Regresso a casa

Acabaram hoje os trabalhos em Roma. Apesar de ser dia santo ainda tivemos de trabalhar esta manhã. Para trás ficam duas semanas em Itália, uma delas na Cidade Eterna, sempre com novidades. Tirei a tarde para fazer as despedidas. Ir a São Pedro (o Papa não estava, tinha ido à Praça de Espanha render a sua homenagem à Imaculada Conceição). Tinha pensado fazer umas compras mas sem sucesso: no Vaticano tudo fechado. Quando ia já a sair, e a passar diante de um dos portões de acesso ao Vaticano, mandaram-me parar: o Papa estava a regressar. Aproveitei e fiquei para o ver. O pouco tempo que fiquei à espera deu para pensar em algumas coisas sobre o papado, uma delas prática: sempre que o Papa sai faz-se uma procissão de policias, motos, carros e segurança tremenda. Um helicóptero a sobrevoar indica onde é que o Papa está. Nisto, enquanto esperava, um miúdo que estava ao meu lado, ao ver aproximar-se um táxi perguntou à mãe: Mamã, o Papa vem de táxi? Gargalhada geral. O Papa vir de táxi... de papamóbil e, como acabo de ler, foi estreado hoje. Lembrei-me do meu afilhado que, num domingo, a falar destas coisas me disse: se o frei fosse importante tinha era um freimobil!
Adiante. Como estava sozinho fiz mais umas voltas por minha conta: visitei a igreja de Santo António dos Portugueses, que estava no fim de um pontifical, e depois, fui ainda a Trastevere, à basílica de Santa Maria. Uma igreja preciosa. Ouvi um pai a explicar ao filho: estás a ver ali? É a única imagem que conheço de Jesus adulto a abraçar a sua mãe. Fiquei para o começo da Missa, animada pela Comunidade de Santo Egídio: simples e comovente.
Tinha lá uma pagela como uma oração deles, que rapidamente traduzida a deixo aqui, aproveitando para me despedir de Roma:
"Ó Senhor, que pela tua cruz salvaste o mundo, nós te reconhecemos como o amigo e o libertador dos homens. Apesar da nossa miséria não te atraiçoaremos como Judas, mas como o bom ladrão dizemos: lembra-te de nós no teu reino! Não olhes à nossa indignidade: estávamos ausentes e distantes, assustados e esquecidos, quando foste crucificado e abandonado. Ensina-nos, com o teu amor eloquente, a seguir-te sempre no teu caminho, para levar contigo a cruz da tua redenção".
Ci vediamo a Lisbona!
(fotografia do Papa a chegar ao Vaticano. Virou-se para o outro lado porque estavam umas freiras a gritar-lhe vivas...)

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