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Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito

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Última palavra de Cristo na Cruz antes entregar a sua vida. Não sabemos se foi propositado ou não mas, quer a primeira quer a última palavra de Cristo foram orações ao Pai. Nas duas chama a Deus de Pai, como sempre Jesus chamou e nos ensinou a chamar. Também duas das frases são citações de salmos; Jesus personaliza o salmo 31, que é um salmo indicado para as horas de tribulação. Este grito de Jesus ao Pai, é uma entrega a Deus da sua vida: Jesus, no fim da sua vida e nós, em cada dia, numa entrega de confiança e de amor. Este grito é também o grito dos que, no meio do desespero, se entregam a Deus, as suas horas e dores, as suas angustias e os seus desesperos. Jesus dá-nos uma última lição antes de morrer: unidos ao Pai os vales tenebrosos da vida passam-se na calma e na confiança.

A paixão do Senhor

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Ao ler a Tua Paixão, Senhor, eu te peço:
Que me livres do farisaísmo cego e insensível
Que tantas vezes trai e mói
Que contradiz e argumenta sem argumentos
Que vive da aparência e do agradar aos outros.

Ao ler a Tua paixão, Senhor, eu te peço:
Que me faças compreender o gesto acolhedor
Da Tal pessoa que o Evangelho não nomeia
Mas que ficou guardado na memória da fé.
O gesto solidário do Cireneu, que cansado
e talvez até contrariado foi revelador de proximidade na dor;
O gesto de misericórdia de José de Arimateia,
Que cedeu o seu próprio túmulo para que o teu corpo
Pudesse ter a dignidade que o sofrimento e a injustiça tiraram.

Ao ler a tua Paixão, Senhor, eu te peço:
Que me faças seguir o teu exemplo de humildade
Que tantas vezes passa pelo silêncio:
Silêncio diante da traição de um amigo
Silêncio diante da incompreensão, em que qualquer palavra
Gera ainda mais violência
Silêncio diante dos ultrajes e das mentiras que afogam e matam

Ao ler a tua Paixão, Senhor, eu te peço:
Que eu sa…

Tudo está consumado

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Sexta palavra de Cristo na cruz. Não se trata de uma rendição ou de um deixar de querer viver. O tudo está consumado que sai da boca de Jesus é o anúncio de que tudo se completou e até ao fim da vontade de Deus e da salvação do homem. Tudo está consumado. Jesus, cansado, não de viver mas sim de sofrer, entrega ao Pai toda a humanidade por quem deu a vida. No entanto, a obra de Deus continua a precisar de homens e mulheres que prolonguem a consumação do mundo. Homens e mulheres que ajudem outros a perceber o sentido da vida e das coisas. Homens e mulheres que pensem as questões existenciais da vida e os modos de agir. Cabe agora, a cada um de nós, continuar a obra de salvação iniciada por Deus, consumada na Cruz por Jesus, entregue a cada um de nós na busca do sentido da vida e do amor.

Via Sacra

O meu amigo António Saiote ofereceu ao Convento um quadro com as estações da Via Sacra. O meu confrade, fr. José Manuel fotografou e fez este vídeo que partilho, desejando uma Boa Páscoa, meditando em todo o amor de Cristo por nós.

Tenho sede

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Quinta palavra de Cristo na Cruz. Não tem nenhum sentido espiritual, mas sim o que um homem cansado e agonizante sente depois de tantos tormentos: sede. Nos Evangelhos não é primeira vez que Jesus sente sede. Quando entra em Sicar e se senta à beira do poço, na hora mais quente do dia, Jesus também pede à Samaritana que lhe dê de beber. A sede, uma das primeiras necessidades humanas, tem na Bíblia uma outra dimensão mais espiritual: a sede de Deus, a sede de Jesus. Mas Jesus também tem sede de nós. Deseja-nos, quer-nos, ama-nos. A humanidade deseja Deus, mesmo que por vezes o negue e lhe vire costas. Este grito/pedido de Jesus de Cristo na Cruz, não é só dele mas de todos os crucificados da história e do mundo que, continuam hoje a gritar que têm sede: sede de pão, sede de água, de roupa e de casa; de dignidade e trabalho justo, de reconhecimento e de atenção. A sede é grande neste muito, a material e a espiritual. Mas assim como do rochedo do Antigo Testamento brotou água, assim tam…

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?

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Quarta palavra de Jesus na cruz. Desta vez uma oração, o salmo 21, que Marcos só cita mas que talvez Jesus terá rezado pelo menos uma parte dele. Por um lado, algumas pessoas dizem que Jesus, na cruz, sentiu o abandono de Deus; mas não terá sido isso, terá sido a oração de confiança dirigida Aquele em quem Jesus entrega a sua vida. Mas sim, na boca de muita gente esta palavra de Cristo, é mesmo uma palavra de abandono em Deus. Uma cama de hospital, uma doença incurável e progressiva, um desespero, torturas, mortes injustas... Quem reza sente a presença de Deus. Mesmo se há abandono de saúde ou de pessoas. E Deus responde ao grito: Eu não te abandono,meu filho. Ainda que uma mãe se esqueça do filho que traz no seu seio eu nunca te abandonarei.

Mulher, eis o teu filho... Filho, eis a tua mãe

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Terceira palavra de Cristo na Cruz, exclusiva de São João. Numa visão mais afectiva e devota poderia pensar-se que Maria seria uma preocupação para Jesus e, antes de morrer, entregava a sua mãe a João e João a sua mãe para que um guardasse o outro. De facto, ainda hoje em Éfeso, cidade onde se diz ter morrido São João, existe uma casa visitável, em que se diz que foi onde Nossa Senhora viveu os seus últimos anos, na companhia de São João. Mas a leitura interpretativa é bem mais teológica que afectiva. Maria é agora não só a mãe de Jesus mas a Mãe do Messias; por isso, esta entrega é simbólica de uma outra entrega, da Igreja a cada um de nós, simbolizado no discípulo amado, mas de nós a Maria, à Igreja, a Esposa, a Mãe.
Junto à cruz começa uma nova maternidade: sem deixar de ser mãe de Jesus passa a ser, também, mãe da Igreja. Hoje, quero também entregar um rapaz aos cuidados de Maria. Irá precisar deles. E vou rezar por ele, para que encontre sempre na Igreja uma Mãe.