Ontem e hoje

O dia de ontem foi passado na clausura do mosteiro. As irmãs convidaram-me a entrar, para podermos estar na sala do noviciado, que é mais fresca e espaçosa. Mas o dia começou às cinco e meia da manhã, quando acordei ao som das vozes das monjas, que cantam Laudes a esta hora. Em Benguela não há janelas de vidro. No quarto onde estou há uma persiana de madeira e uma rede para os mosquitos não entrarem. Ouve-se tudo o que no pátio falar. E como as irmãs, por causa do calor, abrem as janelas da igreja, os seus cânticos entram em todos os espaços. Nós, pelo cansaço da viagem, fomos dispensados de acordar tão cedo (acabámos por acordar). Mata-bicho às sete da manhã e, ás nove, primeira sessão sobre liturgia, que acabou por durar a manhã inteira. Ao meio dia rezámos a hora intermédia e o Angelus. Depois pausa para almoço. No fim do almoço atravessei a estrada e fui visitar a Casa do Gaiato. Não estava nenhum dos responsáveis mas os rapazes sim, estavam. Uns a lavar a loiça do almoço, outros a brincar, os mais velhos a jogar à bola e, outros miúdos, pendurados nas mangueiras, à procura de alguma que já se consiga comer. Visitamos o exterior.
Da parte da tarde, já regressado ao mosteiro, ensaio de cânticos durante quase três horas. No fim do ensaio, e uma vez que estava dentro da clausura, as irmãs mostraram-me o claustro e a quinta, a casa onde fazem as hóstias e o cemitério.
Feita a visita, celebrámos a Missa com Vésperas.
Depois do jantar, novo recreio, em que ensaiámos o hino de São Domingos, musicado por mim e harmonizado pelo P. Cartageno, para se cantar no dia de São Domingos.
No fim, uma surpresa. Uma irmã começa a cantar um cântico em Umbundo, outra puxa do batuque, duas entram com duas salvas nas mãos e vestidas com as saias típicas e as outras batem palmas.
Não percebi a letra do cântico mas era de agradecimento. Ofereceram-me um livro, uns queques feitos por elas e uma estola dominicana, também bordada por elas.
E eu, comovido, agradeci. Não se fizeram despedidas, que só hoje vínhamos embora.
De manhã, celebrámos a Festa de São Tomás de Aquino. As irmãs cantaram alguns cânticos em Umbundo (talvez por ser a Missa da despedida) e pediram-me para benzer o novo sacrário, que vai ser entronizado no próximo dia 2, dia em que celebram os 40 anos de fundação do mosteiro. No fim da Missa mata-bicho nos locutórios, fotografia oficial e despedidas de até breve. Que para o ano venha com mais tempo. Talvez possa, respondi.
E, depois, regresso a Luanda, numa viagem de 7 horas, com paragem no Sumbe para almoçar com uns padres amigos. A vista da Sé é soberba. Sobre o mar, alteada, celebra este anos os 50 anos de construção. Chegámos a Luanda já no final da tarde. Por fim há internet. Respondo aos mais de mais urgência e actualizo o blogue. Ainda antes de vir dormir, passo na igreja onde o coro está a preparar a Missa de amanhã. Por razões várias, trasladámos a Missa de São Tomás para amanhã. É o padroeiro do convento. Eu fico encarregado de musicar o salmo, presidir e pregar. E por hoje já basta. Amanhã outro dia me espera, com a graça de Deus.

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