A Universalidade da Ordem dos Pregadores


E, prostando-se por terra, fazendo a vénia, pedia aos irmãos misericórdia e perdão pelos erros e pecados contra a Ordem. Foi assim que se despediu o actual Mestre da Ordem dos Dominicanos. A vénia é um rito penitencial que actualmente quase não se usa, em que um irmão de deita, diante de todos, pedindo-lhes perdão por alguma coisa má que tenha feito à Comunidade. E foi este gesto inesperado, acompanhado pelos aplausos de reconhecimento dos Capítulares que o Mestre da Ordem, cansado e emocionado, se despediu do cargo que ocupou durante nove anos.
Este dia, na verdade, foi praticamente todo conduzido por ele. Desde a Missa a que presidiu - Missa do Espírito Santo - até ao plenário do final da tarde sobre um relatório que escreveu sobre o estado da ordem, foi por estes temas que o dia hoje correu.
Mas a parte informal do Capítulo também é importante e, sobretudo, relaxante. Em especial as refeições. Sempre a bendita pasta, com mais qualquer coisa, a comida, ao contrário do que se pensa e do que é costume nos Capítulos - falo do que ouço de outras pessoas mais experimentadas que eu nestas reuniões -, é pouca, prefiro dizer suficiente, mas de alguma qualidade. Mas são as conversas, as contínuas apresentações que dão cor e tema às refeições. Por exemplo, hoje ao almoço, a conversa foi parar já ao tema do futuro Mestre da Ordem. Alguns Capitulares não têm muito conhecimento sobre quem poderá ser o próximo Mestre da Ordem, que vai ser eleito no próximo domingo, e por isso andam a sondar para ver quem é que é candidatável. Ao jantar, uma conversa muito agradável, entre todos, com o provincial da Holanda, homem de 73 anos, com grandes problemas de vocações - a última entrou há 16 anos! - e também falámos sobre o seu papel na teologia sacramental, sobretudo na relação entre a Eucaristia e a Ordem. Como alguém comentava a brincar mas com razão e seriedade, os holandeses estão muito à frente.
E assim passou o primeiro dia do Capítulo. No entanto, neste dia, não posso de deixar de referir aqui a notícia do bispo auxiliar de Lisboa, D. Tomás Nunes. Dele só tenho boas recordações, desde o seu ar sempre alegre, passando pela sua dedicação amor e interesse pela Igreja e também a sua preocupação para comigo quer pelo meu trabalho no hospital da luz - foi ele que, há um ano me deu posse da capelania - quer pelo meu trabalho no Externato Marista de Lisboa. Nesta noite rezo por ele, agradecendo ao Senhor o dom da sua vida e pedindo-lhe que o receba na sua glória.

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