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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2013

O homem do leme

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O papa, além do nome que escolhe e do ofício que exerce, é ainda: Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Sumo Pontífice da Igreja Universal, Primaz da Itália, Arcebispo Metropolitano da Província Romana, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, Servo dos Servos de Deus. Para mim chegariam o primeiro e último: o primeiro dá sentido ao lugar que ocupa e o último ao ministério que deve desempenhar. A emoção que senti quando o vi pela primeira vez, a dois metros de distância, foi a mesma com que hoje ouvi o seu pequeno discurso em português. Não disse muito mas, para mim o essencial: que quando foi eleito disse a Deus que era um peso pesado; que sempre teve consciência que a barca não era dele nem nossa, mas de Cristo (foi o que eu disse na homilia do domingo passado!), mas que tinha consciência de que ele, ajudado por outros, era o responsável pela condução da barca; que decidiu renunciar não tendo em vista o seu bem mas o bem da Igreja, e que rezás…

Nem só de pão vive o homem - V

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 São-lhe perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas àquele a quem pouco se perdoa pouco ama. (Lc 7, 47)

Um minuto para a Quaresma - 6

A Igreja não é uma ilha Os representantes da Igreja não se podem refugiar numa ilha nem fechar-se num castelo. Também não se podem comportar como os que pensam a respeito de outros: não temos nada a ver com eles, que eles resolvam a sua própria situação. Isso seria ignorar as pessoas. Aquele que se contentasse em contemplar o céu luminoso e guardar, como um tesouro escondido, a verdade transmitida pelos Antigos, não avançaria por bom caminho. (beato João XXIII, nota de 23 de Janeiro de 1963) (Traduzido de um retiro de Quaresma online)

Transfigurar a nossa vida

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O Evangelho deste domingo narra-nos a transfiguração de Jesus. Muitos episódios da vida de Jesus são preparados ou acontecem em ambiente de oração: "Enquanto orava, alterou-se o aspecto do seu rosto...". A oração deve ser na nossa vida de tal forma que nos deveria transfigurar. Não deixamos de ser quem somos mas deixamos que Deus nos "altere", através desta relação de amor e de união com Jesus Cristo. Quaresma, tempo de oração e de transfiguração. Como poderei eu querer transformar o mundo e a Igreja, se o trabalho começa por me deixar transfigurar por Deus? Bom domingo!

Um minuto para a Quaresma - 5

Rezar é falar com Deus, rezar é louvar a Deus; rezar é dizer a Deus que o amamos; rezar é contemplar Deus; rezar é ter a alma e o coração unidos a Deus; rezar é pedir perdão a Deus; rezar é pedir a Deus que venha em nosso auxílio; rezar é pedir a Deus para nós e para toda a humanidade a santidade e a salvação... O amor tem por efeito necessário dizer que amamos sem medida e sem fim... Então, a oração é inseparável do amor, a tal ponto que as nossas orações são, de alguma forma, a medida do nosso amor... (Carlos de Foucauld, O espírito de Jesus) (Traduzido de um retiro de Quaresma online)

Um minuto para pensar a Quaresma - 4

Ir ao encontro do próximo Uma só alma vale mais do que toda a Terra Santa e que todas as criaturas irracionais juntas. É preciso ir, não onde a terra é a mais santa, mas onde as almas precisam mais de nós… ir onde Jesus iria: à ovelha mais perdida, ao irmão de Jesus mais doente, aos mais abandonados... aos mais perdidos. (Carlos de Foucauld, Só com Deus, apontamentos dos retiros no Sahara) (Traduzido de um retiro de Quaresma online)

Nem só de pão vive o homem - IV

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Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. (Mt 7, 24)

Nem só de pão vive o homem - III

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O ódio provoca rixas, mas o amor encobre todas as faltas. (Pr 10 ,12)

O retiro em Lamego

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Algumas pessoas perguntam-me sobre o retiro de Lamego... que não escrevi nada...
Como deve ser fácil de concluir, o retiro faz parte da intimidade da vida do seminário... Por isso não poderei escrever muito sobre o que vivi. Com temor e tremor aceitei pregar-lhes o retiro. Era uma grande responsabilidade, pelo menos para mim.
Mas sim, para mim foi uma grande experiência pastoral, estar com aqueles que se preparam para serem padres. Cada um com o seu percurso, todos alegres e bem-dispostos, fez-me voltar aos meus tempos de seminário. A qualidade das celebrações, a exigência que estes rapazes fazem da sua vida, faz-me sentir por eles uma grande e profunda admiração. Já a terminar o retiro, veio-me à cabeça uma passagem da oração sacerdotal de Jesus: "Faz que eles sejam teus inteiramente, por meio da Verdade; a Verdade é a tua palavra". É o que rezo a Deus por aqueles onze rapazes. E que Deus os guarde. (Fotografia panorâmica da cidade de Lamego)

Um minuto para pensar a Quaresma - 3

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Configurar-se com Cristo

Deixemos Jesus viver em nós, deixemo-lo continuar em nós a sua vida escondida de Nazaré, deixemo-lo continuar em nós a sua vida de pobreza, deixemo-lo continuar em nós a sua vida de caridade universal, deixemo-lo prolongar em nós a sua vida de humildade, deixemo-lo pela nossa fidelidade fazer penitência, “completar em nós o que que falta à sua paixão”, deixemo-lo pelo nosso zelo pelas almas continuar a lançar “fogo à terra”,
deixemo-lo pelas nossas vigílias e pelas nossas orações continuar em nós o “passar a noite em oração a Deus”. Ao fazer de cada momento das nossas vidas, os momentos da sua vida, os nossos pensamentos, as nossas palavras, as nossas acções, os pensamentos, as palavras, os actos sobrenaturais, já não são humanos mas divinos, não os nossos mas os de Jesus! Comportemo-nos de tal modo que possamos dizer em cada momento de nossa existência:“já não sou eu quem vivo, mas é Jesus que vive em mim!” (Carlos de Foucauld, «Directório») (Traduzido de um ret…

Quarenta dias no deserto

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Jesus, no deserto, experimenta a força o mal. Ele, que veio trazer e fazer o bem, vê-se confrontado com as estruturas do mal. O mal provoca, tenta, seduz. Mas Jesus resiste. Na nossa vida também nós somos confrontados com as estruturas do mal. E também somos tentados. Não tentações de mais ou menos chocolates na Quaresma ou de mais ou menos internet… As tentações são outras: a de substituir Deus pelo poder, pela ganância e pela auto-suficiência. O que Jesus experimentou em quarenta dias, experimentamos nós a vida toda. Mas a Quaresma é um pequeno exercício de maior autenticidade. Será que a Quaresma mudará ao menos as minhas más intenções, alimentadas pela tentação de ter de ser sempre o melhor em tudo? Bom domingo.

Nem só de pão vive o homem - II

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Não, a mão do Senhor não é curta para salvar, nem o seu ouvido demasiado surdo para ouvir. (Is 59, 1-2)

Um minuto para pensar a Quaresma - 2

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Partilhar, Rezar, Jejuar Estes são os três convites tradicionais da Quaresma. Três propostas para nos concentrarmos no essencial. Um caminho essencial que transforma as relações e as nossas maneiras de viver, não para as julgar ou denunciar mas para nos tornar livres. Estes três verbos podem fazer-se acompanhar de três adjectivos que os qualificam mais claramente: gratuito, interior, leveza. A partilha gratuita, sem cálculo, sem dar comedidamente, é aprender ou reaprender a ser feliz, fazer crescer a alegria à sua volta, na medida do possível. Que liberdade em relação aos outros! Oração interior na experiência do silêncio: uma oração que se parece menos com o alinhamento de sons ou palavras, mas que é uma abertura do coração à Palavra que Deus hoje me dirige. Que descoberta impressionante! Jejum, enquanto leveza. Não uma cara feia da Quaresma com o Evangelho, mas a leveza de um perfume na cabeça. Afastar-se da cólera, das palavras negativas, da tristeza ou dos remorsos que impedem a frate…

Um minuto para pensar a Quaresma - 1

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Assinei um "retiro online" para a Quaresma. Sempre que possível e oportuno irei traduzir e deixarei aqui a reflexão que propõem. Cinzas, Quaresma, Quarenta dias... Aparecem-nos algumas palavras que nos abrem dois caminhos. O caminho do "menos": menos cigarros, menos comida à mesa, menos doces, menos vinho e menos facebook... Menos, menos, menos... O caminho do "mais"... Mais oração, mais delicadeza, mais partilha... Mais, mais, mais... Se a Quaresma é, por ela própria, o tempo de equilíbrio com Deus, consigo e entre nós...? Então, hoje, não fechemos  o nosso coração.

Nem só de pão vive o homem - I

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Lançai sementes de justiça, colhei segundo a misericórdia, lavrai terras incultas. É tempo de buscar o Senhor, até que venha e faça chover a justiça para vós. (Os 10, 12)

A partir de amanhã

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Pela primeira vez começarei a Quaresma a pregar um retiro. Vou pregá-lo, até domingo, aos seminaristas da diocese de Lamego. Esta quaresma terá, pelo menos para mim, uma dimensão eclesial. Os recentes acontecimentos sobre a resignação do Papa ao pontificado devem-nos fazer reflectir sobre o que significa ser e pertencer à Igreja. Amanhã, toda a Igreja entra uma vez mais neste convite à conversão. A Igreja precisa de conversão e purificação. Não só a Cúria romana mas cada um de nós. Ao longo da Quaresma irei colocar, às quartas e às sextas, dias penitenciais na Igreja, uma passagem da Bíblia para ajudar à reflexão. Chamar-se-á "Nem só de pão vive o homem". Mas agora, enterrado o Entrudo e a começar a Quaresma, deixo um poema de fr. José Augusto Mourão, para convidar à Quaresma. Seja o tempo que agora começa o tempo propício para ouvir Deus; e que a sua voz mude os nossos corações. "recolha-me para me dizer
escutando-te,
Deus das minhas pobres dissonâncias
empresta-me as asa…

O caos no Vaticano

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Desconectado do mundo, fui apanhado de surpresa com a notícia do Papa. Instaurou-se o caos. Do jornal Público pediram-me reacções, que dei e que foram  publicadas. Como não tenho muito tempo para escrever, aqui fica o meu ponto de vista: 1. É um acto de grande coragem e humildade reconhecer que não se está à altura do cargo que se ocupa. Toda a Igreja lhe estará muito reconhecida. 2. Indepententemente de tudo, e apesar de se começar a especular sobre o futuro sucessor, muito provavelmente será sempre alguém como mais de 65 anos... Ou seja, teremos sempre o problema da idade. Por algum motivo existe a reforma... as capacidades vão diminuindo. 3. Creio que o Papa, nos próximos dias, e não terá muitos, deveria levar toda a Igreja a uma profunda reflexão. Torna-se urgente rever toda a política de governo da Igreja: mais democrática? Mais colegial? Mais jovem? Porque não com mandatos fixos? 4. A altura não foi a melhor... a meio do Ano da Fé e depois de termos escutado ontem no Evangelho o…

Faz-te ao largo

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Lembrei-me de uma música que conheci numas Missas de um colégio onde vou: Faz-te ao largo. Como tem a ver com o evangelho de hoje aqui fica, para tentar suprir a homilia que não tive tempo de escrever para este domingo.

A missão de Jesus continua em nós

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Jesus não anuncia a boa-nova de Deus sozinho. Quis rodear-se de amigos, companheiros, discípulos ou apóstolos, como quisermos chamar, podendo os Doze ter sido tudo isto para que, depois dele, esta boa notícia não ficasse sufocada mas pudesse ser anunciada até aos confins da terra. Hoje continuam actuais as preocupações de Deus para com o mundo. Porque o mundo, embora não compreenda ou não aceite, precisa de Deus. “Quem enviarei? Quem irá por nós?”, pergunta Deus. “Eis-me aqui: podes enviar-me”, responde Isaías. Todos nós temos uma vocação comum no anúncio do Evangelho. Não há privilegiados nem pregadores de primeira. A mensagem é mais importante que o profeta ou o pregador. E a mensagem não pode ficar por anunciar. Será que Deus pode contar comigo? Bom domingo.

Um filho pródigo

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Reler a parábola do filho pródigo traz sempre novidades, releituras e actualizações. Das parábolas mais bem pensadas, contadas, e com um final feliz. Que alegria maior para um filho libertino que ser perdoado e acolhido pelo pai? Que alegria maior para um pai que ver o seu filho perdido de volta a casa?
Mas nem todas as histórias acabam bem. Quando pensamos numa parábola ou inventamos uma história damos-lhe o final que queremos, feliz ou infeliz. A vida não é assim. É uma aflição quando julgamos que uma história está a ter um final feliz mas, o autor da história, contraria o seu final para um final feliz adiado, como se o narrador quisesse escrever de uma maneira e a caneta ou as teclas do computador o forçassem a escrever de outra. Um final que vai contra a esperança e o investimento que o narrador lhe colocou e que deixa tudo em aberto ou suspenso. Uma história mal contada ou sem final, que termina com reticências, à espera de um final feliz.
Mas as atitudes da parábola mantêm-se em …

Apócrifos de Fernando Pessoa

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Ontem terminei a homilia com um poema supostamente da autoria de Fernando Pessoa (clique aqui para ler a homilia). O que me interessava era a última frase "Pedras no caminho? Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo" . Bem estranhava a forma do poema mas, como não conheço bem Fernando Pessoa não me dei ao trabalho de confirmar a autoria. Hoje recebi dois emails de duas senhoras com o mesmo nome a corrigirem a autoria do tal texto. Que não é dele mas de um Augusto Cury e a frase em questão de um tal Neno Nox.
Os sites que me indicam confirmam que, de facto, é um apócrifo de Fernando Pessoa que, como se lê num dos blogues "que qualquer leitor mediano da obra de Fernando Pessoa ou dos seus heterónimos, se dá conta da mistificação e da falsificação".
E, pronto, aqui fica reposta a verdade, não obstando a frase ser boa para exprimir que os obstáculos da vida ajudam a construi-la.

Rejeitado pelos seus

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Na sequência da primeira pregação de Jesus, em que diz que vem cumprir o plano de Deus anunciado pelos profetas, Jesus é rejeitado pelos seus. Não gostamos de ser rejeitados mas, por vezes, rejeitamos: afastamo-nos de um sem-abrigo, desconfiamos de um desconhecido que nos pede ajuda, desviamos o olhar dos que passam fome ou estão a sofrer. Jesus sentiu na pele o amargor da rejeição. Não tanto pelos outros mas pelos seus. Jesus não se zanga; fica magoado, mas não se zanga. Mas, e nós? Acolhemos ou rejeitamos? Só seremos verdadeiramente cristãos quando conseguirmos parar para ajudar, abrir os braços para abraçar, olhar nos olhos para descobrir a verdade escondida. Bom domingo!

Apresentação do Senhor no Templo

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"Exteriormente cumpria as prescrições da Lei, mas na realidade vinha ao encontro do seu povo fiel." (Da liturgia da festa da Apresentação do Senhor)

Deus em cada manhã

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Deus dá a luz e a força do Céu.
O Sol alumia a terra e o mar.
Cristo anunciou o dia sem fim
que vem a caminho do coração.

Deus dá o Sol e a força das mãos
para caminhar na sabedoria.
Seus olhos são vigias fiéis
e os seus ouvidos escutas fiéis.

Deus faz a giz o caminho a andar
seu anjo me dá por guia e bordão.
O meu abrigo, o meu protector,
Deus seja meu pão na vida e na morte.

Raia a manhã, louvado o Senhor
o Rei que alimenta a esperança e o perdão.
Bendito seja o Deus Trino, Santo,
pela vida que dá a todo o ser vivo.

(texto: fr. José Augusto Mourão; imagem: Vincent Van Gogh, casal a caminho do trabalho, 1890)

Vidas novas ou novos desafios

Venho de um dia cheio. Duas vidas que se cruzaram na minha começam hoje um novo desafio: um vai para Angola, missionário por 5 meses. Veio ao convento dar-me um abraço. Fizemos uma celebração de bênção do missionário e ofereci-lhe uma cruz dominicana que a leva ao peito; o outro, após uns meses desorientado, segue também ele o seu rumo. Fui levá-lo a casa de uma amiga que o vai acolher por um mês para ver se a vida, aos poucos, se refaz. É bom quando no escuro se acende uma luz. Dou graças a Deus por estas duas vidas que se cruzaram na minha vida nestes últimos dias. E pelos amigos que me ajudam a ajudar. Bendito seja Deus. Que a todos abençoe e ampare.