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Irmã Maria Domingos, op - in memoriam

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Faleceu hoje, na sequência do Covid, a Irmã Maria Domingos,  monja dominicana, fundadora do Mosteiro do Lumiar, encerrado há poucos anos. A Ir. Maria Domingos nasceu a 26 de Fevereiro de 1936. Ingressou no mosteiro de Fátima, onde fez o seu noviciado como monja dominicana. De lá partiu para o Porto, para o mosteiro dominicano que então havia lá. Em 1982, juntamente com outras irmãs, depois de terem passado algum tempo em Prouille (primeiro mosteiro da Ordem) fundam o mosteiro do Lumiar, propriedade que pertencia aos frades dominicanos irlandeses. A Ir. Maria Domingos distinguiu-se sempre pela sua forma de estar na Igreja e no mundo: simplicidade, humildade, discrição e muita alegria. Prioresa durante alguns mandatos foi sempre a alma do mosteiro, abrindo as suas portas e portões às várias pessoas e grupos que viam no mosteiro um lugar de acolhimento e de paz. Como a beleza está muito ligada à simplicidade, juntamente com as irmãs da sua comunidade cuidaram sempre, muito e bem, do e...

As grandes santas da Ordem Dominicana III: Beata Amada

Como se disse na primeira parte desta exposição, a Beata Amada fez parte, durante muitos anos, do grupo das primeiras monjas da Ordem Dominicana, as três beatificadas em conjunto. No entanto, na revisão do Calendário litúrgico a Beata Amada saiu do grupo, por não e saber quase nada da sua vida. Por isso, seguindo a tradição, porque a tradição reaviva a memória, diremos o pouco que sabemos desta vida escondida, mas bem iluminada em Deus. A Beata Amada foi umas das quatro monjas que o Papa Honório III  enviou de Roma a Bolonha, afim de ajudar na construção do recém fundado mosteiro de Santa Inês. Não era difícil dispensar quatro monjas uma vez que o mosteiro de São Sixto contava, naquela altura, com mais de cem monjas. O Papa enviou estas quatro, talvez as mais santas e mais espirituais, para santificar e espiritualizar o mosteiro de Bolonha. Sabemos que ela, em Bolonha, era como que a secretária do mosteiro. Existem vários documentos escritos por ela, como o registo da fisionomia de...

As grandes santas da Ordem Dominicana II: Beata Cecília Romana

Tem agora espaço neste post a segunda beata das três primeiras grandes santas da Ordem Dominicana: Cecília Romana, por ser de Roma. Falamos da primeira historiadora de São Domingos. De facto, é ela que o descreve quer na figura quer na virtude. É uma das quatro monjas que, do mosteiro de São Sixto em Roma, vão para Bolonha, ajudar na construção espiritual do mosteiro, recentemente edificado. Com 17 anos era já monja de uma comunidade religiosa de Roma. Estando São Domingos em Roma, por volta de 1218/19, o Papa Honório pede-lhe um "milagre": que reúna num só mosteiro as várias pequenas comunidades monásticas femininas de Roma. Cecília vai ser a primeira a aderir a este projecto e vai convencer outras a juntarem-se todas numa só comunidade. Por ter tido esta atitude, foi sempre particularmente querida por São Domingos. É ela quem, no processo de canonização, vai revelar aspectos íntimos e virtudes de São Domingos. Foi, por isso, sempre muito querida por toda a Ordem, por poder ...

As grandes santas da Ordem Dominicana I: Beata Diana de Andaló

A Ordem Dominicana celebra hoje três grandes santas: As Beatas Diana, Cecília e Amada. Esta última saiu da celebração litúrgica, talvez porque se sabe muito pouco da sua vida. São três monjas, ligadas ao início da Ordem: A beata Cecília, de Roma, muito ligada a São Domingos, a beata Diana, de Bolonha, muito ligada ao Beato Jordão e a beata Amada muito ligada à fundação do primeiro mosteiro de monjas dominicanas em Roma. A beata Diana, quando lemos alguma biografia mais antiga, é elogiada com todos os superlativos: felicíssima, belíssima, cultíssima, nobilíssima, eloquentíssima... Imaginemos como não seria esta Mulher no século XIII. É em Bolonha, ao ouvir as pregações do Beato Reginaldo de Orleães, que estava há pouco tempo na Ordem e na recém fundação do Convento da cidade que ela pede para ser ajudada espiritualmente. Após algum tempo de discernimento, decide fazer profissão (ainda sem haver mosteiro nem monjas) de obediência e pobreza. E será São Domingos que a receberá. E, enquanto...

A pequena Helena

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Dois dias fora de Luanda para visitar o novo projecto dos dominicanos no Huambo. Como os dias são poucos e grandes as distâncias (de carro, entre Luanda ao Huambo, 12 horas!) tive que ir de avião (1 hora). Do aeroporto directamente ao mosteiro das minhas queridas irmãs monjas, no Kuito, antigo Porto Amélia. Uma calorosa recepção, uma vez que tinham passado já dois anos desde a primeira e única visita. Lá fiquei todo o dia de segunda-feira, onde tive dois encontros com as irmãs, um ligado aos critérios de admissão das vocações e outro sobre os 800 anos da fundação do primeiro convento em Portugal. Celebrámos Missa, onde falei às irmãs da força do Espírito Santo que ultrapassa os nossos limites e as nossas previsões, da importância de afinar o nosso ouvido à voz do Bom Pastor, e um pedido de oração pela nossa Ordem. Ontem, depois da Missa e do pequeno almoço, as irmãs convidaram-me a entrar na quinta do mosteiro. Um verdadeiro milagre! O que semeiam e plantam, o que colhem... Dera...

Rosário peregrino

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No dia 7 de Novembro de 2015 os mosteiros da Ordem Dominicana começaram um movimento jubilar que chamaram Rosário Peregrino. Ou seja, ao longo do ano foram atribuídos dois dias para celebrarem em Família Dominicana esta grande e dominicana devoção do Rosário. Começou em Prouille, o primeiro mosteiro da Ordem, e terminou hoje em Fátima, no nosso Mosteiro Pio XII. As monjas dominicanas convidaram o noviciado a estar presente e nós aceitámos. Fomos e rezámos o Terço em Família Dominicana. E regressámos com a chuva, que nos brindou neste novo ano.

A primavera da Ordem

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Nós, dominicanos, celebramos hoje a memória de duas grandes mulheres da Ordem dos Pregadores: as beatas Diana e Cecília. Na Missa, o Presidente dizia que elas, juntamente com São Domingos, com o Beato Reginaldo e com o Beato Jordão da Saxónia, fazem parte da Primavera da Ordem. E assim é. Quando lembramos estas duas mulheres, olhamos para o rosto feminino da Ordem, para o que é pura amizade e profundo amor pelos frades e pelas vocações. Da Beata Cecília temos o retrato de São Domingos, que descreveu no processo de canonização e, da Beata Diana, o interesse e amor pela Ordem, em especial quando o Beato Reginaldo foi enviado para Bolonha por São Domingos, e onde vivia Diana, e pelas vocações, interesse tão bem demonstrado nas Cartas que escreveu ao beato Jordão. Numa biografia das suas vidas, que estou tentado a traduzir, diz-se que elas são o exemplo de uma santa e saudável amizade e de uma direcção espiritual bem sucedida. E assim é. A esta memória, tão grata aos dominicanos de Roma...

Ontem e hoje

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O dia de ontem foi passado na clausura do mosteiro. As irmãs convidaram-me a entrar, para podermos estar na sala do noviciado, que é mais fresca e espaçosa. Mas o dia começou às cinco e meia da manhã, quando acordei ao som das vozes das monjas, que cantam Laudes a esta hora. Em Benguela não há janelas de vidro. No quarto onde estou há uma persiana de madeira e uma rede para os mosquitos não entrarem. Ouve-se tudo o que no pátio falar. E como as irmãs, por causa do calor, abrem as janelas da igreja, os seus cânticos entram em todos os espaços. Nós, pelo cansaço da viagem, fomos dispensados de acordar tão cedo (acabámos por acordar). Mata-bicho às sete da manhã e, ás nove, primeira sessão sobre liturgia, que acabou por durar a manhã inteira. Ao meio dia rezámos a hora intermédia e o Angelus. Depois pausa para almoço. No fim do almoço atravessei a estrada e fui visitar a Casa do Gaiato. Não estava nenhum dos responsáveis mas os rapazes sim, estavam. Uns a lavar a loiça do almoço, outro...

Por fim Benguela

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(Por impossibilidade de acesso à Internet não consegui passar por cá. Aqui fica o que escrevi na segunda-feira) Já saímos tarde do Kuito. A viagem foi também mais longa do que a as irmãs diziam. Demorámos sete horas. Atravessar parte de Angola, de um meio interior para a costa, onde Benguela foi plantada. O caminho é de rara beleza. Nada de deserto, montanhas iguais às que vimos desde a Gabela até ao Wako: uma mistura de morros com pele de elefante ou de baleia e as planícies, grande parte delas cultivadas. Passámos por vários rios. Olhando para as margens vemos mamãs a lavar roupa e os mais pequenos a tomarem banho, tentando refrescar-se. É comovente a alegria que têm. A partir do Huambo começam a ver-se, outra vez, os embondeiros e os altos cactos. Sempre pessoas na estrada: umas a caminhar, outras a carregar. O som do carro é música de Angola, em Umbundo, creio. Vemos crianças a malhar o milho com uma espécie de martelo de madeira, vemos mulheres a vender ananás, vemos menina...

Do convento para o Mosteiro

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(Por impossibilidade de acesso à Internet não consegui passar por cá. Aqui fica o que escrevi na segunda-feira) Viagem de quase cinco horas entre o Wako Kungo e o Kuito, no Bié, onde estão as nossas monjas dominicanas. Angola tem dois mosteiros. O primeiro foi fundado em Benguela e este há oito anos. Uma comunidade ainda pequena, maior parte angolanas mas com duas espanholas e uma portuguesa. A viagem foi boa, apesar de alguns buracos. Agora percebo porque é que se medem as distâncias em horas e não em quilómetros. Depois das boas vindas o almoço e começar a trabalhar. As irmãs pedem o mesmo que fiz em Luanda para os da formação. Querem saber sobre liturgia. Repeti e adaptei o que tinha preparado. Quase duas horas a falar. Depois Vésperas e jantar. As irmãs rezam bem. Digo-lhes que têm a grande missão de conservar o espírito e a liturgia dominicana. De facto elas vão mantendo as tradições de uma maneira discreta. O que é bom. Depois do jantar uma breve apresentação ensaio de cânti...

Giestas em flor

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Fui a Lamego celebrar Santa Catarina de Sena com as Monjas Dominicanas. "Estão mais airosas" é o comentário que todos fazem. De regresso passei pelos montes de Feirão, como faço sempre que vejo a indicação de saída para os meus lados. E vi as giestas em flor. As maias ainda estão atrasadas e os tojos no seu vigor; mas as giestas estão agora a abrir-se à alegria da Primavera. Deu para matar saudades e suspirar pelas férias, que breve chegarão.

Um dia de passeio

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Hoje foi dia de passeio. Fui com os noviços Angolanos e com mais outro frei de Angola a Fátima. Aproveitar a ocasião de estarem em Portugal pela primeira vez e, uma vez que coincide com o segundo dia do ano, ir a Fátima rezar. Começámos com a visita ao convento dos frades e depois uma visita às Monjas dominicanas de Fátima, sempre tão alegres, bem-dispostas e acolhedoras. Regressámos ao convento para a Missa Conventual e, depois do almoço fomos visitar os lugares-comuns de Fátima: Basílicas e Capelinha das Aparições. Depois rumámos aos Valinhos, pelo caminho da Via Sacra, rezando o terço. Regressados ao convento, com o entardecer e o frio a descer, viemos para Lisboa. Amigos nossos juntaram-se em Fátima, o que tornou mais agradável ainda o nosso dia. E bendito seja Deus pela simplicidade e beleza, pela alegria e pela novidade que vemos nos outros e pela fraternidade que vivemos entre nós.

Cartas de amizade espiritual

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Estou a terminar a tradução de umas cartas muito especiais e queridas na Ordem Dominicana: as cartas do Beato Jordão de Saxónia com a Beata Diana de Andaló. O cuidado e a preocupação de um pelo outro são sinais do que mais belo pode acontecer entre nós, humanos: a amizade. Ele, como Mestre da Ordem sempre a girar pelos conventos da Ordem e ela, no Mosteiro de Santa Inês de Bolonha, a rezar por ele. Sempre que ele tem tempo escreve-lhe uma carta, sempre com saudades e vontade de se encontrarem. Não temos as de Diana a Jordão; só as de Jordão para Diana. Casualidade ou não, na semana passada enviei uma carta às Monjas de Lamego, elas estavam preocupadas com as decisões do Capítulo Provincial a meu respeito e, como não têm Internet nem conta de e-mail, teve que ser mesmo carta. Livrei-me de escrever à mão, actividade que pratico cada vez menos, excepto nas assinaturas e algumas notas. Caso contrário, tudo no computador. Chegou a resposta. Publico-a aqui, para verem o que é este sentime...

Visita-relâmpago

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Sem querer nem estar programado tive que ir a Lamego. A pedido do Bispo de Lamego fui presidir à eleição da nova priora do Mosteiro de Nossa Senhora da Eucaristia, do qual sou visitador por parte da Ordem. Como tinha algum tempo disponível fui na véspera, dia 8, dia de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira da cidade de Lamego. Ainda deu para ver as ruas e o escadório iluminado. E, na segunda de manhã, ainda tive a possibilidade de ir até à Régua, tomar um café. O bom tempo, a calma do rio Douro e a beleza do socalcos, dão à vila e a quem lá passa uma tranquilidade que nem mesmo o helicóptero, que de repente aparece para apanhar água para apagar algum fogo, consegue tirar. Por fim, às 16 horas, começou o acto de eleição, em tudo igual ao dos frades excepto que, para as monjas, as eleições têm que ser presididas pelo Bispo ou por algum padre por ele delegado. Calhou-me a mim e também a um outro padre, assistente do Bispo para a vida religiosa da diocese. As nossas eleições começam sem...

O meu dia de São Domingos

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  Só não escrevi ontem sobre São Domingos porque muita coisa foi publicada neste blogue. Foi um dia cansativo, confesso, mas cheio. A missa habitual das oito da manhã na capela de Santa Eufémia. Foi assim porque à tarde, à hora da sesta como antigamente, comecei o tríduo de preparação para festa de Santa Luzia, que acontecerá no próximo domingo. Só depois do tríduo fui para Lamego, celebrar a festa de São Domingos. Quando estou cá por cima e me é possível, vou celebrar com as Monjas, de cujo mosteiro sou visitador. A igreja do mosteiro cheia, o que significa que as irmãs são queridas e estimadas pelas pessoas. Estavam também a comunidade das irmãs dominicanas de Santa Catarina de Sena de Castro Daire. Presidiu o Sr. Bispo de Lamego, D. António Couto, que pregou sobre São Domingos. E, para mim, bem. Da importância de falar de Deus e com Deus. Que muitas vezes falamos de Deus mas não falamos com Deus. Que São Domingos soube conjugar a Palavra, Oração e Fraternidade. E que num te...

São Domingos esteve aqui

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Publicaram há uns anos, aqui em Santa Sabina, um roteiro dos " Milagres de São Domingos em Roma ". É, de fato, um roteiro e, como São Domingos não fez muitos milagres, fácil de percorrer. Das outras vezes que cá estive visitei os vários sítios onde esteve São Domingos. Mas faltava-me um: Santa Maria in Tempulo. Talvez dos primeiros sítios dominicanos. Um mosteiro de monjas que São Domingos transformou em dominicanas. Ou seja, num dos encontros de São Domingos com o Papa Honório III, este encarregou-o de reformar os mosteiros de Roma, promovendo a vida regular e de observância. No tal roteiro pode ler-se a pequena introdução a este lugar: " São Domingos esteve aqui . Desde 1218 a 1221 São Domingos visitou muitas vezes este mosteiro. A narração que iremos ler (depois da introdução aparecem os respetivos relatos) informa-nos abundantemente das relações deste mosteiro com a atividade de São Domingos. O aspeto maravilhoso ou milagroso da trasladação da imagem da Virgem par...

Vigília de São Domingos

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Por todo o mundo, muitos conventos e mosteiros dominicanos celebram esta noite a vigília de São Domingos. Aqui em Feirão não a posso fazer, pelo menos comunitariamente. Uno-me espiritualmente aos meus irmãos e irmãs que, na doçura da comunidade, celebrarão o nosso fundador. Amanhã celebrarei Missa, à tarde, na capela de Cotelo, a terra do meu pai, dedicada a São Domingos. Haja alguma consolação. Nesta noite de vigília e de oração, que é tempo de graça, peço a São Domingos que nos seja útil no céu. Ele assim o prometeu. Que fortaleça a nossa vocação dominicana, que nos envie vocações para continuarmos a anunciar na Igreja e no mundo o Evangelho da graça e da misericórdia. Que nós, dominicanos, à imagem de São Domingos, consagremos a nossa vida a falar de Deus aos homens pela pregação e a levar os homens a Deus pela oração. Orate pro nobis.

Périplo monacal

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Venho de uma semana muito movimentada. Uma monja portuguesa que, entre o traslado de um mosteiro para outro, ambos de Espanha, veio a Lisboa para tratar de um simples papel da Segurança Social mas que, com confusões e paragens, perdeu todos os documentos. E uma visita de dois dias tornou-se numa de uma semana, para cá e para lá, e com ajuda de duas pessoas tudo se conbseguiu em tempo útil. Na sexta fiu levá-la ao novo mosteiro, perto de Salamanca. Aí a deixei; parecia que era primeira vez que ela entrava num mosteiro. Despedidas fora da clausura, entrou no mosteiro e deixei de a ver. Há pessoas que não compreendem este tipo de vida. Seja porque pareça uma prisão: o não poder sair, as grades dos mosteiros, seja pela necessidade de Evangelização e elas ali fechadas. Não há maior liberdade do que poder olhar para além das grades. Porque quem opta por uma vida de mais rigor submete-se com grande liberdade às regras e às obrigações que lhe são impostas. Como dizia Jesus no Evange...

De regresso

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A gastar as últimas horas em Roma. Os trabalhos correram bem, os que chegámos a comissão gostámos de nos conhecer e os três temos um mesmo objetivo: que a liturgia seja um sinal de unidade na Igreja. Ontem foi um dia muito importante para os três. Fomos ver o mais precioso livro da Ordem Dominicana, o Prototipus Humberto Romanus, que é um livro de catorze livros, o primeiro que em que se reúne toda a matéria litúrgica da Ordem. É um manuscrito do século XIII, bem guardado e não acessível. Foi emocionante porque quem se interessa pela liturgia dominicana tem este livro como referência e foi, no século XIII o primeiro grande gesto de unidade da Ordem, através da liturgia. Porque este livro não se mostra muitas vezes, convidámos outros estudantes de liturgia, que estão a estudar aqui em Roma. Como ningúem quis tocar no livro coube-me a mim fazê-lo. Da parte da tarde fui a um outro sítio muito importante para nós Dominicanos: o mosteiro de São Domingos, onde está uma comunidade de monjas....

Vidas paralelas IV

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Conclui-se este ciclo de artigos sobre as vidas paralelas, para dizer o que foram estes dias para elas e o que foram para mim. As Constituições das Monjas dizem que elas fazer um retiro anual de oito dias completos. Pode-se perguntar para que é que estas mulheres que vivem em silêncio e contemplação precisam ainda de um retiro e de oito dias, se a vida delas já é um retiro... Creio que o fazem por outros motivos que a obrigação das Constituições, se bem que estas irmãs são fiéis cumpridoras das leis. Faz sentido que, no ano, haja uma quebra na rotina. Abrandam o trabalho, as visitas são mais curtas e reduzidas, tendo mais tempo para a oração e meditação a partir dos temas que o pregador traz, quer lhe seja encomendado um tema quer seja livremente escolhido pelo próprio, que é o que costuma acontecer. Normalmente, nos retiros que oriento - e este é o segundo de oito dias a esta comunidade - costumo ter duas partes distintas: uma mais bíblica, que costuma ser na parte da manhã, e outra ...