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O milagre de Maio

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O Maio despontou cheio de força e calor. O milagre vai acontecendo com as flores que se abrem e os frutos que gestam. Tenho a alegria de ver crescer as folhas das figueiras com as promessas de frutos doces e agradáveis, tenho a alegria de sentir as fragâncias das flores da laranjeira e do limoeiro, tenho a felicidade de ver a mutação das flores das cerdeiras em pequenas promessas de carnudos frutos. Tenho saudades das minhas giestas em flor, que imagino estarem agora exuberantes nos montes e vales da serra de Montemuro e dos meus silvados, também eles floridos, que me prometem doces amoras no Verão. E as maias que, irreverentes, crescem nestes ainda descampados do Alto dos moinhos. É a Páscoa da Natureza que se une à Páscoa da vida e à Páscoa de Jesus. Toda a criação canta o mesmo hino nos seus próprios sentidos e tons: Tudo o que vive e respira louve o Senhor.

Seja eu como tu, meu Jesus

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Senhor, saiba eu neste dia acompanhar-te no calvário de tantos irmãos e irmãs que sofrem tantas dores e abandonos.
Seja eu como aquela Maria que te lavou os pés com as suas lágrimas e os perfumou com um caro perfume, quando deixo que o perfume das minhas acções exale na vida dos outros.
Seja eu como aquele Simão, de Sirene, que te ajudou a levar a cruz, quando penso menos nas minhas fadigas e cansaços e amparo os que a cruz quer levar ao chão.
Seja eu como aquelas mulheres de Jerusalém, ao chorarem por ti, quando também eu choro as dores e sofrimentos dos mais pobres. Seja eu como José de Arimateia, que te sepultou no seu sepulcro, quando saio do meu egoísmo e partilho com os outros o que tenho e o que sou. Seja eu como tu, meu Jesus, que deste a vida por mim, quando eu perceber que é dando que se recebe, que quando sou humilde me exaltas e quando morro para mim tu me ressuscitas. Sei, Senhor, que estarás em agonia até ao fim do mundo, por isso te peço: até ao fim da minha vida seja eu …

Acompanhar Jesus

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"Senhor, nosso Soberano, / cuja glória reina em toda a terra! / Mostra-nos pela tua Paixão, / que Tu, o verdadeiro Filho de Deus, / por todos os tempos, / mesmo nos tempos de maior humilhação, / sempre foste glorificado!" Foi assim que  J. S. Bach quis começar a sua Paixão segundo São João. Numa oração dirigida a Jesus, reconhece que tudo o que se vai ouvir não é uma história trágica mas sim glória de Deus manifestada no amor da Cruz, toda ela glória e luz.
E assim começa esta semana da Paixão, em que somos convidados a ouvir e a viver a morte de Cristo, que passa pela Cruz mas que termina na Luz da Páscoa. A melhor Páscoa será se entrarmos com Jesus em Jerusalém, se nos sentarmos à mesa com ele na Última Ceia, se permanecermos junto à Cruz, se em silêncio também nós respeitarmos o sábado do túmulo e se no dia de Páscoa renascermos do lado aberto que ele nos mostra como sinais do Ressuacitado.

Ser paciente - Jean Vannier

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Nós não somos senhores da nossa sensibilidade, das nossas atracções, das nossas repulsas, que vêm dessas profundezas do nosso ser que controlamos mais ou menos bem. Tudo o que podemos fazer é esforçarmo-nos para não seguir essas tendências, que fazem barreiras nas relações com os outros. Temos que esperar que o Espírito Santo nos venha perdoar, purificar, podar os ramos tortos do nosso ser. A nossa sensibilidade foi constituída de mil medos e egoísmos desde a nossa infância; como também é constituída pelos gestos de amor e pelo dom de Deus. É uma mistura de trevas e de luz. E não é num dia que esta sensibilidade será endireitada. É esforço que exigirá mil purificações e perdões, força de vontade diária e, sobretudo, a graça do Espírito Santo renovando-nos por dentro. Transformar pouco a pouco a nossa sensibilidade, para poder começar a amar realmente o inimigo, é um trabalho exigente. Temos que ser pacientes com a nossa sensibilidade e os nossos medos, temos que ser misericordiosos c…

Deserto - Carlo Maria Martini

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Ser Igreja no deserto significa antes de tudo que a Igreja procura o deserto e dele se nutre. Se tivéssemos tempo de explorar estes valores, descobriríamos numerosas grutas de eremitas e numerosas habitações de monges que ao longo dos séculos aqui viveram. De toda a cristandade vieram milhares e milhares de pessoas para o deserto para se nutrirem de Deus e nutrirem a sua Igreja.
E ainda hoje a vida monástica continua neste deserto, no do Sinai, nos desertos do Egipto e nas regiões do monte Athos; cada um destes mosteiros decide retomar a experiência da Igreja no deserto. Também cada um de nós é convidado a nutrir-se de momentos de deserto na própria vida.
Ser Igreja no deserto significa além disto preocupar-se com aqueles que, no deserto da nossa sociedade, estão abandonados na borda dos caminhos, como pobres, marginalizados, excluídos, doentes, esquecidos.
Estar no deserto significa aperceber-se que aos lados da estrada existe quem esteja mais desesperado e mais só do que nós, isto é, …

O pai, São José

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Ainda não se descobriu em profundidade a espiritualidade de São José. Há uns anos Leonardo Boff escreveu um livro bem interessante sobre São José. E, depois disso, continua a escrever sobre o que descobriu e sobre o que escreveu.
Hoje deixo só esta imagem de São José, quadro de uma igreja do Canadá. Se repararem na cara de Deus e de São José é a mesma e até no pormenor da barba...
Leonardo Boff fez, no Brasil, uma segunda edição do livro. Na primeira o título foi menos convidativo: São José e a personificação do Pai. Esta nova edição tem um título mais adequado à realidade: São José, o pai de Jesus numa sociedade sem pai. Actual, real e profundo.

Deus não pode deixar de amar!

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"Deus não pode deixar de amar! Esta é a nossa segurança. Eu posso recusar esse amor, posso recusá-lo como o recusou o bom ladrão, até ao fim da sua vida. Mas aí esperava-o esse amor. O mais malvado, o maior blasfemo, é amado por Deus com uma ternura de pai, de papá. E, como diz Paulo, como diz o Evangelho, como diz Jesus: "Como uma galinha com os seus pintainhos».
E Deus, o Poderoso, o Criador, pode fazer tudo: Deus chora! Neste pranto de Jesus sobre Jerusalém, nestas lágrimas, está todo o amor de Deus. Deus chora por mim, quando eu me afasto; Deus chora por cada um de nós; Deus chora por aqueles malvados, que fazem tantas coisas horríveis, tanto mal à humanidade... Espera, não condena, chora. Porquê? Porque ama.
"
(Homilia do Papa Francisco, 29 de Outubro de 2015)