Despedidas



Terminou o Capítulo Geral. As despedidas desgastam-me emocionalmente. Não sei como foi naquele longínquo ano de 122o, ano do primeiro Capítulo Geral. Mas hoje senti que talvez tenha acontecido o mesmo: reunidos na igreja, o Mestre da Ordem (sucessor de São Domingos) no primeiro banco inicia o Pater Noster, depois a Salve e abençoa os capitulares.
Depois do almoço vêm os abraços de despedida. Adeus é uma palavra proibida. Procuramos aqueles que nos foram mais próximos: com quem conversámos, com quem saímos, com quem partilhámos experiências... Prometemos que nos visitamos: em Roma, em Lisboa, no México, nas Filipinas, no Congo... mecanismos para aliviar a tensão que uma despedida nos pode trazer. Hora a hora, como no início da Ordem, partem os frades na dispersão. Alguns trarão na cabeça a célebre frase de São Domingos quando decidiu dispersar os frades: "é melhor assim; o trigo junto apodrece. Disperso frutifica".
Um Capítulo Geral é um ponto de mudança. Não só para a Ordem mas para quem nele participa. Para mim trouxe-me um sentimento de universalidade que não tinha. Foi como subir à cúpula da Basílica de São Pedro e ver o mundo em redor.
Por fim, despedida aos ex-Mestres da Ordem e ao actual. Conhecem-me pelo nome, agradecem, abraçam, mandam cumprimentos a frades de Portugal.
Acabou o Capítulo. Foram dias bons, intensos, fraternos. Não são palavras para encher, são palavras que testemunham o verdadeiro sentido de fraternidade.
(Esta foi a última fotografia do Capítulo: os frades da Península Ibérica com o Mestre da Ordem)

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