Dia de visitas

(Crónica do dia 1 de Dezembro. Os problemas informtáticos impediram-me de colocar o texto online no próprio dia)
Hoje passei o dia praticamente fora de casa. A comunidade de Santa Sabina esteve de retiro neste dia.
Fiz tudo o que tinha projetado. Comecei por visitar as catacumbas de Santa Priscila. Para mim, mais emocionantes que as de São Calisto. Menos gente, menos confusão, mais calma na visita de algumas centenas de metros dos muitos quilómetros de caminho e lugares de sepultura. A senhora dizia cerca de 4º mil cristãos estiveram lá sepultados.
Durante a visita, feita em inglês, enquanto a senhora fazia o seu discurso, eu ia pensando na força e na teologia da iconografia funerária. Certamente está estudada mas, acreditar na vida depois da morte e recapitular a vida de cada um à luz de Cristo, deve ser das mais belas experiências cristãs. Impressiona ver aquelas imagens que só vemos na net ou nos livros: o bom pastor, a adoração dos magos, os três jovens no meio das chamas, o anagrama de Cristo, o peixe, a âncora… tudo ao vivo e a cores. Descobri, entretanto, que há mais um São Filipe. Esteve lá sepultado. Morreu novo, era filho de Santa Perpétua.
De lá, acompanhado da chuva teimosa e eu sem chapéu, encaminhei-me para a Galleria Borghese. Nunca tinha estado. Meu Deus! Uma overdose de arte. O que seria da arte e da cultura sem a Igreja, ou até de Roma sem o papado… Também aqui o rever algumas obras que apanhamos na net ou nos livros: o David de Bernini, a sala cheia de Caravaggios… falo destes mas muitos outros também se achavam representados. Fiquei com alguns nomes para mais tarde explorar. Vale mesmo a pena visitar esta galeria. Além de que, o próprio edifício é de uma beleza extraordinária.
Li num site que, depois do Museu Borghese, quem tivesse tempo fosse visitar o museu e a cripta dos capuchinhos. Não fiz de propósito para ir ver mas, quando dou por mim, estava a passar lá. Saí do autocarro e visitei. De muito bom gosto, faz a história dos frades Capuchinhos, simples mas bem apresentada. A tal afamada cripta é como a nossa capela dos ossos mas, com bom gosto ou nem por isso, as capelas estão todas enfeitadas com ossos… até a própria morte! Não é das coisas mais agradáveis mas também não é repugnante.
De lá fui então para o último lugar a visitar: tavole miracolose, ou seja, ícones medievais de origem miraculosa. Quase todos marianos, bem conservados, como tinha tempo deu para ler a história de cada um. Um deles, pertencente às dominicanas, do qual temos uma cópia no convento de Lisboa, diz-se que foi pintado por São Lucas e que, depois, os anjos terminaram-no. Verdade ou não, o que é certo é que o ícone é muito belo.
Finalmente, como tinha dito ontem, fui às vésperas a Santo Anselmo. Quando estou em Santa Sabina nunca dá para lá ir porque coincide com a oração da comunidade. Por isso, hoje, que tinha estado fora, aproveitei para lá ir. Valeu pela tranquilidade da oração e começar assim, de uma forma mais marcante, o meu querido tempo do Advento. Apesar de sermos poucos os que estávamos a assistir, não nos deram nenhum livro para acompanhar… foi pena.
Amanhã, domingo, vou dar uma escapadela a Florença. Estou desejoso por ver os conventos de São marcos e de Fièsole, onde o Fra Angélico viveu. Deus me ajude, pelo menos com bom tempo, porque, visitas com chuva não são nada agradáveis.

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