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P. Congar e a liturgia

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Não sei se há algum estudo académico ou literário sobre esta faceta do P. Congar. Um frade incontornável na Igreja do século XX e também na Ordem, mesmo se sofreu alguma coisa antes do Concílio, fosse por pressão do Vaticano (Pio XII) fosse por parte da Ordem, que o queriam silenciar. Uma coisa é certa: o P. Congar mostrou aos que se achavam na verdade que poderiam estar a ser injustos para com a Verdade. De tal modo que o Concílio lhe dará razão e o Papa João Paulo II fá-lo-á cardeal, já doente, no fim da sua vida. Voltando ao tema. Não sei se há algum estudo sobre a relação do P. Congar com a liturgia. Mas, nestes dias de trabalho, em que me coube juntamente com o secretário fazer uma "informatização" do conteúdo dos arquivo da Comissão, encontrei, por acaso, uma carta do P. Congar ao então Mestre da Ordem fr. Vicente de Couesnongle sobre a aprovação do primeiro livro litúrgico da Ordem, aprovado depois do Cocílio. Trata-se de um pedido que o Mestre da Ordem fez a ...

Diários

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Comecei há dias a ler mais um Diário. Desta feita, o do P. Congar, dominicano, entre os anos 1946-1956. Gosto de ler diários e também de os escrever. Ao longo da vida várias tentativas, somadas à ideia inocente que todos os dias se deveria escrever alguma coisa... Já dominicano, tentei uma vez mais recomeçar um diário. Também sem sucesso, mas nesta fase já a ter consciência da perversidade dos diários. Se, por um lado, até se pode ter a necessidade de escrever, por outro esconde-se o que se escreve. Mas há sempre um fundo nublado que nos garantirá que, um dia, os diários serão lidos, mesmo sem nossa autorização. Tirando os casos de excepção de escritores que foram pagos para os escrever, grande parte dos diários são palavras escondidas com desejo de um dia serem reveladas. Creio que já aqui escrevi sobre este assunto, e mais que assunto uma inquietação e que aqui citei, também Miguel Torga, também ele escritor de Diários, em que, às tantas, ele chega a esta mesma conclusão: se não q...

Três apontamentos

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Neste meu silêncio, já a semana vai a chegar ao seu termo e, de facto, sinto algumas melhoras, poucas mas algumas, deixo três apontamentos, diferentes entre eles. 1. Quando tomo medicamentos lembro-me quase sempre de uma série infantil dos meus anos de criança "O corpo humano". Há dias vi que relançaram a série, talvez melhorada e acrescentada. Mas imagino os grande combates entre os maus e os bons, entre os intrusos e os do corpo, ajudados pelos medicamentos que ingerimos. Uma verdadeira quimera para o corpo, imagino. 2. Ainda no plano das doenças, aproveitei estes dias para escrever uma conferência que vou fazer no próximo mês, com o título "O tempo da doença, oportunidade para o reencontro com Deus". Pedem a experiência de um capelão. A minha experiência será sempre limitada enquanto não for "tocado na carne". Expressão violenta, esta, tirada do livro de Job, mas que significa isto mesmo; experimentar em si próprio a dor e o sofrimento. Enquanto ...

Estar 'zangado' com a Igreja

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De vez em quando cruzo-me com algumas pessoas que dizem estar zangadas com a Igreja. Porque o Papa fez isto ou disse aquilo, porque a Igreja é rica e devia ajudar mais os pobres, porque os padres são muito pecadores, porque os que vão à missa são piores que os que lá não vão, porque a doutrina da Igreja está desactualizada... enfim, uma ladaínha de queixas, quase todas elas com algum fundo de verdade. No entanto, a Igreja é mais que um discurso do Papa, é mais do que o Vaticano cheio de obras de arte (que não se podem vender porque o direito internacional proíbe e porque o Vaticano tem a tarefa de as conservar em nome do Estado italiano...), é mais do que os pecados dos padres ou dos fiéis. A igreja é, como escreveu São Paulo, um corpo, do qual, todos os que são baptizados fazem parte; ou então, como diziam os primeiros Padres da Igreja, ela é 'Sancta et Meretrix' (santa e pecadora). E, por isso, mais do que queixar-se da Igreja ou zangar-se, devemos rezar por ela e pelos seus ...