sábado, 1 de novembro de 2014

Opção por ser feliz


Acabo de chegar de Sevilha, onde estive nestes dias, para a toma de hábito dos noviços ligados à Península Ibérica: 11 no total, entre os quais cinco pertencentes à Província Portuguesa: dois portugueses e três do nosso Vicariato de Angola.
Embora não precise de motivos para ir a Sevilha, desta vez vários motivos me levaram lá e a viver dias de alegria e o de hoje com mais intensidade.
Quem nos conhece mais de perto diz que as nossas celebrações são austeras e que o nosso hábito é o mais bonito. Não querendo ser juiz em causa própria, confirmo que sim. As nossas celebrações são "essenciais", ou seja, realizam aquilo que significam com uma simplicidade e beleza que as valorizam.

Como a de hoje. Durante a celebração, onze homens são chamados pelo nome, à pergunta de quem preside: o que pedis?, respondem em uníssono: A misericórdia de Deus e a vossa; prostram-se por terra com os braços em forma de cruz e, depois da homilia, aproximam-se do provincial que lhes veste o hábito. Tudo em silêncio ou com o cântico do Veni Creator Spiritus.
E a simplicidade e a beleza reside nisto: não precisamos de símbolos nem de explicações, não precisamos de grande solenidade nem de grande pompa para uma simples toma de hábito: tudo acontece em ambiente de oração, rodeados de irmãos que lhes prometem misericórdia.
Eu tive a alegria de, nestes dias, conhecer e estar com os noviços; em especial rever os de Portugal e conhecer os de Angola. O P. Provincial deu-me a honra e a alegria de partilhar com ele a vestição dos hábitos e, ao contrário da emoção que nos outros anos sentia, desta vez foi a esperança que me encheu o coração.
Ir a Sevilha, hoje, foi um voltar a casa. Para sempre, comunidade e convento, ficam marcados na nossa vida. Mais velhos, todos, mas também mais amigos e irmãos. O Provincial da Bética, fr. Miguel de Burgos fez, como sempre, uma belíssima homilia sobre a solenidade de hoje (todos os santos) e o simples rito que a esta festa se juntava, a toma de hábito,
Falou-nos da opção por ser bem-aventurado, falou-nos da ligação entre santidade e Evangelho e, aos noviços, lembrou-lhes o que era ser dominicano: à semelhança de Nosso Pai, São Domingos, pregarmos a misericórdia e fazermos as pessoas felizes, e ainda o simbolismo do hábito: o branco e o preto da nossa vida.
Dou graças a Deus por este dia. Dou graças a Deus porque chamou estes rapazes a seguirem-no mais de perto, que (n)os chama, em cada dia, a mudar de hábitos e nos quer a todos felizes, em Deus.

(fotografia dos noviços com os provinciais e formadores)