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Frei Pedro Ouana - Homilia da Missa exequial

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Minhas irmãs, meus irmãos, O Padre António Vieira, num dos seus sermões fúnebres, dizia que estas celebrações nos servem para três coisas: sentir a morte, louvar o defunto e consolar os vivos. E depois diz que todas as palavras poderiam ser trocadas por lágrimas pois, dizia ele: “ as lágrimas são o mais vivo sentimento, porque são o destilar da dor; são o mais encarecido dos louvores, porque são o preço da estima ”. Mesmo se não temos as lágrimas a correr pelo nosso rosto todos nós hoje choramos a morte do nosso querido frei Pedro. Lágrimas de luto e de dor, lágrimas que não podem ser evitadas quando olhamos para a sua vida, os seus esforços, o tanto que poderia ainda dar à Igreja através da nossa Ordem. Hoje chora Moçambique o seu filho, chora Angola o seu frei, choramos nós o nosso irmão.  Mas as nossas lágrimas são também de carinho e afecto, envolvidas na esperança cristã, que fizeram o frei Pedro perceber e viver a sua vida até ao fim e que a nós nos faz compreender que a noss...

Frei Elias Manuel Salguero, op (1949-2022)

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  O frei Elias Manuel Salguero nasceu em 1949, na Amareleja, Moura. Em 1988 professou na Ordem dos Pregadores, onde foi ordenado presbítero em 25 de Julho de 1993. Fundou o Centro São Martinho de Lima, para apoiar os doentes de SIDA e os grupos de risco de contaminação. Foi prior do Convento de Nossa Senhora do Rosário, no Corpo Santo. Técnico de Iluminura Medieval, deu cursos de miniatura e ilustração de textos no Instituto Rainha D. Leonor. Faleceu a 18 de Janeiro de 2022.

Homilia de São Mateus e sobre o frei Mateus

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São Mateus tem para nós, dominicanos, uma singular importância. Talvez porque cada um de nós se revê no relato de chamamento que escutámos no Evangelho. Também um dia Jesus passou pela banca da nossa vida, olhou-nos e chamou-nos e nós, deixando tudo seguimo-lo. Tem também singular importância porque talvez, também nós sentimos o olhar misericordioso de Jesus sobre as nossas vidas. Talvez tenhamos consciência de que o que nos é pedido como cristãos e como religiosos é muito maior do que aquilo que acabamos de cumprir. Tem ainda singular importância porque, de acordo com os biógrafos de São Domingos, trazia sempre consigo o Evangelho de São Mateus e, de tanto o ler e estudar, o sabia quase de cor. São Mateus foi Apóstolo e Evangelista. Judeu, filho de Alfeu, conhecedor da lei judaica, foi chamado por Jesus, seguiu-o, ouviu a sua pregação, viu os seus milagres, reconheceu que ele era o Messias. E depois escreve um evangelho para ajudar os leitores, cristãos que vinham do judaísmo, a conso...

Na terra dos Filipes

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Fui hoje ao Troviscal, freguesia do concelho de Oliveira do Bairro, para uma missa especial: há um mês falecia em Luanda o nosso fr. Gil Manuel da Conceição Filipe, natural desta aldeia onde estive. O fr. Gil era sobrinho de um outro Gil, dominicano, com o apelido de Alferes. Fundador da " Obra do frei Gil ", foi uma referência para o sobrinho de tal modo que, quase sempre aparecia nas suas histórias. O frei Gil, nascido a 23 de Janeiro de 1936, com apenas dez anos saiu do Troviscal para ir para a Escola Apostólica que os dominicanos tinham em Aldeia Nova. Tomou hábito com 15 anos e professou um ano depois, apenas com 16. Estudou em Escolas filosóficas e teológicas da nossa Ordem. Em 1960, um ano depois de ter sido ordenado padre, torna-se professor de português e francês num colégio dominicano aqui de Lisboa, o Clenardo. Oito anos depois foi enviado para Aldeia Nova, para ser professor e formador e também ajudar nas paróquias vizinhas. Cinco anos depois muda outra vez de ...

Na TSF

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Passou hoje na TSF uma "conversa" sobre Conventos e Mosteiros. Participei e aqui fica o link para quem quiser ouvir:  Conventos e mosteiros.

Um lugar de paz

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" Ubi Deus ibi pax ". Onde está Deus aí está a paz, estava escrito na ombreira de uma porta da pequena vila de Assis. Sim, fui hoje a Assis. De repente, ou não programada, tendo acabado ontem os trabalhos, disse que estava a pensar ir a Assis e dois irmãos quiseram fazer-me companhia e lá fomos os três. Saímos manhã cedo, fomos de comboio e chegámos a meio da manhã. As montanhas de Assis tinham neve. A distância entre a estação de comboios e a cidade antiga pode fazer-se a pé, em tempos de sol. Mas o frio e a chuva, que ameaçava mas não era persistente, fez-nos ir de autocarro. Tudo é bonito e encantador em Assis. A começar pela calma (dizem que nos fins-de-semana e no verão é mais complicado), envolvida pela natureza e peka cidadela antiga, tudo se faz com calma, emoção e devoção. Começámos por ir à basílica de São Francisco, onde ele está sepultado. A intimidade da cripta, onde está o sepulcro do pobre de Assis, faz com que aquele lugar seja mesmo especial. Nessa basí...

Ser bem falado

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Morreu, nesta tarde de domingo, o irmão mais velho da comunidade em que vivo. José de nascimento, Francisco Xavier de religião, mas simplesmente conhecido por frei Xavier. Oitenta e oito anos de idade, sessenta e dois dos quais como dominicano, irmão cooperador, a grande presença no convento de São Domingos. Dizia ele, várias vezes, que para alguém ser bem falado tinha de mudar de terra ou de morrer. E o fr. Xavier, apesar de ter morrido e mudado de terra, justiça lhe seja feita, foi e tem que ser bem falado. E, na sua vida - eu só convivi com ele dezassete anos - viveu para as várias comunidades por onde passou. Nos últimos anos tornei-me mais próximo, em primeiro lugar como prior, onde ele me ia aconselhando nas várias coisas da vida comum, depois como ecónomo e, agora como filho ou pai. Nas várias vezes que o levei ao hospital ou a outras consultas perguntavam-se se era filho e eu respondia que sim; perguntava se era neto e eu dizia que sim; e uma vez, ao rirmos no recreio sobre ...

Frei Alberto Carvalho

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Acordámos, hoje, com a notícia da morte do nosso fr. Alberto Carvalho. Dos mais velhos na Ordem (90 anos), conheci-o em 1999, em Aldeia Nova, onde esteve quase trinta e cinco anos, quer como formador do Seminário apostólico Dominicano quer depois como responsável pela Obra do Frei Gil. Quando saímos de Aldeia foi para o Convento de Fátima onde esteve até ao fim. Homem de muitas histórias e anedotas reais - tinha sido professor de Português - irmão de muita calma e alegria, obediente, e padre muito atento aos mais pobres e doentes. Nos últimos anos a sua missão era a de ir a casa dos doentes dar-lhes a comunhão. Na quinta feira, dia 21, quando estive em Fátima, visitei-o. Já estava acamado e muito ausente. Como tudo tem um fim, também o fr. Alberto teve o seu fim neste mundo, acompanhado, amado e cuidado pelos irmãos. Há umas semanas estive a ler o livro de crónicas de Aldeia Nova. O fr. Alberto quer lá, quer depois em Fátima, foi cronista conventual. Foi ele quem escreveu gr...

O fim dos hábitos

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A senhora que trata da nossa roupa chamou-me à lavandaria para me dizer que um dos meus hábitos estava no fim da vida. Que tinha umas manchas que não saíam nem com nada, que já se estava a desfazer em algumas partes e que, se pusesse lixívia nas tais manchas podia ser pior o tratamento que o benefício. Apesar de o ter herdado já bastante gasto (foi-me oferecido em Roma, há quatro anos, quando estive no Capítulo Geral) era o hábito que mais vestia, por ser de bom tecido e, sobretudo, leve. Mas tudo tem o seu fim, mas o fim deste hábito ainda não. Vou guardá-lo numa caixa, para ser usado na última celebração. Esta semana é de hábitos. Irei a Sevilha tomar parte na tomada de hábito dos noviços dominicanos da Península Ibérica. Dois de Portugal, três de Angola (pertencem à Província de Portugal) e mais três da América Latina. Também eles herdaram hábitos de outros - é assim a tradição - e depois virá o tempo dos hábitos novos, sempre com a esperança de que morra o homem velho e nasça o...

Timothy Radcliffe e o cinema

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O dominicano Timothy Radcliffe adora cinema. E, muitas vezes, serve-se dos filmes para falar de fé, espiritualidade e até de vida religiosa. A frescura de um artigo ou de uma conferência ajuda-nos no caminho da fé. Fui ontem celebrar às Irmãs do Lumiar. No fim da Missa ofereceram-me um vaso de hostelã-pimenta, que já plantei no nosso jardim, e o texto de uma conferência que Timothy Radcliffe fez no Instituto de Pastoral dos Dominicanos em Montréal.  O tema foi: A imaginação cristã: como é que a fé cristã pode tocar os nossos contemporâneos . Baseou-se no filme "Dos deuses e dos homens". Está em francês, não a traduziram, mas se a quiser ler  clique aqui . Li a conferência durante a viagem de regresso. Aqui deixo um parágrafo, que traduzi sobre o joelho, e que fala sobre o que é um santo: " O santo é alguém que se atreve a ser ele mesmo ou ela mesma. Ele recusa-se a conformar-se ir no grupo e de correr com a multidão. A virtude é o laborioso nascimento de um indivíduo. ...

Irmão e Sucessor de São Domingos

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Estou a chegar de um encontro da Família Dominicana. Na paróquia de São Domingos reunimo-nos para uma tarde de encontro com aquele que, ao longo das apresentações, se ia dizendo que era "Irmão e Sucessor de São Domingos". O Mestre da Ordem, fr. Bruno Cadoré, esteve estes dias em Portugal, em conversas pessoais e comunitárias, encontros e celebrações, segundo ele para ver como vivem e pregam os Irmãos de Portugal e, pela nossa parte, para o escutar. Esta tarde presenteou-nos com uma reflexão sobre Nova Evangelização. Falou da contemplação e da amizade. Fixei a ideia de que não dialogamos só com o mundo mas dialogamos no mundo. Houve em seguida a Missa e depois um jantar com alguns representantes da Família Dominicana. No final do jantar o Mestre da Ordem pediu para falar. Agradeceu o jantar, o acolhimento, e terminou com este pedido: "Não procurem vocações porque vocês precisam de ser substituídos; procurem vocações porque o Evangelho de Deus precisa de ser anu...

Vigília de São Domingos

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Por todo o mundo, muitos conventos e mosteiros dominicanos celebram esta noite a vigília de São Domingos. Aqui em Feirão não a posso fazer, pelo menos comunitariamente. Uno-me espiritualmente aos meus irmãos e irmãs que, na doçura da comunidade, celebrarão o nosso fundador. Amanhã celebrarei Missa, à tarde, na capela de Cotelo, a terra do meu pai, dedicada a São Domingos. Haja alguma consolação. Nesta noite de vigília e de oração, que é tempo de graça, peço a São Domingos que nos seja útil no céu. Ele assim o prometeu. Que fortaleça a nossa vocação dominicana, que nos envie vocações para continuarmos a anunciar na Igreja e no mundo o Evangelho da graça e da misericórdia. Que nós, dominicanos, à imagem de São Domingos, consagremos a nossa vida a falar de Deus aos homens pela pregação e a levar os homens a Deus pela oração. Orate pro nobis.

Jardim fechado

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Ontem depositámos no claustro do Convento as cinzas de dois irmãos que faleceram. Foi, para mim uma bela ideia trazer para o claustro - lugar de reflexão e de contemplação, de comunhão entre a natureza, a humanidade e Deus -  aqueles que nos precederam e foram nossos irmãos na partilha da fé e do carisma dominicano. Não deve parecer estranho. De fato, as atas de canonização de São Domingos, narram que ele quis ser sepultado no coro, entre os irmãos. No depoimento de fr. Ventura de Bolonha, lê-se: “ Ouviu (são Domingos) que o monge que naquela ocasião era reitor da igreja de Santa Maria do Monte dissera que se Frei Domingos ali morresse não permitiria que dali o levassem, mas sepultá-lo-ia naquela igreja. E como a testemunha contasse isto a Frei Domingos, este respondeu: Não quero de algum modo ser sepultado senão debaixo dos pés dos meus irmãos. Levai-me para fora, para eu morrer no caminho, a fim de me poderdes sepultar na nossa igreja ”. Amanhã haverá uma celebração de ...

Já começou!

Já começou o encontro dos Provinciais. Ontem foi a receção. Muitos deles já os conhecia do capítulo Geral de Roma, em que participei. Em espanhol, francês e inglês, com as palavras que se conhecem e meio atabalhoadas, lá vamos sorrindo e dizendo bienvenidos ou How are You?. Coitados dos que fizeram as ligações entre o aeroporto e a casa onde estamos... pareciam as abelhas, para lá e para cá a trazê-los, a conta-gotas, à medida que os aviões aterravam na Portela. Hoje começam os trabalhos. Apresentações e agradecimentos. Nestes dias os Provinciais irão refletir sobre a pós-modernidade e a Nova Evangelização. Agora estão a ouvir uma "charla" com o título " De que falamos quando falamos de pós-modernidade? ". Esta conferência é feita com a prata da casa (digo prata porque é a expressão comum mas poderia dizer ouro): fr. Bento Domingues. E eu, daqui, vou verificar o cofee-break da manhã. Ainda não tenho fotografias. Nem sei se as vou tirar. O meu amor à história e à p...

Homilia da Anunciação do Senhor (Missa em memória do fr. Carlos Furtado)

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A festa que hoje celebramos, estaria mais enquadrada num ambiente de Advento do que em tempo de Quaresma. Isto porque esta festa está intimamente ligada ao dia de Natal. A primeira coisa que este dia nos diz é que, de hoje a 9 meses será dia de Natal. Esta é uma festa alegre. É um anúncio alegre, uma boa-notícia, um evangelho. Aquilo que os profetas anunciaram cumpre-se agora, de uma maneira real; a Palavra torna-se mesmo carne porque veio habitar no meio de nós, ao nascer do seio de Maria. O Anjo e Maria representam, neste episódio da anunciação, a união das duas realidades do nosso mundo: a humana e a divina. Gabriel, da parte de Deus, traz a mensagem salvadora; Maria, da parte da humanidade, acolhe a mensagem ao dizer sim, numa obediência livre, dialogada, numa abertura total à vontade e aos desígnios de Deus para connosco. O sim de Maria é um fiat: faça-se em mim a tua vontade. Este é outro aspeto desta festa que nos pode ajudar na nossa vida: a Deus devemos dizer sim,...

No comment

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Ainda sobre o dia de São Domingos

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Queria só partilhar o dia de ontem. Foi a primeira vez que passei o dia de São Domingos aqui no Convento. Desde já há alguns anos que passo este dia em Lamego, junto das Monjas dominicanas, excepção feita há dois anos, que passei aqui por causa de um encontro internacional de jovens dominicanos (IDYM) e, este ano porque fiquei em Lisboa. Nos últimos três anos esta comunidade tem vindo a reduzir-se, como muitas outras, infelizmente, e não me refiro só a comunidades dominicanas. Por isso somos poucos (a partir de Setembro seremos apenas onze) em Agosto, estamos ainda menos. De manhã rezámos Laudes. Apesar de estarmos só seis (digo só quando, na verdade é metade do número dos irmãos), a oração da manhã foi cantada como deve ser num dia de festa. Salmos da festa, leitura da vida de São Domingos em que se conta que só falava de Deus ou com Deus e que por amar a todos, porque grande era a imensidade do seu coração, por todos era amado. O almoço foi só para a comunidade. Rancho melhorad...

Uma revista nunca lida

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Ela chega ao convento cada seis meses. Uma das revistas "chatas". Importante para a história, é certo, mas sem grande interesse actual, uma vez que vem sempre desactualizada. Trata-se da revista oficial da Ordem dos Dominicanos, a " Analecta Ordinis Praedicatorum " (Colecção de escritos da Ordem dos Pregadores). É uma revista que recolhe os actos oficiais da Ordem. O último número que chegou foi o referente a Julho-Dezembro de 2009. E hoje deu-me a curiosidade de a folhear. E gostei. Além das coisas muito oficiais, como homilias do Papa em celebrações com dominicanos ou das cartas das Congregações Romanas à Ordem, aparecem também as cartas do Mestre da Ordem a Províncias ou a frades, e também da vida das Províncias. E aparecem coisas da província de Portugal!: as nomeações do nosso Capítulo Provincial, os delegados aos Capítulos Gerais (acho que foi a primeira vez que o meu nome apareceu!), e as notícias necronológicas (os irmãos que faleceram ao longo de 2009). Alg...

O Síndico da Ordem

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Quis dar este título a este post mas a tentação primeira foi de escrever “o frade mais simpático do Capítulo Geral”. Simpático e alegre. Disse-lhe que ia escrever sobre ele no meu blogue, riu-se e abraçou-me. Aliás, se ouvimos uma gargalhada mais alta já sabemos que vem do Síndico da Ordem. Mas comecemos exactamente por esta palavra, talvez arcaica, que designa o seu ofício. O Síndico é o administrador, o ecónomo. E este Irmão, fr. Bernardo Molina é quem governa a economia de toda a Ordem. É colombiano, de cinquenta e quatro anos, há seis anos na Cúria Geral a terminar o seu mandato. O que o torna diferente dos outros frades para além das suas gargalhadas e do cargo que ocupa? O seu passado e a maneira de abordar o tema da economia. Antes de vir para Roma, coisa que nunca tinha nem pensado quanto mais equacionado, trabalhava numa das paróquias mais pobres da sua província. E era pobre como eles. Pobre e feliz. Na verdade, todo o seu pensamento intelectual e carismático esteve em função...

Apresentações

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Após uma viagem matutina e rápida, cheguei a Roma. Fui com o meu Provincial, os dois de Portugal que estamos no Capítulo: ele por ser quem é e eu por ter sido eleito no último Capítulo Provincial. Chegados a Roma - o avião trazia alguns bispos, encontrámos alguns padres e até uma família que eu conhecia! - tínhamos a indicação que algum frade, de hábito, estaria à nossa espera. E assim foi. Estavam dois estudantes, um de Itália e outro de Malta a fazer a recepção. Fomos os primeiros daquela leva mas, num instante se juntaram outros: um de Chicago, um do Chile, três da Colômbia e uma monja irlandesa, que nos irá pregar uma conferência. Chegaram também dois franceses - extra-capítulo - que vêm fazer um filme sobre o tema. Para quebrar o gelo e a timidez, toca de ir falando ora em inglês ora em espanhol até que chegámos ao sítio do Capítulo. Atribuição de quartos (o meu quarto fica no quarto andar, onde está o Mestre da Ordem, o ex-Mestre da Ordem e alguns provinciais e definidores... ch...