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A mostrar mensagens de Dezembro, 2012

Dia Mundial da Paz para 2013

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Uma antiga tradição litúrgica da Igreja, propõe que na noite de Natal se cante o anúncio do Natal do Senhor. Depois de enumerar as várias datas dos vários calendários e de fazer as contas desde a criação do mundo, diz o texto que, quando Jesus nasceu, "todo o mundo estava em paz". A paz de que fala este texto era uma paz institucional, a paz do império. Vale a pena ler o recente livro do Papa sobre a infância de Jesus, no terceiro capítulo (p. 68), em que o papa fala da paz Augusti (paz de Augusto) e a paz de Cristo (pax Christi).
E de fato, a palavra é a mesma, mas sabemos que têm origens diferentes. A paz do mundo é a que construímos aqui na terra, com pactos, apelos à não-violência e ao respeito pela dignidade humana e tolerância religiosa. Mas a paz de Jesus é uma outra paz. Não é incompatível com a de Jesus mas tem, para nós, uma origem diferente. A paz de Jesus vem do céu, vem de Deus. No evangelho são os anjos que anunciam a paz na terra. Dizem que o céu e a terra es…

Fim de ano - o meu programa

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Este é o segundo ano que passo da mesma maneira este último dia do ano. Aliás, tem vindo sempre a reajustar-se. A maia antiga celebração tem oito anos: começa às 19 horas, com a celebração da Missa, numa comunidade das Irmãs Missionárias Dominicanas do Rosário. A celebração é aberta às pessoas que vivem por ali, todos os anos as mesmas, faltando uma ou vindo outra que no ano anterior não pôde vir. Como dizem as Irmãs, "Já é uma tradição o nosso 31 de Dezembro". Depois da celebração, jantar com as Irmãs. Confesso que é dos jantares que mais gosto: simples, tranquilo e alegre. Este ano, como mudou a superiora mudou também a ementa: do peixe passou-se à carne. Trocamos informações, jantamos, não falta o espumante e um bocadinho de anis "para ajudar à digestão", dizem as Irmãs. No final do jantar entrego-lhes o Santo Protector. São as primeiras a receber. Amanhã, na Missa das 12h entregarei a quem vier à Missa.
Terminado o jantar regresso ao convento. Se está bom temp…

A família de Jesus

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A partir do momento em que Jesus diz aos pais "Porque me procuráveis? Não sabíeis que Eu deveria ocupar-me das coisas de meu Pai?", somos nós a nova família de Jesus. Não são os laços de sangue que nos ligam mas o próprio Deus. Jesus não devaloriza a estrutura tradicional das famílias mas realça que o Pai é mais que os pais. Não deixa de ser submisso aos pais, mas não esquece e faz lembrar a todos que veio para fazer a vontade do Pai.
Jesus não despreza a sua família. Precisou dela. Não como lugar de conveniência mas como espaço de fé e conhecimento de Deus. Foi no seio desta humilde família que Ele cresceu em estatura, sabedoria e graça, não só diante de Deus mas também diante dos homens.

Boas Festas!

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"Bendito o Senhor nosso Deus, que visitou e redimiu o seu povo" (Lc 1, 68)

Data a não esquecer

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Estou no Ramalhão a pregar o retiro mensal às Irmãs Dominicanas de Santa Catarina. A mensagem vai ser rápida. Só para assinalar o aniversário da aprovação da Ordem Dominicana há 796 anos. Naquele dia 22 de Dezembro, em São João de Latrão, o Papa Honório III assina a bula de aprovação escrevendo e pedindo que a Ordem seja de nome e de facto dos Pregadores. São Domingos vê assim reconhecido o seu desejo, inspirado por Deus, de fundar uma Ordem em que o Evangelho da Graça é anunciado em todo o mundo. Rezem por nós, para que nos identifiquemos cada vez mais com este carisma, e que a caminho dos 800 anos saibamos actualizar o desejo profundo de São Domingos da salvação das almas.


(Imagem: P. Bresson, a Aprovação da Ordem Dominicana)

Senhor, olhai por nós

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Senhor,
olhai o pobre e a lágrima da solidão.
Senhor,
olhai o grão sofrido à espera do Sol.
A criação espera o Verbo de Deus.
Que ao nosso desejo, enfim, se abram os céus!

Senhor,
o pão nos falta e à vida razões de viver.
Senhor,
à mesa do festim faltam os convivas.
Que a força da Cruz seja arrimo dos dias.
Que a tua presença em nós atice o amor!

Senhor,
a morte em nós cavou mil enxadas de abismo!
Senhor,
o mal curvou a vida ao peso do horror.
Que a Cruz se incline e erga a todos do chão.
Que desça o olhar àquele que o medo matou!

Senhor, o frio é muito e a morte dos dias sem fim!
Senhor,
olhai quem espera o sol e a luz da manhã.
Que a tua paz nos unja as mãos e as dores.
Que ao fogo do sopro renasça um mundo que morre!

Senhor, que o vosso Reino venha!

(texto: fr. José Augusto Mourão, op; imagem: Felix Vallatton, Isaías)

Quase Natal

Depois de termos celebrado ontem o Domingo "Gaudete" (da Alegria), entramos hoje, dia 17, na segunda parte do Tempo do Advento. A liturgia densifica-se nas suas celebrações: as orações da Igreja falam-nos já da proximidade do Natal, começam também hoje as antífonas do O, em que cada dia cantamos na hora de Vésperas um atributo messiânico, pedindo-lhe que venha ao nosso mundo com as suas graças e os seus dons. As leituras da Missa também nos falam da vinda de Deus ao nosso mundo: normalmente a primeira leitura fala-nos da promessa do Messias e, no Evangelho, os acontecimentos antecedentes à Natividade de Cristo. Hoje, escuta-se no Evangelho a Genealogia de Jesus Cristo, na versão de São Mateus. O desenrolar dos nomes desde Abraão até Jesus - 42 gerações - fazem-nos perceber a humanidade de Cristo, Deus e Homem verdadeiro, que se entronca nas nossas vidas para lhes dar um novo sentido. Ele pertence à nossa história, e a nossa história sem Jesus não é tão feliz. Na litúrgia do…

O orvalho leve da graça

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Venha o orvalho leve da graça
desça sobre a terra a ternura;
venha a mão que cura e protege
dar à vida luz e calor.
No deserto um grito ecoa:
Dai a Deus a praça maior.

Pastor de Israel que conheces
as pastagens altas da dor;
Fogo que incendeias a noite
e os caminhos brancos do pão.
Orvalho do céu, ó nuvem,
desce sobre nós: Vem, Senhor.

O deserto avança
a secura mina o coração e a alegria;
nem fogo nem pedra nós temos
onde repousar do caminho.
Somos terra exposta ao vento,
grãos de areia, irmãos, da esperança.

(fr. José Augusto Mourão, op)

Vem à terra dos homens

Vem à terra dos homens, Deus da Luz!
Vem, que Te esperamos de coração exausto,
em vigília de esperança, branca e fria.

Vem não tardes!
e abre as portas que estiverem cerradas.
Entra na penumbra de nossas casas
inundando-as com a frescura da tua brisa.
Traz o sol novo da tua promessa
e perdure o teu clarão irresistível
a iluminar as dobras do nosso coração,
a alisar as resistências da nossa vontade.

Que invocando-te neste tempo róseo,
seja o teu advento a bênção renovada,
a aliança e o banquete,
o ouro e a prata
e o mel perfumado dos pobres,
o leite dos que possuem saúde frágil,
a boa notícia de última hora dos mais tardos.

Vem habitar e transformar
o nosso tempo de consumos e desvarios,
Deus, que em Jesus Te revelaste,
Pai, que no Filho reconhecemos
e adoramos.
(Eugénio Beirão)

Regresso a casa

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Acabaram hoje os trabalhos em Roma. Apesar de ser dia santo ainda tivemos de trabalhar esta manhã. Para trás ficam duas semanas em Itália, uma delas na Cidade Eterna, sempre com novidades. Tirei a tarde para fazer as despedidas. Ir a São Pedro (o Papa não estava, tinha ido à Praça de Espanha render a sua homenagem à Imaculada Conceição). Tinha pensado fazer umas compras mas sem sucesso: no Vaticano tudo fechado. Quando ia já a sair, e a passar diante de um dos portões de acesso ao Vaticano, mandaram-me parar: o Papa estava a regressar. Aproveitei e fiquei para o ver. O pouco tempo que fiquei à espera deu para pensar em algumas coisas sobre o papado, uma delas prática: sempre que o Papa sai faz-se uma procissão de policias, motos, carros e segurança tremenda. Um helicóptero a sobrevoar indica onde é que o Papa está. Nisto, enquanto esperava, um miúdo que estava ao meu lado, ao ver aproximar-se um táxi perguntou à mãe: Mamã, o Papa vem de táxi? Gargalhada geral. O Papa vir de táxi... d…

São Domingos esteve aqui

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Publicaram há uns anos, aqui em Santa Sabina, um roteiro dos "Milagres de São Domingos em Roma". É, de fato, um roteiro e, como São Domingos não fez muitos milagres, fácil de percorrer. Das outras vezes que cá estive visitei os vários sítios onde esteve São Domingos. Mas faltava-me um: Santa Maria in Tempulo. Talvez dos primeiros sítios dominicanos. Um mosteiro de monjas que São Domingos transformou em dominicanas. Ou seja, num dos encontros de São Domingos com o Papa Honório III, este encarregou-o de reformar os mosteiros de Roma, promovendo a vida regular e de observância. No tal roteiro pode ler-se a pequena introdução a este lugar: "São Domingos esteve aqui. Desde 1218 a 1221 São Domingos visitou muitas vezes este mosteiro. A narração que iremos ler (depois da introdução aparecem os respetivos relatos) informa-nos abundantemente das relações deste mosteiro com a atividade de São Domingos. O aspeto maravilhoso ou milagroso da trasladação da imagem da Virgem para São…

Missões e missionários

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Andava a adiar este post. Não o texto mas o conteúdo. Há uns meses recebemos em Lisboa, no nosso convento, dois irmãos, um de Espanha e outro da Venezuela, que irão em Janeiro para Timor. Depois de 500 anos, os dominicanos voltam a este jovem país. Eles são da Província do Rosário, uma província da Ordem exclusivamente missionária. Tenho-me interessado por Timor e tenho pena que não haja um português que os possa acompanhar, pelo menos por um pequeno período de tempo. Paciência.
Aqui em Santa Sabina voltaram a falar-me do assunto. Falei com um frade e uma irmã que estiveram recentemente em Timor, falámos do país, do seu (pouco) desenvolvimento, da presença dos e das dominicanas em Timor e vi muitas fotografias. Ontem fui almoçar ao convento da Província do Rosário, que está ubicado na mais importante e cara rua de Roma: Via dei Condotti. Não pensem que os frades se sentem mais importantes e sejam mais ricos que os outros. Aliás, quem passa na luxuosa rua nem se dá conta que há lá um c…

Cristo vem sempre depois

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Ontem a falha de internet no convento e a muita chuva que caiu sobre Roma desanimou-me na escrita sobre Florença. Com o tanto que vi e o que ficou para ver (na realidade só ficou por ver o museu de São Marcos e a igreja de São Lourenço), deu-me Deus a alegria de também estar onde pouca gente costuma entrar. Como ter a possibilidade de ter visto esta pintura, da qual tirei fotografia, de um Cristo tão diferente dos Cristos de Fra Angélico. Pensei que seria das suas primeiras obras. O frade que me fez a visita explicou: O Fra Angelico gostava de saber para onde eram os quadros: se eram para frades eram mais simples (só o essencial), se era para igrejas ou lugares públicos, pintava com mais pormenores. Esta motivação não era porque não gostasse de pintar para os frades mas, continuou, porque os frades não precisavam de tanta catequese. De Florença fica-me na memória a vida humilde e reformadora de homens como Fra Angélico ou Savonarola, ali entregue à morte, ou ainda de Santo Antonino, …

Dia de visitas

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(Crónica do dia 1 de Dezembro. Os problemas informtáticos impediram-me de colocar o texto online no próprio dia) Hoje passei o dia praticamente fora de casa. A comunidade de Santa Sabina esteve de retiro neste dia. Fiz tudo o que tinha projetado. Comecei por visitar as catacumbas de Santa Priscila. Para mim, mais emocionantes que as de São Calisto. Menos gente, menos confusão, mais calma na visita de algumas centenas de metros dos muitos quilómetros de caminho e lugares de sepultura. A senhora dizia cerca de 4º mil cristãos estiveram lá sepultados. Durante a visita, feita em inglês, enquanto a senhora fazia o seu discurso, eu ia pensando na força e na teologia da iconografia funerária. Certamente está estudada mas, acreditar na vida depois da morte e recapitular a vida de cada um à luz de Cristo, deve ser das mais belas experiências cristãs. Impressiona ver aquelas imagens que só vemos na net ou nos livros: o bom pastor, a adoração dos magos, os três jovens no meio das chamas, o anagr…

Advento 2012

Advento.
Tempo de esperas e recomeços.
Entre as velas do caminho
e as musicas em tons menores
despertamos da noite
ou saímos de um nevoeiro
para Entrarmos no mistério que se revela
a quem traz aquecido o coração.

Advento.
Tempo de levantar as cabeças
vigiar e orar
como nos pede o Mestre.
E nao olhar para o umbigo
para o desassossego dos problemas,
de cabeça curvada,
a cismar no que nostraz dispersão.

Advento.
Tempo de ouvir o segredo de Deus
de se deixar queimar pelo seu fogo
iluminar pela sua luz
ou encher pela sua presença.
E entrar na gruta
onde Deus se fez um de nós
inocente, puro, todo dado,
para a nossa salvação.
Vem, senhor Jesus.