Por fim Benguela

(Por impossibilidade de acesso à Internet não consegui passar por cá. Aqui fica o que escrevi na segunda-feira)
Já saímos tarde do Kuito. A viagem foi também mais longa do que a as irmãs diziam. Demorámos sete horas. Atravessar parte de Angola, de um meio interior para a costa, onde Benguela foi plantada. O caminho é de rara beleza. Nada de deserto, montanhas iguais às que vimos desde a Gabela até ao Wako: uma mistura de morros com pele de elefante ou de baleia e as planícies, grande parte delas cultivadas.
Passámos por vários rios. Olhando para as margens vemos mamãs a lavar roupa e os mais pequenos a tomarem banho, tentando refrescar-se. É comovente a alegria que têm. A partir do Huambo começam a ver-se, outra vez, os embondeiros e os altos cactos. Sempre pessoas na estrada: umas a caminhar, outras a carregar. O som do carro é música de Angola, em Umbundo, creio. Vemos crianças a malhar o milho com uma espécie de martelo de madeira, vemos mulheres a vender ananás, vemos meninas de quatro ou cinco anos com bidões de água à cabeça, e rapazes com molhos de lenha. Alguns acenam à nossa passagem. Retribuo.
Para chegar a Benguela temos de passar no Lobito. Pela primeira vez senti-me no deserto. Uns morros de terra clara, em que, quem vendo ao longe, não conseguiria distinguir o que é morro e o que são casas, se não fossem os buracos das portas e janelas. Impressiona ver tantas casas juntas, amontoadas umas nas outras. Saímos do carro para saudar a mãe de um frade. Faz questão de irmos até casa. Leva-nos por uma destas ruelas inimagináveis: crianças a brincar, alguns deficientes depositados à entrada da porta, todos param e olham para mim como se forre um extraterrestre. Meto conversa, alguns compreendem outros não. Depois da visita de cortesia, terminar a viagem de regresso a Benguela. Chegamos ao mosteiro e encontramos o P. Manuel António, fundador da Casa do Gaiato em África, capelão das irmãs, sendo que a Casa do Gaiato é mesmo do outro lado da rua. Fica combinada uma visita.
As irmãs são numerosas, passam de vinte. Somos bem acolhidos, jantamos e eu ainda tenho um serão com elas: apresentação e ensaio de cânticos. Depois de completas, o corpo descansa. Finalmente.

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