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Roma revisitada

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Vim a Roma. Mais uma reunião da comissão litúrgica, esta com menos dias porque todos andamos ocupados. Mas deu para ter uma tarde livre. E aproveito para visitar as igrejas que mais me dizem e que quero aqui registar. Igreja de Santa Maria Sopra Minerva . Uma Igreja dominicana em todos os sentidos. Pinturas de Fra Angelico (de tal maneira surpreendentes que Michaelangelo depois de as admirar disse: este homem viu o céu). Os seus anjos e os seus azuis inconfundíveis, a delicadeza das formas e a harmonia estética fazem daquela igreja uma joia de Roma. Fra Angelico está lá sepultado e Santa Catarina de Sena também. Grande Dominicana, esta, que sem saber escrever tão mulher e mística foi. Fui rezar-lhes para lhes pedir inspiração para as coisas que digo e faço. Por curiosidade, o nosso Cardeal Marto é o Cardeal desta igreja e ontem esteve cá a tomar posse dela. De lá, nuns não sei quantos mil passos que o telemóvel contou, basílica de São Pedro . Gosto de celebrar lá mas é raro ac...

A pequena Helena

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Dois dias fora de Luanda para visitar o novo projecto dos dominicanos no Huambo. Como os dias são poucos e grandes as distâncias (de carro, entre Luanda ao Huambo, 12 horas!) tive que ir de avião (1 hora). Do aeroporto directamente ao mosteiro das minhas queridas irmãs monjas, no Kuito, antigo Porto Amélia. Uma calorosa recepção, uma vez que tinham passado já dois anos desde a primeira e única visita. Lá fiquei todo o dia de segunda-feira, onde tive dois encontros com as irmãs, um ligado aos critérios de admissão das vocações e outro sobre os 800 anos da fundação do primeiro convento em Portugal. Celebrámos Missa, onde falei às irmãs da força do Espírito Santo que ultrapassa os nossos limites e as nossas previsões, da importância de afinar o nosso ouvido à voz do Bom Pastor, e um pedido de oração pela nossa Ordem. Ontem, depois da Missa e do pequeno almoço, as irmãs convidaram-me a entrar na quinta do mosteiro. Um verdadeiro milagre! O que semeiam e plantam, o que colhem... Dera...

Angola, segunda vez

Escrito durante o voo e publicado no recente convento de São Tomás de Luanda, aqui venho escrever estas linhas para dizer que vim a Angola. O voo, atrasado duas horas, foi tranquilo e bem passado. Trouxe apenas três livros para ler durante estes dias, e muito bom seria que, pelo menos, dois fossem lidos para Lisboa. Durante a viagem atirei-me à nova exortação apostólica do Papa Francisco sobre a santidade. Não a consegui ler toda mas dei um grande avanço. O que é que eu acho? Para além da frescura do texto, uma grande, profunda e realista humanização da santidade. Como ser santo, hoje, a partir do Evangelho e da nossa vida. Curiosidade nesta exortação está em que o Papa fala constantemente ou na segunda pessoa do singular, ou na segunda pessoa do plural. Estratégia ou não, faz-nos envolver, senti-lo envolvido e perceber que é mesmo para nós, pecadores, o recado da santidade. Vale a pena ler. E vale a pena ouvir Rodrigo Leão no seu álbum "o retiro". Foi a música que me ac...

Volver a Sevilla

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Estou no aeroporto quando já devia estar no ar, a caminho de Sevilha. Mas o avião atrasou-se um bocadinho (2 horas!) e só agora avisaram. Mas sim, vou a Sevilha, à minha amada Sevilha, onde há vinte anos atrás fiz o meu noviciado. Desta vez vou participar num encontro de formadores europeus, integrado num outro encontro, também em Sevilha, de provinciais europeus. Vou sobretudo para ouvir e aprender mas pediram-me também uma pequena apresentação sobre a visão portuguesa do problema das vocações e acompanhamento de irmãos em formação. Ou seja, como é que em Portugal se faz este discernimento e acompanhamento.  Se tiver tempo virei aqui escrever o que disse e o que penso sobre o assunto, mas para já três atitudes que vou pedir a quem me ouvir e que considero essenciais no discernimento e acompanhamento de vocações: paciência, presença e estudo. Portugal está na moda e até na Ordem. Vamos lá ver se marco golo, mesmo sem ser de bicicleta. Nos vemos!

A infância de São Domingos

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Estive em Caleruega na semana passada com os noviços. A última vez que tinha estado foi em 1999, como noviço. Para dos dominicanos há três lugares "dominicanos": Caleruega, lugar do nascimento de São Domingos, Toulouse, lugar da pregação de São Domingos, e Bolonha, onde está sepultado. Caleruega é uma pequena aldeia que pertence a Burgos. Não tem muito que ver para se estar uma semana. Tem o convento dos frades, o mosteiro das monjas e a igreja paroquial. Mas tem história e espiritualidade. A história contam-na as pedras e as construções; a espiritualidade conta o coração de quem lá vive e de quem visita. O que me fica desta viagem é a infância de São Domingos. Uma infância que explica a sua vida adulta. Uma infância envolvida por um bom ambiente familiar em que todos sobressaem pelas virtudes humanas e cristãs, em especial a atenção aos doentes e aos pobres. Perguntando a um frade que nos fez a explicação de Caleruega, sobre quem tinha mais devoção, se a mãe se o fi...

800 anos depois

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As conclusões

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Termina hoje o Congresso onde tenho estado. Ontem o dia foi dedicado à missão, muito focado na questão do testemunho como primeira pregação. À tarde tivemos a celebração de vésperas na basílica de Santa Maria sopra Minerva, onde estão sepultamos Santa Catarina de Sena e o beato Angélico e onde fizemos uma homenagem às mulheres pregadoras e aos artistas. Hoje estaremos em conclusões e declarações finais. Depois do almoço iremos a São João de Latrão onde há 800 anos, no dia senhor São Domingos recebeu a bula da confirmação da Ordem de Pregadores. Aí celebraremos Missa com o Papa Francisco.

Diálogo inter-religioso

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O tema do dia de ontem é o mesmo do deste post. As palavras acolhimento, diálogo e compreensão estiveram presentes em quase todas as conferências e encontros. Mas realço duas conferências de dois frases que me marcam e cujos textos, quando os encontro, tornam-se de leitura obrigatória. De manhã, a conferência de Felicíssimo Martinez, frade da província do Rosário. Falou da pregação como encontro e de quatro momentos de salvação: salvação do corpo, salvação da palavra, salvação do Evangelho e salvação do pregador. No intervalo pedi-lhe a conferência para ser estudada com os noviços e com os estudantes. A outra conferência foi do nosso frei Jean-Jacques Perenès, da província de França, actualmente prior da comunidade de Jerusalém. Com um percurso muito variado mas sempre desinstalado do que é uma vida estável num convento da tranquila Europa, ele tem uma visão diferente sobre inquérito é viver como minoria e como se pode compreender e dialogar com o islão. No final da sia conferência des...

Aberturas

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Às 18h começava a sessão de inauguração do congresso dominicano. Passou um pequeno vídeo sobre a vida dominicana em várias presenças: pregação, estudo, vida comum. O coro dos alunos de um colégio dominicano deu início à sessão com a execução do hino do Jubileu "Laudare, beneficente, praedicare". Depois o ex-Mestre da Ordem, frei Carlos Aspiroz fez uma memória do percurso percorrido nestes últimos anos, que foram de preparação. De seguida, o Cardeal-Arcebispo de Praga, também ele dominicano, fez a oração de sapiência, dando graças a Deus e pedindo perdão pelas infidelidades e tropeços que não mancharam a Ordem como também a Igreja. E deu-se a palavra ao Mestre da Ordem que deu início formalmente ao congresso. Que não se trata de um Capítulo Geral nem de um congresso de história; que seja um encontro de família para lançar a Ordem no presente-futuro. E para completar as intervenções, falou o Ministro Geral dos Capuchinhos, que é também o presidente da conferência dos superiores...

Um pauzinho de net

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Estou em Roma para participar no encerramento das comemorações dos 800 anos da aprovação da Ordem dos Pregadores a que pertenço. Vim com o meu Padre Provincial por ser o promotor provincial do Jubileu. Começará esta tarde, com um Congresso, com a sessão de abertura, por parte de grandes personalidades da Ordem. Seremos mais de 400 pessoas (de toda a Ordem e Família Dominicana) e estamos em vários pontos de alojamento. A mim calhou-me um hotel (que é mais uma casa religiosa), com uma vista óptima mas sem net. Ou melhor, sentado no bidé da casa de banho, virado para o lado do lavatório, consigo ter um pontinho de wi-fi, que vai dando para ver mails e escrever. Chegámos ontem, fizemos boas caminhadas e visitámos alguns sítios... A entrada ontem à tarde na basílica de São Pedro foi facilíssima, não estariam mais de 40 pessoas lá dentro. E esta manhã ida a Santa Sabina para resolver alguns assuntos provinicias. Encontrámos o anterior Mestre da Ordem, actual bispo de uma diocese...

As esperas

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Um ditado diz que quem espera sempre alcança mas um outro não ilude: quem espera desespera. E aqui estou eu, no aeroporto de Lisboa, à espera de um avião que me levará a Roma mas que já vai partir com atraso. O aviso chegou ao meu telemóvel tinha eu acabado de sair de casa. O ambiente é calmo, apesar de tudo isto parecer um centro comercial. A música de fundo demasiado mexida para estas horas da manhã, as lojas de marca vazias, as do galo de Barcelos, que agora se tornou o ícone de Portugal, vão tendo algumas pessoas à procura de vinho do Porto ou de pastéis de nata... E movimento. Pessoas para trás e para a frente, com malas e sacos, casacos, e até um senhor com um grande guarda-chuva. Na minha mala de mão vai só o portátil e uma pasta com documentos de trabalho. Mais uma vez os trabalhos de Roma, da comissão litúrgica a que presido. Aqui estou eu, sentado numa cadeira de espera, tentando não desesperar e querendo Roma alcançar. 

Acção de Graças

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A Comunidade celebrou hoje a festa de São Tomás de Aquino. Passou para hoje por ser sexta-feira e por ser a minha despedida. O Cardeal Nascimento, que pertence às fraternidades sacerdotais também veio. Concelebrou. Aqui deixo a homilia que fiz na minha última Missa em Angola. Apesar de ontem termos celebrado liturgicamente a festa de São Tomás de Aquino, reunimo-nos nesta tarde, nesta igreja e convento que tem como padroeiro o Doutor Angélico, para o fazer de um modo mais solene. Se calhar nunca seria demais lembrar em pequenos traços a vida de tão grande santo, mas, no entanto, queria apenas reflectir alguns episódios da sua vida que podem ajudar a nossa vida e a nossa maneira de ser dominicano, hoje, na Igreja. O primeiro episódio que gostava de partilhar convosco é o da primeira pergunta que conhecemos de São Tomás. Diz a sua vida que sendo oblato beneditino, ainda muito novo, durante uma aula, ao ouvir falar de Deus questionou: Quid est Deus? Que é Deus? São Tomás conviveu tod...

Ontem e hoje

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O dia de ontem foi passado na clausura do mosteiro. As irmãs convidaram-me a entrar, para podermos estar na sala do noviciado, que é mais fresca e espaçosa. Mas o dia começou às cinco e meia da manhã, quando acordei ao som das vozes das monjas, que cantam Laudes a esta hora. Em Benguela não há janelas de vidro. No quarto onde estou há uma persiana de madeira e uma rede para os mosquitos não entrarem. Ouve-se tudo o que no pátio falar. E como as irmãs, por causa do calor, abrem as janelas da igreja, os seus cânticos entram em todos os espaços. Nós, pelo cansaço da viagem, fomos dispensados de acordar tão cedo (acabámos por acordar). Mata-bicho às sete da manhã e, ás nove, primeira sessão sobre liturgia, que acabou por durar a manhã inteira. Ao meio dia rezámos a hora intermédia e o Angelus. Depois pausa para almoço. No fim do almoço atravessei a estrada e fui visitar a Casa do Gaiato. Não estava nenhum dos responsáveis mas os rapazes sim, estavam. Uns a lavar a loiça do almoço, outro...

Por fim Benguela

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(Por impossibilidade de acesso à Internet não consegui passar por cá. Aqui fica o que escrevi na segunda-feira) Já saímos tarde do Kuito. A viagem foi também mais longa do que a as irmãs diziam. Demorámos sete horas. Atravessar parte de Angola, de um meio interior para a costa, onde Benguela foi plantada. O caminho é de rara beleza. Nada de deserto, montanhas iguais às que vimos desde a Gabela até ao Wako: uma mistura de morros com pele de elefante ou de baleia e as planícies, grande parte delas cultivadas. Passámos por vários rios. Olhando para as margens vemos mamãs a lavar roupa e os mais pequenos a tomarem banho, tentando refrescar-se. É comovente a alegria que têm. A partir do Huambo começam a ver-se, outra vez, os embondeiros e os altos cactos. Sempre pessoas na estrada: umas a caminhar, outras a carregar. O som do carro é música de Angola, em Umbundo, creio. Vemos crianças a malhar o milho com uma espécie de martelo de madeira, vemos mulheres a vender ananás, vemos menina...

Do convento para o Mosteiro

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(Por impossibilidade de acesso à Internet não consegui passar por cá. Aqui fica o que escrevi na segunda-feira) Viagem de quase cinco horas entre o Wako Kungo e o Kuito, no Bié, onde estão as nossas monjas dominicanas. Angola tem dois mosteiros. O primeiro foi fundado em Benguela e este há oito anos. Uma comunidade ainda pequena, maior parte angolanas mas com duas espanholas e uma portuguesa. A viagem foi boa, apesar de alguns buracos. Agora percebo porque é que se medem as distâncias em horas e não em quilómetros. Depois das boas vindas o almoço e começar a trabalhar. As irmãs pedem o mesmo que fiz em Luanda para os da formação. Querem saber sobre liturgia. Repeti e adaptei o que tinha preparado. Quase duas horas a falar. Depois Vésperas e jantar. As irmãs rezam bem. Digo-lhes que têm a grande missão de conservar o espírito e a liturgia dominicana. De facto elas vão mantendo as tradições de uma maneira discreta. O que é bom. Depois do jantar uma breve apresentação ensaio de cânti...

Encontrar as mamãs

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(Por impossibilidade de acesso à Internet não consegui passar por cá. Aqui fica o que escrevi no Domingo) Hoje é domingo. Aqui no Wako os freis dividem-se pelas várias comunidades onde têm de celebrar. Há comunidades que raramente têm Eucaristia ao Domingo. Sempre assegurada a celebração da Palavra pelos catequistas mas a Missa é mesmo uma graça. A mim, pediram-me que assegurasse a da paróquia, às 7.30h. Concelebrou comigo o fr. Gil. O coro, que altera em cada semana, era hoje de um grupo de 20 senhoras, o grupo Aleluia. Voltei a ouvir os sons harmónicos dos cânticos quimbundos e umbundos. A Missa demorou uma hora e meia porque fui eu a celebrar. Normalmente as Missas têm de demorar mais, sobretudo nas aldeias, para justificar a deslocação de longe, e muitas vezes a pé, de quem vem celebrar a fé. A homilia é escutada com muita atenção. E participada. Se damos espaço as pessoas terminam as nossas frases. Até um catequista, quando falei da união da comunidade, tirou um papel e esc...

Para além de Luanda

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(Por impossibilidade de acesso à Internet não consegui passar por cá. Aqui fica o que escrevi no sábado) A viagem de Luanda ao Wako, onde estou, foi mesmo de oito horas, sendo que se as estradas fossem boas teria sido mais rápido. Para não demorarmos mais pelo caminho mais curto mas mais problemático, tivemos que dar uma volta maior e os últimos 75 quilómetros a penar porque não havia cem metros sem um buraco. Parecia aqueles jogos de carros de computadores. Mas a viagem, apesar de tudo, foi bonita. Por um lado, a primeira parte a acompanhar o oceano, uma vez que íamos pela costa; por outro a natureza africana que a Europa não conhece: os irreverentes embondeiros, que se impõem pela grandeza e pela “anormalidade” dos seus ramos, os esguios e formosos cactos, as palmeiras reais, a terra vermelha da Gabela, as cachoeiras do rio Queve rio que mudam radicalmente a ideia que temos de uma África seca, sem vegetação. Ao chegar ao Waco vemos as montanhas com pele de baleia que parecem ...

Fim de uma etapa

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O retiro acabou, é tempo de fechar a mala e preparar nova etapa. Amanhã, pelas cinco e meia da manhã parto para o interior de Angola, Wako Kungo, oito horas de viagem. Esta etapa foi concluída, com sucesso. Graças a Deus.

As mangueiras

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Como escrevi ontem, hoje acordei pelas cinco e meia para sairmos pelas seis para evitarmos o engarrafamento para podermos chegar às jornadas dos religiosos, que acontecem estes dias. Chegámos pelas sete ao Carmo, onde deixámos o carro e fomos a pé até às irmãs de São José de Cluny, onde era o encontro. Ao principio os cumprimentos e apresentações, sem grandes formalidades e o encontro lá se passou. Quando fizemos a pausa para o almoço e já eu com funge no rato, começaram a aparecer as irmãs que já tinham ouvido falar de mim em Portugal, ou me tinham conhecido lá. Depois do almoço, com um calor que não é o mesmo da Europa, tentei apanhar uma ventoinha sem ninguém por baixo para poder secar. Sim, secar. Estava literalmente encharcado do suor. Da parte da tarde só pude estar até às 15.30h porque ia concelebrar no Carmo (aqui diz-se ir rezar) com o movimento das mil Avé-Marias. É um grupo de senhoras, "mamãs", muitas delas, que vêm de longe e vão manhã cedo para a igreja rezar...

As memórias

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Hoje foi dia de visita. Ao convento - é um complexo enorme, com futuro e atraente - e também ao centro da cidade de Luanda. O caminho até ao centro é rápido, apesar do muito trânsito e das conduções não tão certinhas como estamos habituados. As pessoas passam pelo meio dos carros, os carros viram e andam de um lado para o outro com alguma, depressa se passa de uma estrada de alcatrão para uma de terra batida cheia de buracos... sempre vendedores e vendedoras, desde frutas a plásticos, rádios... até um, no meio da estrada, a vender ténis. A crise, aqui, já chegou e já faz os seus efeitos. E lá chegamos ao centro. Juntamente com dois freis, fomos visitar a Fortaleza de São Miguel. A Fortaleza é agora o Museu Nacional da História Militar. Desde o século XVI até ao presente, a cobiça pelas terras de Luanda, antigamente pertencente ao Reino do Congo. A história é o que é, não se pode apagar nem distorcer, as memórias ficam, cada vez menos dolorosas como terão sido as daquela família que ...