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Deus é um bom gestor

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Nas últimas semanas tenho pensado muito nas voltas que a vida dá e de como Deus também dá as voltas que nós nem pensamos que sejam a sua vontade. Para muitos nada é mais que coincidências, para outros também ocasiões que se proporcionam mas, para mim é isso mesmo: as voltas que Deus tem de dar para que a sua vontade se cumpra em nós e através de nós. A Bíblia dá-me razão, ou eu apoio-me nela: Quando Deus pede a Samuel para ir a casa de Jessé para ungir um dos seus filhos, Samuel fica convencido que o mais velho seria o escolhido; mas Deus diz-lhe: o homem olha à aparência mas Deus olha o coração. Lendo a Bíblia e lendo a nossa vida numa perspectiva de fé, notamos claramente as voltas que Deus dá – sem ninguém entender e às vezes até com apreensão – para que as coisas aconteçam no tempo e ocasião certa e não quando nós queremos. A Bíblia ensina-me que os obstáculos da vida são oportunidades de conquista que Deus nos dá, se não nos deixarmos prender pelo medo e pela angústia. Nós, huma…

Anno histórico: Frei António de Sousa

Frei António de Sousa, da Sagrada Ordem dos Pregadores, natural de Lisboa de ilustríssima geração, neto de Martim Afonso de Sousa, Governador da Índia, de quem acima falámos; foi Varão muito pio e douto, Mestre em Teologia, Deputado da Inquisição de Lisboa, e do Conselho geral. Imprimiu um livro de Aforismos dos Inquisidores; mais outro de Casos, mais outro sobre a Constituição do Papa Paulo V contra os solicitantes, e sobre outros Decretos Pontifícios; mais hum Sermão do Auto da Fé do ano de 1624. Morreu em Lisboa neste dia , ano de 1632. (Anno Histórico, vol. III, par. II, p. 336)

Chorar pelos defuntos?

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Escreveu assim São Cipriano, nos finais do século III sobre os mortos: Também a mim, ainda que seja o menor de todos, quantas vezes me foi revelado, quantas e tão claras vezes me foi ordenado pela bondade de Deus que clamasse sem cessar, que pregasse em público, que não se deveria chorar pelos nossos irmãos já libertos deste mundo e chamados pelo Senhor, sabendo que não os perdemos mas apenas no precedem; que, como viajantes, como navegantes, vão adiante dos que ficamos para trás. Podemos ter saudades deles, mas não chorá-los ne vestir-nos de luto, porque eles já se vestiram de branco; que não se devem dar motivos aos gentios de que eles nos censurem, e com razão, de que vivendo eles com Deus os choremos nós como perdidos e aniquilados; assim não damos provas com verdadeiros sentimentos, do que pregamos com palavras. Somos prevaricadores da nossa fé e da nossa esperança se parecer como fingido e simulado o que andamos a afirmar. De nada serve mostrar pela boca a virtude e desacreditar…

Em cima desse penedo

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Há 32 dois anos que não vinha a Feirão aos Santos. O meu avô morreu em 1980 e a minha avó vinha todos os anos, religiosamente, limpar e compor a campa do meu avô. Até que, num ano, vim com ela. As memórias são algumas: frio e chuva, uma casa inóspita (ainda em construção e sem aquecimento), o cemitério cheio de flores e, à noite, com velas, tal como o acabo de ver. Teria eu dez anos e terá sido, muito provavelmente em 1985. Tantos anos depois, o ritual repete-se nesta tarde: as pessoas vão ao cemitério compor as campas e acender as velas. Amanhã, a Missa dos Santos e a ida ao cemitério e, na sexta, para quem pode, a Missa dos Defuntos. Aqui a ideia da morte está muito presente. Não se pode dizer que há um culto dos mortos mas é, sobretudo memória e gratidão dos que nos precederam na vida e na fé. Também eu, hoje, fui aos dois cemitérios acender as minhas velas. Pelos meus avós. E rezar por todos. Lembrei-me durante o dia de hoje de uma cantiga que a minha mãe nos cantava em dias tris…

Anno histórico: Trasladação do corpo da Princesa Santa Joana

No mesmo dia, ano de 1711 foram trasladadas para novo e magnífico Mausoléu, mandado fazer por El Rei Dom Pedro II, as Relíquias do corpo da Princesa Santa Joana, filha dos Reis Dom Afonso V. e D. Isabel, sepultada no Mosteiro de Jesus, da Ordem de São Domingos, da Vila de Aveiro. El Rei Dom João V nosso Senhor mandou fazer esta trasladação pelo Bispo de Coimbra Dom António de Vasconcelos; o qual assistido do seu Cabido, do Senado da Câmara, do Provincial, e de mais alguns Religiosos de São Domingos, e da Comunidade das Religiosas do mesmo Mosteiro, abriu o cofre das Relíquias, que estava no Coro, e depois de as reconhecer pelas mesmas, que examinara e atestara o Bispo de Coimbra, Dom João de Mello, quando deu informação delas à Sé Apostólica, as incensou de joelhos o Bispo Conde Dom António, e deu a cabeça da Santa a beijar a todas as pessoas, que se achavam presentes; as quase formadas em Procissão: com tochas acesas, cantando as Religiosas Hinos e Salmos, e pegando no caixão as pri…

O final da tarde em Feirão... no Outono

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Cada época é diferente nas nossas vidas e nos vários lugares. Feirão, como não poderia deixar de ser, também tem os seus ritmos, sempre de acordo com o sol (apesar dos relógios).
O final da tarde em Feirão começa um pouco antes das 18h, quando se toca o sino para o terço. Nestes meses de Outubro o terço é rezado e prolongado com meditações e leituras (Outubro, o mês do Rosário, Novembro, o mês das almas). Entretanto, vai a sombra do sol subindo pelo Penedo Gordo e, o escurecer transforma a atmosfera: na igreja o terço, no firmamento a lua, que sobe timidamente, os pássaros que se fazem ouvir e os animais, cada vez menos, que chegam do monte, ouvindo-se as campainhas e os guizos a avisar o retorno.
Um pouco antes das 19h - porque estou cá - subo eu ao sino para anunciar que vai haver Missa: as 7 rituais badaladas. No fim da Missa, volta a tocar o sino para o rezo das Trindades, fechar-se a igreja e cada qual ir para sua casa tratar da ceia, nunca excluindo o caldo que aquece o corpo.
E…

Finalmente Feirão!

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Fim de dia em Feirão. Directamente de Campo Maior, onde fui casar um casal de amigos. De lá, atravessando montes e vales, saltando pelas montanhas, cheguei ao meu berço.
Feirão está calmo e já frio. Recebido com um forte aguaceiro, aqui estou eu, no serão da aldeia onde só se ouvem as campainhas dos animais e o latir de um cão, se passa alguém. Mas tudo é calma nesta pequena aldeia da serra de Montemuro.
Por aqui me vou ficar, uns dias, para aproveitar para descansar, ler e trabalhar um pouco, porque em férias trabalho o que não consigo trabalhar em Lisboa e que pede concentração e tempo. Assim Deus me ajude. Feirão vai ser aqui falado e recordado porque em Feirão a minha memória do passado fica muito presente. Para já, aproveitar o frio de que tinha saudades. E uma fotografia do lugar do casamento de hoje.