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A mostrar mensagens de 2019

Twitter

Sei pouco de informática mas creio que o Twitter nasceu depois dos blogues e surgiu, segundo creio, para que se pudessem partilhar fortes emoções em poucas palavras. Saramago era contra os 140 caracteres da nova rede social, dando a entender que era degradante descer do texto ao monossílabo, podendo até  terminar no grunhido. Há anos criei também eu o Twitter, para poder escrever poucas coisas em poucas palavras, não com medo da decadência nem de chegar ao grunhido. Há uns meses apareceu um pedido de actualização do Twitter que me fez reactivá-lo. E por lá tenho andado, que tempo me vai faltando, e essa sim é a grande decadência do ser humano, não ter tempo para parar e escrever mais que 140 caracteres. Se quiserem passar por lá, que agora por lá ando, é só procurar @freifilipeop.

Giesta brava que perfumas a vida

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Hoje foi quinta feira, chamada da espiga. Foram uns vendedores, talvez pouco cristãos - quem sou eu para avaliar - que mo disseram quando passei por eles manhã cedo e me perguntaram se eu não queria um raminho da espiga. E fiquei contente de ver ainda os ramos da espiga com malmequeres e papoilas, as flores bravas, simples mas bonitas, que há dois mil anos aos discípulos e hoje a mim, me recordaram a alegria da Ascenção. Sim, há quarenta dias celebrámos a Páscoa e, de acordo com os evangelhos, quarenta dias depois da ressurreição Jesus subiu aos céus. Nos cânticos dominicanos deste tempo pascal, inspirados na extraordinária musicalidade do dominicano André Gouzes, muitos deles traduzidos e adaptados pelo nosso frei José Augusto Mourão, usam-se também imagens da natureza livre para falar de Cristo e dos seus mistérios: umas vezes louvamo-lo como "alecrim que perfuma a vida" ou ainda como "giesta brava que perfuma a vida". E passei o dia a pensar na alegria-triste d…

O milagre de Maio

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O Maio despontou cheio de força e calor. O milagre vai acontecendo com as flores que se abrem e os frutos que gestam. Tenho a alegria de ver crescer as folhas das figueiras com as promessas de frutos doces e agradáveis, tenho a alegria de sentir as fragâncias das flores da laranjeira e do limoeiro, tenho a felicidade de ver a mutação das flores das cerdeiras em pequenas promessas de carnudos frutos. Tenho saudades das minhas giestas em flor, que imagino estarem agora exuberantes nos montes e vales da serra de Montemuro e dos meus silvados, também eles floridos, que me prometem doces amoras no Verão. E as maias que, irreverentes, crescem nestes ainda descampados do Alto dos moinhos. É a Páscoa da Natureza que se une à Páscoa da vida e à Páscoa de Jesus. Toda a criação canta o mesmo hino nos seus próprios sentidos e tons: Tudo o que vive e respira louve o Senhor.

Seja eu como tu, meu Jesus

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Senhor, saiba eu neste dia acompanhar-te no calvário de tantos irmãos e irmãs que sofrem tantas dores e abandonos.
Seja eu como aquela Maria que te lavou os pés com as suas lágrimas e os perfumou com um caro perfume, quando deixo que o perfume das minhas acções exale na vida dos outros.
Seja eu como aquele Simão, de Sirene, que te ajudou a levar a cruz, quando penso menos nas minhas fadigas e cansaços e amparo os que a cruz quer levar ao chão.
Seja eu como aquelas mulheres de Jerusalém, ao chorarem por ti, quando também eu choro as dores e sofrimentos dos mais pobres. Seja eu como José de Arimateia, que te sepultou no seu sepulcro, quando saio do meu egoísmo e partilho com os outros o que tenho e o que sou. Seja eu como tu, meu Jesus, que deste a vida por mim, quando eu perceber que é dando que se recebe, que quando sou humilde me exaltas e quando morro para mim tu me ressuscitas. Sei, Senhor, que estarás em agonia até ao fim do mundo, por isso te peço: até ao fim da minha vida seja eu …

Acompanhar Jesus

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"Senhor, nosso Soberano, / cuja glória reina em toda a terra! / Mostra-nos pela tua Paixão, / que Tu, o verdadeiro Filho de Deus, / por todos os tempos, / mesmo nos tempos de maior humilhação, / sempre foste glorificado!" Foi assim que  J. S. Bach quis começar a sua Paixão segundo São João. Numa oração dirigida a Jesus, reconhece que tudo o que se vai ouvir não é uma história trágica mas sim glória de Deus manifestada no amor da Cruz, toda ela glória e luz.
E assim começa esta semana da Paixão, em que somos convidados a ouvir e a viver a morte de Cristo, que passa pela Cruz mas que termina na Luz da Páscoa. A melhor Páscoa será se entrarmos com Jesus em Jerusalém, se nos sentarmos à mesa com ele na Última Ceia, se permanecermos junto à Cruz, se em silêncio também nós respeitarmos o sábado do túmulo e se no dia de Páscoa renascermos do lado aberto que ele nos mostra como sinais do Ressuacitado.

Ser paciente - Jean Vannier

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Nós não somos senhores da nossa sensibilidade, das nossas atracções, das nossas repulsas, que vêm dessas profundezas do nosso ser que controlamos mais ou menos bem. Tudo o que podemos fazer é esforçarmo-nos para não seguir essas tendências, que fazem barreiras nas relações com os outros. Temos que esperar que o Espírito Santo nos venha perdoar, purificar, podar os ramos tortos do nosso ser. A nossa sensibilidade foi constituída de mil medos e egoísmos desde a nossa infância; como também é constituída pelos gestos de amor e pelo dom de Deus. É uma mistura de trevas e de luz. E não é num dia que esta sensibilidade será endireitada. É esforço que exigirá mil purificações e perdões, força de vontade diária e, sobretudo, a graça do Espírito Santo renovando-nos por dentro. Transformar pouco a pouco a nossa sensibilidade, para poder começar a amar realmente o inimigo, é um trabalho exigente. Temos que ser pacientes com a nossa sensibilidade e os nossos medos, temos que ser misericordiosos c…

Deserto - Carlo Maria Martini

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Ser Igreja no deserto significa antes de tudo que a Igreja procura o deserto e dele se nutre. Se tivéssemos tempo de explorar estes valores, descobriríamos numerosas grutas de eremitas e numerosas habitações de monges que ao longo dos séculos aqui viveram. De toda a cristandade vieram milhares e milhares de pessoas para o deserto para se nutrirem de Deus e nutrirem a sua Igreja.
E ainda hoje a vida monástica continua neste deserto, no do Sinai, nos desertos do Egipto e nas regiões do monte Athos; cada um destes mosteiros decide retomar a experiência da Igreja no deserto. Também cada um de nós é convidado a nutrir-se de momentos de deserto na própria vida.
Ser Igreja no deserto significa além disto preocupar-se com aqueles que, no deserto da nossa sociedade, estão abandonados na borda dos caminhos, como pobres, marginalizados, excluídos, doentes, esquecidos.
Estar no deserto significa aperceber-se que aos lados da estrada existe quem esteja mais desesperado e mais só do que nós, isto é, …

O pai, São José

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Ainda não se descobriu em profundidade a espiritualidade de São José. Há uns anos Leonardo Boff escreveu um livro bem interessante sobre São José. E, depois disso, continua a escrever sobre o que descobriu e sobre o que escreveu.
Hoje deixo só esta imagem de São José, quadro de uma igreja do Canadá. Se repararem na cara de Deus e de São José é a mesma e até no pormenor da barba...
Leonardo Boff fez, no Brasil, uma segunda edição do livro. Na primeira o título foi menos convidativo: São José e a personificação do Pai. Esta nova edição tem um título mais adequado à realidade: São José, o pai de Jesus numa sociedade sem pai. Actual, real e profundo.

Deus não pode deixar de amar!

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"Deus não pode deixar de amar! Esta é a nossa segurança. Eu posso recusar esse amor, posso recusá-lo como o recusou o bom ladrão, até ao fim da sua vida. Mas aí esperava-o esse amor. O mais malvado, o maior blasfemo, é amado por Deus com uma ternura de pai, de papá. E, como diz Paulo, como diz o Evangelho, como diz Jesus: "Como uma galinha com os seus pintainhos».
E Deus, o Poderoso, o Criador, pode fazer tudo: Deus chora! Neste pranto de Jesus sobre Jerusalém, nestas lágrimas, está todo o amor de Deus. Deus chora por mim, quando eu me afasto; Deus chora por cada um de nós; Deus chora por aqueles malvados, que fazem tantas coisas horríveis, tanto mal à humanidade... Espera, não condena, chora. Porquê? Porque ama.
"
(Homilia do Papa Francisco, 29 de Outubro de 2015)

Vem procurar-nos, Deus

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Deus que escutas o mundo
e o barulho dos nossos corpos contra o molhe
vem procurar-nos ao fundo da nossa noite
lá onde os fantasmas nos devoram
e as belas palavras nos desmultiplicam.

Vem procurar-nos
ao fundo da nossa profissão de descontentamento
e de exportadores de Deus.
Não nos entregues aos nossos próprios discursos;
dá-nos antes um corpo de escuta e de desejo
para que te reconheçamos ao largo das nossas vidas.

Livra-nos, Senhor,
do medo de sermos encontrados diante de ti
como uma chaga aberta ou fonte
e concede-nos que te digamos
toda a água e todo o sal da nossa vida
hoje e em todo o tempo que há-de vir.
(fr. José Augusto Mourão - inédito)

O pó que nós somos

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Senhor,
começa hoje mais uma Quaresma.
Tempo para me converter e, com o passar dos dias,
tempo de pensar também no pó que sou,
não mais que cinzas espargidas ao vento.
Aceita estes quarenta dias,
para que sejam oferenda agradável.
Concede-me um espírito de oração,
para que possa estar mais em ti
e tu em mim.
Concede-me a força do jejum
da comida, do conforto, do excesso,
para que possa dar valor e tempo
ao que é verdadeiramente importante.
Concede-me a alegria da esmola,
uma partilha sincera e discreta,
de bens e de tempo,
para que possa ser presença
de um Deus-amor e misericórdia.
Dá-me, Senhor o perfume da discrição,
o quarto do recolhimento,
a mão direita da caridade não-revelada.
Concede-me, Senhor,
o teu amor, a tua alegria e a tua paz.
Amen.

Anno Histórico: Fr. João de Portugal

Dom Frei João de Portugal, filho dos segundos Condes do Vimioso, Dom Afonso de Portugal e Dona Luiza de Gusmão. Sobre cinquenta anos de perfeitíssimo Religioso na Sagrada Ordem de São Domingos, foi promovido à Mitra de Viseu, onde prosseguiu com ilustre fama de perfeitíssimo Prelado. Foi igualmente Santo e Douto, e como tal, compôs quatro tomos: Da graça criada, e incriada; e outro que intitulou: Casamento Cristão; outro de Louvores de nossa Senhora e outros tratados, que se conservam impressos e manuscritos. Faleceu em longa e venerável velhice, neste dia, ano de 1620. (Anno Histórico, vol. I, par. 2, p. 346)

Francisco, o pastorinho de Fátima

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Hoje, em Portugal, celebra-se a memória dos dois pastorinhos de Fátima, Francisco e Jacinta Marto, canonizados em 2017 pelo Papa Francisco. Tenho uma especial devoção pelo Francisco. Calado, contemplativo, inimigo de contendas e de desafios. Simples, humilde e sereno, é o que vejo na sua vida. Mas, sobretudo, contemplativo. É impressionante a experiência de Deus que ele faz. Diz ele assim: "Nós estávamos a arder, naquela luz que é Deus e não nos queimávamos. Como é Deus!!! Não se pode dizer! Isto, sim, que a gente nunca pode dizer! Mas que pena Ele estar tão triste! Se eu o pudesse consolar!" Os pastorinhos não são santos por terem visto Nossa Senhora. São santos porque, tendo visto Nossa Senhora, compreenderam a mensagem do Evangelho e trilharam um caminho de santidade. Exemplos, modelos e intercessores são estas crianças, nossas conterrâneas, simples e puras, como todos nós deveríamos ser.

Anno Histórico: Fr. Álvaro de Córdova

São Frei Álvaro de Córdova, Português, natural de Lisboa, recebendo habito da sagrada Religião dos Pregadores na Cidade do seu sobrenome, que por este motivo lhe ficou, e por viver muitos anos, e finalmente morrer na mesma Cidade, onde tem públicos Cultos, e venerações de Santo, há quase três séculos; Acabou a carreira mortal gloriosamente neste dia, ano de 1420. No de 1741 o beatificou o Sumo Pontífice Benedito XIV.
(Anno Histórico, vol. I, par. 2, p. 297-298)

Um Doutoramento Honoris Causa - Frei Bento Domingues, op

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Estive na sexta feira em Braga para assistir ao reconhecimento civil de um homem de Igreja, com pena de que as estruturas hierárquicas da Igreja Católica em Portugal nunca o terem feito. Estarão talvez a juntar dados para o elogio fúnebre. Se assim for, tarde demais. Mas que uma instituição civil o reconheça como uma figura consensual, de diálogo, de pontes, de pensamento actual e lúcido na sociedade portuguesa, entre crentes e não crentes, e também uma figura nacional e transversal a todos os sectores da sociedade tem mérito e muito. A Universidade do Minho reconheceu-o. E com ela muita gente. Frei Bento, um homem de horizontes largos, um dominicano em que estudo e pregação se associam para servir à reflexão, um verdadeiro frei, irmão solidário nas situações e aflições do mundo. Uma figura que nos questiona a nós que lemos e estudamos teologia. Pensar que teólogo é aquele que com títulos ensina teologia ou que repete o caminho feito no passado sem actualizações nem aberturas é um er…

Anno Histórico: Fr. Manuel da Encarnação Pontével

Neste dia, ano de 1720 em Domingo, faleceu no Convento de São Domingos de Lisboa, com oitenta e quatro anos de idade, o Padre Mestre Frei Manuel da Encarnação Pontével, natural da Vila deste nome e Provincial que foi da sagrada Ordem Dominicana neste Reino de Portugal. Varão de muitas letras e virtudes. Explanou em quatro tomos impressos o Evangelho de São Mateus, com tão grande aceitação dos Teólogos e Escriturários, que em sua vida era alegado nos Púlpitos, e nas Cadeiras com o titulo de Doutíssimo, e mereceu que o Geral da sua Religião lhe escrevesse pela mesma razão cartas de honra, e agradecimento. (Anno Histórico, vil. I, par. 6 p. 251)

Anno Histórico: Fr. Simão das Chagas

Fr. Simão das Chagas, natural de Lisboa, filho do Convento de São Domingos da mesma Cidade, passou à India Oriental com Dom Fr. Jorge de Santa Luzia, primeiro Bispo de Malaca; e naquelas dilatadas ilhas e Províncias pregou o sagrado Evangelho com grande fruto, e erigiu muitas Igrejas. Acreditou Deus a doutrina e santidade deste Apostólico Varão com muitos milagres em vida e depois da morte, que teve neste dia (8 de Fevereiro), na ilha de Solor, pelos anos de 1580. (Anno Histórico, vol. I, par. 9, p.237)

Anno Histórico: Nascimento da beata Joana

No mesmo dia (6 de Fevereiro), ano de 1451, nasceu em Lisboa a Princesa Santa Joana, filha de El Rei Dom Afonso V e da Rainha Dona Isabel. Ainda estava no berço, quando os três Estados a juraram Princesa de Portugal, e foi a primeira, que em Portugal teve este nome, sobre o qual as suas grandes virtudes lhe adquirirão o de Santa, tanto mais glorioso, quanta é a distância e diferença, que vai do sólido ao aparente, do eterno ao temporal. (Anno Histórico, volI, par. III, p. 220)

Anno Histórico: Frei João de Vasconcelos

Frei João de Vasconcelos, Religioso da sagrada Ordem dos Pregadores, e ilustríssimo em sangu, e muito mais em virtudes e letras: Foi Pregador de El Rei Dom João IV. Inquisidor do Conselho Geral do Santo Ofício, e Provincial da sua Religião. Em todos estes cargos e empregos mostrou um fervoroso e ardente zelo da salvação das almas, do aumento da Fé e da observância das leis; Tratando-se com pobreza suma, remediava a dos próximos, com suma liberalidade; a mesma exercitava nos Conventos onde foi Prelado: no de Benfica, sendo Prior, e no das Religiosas do Sacramento, sendo Vigário, lhe levantou as Igrejas desde os fundamentos uma, e outra perfeitíssima. Contente no retiro dos Claustros da sua Religião, rejeitou fora dela grandes dignidades; Vivia todo entregue aos exercícios da contemplação e penitencia, da humildade, e desprezo de si mesmo e de todas as coisas transitórias, e só aspirava ao logro daquele bem que não tem fim; Para ele foi chamado neste dia, ano de 1652. Jaz no Convento d…

Anno Histórico: Milagre singular do Patriarca São Domingos

A Pouca distância da Vila de Penamacor, há uma Ermida antiquíssima, consagrada ao glorioso Patriarca São Domingos; Achava-se hum pobre homem da mesma Vila em terra de Mouros, em duríssimo cativeiro, porque seu senhor o tratava com excessivas asperezas. Implorava o miserável homem muitas vezes a protecção de São Domingos, a quem tinha muito especial devoção, e confiava no Santo, que lhe havia de dar liberdade. Penetrou- lhe o Mouro estes desejos e esperanças; E logo lhe dobrou os grilhões e de noite o fazia meter em uma arca, que fechava com fortes cadeados e fazendo sobre ela a cama, lhe repetia muitas vezes: Que era tempo de chamar pelo seu São Domingos para que o livrasse. Passaram-se muitos dias, mas não passavam as irrisões, com que o Mouro o perseguia, sobre outros muitos rigores. Chegou, enfim, uma noite, quando já estava, sem dúvida, bem provada a Fé e a paciência do Cristão, e bem merecida a confusão do infiel. E sucedeu que ao romper da manhã, se acharam ambos à porta da Erm…

Anno Dominicano: Beato Frei Domingos do Cubo

O Beato Frei Domingos do Cubo, Religioso da esclarecida Ordem dos Pregadores. O seu Santo Patriarca o mandou a este Reino, onde resplandeceu em virtudes e milagres: Há mais de quatrocentos anos que goza o título de Beato e de Altar erigido sobre a sua sepultura, que é a mesma com a do Santo Frei Gil. Foi seu glorioso trânsito neste dia, pelos anos de 1163. (Anno Histórico, vol. I, par. II, p. 182)

Anno Histórico: Dom Soeiro Gomes

Dom Soeiro Gomes (Viegas), Bispo de Lisboa, Varão de extremada virtude, e de insigne valor. Promoveu e conseguiu a conquista de Alcácer do Sal, pelos anos de 1219. Depois, se retirou a Santarém e recebeu o hábito da sagrada Religião dos Pregadores, que então começava a florescer. Ali morreu santamente, neste dia, ano de 1231. (Anno Histórico, vol. I, par. I, p. 171)

Anno Histórico: Beato Frei Lourenço Mendes

O Beato Frei Lourenço Mendes da sagrada Ordem dos Pregadores, ilustre em santidade e esclarecido em milagres. Foi sua ditosa morte neste dia, ano de 1280 no Convento, que a sua Religião tem em Guimarães: О seu sepulcro se vê colocado sobre o retábulo da Capella de São Tomás, com este verso: Hic sita Laurenti Mendes sunt ossa Beati. (Anno Histórico, vol. I, par. II, p. 165)

Anno Histórico: Frei Jerónimo da Cruz

Beato Frei Jerónimo da Cruz, natural de Lisboa, baptizado na Sé da mesma Cidade, Religioso da Sagrada Ordem dos Pregadores. Passou ao Oriente a pregar a Fé e, em defesa dela, foi neste dia morto às lançadas, no Reino de Sião, ano de 1560. (Anno Histórico, vol. I, par. III, p. 153)

Anno Histórico: Soror Violante do Céu

Soror Violante do Céu, natural de Lisboa, bautizada na Freguesia da Sé, Freira Dominica no Mosteiro da Rosa da mesma Cidade. Foi dotada de génio felicíssimo para todo o género de composições métricas nas línguas Portuguesa e Castelhana. Parecia coisa do Ceu ainda mais no engenho que no sobrenome. Desde os primeiros anos começou a ser um prodígio da eloquência, um milagre da discrição; sendo de dezasseis compôs a comédia de Santa Eugenia, que intitulou: La transformación por Dios. Com tanta aceitação dos entendidos, que por voto comum dos mesmos, se representou a Filipe III quando se achava em Lisboa pelos anos de 1619. Desde então até o ano de 1693 prosseguiu sempre em compor e admirar; No dilatado curso de tanto tempo e em tanta variedade de sucessos de dor e alegria pública em que os discretos aparavam as penas, e saíam com várias obras, saiu sempre Sóror Violante com as suas e sobressaiu com vantagem conhecida. Nas Academias e Certames poéticos, que houve em seu tempo, levou sempr…

Anno Histórico: Dom Frei Jorge de Santa Luzia

Dom Frei Jorge de Santa Luzia, natural de Aveiro, religioso de São Domingos, primeiro Bispo de Malaca, que governou santamente dez anos, e o Arcebispado de Goa catorze meses, com suas Orações e exercícios afugentou da Diocese de Malaca os dragões chamados ramões, inimigos especiais dos homens, que continuamente matavam muitos e de noite entravam nas casas, de que ficou livre aquele País até ao presente. Por ser Prelado zeloso, intentaram dar-lhe veneno em uma iguaria, que ele por revelação divina conheceu, mas não descobriu os culpados. Com espírito profético avisou ao Governador de Malaca, que se achava desarmado e descuidado dos Achens, por haver pazes com eles, que se preparasse, porque na noite do dia seguinte seria а cidade acometida repentinamente por aqueles fingidos amigos e com muito grande poder. Todos se riram do aviso, só o Governador, que tinha o Bispo por Santo, lhe deu crédito, e se preparou a esperar os Achens, que com efeito chegaram na seguinte noite com uma poderos…

Anno Histórico: Beata Margarida Fernandes

Beata Margarida Fernandes, natural da Vila de Estremoz, Terceira Dominica, guiada de impulso superior, entregue toda nas mãos do desengano, deixou tudo o que na vida lhe podia levar os afectos, e partiu deste Reino a visitar os Lugares Santos de Jerusalém. Depois de tão larga peregrinação, em que padeceu e mereceu muito, voltando a Itália (cujos Santuários visitou também) fez assento em Bolonha, atraída do amor e devoção, que sempre teve ao seu glorioso Padre São Domingos. Ali fez abrir em uma penha uma concavidade, onde se sepultou em vida, entregue toda aos exercícios da penitência, e contemplação. Foi seu trânsito neste dia, ano de 1540. Jaz aos pés do seu Santo Patriarca, como digna filha e fiel imitadora de tão Santo Pai. (Anno Histórico, vol. I, par. III, p. 106)

Anno Histórico: Frei Francisco Foreiro

Frei Francisco Foreiro da Ordem dos Pregadores, Varão doutíssimo na Teologia Escolástica e Moral, e na Sagrada Escritura. Teve inteira notícia das línguas, Latina, Grega e Hebraica. Foi Pregador dos Reis Dom João III e Dom Sebastião. Este o mandou por seu Teólogo ao Concilio Tridentino, onde, com suas grandes letras, se acreditou a fi e à nação Portuguesa. Os Padres do Concílio lhe deram a incumbência de reformar o Breviário e Missal Romano, e de compor o Catecismo também Romano, que com este nome saiu à luz. Imprimiu depois excelentes comentários sobre os Salmos, e sobre os livros de Salomão e Profetas menores, e fez de todos uma nova versão, conforme a raiz Hebreia, como tão senhor da mesma língua. Compôs outro tomo sobre Job, que ficou manuscrito. Fundou para a sua Religião o Convento de Almada defronte de Lisboa, e neste dia passou a lograr o prémio de seus trabalhos, e religiosas virtudes, ano de 1581. (Anno Histórico, vol. I, par. II, p. 69)

Anno Histórico: São Gonçalo

São Gonçalo, Taumaturgo Português, e glória de Portugal, espelho claríssimo de virtudes, fonte perene de portentosas maravilhas: Logo que recebeu o santo Baptismo, pôs os olhos em uma Imagem de Cristo Crucificado com prodigiosa atenção, como mostrando, que só aquele Senhor seria o alvo dos seus afectos, o centro das suas adorações. Estudou as letras sagradas, e por elas foi promovido ao governo de uma Igreja, onde começou a dar claras provas do zelo em que ardia da salvação dos próximos; mas, largando-a brevemente a um sobrinho seu, partiu para os Lugares Santos de Jerusalém, a desafogar em rios de amorosas lágrimas, os ardores do coração. Voltando a Portugal, entrou na sagrada Religião dos Pregadores e em todos estes Estados, resplandeceu por modo admirável: Estudante na modéstia; Pastor na vigilância e Peregrino na paciência; Religioso nas virtudes todas e em todas, em grau eminentíssimo. Entregue ao Exercício da Pregação, colheu copiosos frutos. Porém, a eficácia do seu zelo, o ar…

Anno Histórico: Beato Fr. Pedro

O Beato Fr. Pedro, Converso da Sagrada Оrdem dos Pregadores, Varão de vida inculpável, de prodigiosa penitência, e de exímia caridade com о próximo, pela qual era geralmente chamado о Pai dos pobres. Comprovou Deus as excelentes virtudes deste seu Servo com raros prodígios, e dom de profecia. Foi seu transito neste dia (que ele predisse muito antes) com setenta anos de idade no de 1528. Querendo dar seu corpo à sepultura o acharam com duríssimos calos nos joelhos da contínua oração, e um áspero cilício tão embebido na carne, que dificultosamente se lhe pôde arrancar. Jaz no seu Convento de São Domingos de Évora. (Anno Histórico, vol. I, par. I, p. 62)

Anno Histórico: Frei Jerónimo da Azambuja

Frei Jerónimo da Azambuja, natural da Vila deste nome, e por essa causa chamado vulgarmente Oleastro: Religioso da Ordem dos Pregadores, um dos Teólogos que El Rei Dom João III mandou ao Concílio Tridentino; depois Inquisidor do Tribunal do Santo Ofício em Lisboa. Foi versadíssimo nos idiomas grego e hebraico: compôs selectíssimos Comentários sobre os primeiros cinco livros da Escritura, outros sobre Isaías, e outros, que ainda não viram a luz, merecendo-a singularmente todos, pela celebradíssima profundidade e agudeza de seu autor. Faleceu neste dia, ano de 1560.
(Anno Histórico, vol. I, par. II, p. 35)

Anno Histórico: Beato Frei Vicente de Lisboa

O Beato Frei Vicente de Lisboa (a quem a Pátria deu o sobrenome) foi religioso da sagrada Ordem dos Pregadores e Provincial dela em toda a Espanha, e na mesma o primeiro Inquisidor Geral, Confessor e Pregador d’El-Rei Dom João I. Insigne em letras, como mostrou na composição de muitos livros, que a incúria dos portugueses sepultou no esquecimento. Mais insigne ainda em virtudes, comprovadas com muitas maravilhas, que obrou em vida, e depois da morte. Por umas e outras, conseguiu na voz universal do povo e nas penas de gravíssimos autores antigos e modernos, o nome de Beato. Dele se conta um caso memorável. Havia discorrido muitos anos por várias províncias da Cristandade em serviço da Igreja e da sua Religião; voltou a Lisboa e pregando na Freguesia de São Nicolau, onde nascera, ao descer do púlpito se chegou a ele uma velha, e cobrindo-o de bênçãos, lhe dava os parabéns do Sermão, e os dava por lhe haver dilatado a vida (dizia para os circundantes) até chegar a ver aquele Padre, fei…

Anno Histórico: Soror Margarida de São Paulo

Soror Margarida de São Paulo, chamada no século Dona Margarida de Noronha, filha dos Condes de Linhares Dom Francisco de Noronha e Dona Violante de Andrada, entrou Freira no Mosteiro da Anunciada de Lisboa, onde já tinha duas irmãs, ambas de excelentes partes; em tudo as venceu com excelso superior: escrevia com tanta perfeição e pintava com tanta valentia, que era uma rara admiração dos homens mais peritos, que havia em seu tempo naquelas artes: tocava com singular destreza todos os instrumentos; sabia perfeitamente as línguas latina, francesa, italiana e inglesa. Vindo a Lisboa Filipe III foi assistir à profissão de uma Freira, que entrou na Anunciada, e sendo Soror Margarida Prioresa, fez a prática diante d’el-Rei com tanta gravidade e repouso, com tanta eloquência e discrição, que admirou toda a Corte. Compôs nas línguas latina e portuguesa excelentes discursos sobre matérias espirituais. Morreu neste dia, ano de 1626, com oitenta e seis de idade. (Anno Histórico, vol. I, par. VI,…

Anno Histórico: Dom Francisco de Castro

No mesmo dia (1 de Janeiro), ano de 1653, morreu o Inquisidor Geral Dom Francisco de Castro, Varão insigne em nobreza, virtudes, letras, justiça e inteireza. Foi teólogo, Reitor da Universidade de Coimbra, Presidente do Tribunal da Mesa da Consciência, e depois Bispo da Guarda treze anos, e ultimamente Inquisidor geral e Conselheiro de Estado de grande nome e autoridade. Fundou a grande e magnífica Capela de Corpus Christi do Convento de Benfica da Ordem de S. Domingos, meia légua distante de Lisboa, a Casa do Noviciado do mesmo Convento, e junto a ele umas casas para retiro dos Inquisidores gerais deste Reino. Foi Varão digníssimo dos sublimes elogios, que dele fazem vários autores. (Anno Histórico, vol. I, par. XV, p. 18)