sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Dar lugar a Deus

Inaugurou-se, hoje, no Vaticano o presépio e acenderam-se as luzes da grande árvore de Natal. Eu, porque estava em outros afazeres, cheguei meio minuto antes de apagarem as luzes. O Papa não esteve na cerimónia mas recebeu esta manhã os que estiveram envolvidos quer na construção do presépio quer no enfeite da árvore. E, com palavras simples, agradeceu e disse isto, que acho que todos nós deveríamos ter presente nas nossas casas: "O presépio e a árvore transmitem uma mensagem de esperança e de amor, e ajudam-nos a criar o clima natalício favorável para viver com fé o mistério do nascimento do Redentor, que veio ao mundo com simplicidade e mansidão. Deixemo-nos atrair, com a alegria das crianças, diante do presépio, porque lá compreende-se a bondade de Deus e contempla-se a sua misericórdia que se fez carne humana para enternecer o nosso olhar." Nada de transcendente mas não deixa de ser uma bela reflexão a caminho do Natal.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

P. Congar e a liturgia

Não sei se há algum estudo académico ou literário sobre esta faceta do P. Congar. Um frade incontornável na Igreja do século XX e também na Ordem, mesmo se sofreu alguma coisa antes do Concílio, fosse por pressão do Vaticano (Pio XII) fosse por parte da Ordem, que o queriam silenciar.
Uma coisa é certa: o P. Congar mostrou aos que se achavam na verdade que poderiam estar a ser injustos para com a Verdade. De tal modo que o Concílio lhe dará razão e o Papa João Paulo II fá-lo-á cardeal, já doente, no fim da sua vida.
Voltando ao tema. Não sei se há algum estudo sobre a relação do P. Congar com a liturgia. Mas, nestes dias de trabalho, em que me coube juntamente com o secretário fazer uma "informatização" do conteúdo dos arquivo da Comissão, encontrei, por acaso, uma carta do P. Congar ao então Mestre da Ordem fr. Vicente de Couesnongle sobre a aprovação do primeiro livro litúrgico da Ordem, aprovado depois do Cocílio.
Trata-se de um pedido que o Mestre da Ordem fez a vários peritos da Ordem sobre a Carta de Promulgação do volume da Liturgia das Horas que ele escreveu. Foi enviada, como digo, a vários irmãos, um dos quais o nosso querido P. Congar. No dia 28 de Agsto chega a Roma uma pequena carta com o seu parecer. Nela se lê que não tem muito a acrescentar mas que gostaria de insistir em que "1º: na unidade entre celebração dos mistérios, seja no estudo (teologia), seja na sua comunicação (pregação, apostolado nas suas formas mais variadas); 2º que não há comunidade religiosa possível se não se celebra em conjunto as festas litúrgicas; 3º a liturgia guarda um grande tesouro da tradição e da confissão da fé apostólica".
Isto diz muito e dá que pensar a nós, dominicanos. E dará muito que fazer.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Uma das sete colinas

Tal como Lisboa, Roma também tem as suas sete colinas. Uma delas, a que está mais a sul, é a do Aventino, onde está o convento de Santa Sabina, onde estou nestes dias. Este bairro, que desde a Antiguidade foi sempre considerado dos mais "ricos", sempre foi um bairro calmo, em que o movimento se faz praticamente para ir ver a vista da cúpula de São Pedro. No vale do Aventino está o famoso Circo Máximo e, do outro lado, outra colina, onde está uma outra nobre colina, a do Palatino. Voltando a esta colina, ela tem quatro basílicas: a de Santo Anselmo, a mais recente e onde está o grande centro de estudos em liturgia, a de Santo Aleixo (San Alessio), cuja história é comovente mas que não cabe neste espaço, a de Santa Sabina, uma cristã romana cuja basílica se construiu sobre a sua casa, e Santa Prisca, ou Priscila, uma cristã que, segundo a tradição foi baptizada por São Pedro, e de quem São Paulo fala em várias das suas cartas. Era uma veneranda cristã que recebia a Igreja na sua casa. Foi também sobre esta casa que se construiu esta igreja, que é paróquia, simples mas muito bela pela sua brancura e pelo que resta dos seus frescos.
Assim enriquecida, esta colina tem também vida religiosa muito silenciosa ou, se quisermos, contemplativa: os beneditinos, que vivem, rezam e estudam em Santo Anselmo, os dominicanos, que vivem, rezam e estudam em Santa Sabina e, descendo um pouco, um mosteiro de monjas camaldulenses, que seguem a regra de São Bento, que aqui vivem, rezam e praticam a caridade com os mais pobres. Todos os dias, pela hora do almoço, abre-se uma fila de pobres que, à porta do mosteiro recebem algum alimento.
Uma riqueza espiritual numa sossegada e tranquila colina de Roma.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

As esperas

Um ditado diz que quem espera sempre alcança mas um outro não ilude: quem espera desespera.
E aqui estou eu, no aeroporto de Lisboa, à espera de um avião que me levará a Roma mas que já vai partir com atraso. O aviso chegou ao meu telemóvel tinha eu acabado de sair de casa.
O ambiente é calmo, apesar de tudo isto parecer um centro comercial. A música de fundo demasiado mexida para estas horas da manhã, as lojas de marca vazias, as do galo de Barcelos, que agora se tornou o ícone de Portugal, vão tendo algumas pessoas à procura de vinho do Porto ou de pastéis de nata...
E movimento. Pessoas para trás e para a frente, com malas e sacos, casacos, e até um senhor com um grande guarda-chuva.
Na minha mala de mão vai só o portátil e uma pasta com documentos de trabalho. Mais uma vez os trabalhos de Roma, da comissão litúrgica a que presido.
Aqui estou eu, sentado numa cadeira de espera, tentando não desesperar e querendo Roma alcançar. 

domingo, 20 de novembro de 2016

Três encontros

Pelo que de diferente foi este dia de sábado, aqui deixo uma partilha de três encontros com pessoas e contextos diferentes mas enriquecedores:
1. Hoje, dia 19 de Novembro, é dia importante para as Irmãs Dominicanas Missionárias do Rosário. Hoje celebram a vida do seu fundador: Monsenhor Rámon Zubieta. Creio que mesmo entre nós, dominicanos, pouco se sabe deste admirável frade dominicano, que foi missionário primeiro nas Filipinas e depois no Peru, foi bispo de uma região que abarcava a região de Urubamba, com muita selva por descobrir e evangelizar. E foi fundador, juntamente com a já beata Ascensão Nicol. Fui de manhã celebrar com elas e, na homilia, fiz um zoom destas três vertentes de Mons. Zubieta: Dominicano, Missionário e Bispo. Ao olhar para este Homem de Deus vemos que já no século XIX se vivia o que agora é programa da Amoris Laetitia e de outras dioceses: o sonho missionário de chegar a todos. Mons. Zubieta abriu o caminho deste sonho, envolvendo-se muito na vida das pessoas, em especial as mulheres e as crianças, que precisavam de formação e protecção.
2. Igualmente, hoje, dia 19 de Novembro, fui ao Colégio João XXIII (não se confunda com João 13), celebrar mais um aniversário da fundação do Colégio. Os Fundadores, António e Dulce Moreira Marques, já noutro convívio que não o nosso, quiseram dar o nome do Papa que admiravam pela sua maneira de estar na Igreja e no mundo. A Professora Dulce conheci-a já bastante debilitada e, porque me gostava de me ouvir nas Missas do Campo Grande, acabei por depois fazer-lhe o funeral. Daí a minha ligação ao Colégio. E hoje fui falar-lhes de talentos que temos e que são para pôr a render e para partilhar, e também do amor ao próximo. Inevitável não falar de João XXIII na homilia.
3. Na parte da tarde saída com os noviços para um passeio/encontro na praia. O tempo proporcionou-se, pese embora não ter sido o melhor dia de outono. Tempo de reflexão, de avaliação dos dois meses de noviciado e também de oração. Foi lá que começámos a celebração de Cristo Rei, rezando as primeiras vésperas.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Recebestes de graça, dai de graça

Com alegria recebi o último livro de homilias para o Ano A. É um fim de um ciclo, foram três anos a escrever e rever textos e concordâncias, numa tentativa de melhor acolher e pôr em prática a Palavra de Deus que a liturgia nos oferece. Também com alegria que a primeira apresentação se fará já, de hoje a oito dia, em Lamego! Grande acolhimento me têm feito e que só posso agradecer. Igualmente com alegria decidi oferecer o lucro dos meus direitos para a Ajuda de Berço, uma pequena migalha para ajudar a construir uma nova casa para acolher crianças abandonadas com doenças com cuidados continuados e paliativos.
Aqui fica o convite para quem possa lá ir.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Como cantar a graça?

Neste dia em que cumpro 41 anos de idade, faço minhas as belas palavras poéticas do hino que cantámos esta manhã na oração de Laudes. Palavras do meu saudoso confrade fr. José Augusto Mourão e que tão bem me souberam logo de manhã:

Um dia novo nos acorda,
oferta surpreendente:
Senhor, em tuas mãos entregamos
dia novo, promessa nova.

Maravilhados estamos
das obras que criaste;
Senhor, por oferenda apenas temos
a certeza do teu amor.

O gosto é grande de viver
em Ti e nos irmãos;
Senhor, não temos outras iguarias
senão fome do teu amor.

Como cantar a graça
como cantar o dia;
Senhor, se não bater o coração
na esperança do Reino a vir.

Um dia novo nos visita,
um dia que criaste;
Senhor, que o Filho em nós leve a fim
a vitória da Cruz.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Os ícones de Deus

Amigos,
sois o ícone de Deus,
o Seu manifesto,
a Sua imagem,
a Sua visão.

A função do ícone
é deixar vislumbrar
Aquele que é intangível,
provocar o desejo
de O conhecer,
transfigurar o real
e colocar-lhe no meio
a surpreendente luz
do totalmente Outro.

Amigos,
sois o ícone de Deus,
vós o desenhais
com a carne e o sangue,
com o suor
e as hesitações,
com as palavras e os gestos,
com as recusas e as revoltas,
com o amor e os beijos,
com o carinho.

Sem fingimentos nem mentiras,
sois o ícone de Deus.
Não vos apresseis!
Precisa-se uma vida inteira
para o pintar,
tão minucioso é o cuidado
que requer.

Para o conseguir,
é preciso contemplar
muitas vezes o Modelo,
até que na vossa face
transpareça o Seu Rosto.
(Ch. Singer)

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

No prelo

Acabo de entregar as provas finais do terceiro e último livro de homilias referentes ao Ano A. O atraso foi muito devido ao incêndio e aos trabalhos que me tem dado de acompanhamento das obras. Mas o importante é que, agora, é só corrigir as gralhas e colocar na máquina. O título será: "Recebestes de graça, dai de graça", com o prefácio do meu Mestre da Ordem, que teve a amabilidade de mo fazer, com os lucros a reverter para a nova casa da Ajuda de Berço. Ainda não há data de apresentação porque depende agora da impressão do livro mas ficará a cargo do meu confrade e amigo fr. José Manuel Fernandes. Assim se acaba uma trilogia de homilias e uma pausa na edição.
(Apesar de esta fotografia não estar relacionada com o texto decidi colocá-la porque estava guardada para um post que gostaria de ter escrito sobre a festa do acolhimento das crianças do primeiro ano de catequese nos Maristas. Todos no coração de Jesus!).