Mensagens

Preparai - Consolai

Imagem
Preparai é o imperativo deste segundo domingo do Advento.  Preparai um caminho, uma vida, para que o encontro com Deus aconteça nos caminhos tortuosos e difíceis da vida.
Preparai o caminho do coração de Deus até ao nosso, um caminho plano onde será preciso derrubar os muros do ódio e abater as montanhas do nosso orgulho. Preparai a festa da humildade, de Deus menino, pobre e humilde que vem nascer na nossa casa, que vem fazer uma tenda no nosso acampamento. E consolai. Consolai os tristes e os que sofrem. Consolai os que choram e os que vivem longe de Deus. Consolai os que estão sós e que sofrem. Consolai para que quando Deus vier o coração se possa encher da esperança e do amor de Jesus Cristo, que nos dá um novo vigor e  uma nova vida. Preparai. Consolai.

Vigiai!

Imagem
Vigiai, é o primeiro verbo deste Advento. Vigiar é mais que estar acordar. Vigiar é estar atento, é ter capacidade de análise sobre si e sobre os outros... é estar de vela acesa à beira da janela ou com a porta destrancada à espera de quem vem. Jesus pede-nos para vigiarmos, estarmos atentos à nossa vida, cuidando da tarefa que o Senhor nos deu e da qual nos vai pedir contas. Vigiar é deixar-se moldar pelo Oleiro das nossas vidas, aquele que nos ama e nos quer atentos, para sermos verdadeiramente felizes.

O pecado da omissão

Imagem
No próximo domingo escutaremos o Evangelho do juízo final, na versão de São Mateus. Resume-se às duas frases de Jesus: a mim o fizestes, a mim o deixastes de fazer. O P. António Vieira, que muito e bem pregou, fez um sermão sobre este capítulo 25 de São Mateus, na perspectiva do Advento, quando o Senhor vier separar os bons dos maus. Todo o sermão vai sobre a separação em classes sociais, havendo muito que separar, até na cova dos eclesiásticos! Mas, ao rematar o sermão, op P. António Vieira fala de uma espécie de pecados, que me aflige muito, que é o pecado de omissão. Na perspectiva dele é o pior dos pecados porque é um bem que se deixou de fazer. Deixo aqui parte do sermão em que se refere a este pecado. O segundo parágrafo é muito esclarecedor e o terceiro diz o óbvio que muitos cristãos não querem ler nem saber: primeiro a obrigação e depois a devoção.
Sabei, cristãos, sabei, príncipe, sabei, ministros, que se vos há-de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais estrei…

Contas fáceis de fazer

Imagem
O Evangelho de hoje é a parábola dos talentos. Talento é uma moeda que, facilmente entrou na nossa linguagem como dom, dote especial... Mas não, o talento do evangelho é mesmo moeda. Para perceber melhor das avultadas quantias que se entregaram aqui faço uma actualização de preços: Um talento é equivalente ao salário de seis mil dias de trabalho; Seis mil dias de trabalho equivalem a duzentos meses (dezasseis anos e meio); Uma pessoa que ganhe o ordenado mínimo nacional irá receber por duzentos meses de trabalho cento e sete mil euros. Portanto, o senhor da parábola entregou ao primeiro empregado quinhentos e trinta e cinco mil euros, ao segundo duzentos e catorze mil euros; e ao último cento e sete mil euros... De que se queixava ele? Era pouco? Bom domingo!

Pobres e humildes

Imagem
A Igreja fez ontem memória de São Martinho, uma dos mais ilustres santos da nossa Europa. Na liturgia há uma antífona que me impressiona sempre que a rezo e muitas vezes vem à minha mente: Martinho, pobre e humilde, entrou rico no céu. Pobres e humildes. Palavras doces, virtudes nobres, próprias dos grandes santos, pedras duras no caminho largo da vida, tantas vezes obstáculos para caminhar no caminho de Deus. Pobres e humildes. Uma pobreza que não é uma condição forçada de quem não tem alternativa, mas própria de quem quer ter a maior riqueza deste mundo e do outro: Deus.  Pobres e humildes. Uma pobreza que é opção de vida, tantas vezes contradição, mal compreendida por um mundo de consumo e de fartura. Uma pobreza que é irmã, partilha e solidariedade, apelo a procurarmos e desejarmos o pão de cada dia, que nos sustenta no essencial e nos liberta do excesso e do acumular de bens. Humildes e pobres. Uma humildade verdadeiramente humilde, pese a redundância. Humildade que é morrer para o …

Cotelo solidário

Imagem
Em Castro Daire está a fazer-se uma recolha de bens para enviar para os lugares onde o fogo não poupou nada. Têm levado feno, para os gados comerem e hoje recolhe-se roupa e alimentos para lhes fazer chegar para ajudar a reconstruir. Cotelo juntou-se à iniciativa e também está a recolher alimentos e roupas para enviar. Dentro da capela e fora dela, à volta dos muros e à porta das casas das pessoas, vamos vendo estes pequenos gestos de solidariedade que só ficam bem a quem tem e a quem tem o gosto da partilha.

Cinzas e dor

Imagem
Na viagem que fiz esta manhã, entre Coimbra e Feirão, o que vi foi desolador. O que poderia ser uma manhã de nevoeiro era um pesado fumo que, nuns lados, já era só o que restava do rescaldo. Ao longo da estrada árvores queimadas e postes caídos. Do pensamento só me saía a expressão “Meu Deus”. Paro em Tondela para fazer umas compras e parece que as pessoas são mudas. Ninguém fala, os ares sombrios, talvez de noites mal dormidas ou de propriedades queimadas. O fumo arde nos olhos e nas gargantas. As faúlhas são impertinentes, condensando-lhe nos sítios onde as chamas ainda moem o pouco que de verde se pode ver. Em Mortágua, aquela serração, que tinha à entrada troncos empilhados, que sempre que passo lá digo: um dia hei-de parar para tirar uma fotografia, não passava hoje de um monte de brasas já em fim de vida. O sol é só um pequeno círculo laranja, doente, sem beleza nem calor; os pássaros voam, tentando pousar em alguma réstia de verde que não há. Saio em Castro Daire para vir pela…