Périplo monacal

Venho de uma semana muito movimentada. Uma monja portuguesa que, entre o traslado de um mosteiro para outro, ambos de Espanha, veio a Lisboa para tratar de um simples papel da Segurança Social mas que, com confusões e paragens, perdeu todos os documentos. E uma visita de dois dias tornou-se numa de uma semana, para cá e para lá, e com ajuda de duas pessoas tudo se conbseguiu em tempo útil. Na sexta fiu levá-la ao novo mosteiro, perto de Salamanca. Aí a deixei; parecia que era primeira vez que ela entrava num mosteiro. Despedidas fora da clausura, entrou no mosteiro e deixei de a ver.
Há pessoas que não compreendem este tipo de vida. Seja porque pareça uma prisão: o não poder sair, as grades dos mosteiros, seja pela necessidade de Evangelização e elas ali fechadas.
Não há maior liberdade do que poder olhar para além das grades. Porque quem opta por uma vida de mais rigor submete-se com grande liberdade às regras e às obrigações que lhe são impostas. Como dizia Jesus no Evangelho, um jugo suave de amor. São Domingos, quando fundou o primeiro mosteiro de monjas, foi para que elas, reunidas num só coração e numa só alma e sob uma mesma regra, pudessem contemplar Aquele a quem entregaram a sua vida e a sua vontade, e para que colaborassem com os Pregadores, através da oração, na missão do anúncio do Evangelho. São Domingos chamou ao primeiro mosteiro "Domums praedicationis" (Casa da Pregação). A sua forma de vida, obediente, pobre e casta, haveria de ser a sua melhor pregação.
Finalmente tudo acabou bem, mesmo se andámos a correr contra o tempo.
(iluminura de um antifonário dominicano do século XV)

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