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As grandes santas da Ordem Dominicana III: Beata Amada

Como se disse na primeira parte desta exposição, a Beata Amada fez parte, durante muitos anos, do grupo das primeiras monjas da Ordem Dominicana, as três beatificadas em conjunto. No entanto, na revisão do Calendário litúrgico a Beata Amada saiu do grupo, por não e saber quase nada da sua vida. Por isso, seguindo a tradição, porque a tradição reaviva a memória, diremos o pouco que sabemos desta vida escondida, mas bem iluminada em Deus. A Beata Amada foi umas das quatro monjas que o Papa Honório III  enviou de Roma a Bolonha, afim de ajudar na construção do recém fundado mosteiro de Santa Inês. Não era difícil dispensar quatro monjas uma vez que o mosteiro de São Sixto contava, naquela altura, com mais de cem monjas. O Papa enviou estas quatro, talvez as mais santas e mais espirituais, para santificar e espiritualizar o mosteiro de Bolonha. Sabemos que ela, em Bolonha, era como que a secretária do mosteiro. Existem vários documentos escritos por ela, como o registo da fisionomia de São …

As grandes santas da Ordem Dominicana II: Beata Cecília Romana

Tem agora espaço neste post a segunda beata das três primeiras grandes santas da Ordem Dominicana: Cecília Romana, por ser de Roma.
Falamos da primeira historiadora de São Domingos. De facto, é ela que o descreve quer na figura quer na virtude. É uma das quatro monjas que, do mosteiro de São Sixto em Roma, vão para Bolonha, ajudar na construção espiritual do mosteiro, recentemente edificado. Com 17 anos era já monja de uma comunidade religiosa de Roma. Estando São Domingos em Roma, por volta de 1218/19, o Papa Honório pede-lhe um "milagre": que reúna num só mosteiro as várias pequenas comunidades monásticas femininas de Roma. Cecília vai ser a primeira a aderir a este projecto e vai convencer outras a juntarem-se todas numa só comunidade. Por ter tido esta atitude, foi sempre particularmente querida por São Domingos. É ela quem, no processo de canonização, vai revelar aspectos íntimos e virtudes de São Domingos. Foi, por isso, sempre muito querida por toda a Ordem, por poder …

As grandes santas da Ordem Dominicana I: Beata Diana de Andaló

A Ordem Dominicana celebra hoje três grandes santas: As Beatas Diana, Cecília e Amada. Esta última saiu da celebração litúrgica, talvez porque se sabe muito pouco da sua vida. São três monjas, ligadas ao início da Ordem: A beata Cecília, de Roma, muito ligada a São Domingos, a beata Diana, de Bolonha, muito ligada ao Beato Jordão e a beata Amada muito ligada à fundação do primeiro mosteiro de monjas dominicanas em Roma.
A beata Diana, quando lemos alguma biografia mais antiga, é elogiada com todos os superlativos: felicíssima, belíssima, cultíssima, nobilíssima, eloquentíssima... Imaginemos como não seria esta Mulher no século XIII. É em Bolonha, ao ouvir as pregações do Beato Reginaldo de Orleães, que estava há pouco tempo na Ordem e na recém fundação do Convento da cidade que ela pede para ser ajudada espiritualmente. Após algum tempo de discernimento, decide fazer profissão (ainda sem haver mosteiro nem monjas) de obediência e pobreza. E será São Domingos que a receberá. E, enquanto…

Regresso à Igreja depois do Covid-19

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No próximo sábado (dia 30 de Maio), com a normalidade possível, vamos poder regressar à nossa casa, a igreja que nos acolhe para celebrarmos a nossa fé. Como se fosse uma primavera que impacientemente esperou o final do frio e das chuvas. O Convento de São Domingos, em Lisboa, também já está a ultimar preparativos para acolher aqueles que vão lá celebrar a sua fé. As medidas de segurança e de protecção, ainda que pareçam excessivas, não nos vão tirar a alegria do reencontro. Deixo aqui horários e lugares virtuais que se criaram para o tempo de pandemia e que continuarão a ser um complemento e prolongamento da nossa vida comunitária.
Horários das Eucaristias: Dominicais: Sábados às 18.30h; Domingos às 12h e às 18h.
De segunda a sexta-feira: 8h Sábados: 8.30h
(Uso obrigatório de máscara e desinfecção das mãos à entrada da igreja) Para aceder ao:
Site da igreja do convento de São Domingos, clique aqui. Canal de Youtube do Convento, clique aqui. Meu canal de Youtube, clique aqui. Facebook da…

Do estado de emergência ao estado de calamidade... sempre em estado de graça

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“Deus perdoa sempre, os humanos às vezes, mas a Natureza nunca perdoa” Várias pessoas reivindicam a autoria desta frase muito conhecida e, nos últimos dias, muito citada. O Papa Francisco citou-a há pouco tempo, ao falar desta pandemia que estamos a atravessar e, queira Deus, a ultrapassar. Todo o mundo está a ser penalizado por este desastre da natureza. Também aqui a natureza não perdoou nem escolheu quem atacar (enquanto não se provar o contrário). Algumas pessoas disseram que parecia um filme de ficção científica, outras que era uma guerra biológica, outras ainda um tsunami. Ouvi um pregador dizer que Deus era nosso aliado e não aliado do vírus, o que me agradou, vi um cartoon com um diálogo entre Deus e o diabo em que este dizia para Deus: estás a ver? Com o covid19 acabei por fechar as tuas igrejas. Ao que Deus respondeu: enganas-te, abriste uma em cada casa. Não quis ler nem ouvir pessoas a querer insinuar que seria um “castigo de Deus” ou que “Deus não mandou o vírus, mas perm…

O (meu) cântico de Páscoa

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Meu está entre parêntesis porque na verdade o cântico que aqui vou escrever não é meu, ou melhor, é também meu porque quem o escreveu fê-lo para ser partilhado. Falo do frei José Augusto Mourão, que faleceu em 2011. Não é uma figura de renome mas reconhecida por quem é de renome. José Saramago dedica-lhe umas frases no seu Diário, o Cardeal Tolentino Mendonça reconheceu nele uma pessoa de peso, mesmo que não de visibilidade. Cito o início de um texto que ele escreveu por ocasião da sua morte: "Um dia, quando se fizer a história do catolicismo português que nos é agora contemporâneo, há-de ver-se, em toda a clareza, que um dos seus actores magistrais foi, afinal, um frade e poeta, quase clandestino, que morreu esta manhã em Lisboa". Para os que convivemos com ele atencipámo-nos à história, tornando-o presente nas nossas vidas, seja pelas releituras, seja pelas letras de cânticos que no Convento de São Domingos se vão cantando.
Reconheço que a acessibilidade seja difícil, até…

Mensagem pascal - Cardeal Suenens

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Chega o dia de Páscoa e com ele a certeza da imortalidade da nossa existência, garantida pela Ressurreição de Cristo. O Cardeal Suenens, termina o seu livro «vida quotidiana - vida cristã» (1965) com esta mensagem pascal que aqui deixo para reflexão nos próximos dias.


Porque buscais entre os mortos Aquele que vive? (Os anjos às santas mulheres, São Lucas 24, 5).
Há uns anos, um filme americano intitulado – parece-me - «O mundo nas trevas», punha em cena o seguinte tema.
VAZIO, - O TÚMULO?
Procedendo as escavações em Jerusalém, principalmente à volta do Calvário, um erudito arqueólogo anunciou um dia haver encontrado o túmulo onde Jesus fora deposto, o túmulo de José de Arimateia e... que finalmente, o túmulo não estava vazio. Declarou haver lá encontrado um corpo mumificado, e mostrou-o. A multidão precipitou-se para ver o cadáver: Cristo, afinal, não ressuscitara! A notícia foi logo transmitida, pela Imprensa e pela Rádio, aos quatro cantos do mundo. Logo também o mundo mergulhou em t…