Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta fé

Na simplicidade

Imagem
Há percursos e ocasiões na vida que nos pedem simplicidade e essa simplicidade torna sublime os mesmos percursos e ocasiões. Foi o caso dos últimos dias em que fui com a João 13 a pé a Fátima. Fátima porque sim e a pé porque sim também. Há simplicidade em tudo. Desde a simplicidade das vidas à simplicidade das conversas, passando também pela simplicidade das orações e celebrações. Este ano descobrimos um pequeno campo, limpo e murado, com uma grande pedra no meio onde celebrámos Missa num dos dias e onde quisemos voltar para a Eucaristia de domingo. A simplicidade de tudo, a começar pelo lugar aprazível e acolhedor que, para mim, foi mais eloquente que a maior das catedrais ou mosteiros. A simplicidade dos cânticos e das orações, das leituras e das alfaias. Tudo simples, tudo belo, tudo marcante. E sentir a presença de Deus numa sombra, num sorriso ou numa lágrima, a força da fé que nos faz caminhar juntos, rezar juntos, e comungar na fé o corpo e o sangue de Cristo. Tenho ouvido no...

O futuro da religião

Imagem
Há uns meses atrás estive num jantar-tertúlia para falar do futuro da religião. Chegou-me esta manhã  link onde está a conferência e basta clicar, se quiser ouvir.

O caminho da vida

Imagem
Nestes dias tenho vindo a acompanhar um grupo de peregrinos a pé a Fátima. Um grupo de 50 pessoas, que arduamente vão caminhando etapa em etapa, até chegar às celebrações do 13 de Maio. Apesar de ser uma pergunta retórica, não a deixo de fazer quando passo por pessoas que vão a pé a caminho de Fátima: que levará estas pessoas a fazer esta caminhada? As motivações, obviamente, são da mais diversa ordem: cumprir uma promessa, ir a acompanhar alguém, pela camaradagem, porque sim... Mas Deus pede isto? Não. Como disse uma senhora: "Não é Deus quem quer, sou eu quem quero. E agora?" Boa resposta. Deus não quer, de facto. Ou melhor, a Deus agradaria bem mais o caminho interior que muitas vezes fica por fazer. No sábado tivemos a Missa da partida: às 4.30 da manhã. Cada um levava uma flor para colocar aos pés da imagem de Nossa Senhora. Depois da bênção lá foram eles, alegres a caminhar caminhos conhecidos. Ontem fui celebrar Missa com eles às 15h,  já perto de Santarém. Era fi...

As palavras da fé

Imagem
Venho de um funeral de um rapaz ainda novo. Com pai e mãe vivos, dores que não se sentem, quanto muito solidárias, lembro-me sempre do "contra-natura" dos pais verem morrer os seus filhos. As palavras têm que ser bem medidas e bem pesadas. Por vezes o silêncio para perguntas que não têm resposta. Pelo menos por agora. Para os que temos fé, as palavras consoladoras vêm de Deus, da sua palavra. Para combater a tristeza da ausência e da separação fica a certeza de que estão junto de Deus. Palavras para a morte não as tenho. Para a vida eterna dá-mas Cristo. A escrita pode ajudar a digerir perdas e desconsolos. Ao abrir o livro de poemas de Sophia, encontrei a parte final de um, que aqui deixo, que poderão ser os sentimentos de uma mãe ou de um pai que vê partir o seu filho: " Nem terror nem lágrimas nem tempo Me separarão de ti Que moras para além do vento ."

A oração Colecta da Missa

Imagem
A primeira oração das Missas tem o título de Colecta. Chama-se assim porque é a oração do presidente da celebração que recolhe as orações dos que estão a celebrar a Missa. No Missal vem a indicação de que entre o Oremos e a oração propriamente dita deve haver um momento de silêncio para que cada um, no seu coração, faça a sua oração a Deus. Depois, então, o presidente faz a colecta das orações com a oração que vem indicada no Missal. A oração colecta deste 30ª semana do Tempo Comum pede a Deus que nos aumente a fé, a esperança e a caridade porque para merecermos alcançar o que Ele nos promete, devemos amar o que nos manda. É uma oração pequena, mas que pede humildemente a Deus aquilo que só Ele nos pode dar: a fé, a esperança e a caridade. Nesta semana, como já escrevi, preguei um retiro sobre a Fé. Não me fiquei só na fé porque precisamos também da Esperança e da Caridade para que a nossa fé seja, perfeitamente dom e virtude. Ontem fui pregar uma...

De novo em Fátima

Cheguei esta tarde a Fátima. Venho pregar um retiro de três dias às minhas queridas Noelistas. Se não é já o quarto ano é, de certeza, o terceiro. As instalações fazem-me lembrar os tempos idos do Seminário de Penafirme. Não é queixa nem crítica nem nostalgia. É só sensação. O tema do retiro foi encomendado: "O ano da fé". Uma vez pediram a um padre que fosse pregar um retiro a uma comunidade. Que ele lhes falasse da fé, que a superiora achava que as irmãs andavam fracas de fé. O pregador passou os dez dias de retiro e ler-lhes o Catecismo! Eu não vou ser tão radical mas vou fugir da tentação de falar da fé teórica. Há perguntas que nos temos de fazer: Que seria da fé sem a esperança e a caridade? Que seria da fé sem obras? Como caminhar à luz da fé? Que exemplos de fé podemos ver na História dos crentes? Vai ser por aqui que me vou mover. Assim Deus me ajude, como diz Sao Tomás de Aquino, na sua oraçã o ao Espirito Santo, a obter a salvação das almas e a minha própria s...

Chá de beneficiência

Imagem
Decorre nestes dias, no Convento dos Cardaes, um chá de beneficiência em ajuda da obra que as Dominicanas de Santa Catarina de Sena lá desenvolvem, relacionada com pessoas invisuais ou com deficiência. Quem lá vai, além do chá e da fatia de bolo caseiro, pode comprar livros, doces e biscoitos feitos lá, e que são ótimos. Estive lá esta manhã, numa visita de médico, não por causa do chá, que só começava à tarde, mas por causa de uma papelada que tinha de entregar. Mas as Irmãs quiseram mostrar-me não só as exposições do próprio convento - obras de arte espantosas e bem cuidadas - bem como as salas de exposição com as mesas de chá colocadas no claustro. Mas, se falo desta visita, é para aqui deixar o que vi numa das salas. Um oratório que, fechado, parecia um armário mas que, aberto, se desdobrava em beleza de imagens e de teologia. Quando se abriam as duas portas laterais, de que falarei mais adiante, via-se um tríptico, com uma imagem (estátua) da Imaculada Conceição. Nos ou...

A mãe de todas as vigílias

Imagem
Um pouco por todo o mundo, sobretudo na Europa, começam as celebrações da Páscoa, com a Vigília pascal, a mãe de todas as vigílias. Uma das mais antigas indicações diz que ela deve começar depois do pôr-do-sol e terminar antes do nascer do sol. É uma vigília, durante a noite em que os cristãos aclamam Cristo-Luz, escutam Cristo-Palavra e comungam o Corpo Ressuscitado. É Cristo que nos reúne, é Cristo que dá sentido à nossa vida, é Cristo que nos ressuscita com ele. Que a alegria de Cristo Ressuscitado encha o nosso coração para que possamos levar aos outros a boa notícia de que a morte foi vencida e que a vida é, afinal, eterna. BOA PÁSCOA!

Desbatizar

Imagem
Este meu post vem na sequência da notícia que o Expresso trouxe neste sábado sobre o tema do "desbatizamento". Uma triste notícia não tanto pelo tema - é bom que se saiba que há pessoas que são batizadas e que não se identificam com a religião na qual foram batizadas - mas pela superficialidade e até alguma falta de respeito para com quem é batizado. Mas a isso já estou (os cristãos já estamos) habituado. Por isso este meu post é um comentário a estas duas páginas sobre um tema que acaba por não ser tema porque, como iremos ver, ninguém se pode desbatizar, como também ninguém pode apagar o nome da certidão de nascimento ou o nome da escola onde se andou. Mas isso será mais adiante. Antes de mais, dizer que ninguém se pode desbatizar e que o que se deveria dizer é que se pode fazer uma declaração formal de que se abandona a Igreja Católica (equivalente ao termo apóstata, repúdio total da fé cristã, cân. 751, que para os que se crêem "desbatizados" é título de glória...

Os embates da vida

Imagem
Entender a vida como uma planície, verde, cheia de beleza, sem mais nada, é uma ilusão. Uma paisagem bonita é aquela em que a combinação de volumes, cores e odores é quase perfeita. E assim é a nossa vida. Talvez no meio da montanha não tenha tanta piada como vê-la ao longe ou do seu cume o horizonte dos nosso olhar. Sendo a nossa vida uma paisagem, que será a planície ou a montanha? Cicatrizes dos embates da vida. Ontem, duas conversas amargas. Duas grandes montanhas (por vezes esquecemo-nos que a beleza de uma montanha foi o resultado de um violento embate da terra) numa paisagem tão plana e tão calma. Uma mãe, num estúpido acidente - daquelas situações em que se diz à hora errada no sítio errado - perde um dos filhos. No hospital, entre lágrimas, vai desfiando as suas dores e angústias, como quem vai passando as contas de um rosário. Diz-me que teve a honra de o ver nascer e de o ver morrer. Diz que lhe custa não ter o filho, não o ver. Diz que ainda não descobriu o outro modo de pr...

Reunião da Equipa de casais

Imagem
Ontem foi a primeira reunião "a sério" da minha equipa de casais. Não vou como casal, não tenho par, mas como assistente de uma equipa de 6 casais, que se reúne uma vez por mês para estar juntos, rezar, partilhar e reflectir. Este ano decidimos ir aos fundamentos das Equipas de Nossa Senhora, que é um movimento de espiritualidade católica para casais. A reunião de ontem foi à volta do tema da " Equipa, comunidade cristã ". Saber que somos humanos mas é Deus quem nos reúne, sabermos que aquele espaço é um ponto de chegada e de partida, que fortalece a nossa fé e o nosso testemunho. Falámos de um texto do século VI, de Santa Doroteia de Gaza, que falou assim da nossa relação com Deus e com os outros e que se aplica não só a equipas de casais: " Suponde um círculo com um centro. Imaginai que esse círculo é o mundo e o centro é Deus. E os raios, os diferentes caminhos ou maneiras de viver dos homens. Quando os homens, desejando aproximarem-se de Deus, caminham par...

O descanso eterno

Recebi, há pouco mais de uma hora, a notícia da morte do Carlos. Acompanhei-o nos últimos dias, esta manhã estive com ele para lhe administrar a Unção dos doentes. Muito reservado, sempre, emocionava-se quando falávamos. A mãe desfeita em lágrimas (que dor maior para uma mãe senão a morte do seu filho...), a mulher, presente, calma, com fé e esperança em Deus, o filho que fazia desenhos, que escrevia cartas ao pai e que hoje se despediu dele. Quando passo pelo drama da morte acho-me sempre pequenino, e fico quieto. A fé diz-me que só junto de Deus é que não se sofre. E a morte torna-se uma passagem necessária para esse colo que todos nós gostamos, que é o colo de Deus. Esta noite, para aquela família, vai ser, certamente, de lágrimas, silêncios e talvez de sentir perto o vazio. Mas acredito que Deus pode dar sentido ao vazio e pode enchê-lo. Para mim é mais um amigo que tenho junto de Deus. Nesta noite rezo a Jesus: Pie Iesu dona ei requiem (Jesus Piedoso, dá-lhe o eterno descanso) .

Santa Cruz

Imagem
Adoramos, Senhor, a tua cruz; louvamos e glorificamos a tua Ressurreição.

À porta dos 100

Imagem
Despedi-me ontem desta veneranda senhora. Quase nos cem anos, cara muito branquinha e de olhos azuis. O tempo não marcou muito a sua cara. Quando soube quem era e ao que ia emocionou-se. Tinha pertencido à Legião de Maria, foi à Missa todos os dias, enquanto pôde, mete-lhe pena as pessoas viverem sem esperança e não se despedirem com o "até amanhã, se Deus quiser". Quase sem audição leu nos lábios que iamos rezar o pai-nosso. Rezou-o de olhos embargados, comungou fervorosamente e agradeceu. Despedi-me: "Muitas felicidades e até um dia, se Deus quiser !"

O filho da promessa

Imagem
Não havia quem a consolasse. Os gritos, vindos da da Relva ouviam-se em todo o povo. O menino da Olinda tinha morrido afogado. Culpa de ninguém, porque a culpa morre sempre solteira, descuido de todos ou melhor, nunca ninguém pensava que aquele menino, de apenas três anos, fosse sozinho até ao tanque e no meio da brincadeira ficasse naquele tanque e ali se afogasse. A vida é dura mas mais dura fica quando se perde um fruto das entranhas. A mãe estava na cozinha a arrumar a cozinha; o pai tinha ido com o gado para o monte, e os filhos estavam na escola. Nunca mais a mãe ficou igual. Ainda hoje, quando olha para um outro rapaz, nascido um dia antes deste que se afogou, ela chora e pensa: o meu seria assim se fosse vivo. Mas a dor, já que não se podia sarar, porque dores destas não saram, tentou pelo menos aliviar. E pensa em ter outro filho, talvez em substituição do que morreu ou talvez porque a casa tinha ficado muda e nada melhor que os risos e os choros de uma criança pa...