O Síndico da Ordem


Quis dar este título a este post mas a tentação primeira foi de escrever “o frade mais simpático do Capítulo Geral”. Simpático e alegre. Disse-lhe que ia escrever sobre ele no meu blogue, riu-se e abraçou-me. Aliás, se ouvimos uma gargalhada mais alta já sabemos que vem do Síndico da Ordem. Mas comecemos exactamente por esta palavra, talvez arcaica, que designa o seu ofício. O Síndico é o administrador, o ecónomo. E este Irmão, fr. Bernardo Molina é quem governa a economia de toda a Ordem. É colombiano, de cinquenta e quatro anos, há seis anos na Cúria Geral a terminar o seu mandato. O que o torna diferente dos outros frades para além das suas gargalhadas e do cargo que ocupa? O seu passado e a maneira de abordar o tema da economia. Antes de vir para Roma, coisa que nunca tinha nem pensado quanto mais equacionado, trabalhava numa das paróquias mais pobres da sua província. E era pobre como eles. Pobre e feliz. Na verdade, todo o seu pensamento intelectual e carismático esteve em função dos mais pobres. A sua tese de licenciatura foi sobre as comunidades de base. De repente, num Capítulo provincial, nomeiam-no ecónomo provincial. Ele que sempre detestara contas e dinheiros vê-se agora diante deste cargo. Por obediência aceita. Fez dois mandatos (8 anos) e, quando já pensava livrar-se das contas e do peso do ofício, o Mestre da Ordem pede-lhe que o ajude nas economias da Ordem. Aceitou com a condição de ir à experiência. Além das reticências que tinha colocado na anterior nomeação, ir para Roma trazia outras implicações a ponderar: só sabia falar castelhano, não tinha conhecimento da realidade da Ordem, era uma supra-estrutura que lhe metia medo. Mas, mais uma vez por obediência, aceitou e ficou estes seis anos.
Conheci-o só agora. Já tinha ouvido falar dele, todo o processo de pagamento de uma grande dívida que tivemos com a construção da igreja do Convento onde vivo foi tratada com ele, e fazia dele uma pessoa séria e extremamente rigorosa. Quando se apresentou foi só com o seu nome: fr. Bernando. Aqui no Capítulo, apesar de não estar combinado, as três primeiras perguntas são: nome, proveniência, cargo. E, com naturalidade, seguida de uma gargalhada, respondeu: Síndico da Ordem. Falámos, então, do caso de Portugal e da sua dívida conhecida em toda a Ordem (dívida que já pagámos!). É um homem feliz. Não se vê nenhuma preocupação no rosto, sempre disponível, bem-disposto… tão diferente do que eu pensava.
No domingo, no espaço reservado ao abraço ao novo Mestre da Ordem, pediu-me que lhe tirasse uma fotografia. Ia ser o último. Chegou ao pé do Novo Mestre, apresentou-se, disse que era o Síndico da Ordem e que tinham de falar. O Mestre ficou apreensivo mas uma grande risada contagiou o Mestre que sorriu também.
Para os que possam pensar que nós, dominicanos somos ricos, fica aqui a informação, vinda do Vaticano, que os Dominicanos são a Ordem religiosa masculina mais pobre do mundo. Até os Franciscanos estão á nossa frente! Fico feliz com esta notícia!

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