotas de coragem e trilhos de desânimo.
Quarenta dias vividos em ti e por ti.

Como qualquer caminho que se trilha
faltou mais tempo para para te escutar
faltou mais tempo para pensar nos outros
faltou mais tempo para entrar em mim.
Mas foi caminho, vivido na fé e na esperança.

Aqui estou hoje, Senhor, diante da tua cruz
para te entregar os parcos frutos da Quaresma.
Aceita, Senhor, o que de melhor tenho para te dar:
os momentos de oração e os momentos de silêncio,
os dias de entrega e os dias de serviço aos mais pobres,
os dias de escuta e os dias de partilha.
Tudo te entrego, Senhor, diante da tua cruz
e perdoa porque poderia ter feito mais.

Dá-me, Senhor, para estes dias
a graça de viver com fé a tua Paixão
e com alegria a tua Ressurreição.
Amen.

Tríduo Pascal no Convento de São Domingos

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Quinta-feira Santa
Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, inauguramos o sagrado Tríduo da Páscoa. Esta antiga denominação do Tríduo Pascal, faz referência aos dias de sexta-feira, sábado e domingo de Páscoa. Portanto, esta missa já faz parte do dia de sexta-feira santa, daí o nome de Missa vespertina. Celebramos a última ceia de Jesus com os seus discípulos. Lembramos em primeiro lugar o seu contexto – a Páscoa judaica – para depois lhe darmos o sentido que o próprio Senhor lhe deu: sacramento da sua morte através do corpo entregue e do sangue derramado. Celebração da Ceia do Senhor às 19 horas.
Sexta-feira Santa
A celebração de sexta-feira santa é das mais antigas da Liturgia romana. De uma grande sobriedade e beleza, reunimo-nos em Igreja para celebrarmos a Morte do nosso Salvador e acolher a salvação que nos vem do mistério da Cruz. A celebração desenvolve-se em três grandes partes. Na primeira parte, a liturgia da Palavra, escutamos três grandes leituras: a profecia de Isaías sob…

Trazendo ramos de oliveiras

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Regressei esta tarde de Lamego. Pelo caminho, e à chegada, vi em vários momentos, pessoas trazendo com elas ramos de oliveiras, que iam ou vinham da missa dos Ramos. E achei bonito este ser ainda um rito cristão, popularmente enraizado no nosso Portugal. Os ramos simbolizam a nossa fé e o nosso testemunho. E também a nossa ligação a Cristo. Os ramos que hoje ou amanhã apresentarmos na missa, depressa secarão, porque não estão ligados à árvore. Assim também a nossa vida e a nossa fé, se não estiver enraizada em Cristo, que a alimenta e fortalece. Bom domingo.

Porque Deus ama

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As leituras deste quarto domingo da Quaresma incidem sobre a presença e o amor de Deus nas nossas vidas. Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o seu Filho Unigénito. Deus ama tanto, Deus só pode amor porque é amor, ternura e misericórdia. Por isso, se existe mal, não vem de Deus, se nos sentimos castigados, não vem de Deus o castigo, se nos sentimos órfãos, a solidão não vem de Deus.  Deus só ama. Está nas nossas vidas porque nos ama, enviou o seu filho, porque nos ama. Resumindo: a nossa história com Deus é uma história de amor, porque Deus ama. Bom domingo!

Pôr ordem em casa

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Neste domingo da Quaresma o Evangelho leva-nos a Jerusalém, ao Templo, onde, devorado pelo zelo da casa do Pai, expulsa os cambistas e derruba as mesas de comércio.
A relação de Jesus com o Templo é muito especial. Jesus não era sacerdote nem filho de sacerdote, como por exemplo João baptista que era filho de Zacarias, sacerdote. Jesus não é sacerdote, nem pertence sequer ao grupo clerical judaico. Mas é Filho de Deus. Quando ele, com 12 anos, sobe a Jerusalém e fica no templo, Maria, quando o encontra, pede-lhe explicações. E a explicação é simples para Jesus: porque me procuráveis? Não sabiam que só podia estar na casa de meu Pai? Anos depois, ao entrar no Templo revolta-se com o que estão a fazer do Templo, a casa do seu Pai... Pode-nos parecer estranho Jesus ter esta atitude violenta, mas mais estranho era ele não reagir. Para mim este episódio diz-me duas coisas: que ninguém se pode aproveitar de Deus nem da Igreja para fazer negócio ou lucrar com isso. Com pena, na Igreja de Cr…

Transfigurações

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Avançando para a Páscoa, o segundo domingo da Quaresma faz-nos subir ao Monte Tabor para contemplar o Transfigurado. Jesus, a caminho de Jerusalém, avisa os discípulos que vai sofrer e que quem o quiser seguir tem que pegar também na cruz. Pedro tenta demover Jesus da subida a Jerusalém, mas não consegue. E é a caminho de Jerusalém que Jesus pega em Pedro, Tiago e João e se transfigura diante deles. Transfigurar. O dicionário é claro: mudar de figura. Frederico Lourenço, que traduziu do grego os Evangelhos, especifica numa nota que a tradução exacta é metamorfose. Quer uma quer outra dizem, no fundo, o mesmo: mudou de aspecto, envolvendo-se de uma luz alvíssima que impressiona os discípulos. Em Jesus, transfiguração significa antecipação da Páscoa. Explica-nos que a morte é uma "metamorfose" necessária para nos fazer viver na luz de Deus. Que ele, à semelhança de Moisés e Elias não vai ser arrebatado ao céu, nem ter uma morte tranquila, mas sim uma morte de sofrimento, na C…

Tentações

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O primeiro domingo da Quaresma leva-nos sempre ao Evangelho das tentações. Para dizer que também Jesus foi tentado, mas que também soube vencer a tentação. Com as tentações não se brinca porque podem ser mais fortes do que nós. Aquela subtileza de nos querer levar por caminhos que não quereríamos ir, aquela propensão para fazermos uma coisa que sabemos que não a devemos fazer, aquela intenção errada e vã que temos consciência de que não nos torna felizes. Com as tentações só se pode lutar para vencer. Com a nossa vontade firme e com a força de Deus. Não nos deixeis cair na tentação, dizemos nós no pai-nosso. O Deus que nos criou conhece a nossa tendência para ouvirmos e seguirmos outras vozes e intenções tentadoras. Onde nos refugiaremos? Na sua Palavra. Bom domingo.

As exigências da Quaresma

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Começámos ontem a Quaresma. O tempo é difícil de tão fácil que é. Difícil porque só nos pede que sejamos simples e autênticos.
Olharmos para a nossa vida, e tentarmos não cair coisas em que tantas vezes nos reconhecemos pecadores: ser simples e autêntico nos pensamentos, nas palavras, nos actos, e ganharmos coragem para não continuarmos nas omissões. A Quaresma pede pouco: atenção, disponibilidade e atitude. A deixarmos a mesmice, as rotinas que nos anulam, a darmos tempo a Deus e aos outros mas, sobretudo, a nós.
A Quaresma dá-nos muito. Dá-nos sentimentos fraternos e de acolhimento, dá-nos misericórdia e perdão, dá-nos um caminho que nos conduz à luz que dissipa as nossas trevas.
A Quaresma é simplesmente isto: quarenta dias para ser feliz em Deus.

A porta e a chave

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No passado dia 2 de Fevereiro celebrou-se o dia do Consagrado. O Papa Francisco celebrou a Missa no Vaticano com os consagrados que lá se reuniram. Uma homilia curta, com alguns recados que pode ler aqui. Tocou-me uma frase em que o Papa dizia que, na vida consagrada, os jovens abrem as portas mas os mais velhos é que têm as chaves. E, no decorrer dos anos, vamos (vou-me) apercebendo da verdade que isso é. Pela minha parte, e ao mesmo tempo, comecei a ler as Meditações, de Marco Aurélio, um clássico da literatura romana (o título que ele deu ao livro foi "para mim mesmo". No primeiro livro (são 12), ele começa por "meditar" dizendo o que deve aos seus antecessores: avô, pai, mãe, bisavô, tutor, filósofos... dando a impressão que a sua personalidade não se construiu em teorias mas sim nas vidas que o rodearam. Aparecem valores como a rectidão, a piedade e a generosidade, a simplicidade de vida... coisas que verdadeiramente constroem. Como se sabe da vida de Marco A…

Esse homem és tu!

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Na Missa diária temos vindo a ler na primeira leitura passagens do Antigo Testamento, em especial nesta semana o ciclo de David. Ontem escutámos a paixão assolapada do rei David por uma mulher casada, Betsabé. Queria envolver-se com ela, mas sendo casada havia um pequeno empecilho, o marido Urias. Mas há gente que acha que os meios justificam os fins. Lá conseguiu deitar-se com Betsabé, que engravidou, o marido veio a saber e David, para o despachar, como Urias era soldado, coclocou-o na frente da batalha, com a indicação de que não o socorressem se ele fosse ferido porque ele queria que Urias morresse. Alguns poderão pensar: como é que a Bíblia relata uma coisa destas? Pois é, é a história humana. Nós, humanos, somos às vezes como o rei David: fazemos tudo o que está ao nosso alcance para chegarmos aos nossos objectivos, nobres ou nem por isso. Mas a história não acaba aqui e hoje escutámos a segunda parte: Deus manda o profeta Natã ir ter com David para lhe pedir contas da asneira …

Os presentes decifrados

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Chegámos à segunda festa mais importante do Natal: a Epifania do Senhor. O episódio relatado na Missa deste Domingo é o da saga dos Magos do Oriente que seguem uma estrela, que se perdem e que se voltam a encontrar com ela e que os leva à casa onde estava o Menino. A realidade terá sido bem mais simples que o nosso imaginário mas não deixam de ser enigmáticos os três tipos de presentes que oferecem ao Menino: Ouro, Incenso e Mirra. A tradição cristã interpretou desde cedo o que eles significavam a nível teológico: o ouro, que Jesus era Rei; o incenso, que Jesus era Deus; a mirra, que Jesus era Homem. Tive a oportunidade de, antes do Natal, ir ouvir a Oratória de Natal de Bach. A última é a da Epifania. E, uma área, interpretou igualmente os três presentes: o ouro que simboliza a fé, o incenso que significa a oração, e a mirra que significa a paciência. Mas a mesma ária pedia a Jesus que ele também nos desse esses mesmos presentes; a fé, a oração e a paciência, para sermos mais ricos …