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Arroz de pato ou pato com arroz?

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Escapa à estrutura deste blogue uma entrada sobre gastronomia. Ainda por cima com um tema do qual não sou especialista, mas que tenho vindo a pensar nele: o famoso arroz de pato. Tal e como o conhecemos não o conheci eu na minha infância. Aliás, não me lembro sequer de ver a minha mãe ou a minha avó (as minhas referências na culinária) de o terem feito até vir a moda das camadas de arroz com o pato no meio. O que sim era da minha infância era o pato com arroz. Não era feito em casa: a minha mãe mandava-nos ir buscá-lo ao restaurante “O Cancela”, prato das quintas-feiras. E aquele almoço era um verdadeiro manjar. Levávamos o tacho e a cozinheira colocava no fundo um arroz de forno, solto (e sem haver o famigerado arroz vaporizado), feito com os miúdos do pato e em cima as partes do pato, trinchadas, com pele crocante e cheio de sabor. E na casa dos meus pais era o que se comia com alguma frequência. Fechou o restaurante e acabou-se o pato com arroz lá em casa. Há uns anos, mais ou menos

Projectos inacabados

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Ao olhar para o passado da minha vida vejo que ela tem tido muitos projectos inacabados. Se, por um lado, me orgulho de alguns projectos que pus em marcha e que, sempre que possível, os levei a bom termo ou entreguei a outros para que o continuassem, há outros, mais pequenos, que me dariam imenso prazer conclui-los mas que, por desleixo, desmotivação ou outro mecanismo sub-consciente, uns ainda começaram mas outros, infelizmente, só ficaram mesmo no desejo. Como o de escrever sobre pessoas admiráveis que passaram pela minha vida e que gostaria de não me esquecer delas. As memórias do meu avô paterno, por exemplo, da D. Maria José, leitora e ministra da comunhão em Marvila, a D. Secunda, zeladora incansável também em Marvila, e alguns frades, dos quais tenho memória mais viva. Mas uma dessas pessoas é a tia Maria Piedade, de Feirão, que tanto influenciou na minha piedade popular de Feirão, de quem sinto obrigação hoje de escrever. Era como uma profetiza, sempre a chamar o povo à oração

Prefiro o paraíso - São Filipe de Neri

 Neste dia, há 4 anos, escrevi aqui a minha admiração por São Filipe de Neri. Admiração sempre crescente, à medida que os anos passam. Não posso ter a ousadia de dizer que me identifico com ele porque só mesmo o nome nos une. A santidade e a simplicidade de São Filipe de Neri deixam-me perplexo e a anos de luz deste homem de oração, de caridade e de muito humor. Mas, como diz o Papa Francisco, e bem, " há testemunhos que são úteis para nos estimular e motivar, mas não para procurarmos copiá-los, porque isso poderia até afastar-nos do caminho, único e específico, que o Senhor predispôs para nós ". Prefiro o paraíso, ensinava ele às crianças abandonadas e rebeldes. O caminho do mal não nos leva ao paraíso e para o alcançar temos mesmo de fazer opções, preferências. Não sabemos muito da vida de São Filipe de Neri mas, no filme que se fez sobre ele, há um momento muito impactante: Há uns boatos sobre o mau uso de dinheiros entregues à igreja de São Filipe que ele usava para os po

O cristianismo é mais que uma religião

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José Saramago (1922-2010), numa entrevista-diálogo com José Tolentino Mendonça, publicada pelo jornal Expresso em 25/10/2009, a propósito do seu livro “Caim”, diz a certa altura: “ Eu sou aquele que diz que, embora seja ateu, estou empapado de valores cristãos ”. Não era a primeira vez que José Saramago usava este tipo de expressões. Numa outra entrevista, Saramago expõe de uma maneira mais clara o seu pensamento sobre uma “mentalidade cristã”. Nas suas palavras: “ Eu, às vezes, digo que, no plano da mentalidade, sou um cristão, e não posso ser outra coisa. Quando Pessoa diz ‘não ter Deus já é ter Deus’ ele está a pôr a questão ao contrário porque ninguém começou por não ter Deus. Todos começamos por ter Deus e conservamo-nos assim ”. É, então, inegável – e não só por Saramago o ter dito – que a nossa cultura e mentalidade ocidental é (ainda) profundamente cristã. Negar isto seria como negar que tivemos avós ou tios. Reparemos em alguns exemplos práticos: férias de Natal…, férias da Pá

Frei Pedro Ouana - Homilia da Missa exequial

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Minhas irmãs, meus irmãos, O Padre António Vieira, num dos seus sermões fúnebres, dizia que estas celebrações nos servem para três coisas: sentir a morte, louvar o defunto e consolar os vivos. E depois diz que todas as palavras poderiam ser trocadas por lágrimas pois, dizia ele: “ as lágrimas são o mais vivo sentimento, porque são o destilar da dor; são o mais encarecido dos louvores, porque são o preço da estima ”. Mesmo se não temos as lágrimas a correr pelo nosso rosto todos nós hoje choramos a morte do nosso querido frei Pedro. Lágrimas de luto e de dor, lágrimas que não podem ser evitadas quando olhamos para a sua vida, os seus esforços, o tanto que poderia ainda dar à Igreja através da nossa Ordem. Hoje chora Moçambique o seu filho, chora Angola o seu frei, choramos nós o nosso irmão.  Mas as nossas lágrimas são também de carinho e afecto, envolvidas na esperança cristã, que fizeram o frei Pedro perceber e viver a sua vida até ao fim e que a nós nos faz compreender que a nossa vi

O filho pródigo

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 Uma boa interpretação da parábola do filho pródigo.

Frei Elias Manuel Salguero, op (1949-2022)

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  O frei Elias Manuel Salguero nasceu em 1949, na Amareleja, Moura. Em 1988 professou na Ordem dos Pregadores, onde foi ordenado presbítero em 25 de Julho de 1993. Fundou o Centro São Martinho de Lima, para apoiar os doentes de SIDA e os grupos de risco de contaminação. Foi prior do Convento de Nossa Senhora do Rosário, no Corpo Santo. Técnico de Iluminura Medieval, deu cursos de miniatura e ilustração de textos no Instituto Rainha D. Leonor. Faleceu a 18 de Janeiro de 2022.