Timothy Radcliffe


Timothy Radcliffe está na lista dos ex-Mestres da Ordem dos Dominicanos. Governou a Ordem de 1992 a 2001. Um homem de 65 anos, e que se pode considerar um jovem. Já algum tempo que queria aqui falar dele mas esperei pelo Capítulo e hoje decidi-me a escrever. Pessoalmente conheço-o há 4 anos. Recentemente eleito prior do Convento de Lisboa fui passar uns dias ao Convento de Bruxelas. Ele também ia - estávamos lá pelas mesmas razões em condições diferentes - e também ficou no Convento. Apresentou-se - toma sempre a iniciativa dizendo: olá, sou o Timothy - e eu também me apresentei ao que ele, num grande sorriso, me disse que provavelmente era o prior mais novo da Europa, para não dizer de todo o mundo. Achei piada como é que ele tinha conhecimento disso mas sim, retribui com um sorriso já que o meu inglês é fraco e em apertos quase desaparece. Passámos uns belos dias em Bruxelas. Sempre sorridente e, uma coisa que sempre gostei nele, olha nos olhos. Ainda em Bruxelas, numa outra ocasião, perguntei-lhe qual era o seu Convento. E ele, sempre com o seu sorriso, respondeu: oficialmente em Oxford mas na prática no avião. De facto, ele passa os dias para lá e para cá, respondendo a convites para conferências, retiros, etc etc.
Não é só a Ordem Dominicana que reconhece a sua grandeza. Não estamos a falar de um santo, nem de um guru nem de um super-homem. Falamos de um homem próximo, muito inteligente, que tem a capacidade de dialogar e de ajudar compreender algumas vertentes do nosso mundo contemporâneo.
Voltámos a encontrar-nos neste Capítulo. Vivemos no mesmo piso e coincidimos em ir à pressa para a Capela ou numa outra ocasião de corredor ou fila para o almoço. Trouxe um livro dele para ler nestes dias "Porquê ir à Igreja?" e pedi para mo autografar.
Hoje, no Capítulo, foi apresentada uma proposta de que os Ex-Mestres da Ordem deixassem de participar nos Capítulos Gerais, depois de 9 anos. Felizmente foi largamente rejeitada porque Timothy Radcliffe seria a primeira "vítima".
Alguns pensaram em re-elegê-lo neste Capítulo. Foi melhor assim. Timothy tem o seu lugar na Ordem. Reconhecemos nele a graça da pregação e, não querendo endeusa-lo, pode-se dizer dele o mesmo que se dizia de São Domingos: porque amava a todos por todos era amado. Timothy Radcliffe será sempre uma mais valia não só para a nossa Ordem como também para toda a Igreja e até para o mundo. E já que se estão a traduzir os seus livros em português, aconselho (modestamente) a sua leitura. Sentirão a frescura e a profundidade do seu pensamento.

Mensagens populares deste blogue

Fátima descaracterizada

A vida de São Macário

Oração para o início de um retiro