As questões do Sínodo

Vai o Sínodo a meio. A primeira parte, mais geral, em que cada um podia dizer o que quisesse (o Papa teve expressões fortes que convidaram à liberdade de expressão pedindo aos Bispos, ao mesmo tempo parresia em falar e humildade em escutar), parece ter sido positiva para todos, conservadores, moderados ou liberais, como alguma comunicação social gostou e gosta de separar. Todos os que se inscreveram para falar puderam fazê-lo e, desta primeira parte, já saiu (não ainda em português) o documento que resumiu o tema e as abordagens que a ele se fizeram. 58 números, sem carácter vinculativo, mostram a grande abertura que o Papa quer dar a esta temática tão sensível e importante como é a da família. Várias vezes se tem repetido o que o Cardeal Kasper costuma dizer: não se trata de mudar a doutrina, trata-se de mudar a disciplina.
Esta semana é de trabalhos de grupos. Por línguas, cerca de 20 bispos por grupo, voltam às questões, tentando ser práticos na teologia, na disciplina e na pastoral.
Algumas entrevistas de alguns bispos e cardeais falam de um novo ar fresco, como o que se sentiu no Concílio Vaticano II; outros dizem que a frescura do Papa Francisco foi contagiante, e por aí fora.
Menos frescos e mais surumbáticos estão os bispos que acham que nem a doutrina nem a disciplina devem mudar e que tudo estava bem, para quê mexer. Dura lex sed lex, dizem eles e os juízes, mas esquecem-se que Jesus nunca iria dizer ou aplicar este princípio. Porque, como Jesus disse, repetiu e agiu, o sábado (a lei) foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Este princípio evangélico é o que mais convém a todos, porque nos liberta da escravidão da lei (leia-se a carta de São Paulo aos Gálatas) e nos deixa aproximar de Deus apesar dos nossos erros e fracassos.
Mas ainda assim, estou de acordo com alguns bispos que, ao longo das sessões foram dizendo que as questões do Sínodo não se podem centrar só na comunhão dos re-casados nem nas uniões homossexuais. Mas entro logo em desacordo quando dizem que são situações problemáticas. Porque não há famílias que não tenham problemas. O Geral dos Jesuítas disse e com razão que poderia haver mais amor cristão numa união irregular que num casal casado pela Igreja. É de concordar. E concordar ainda com o que parece normal e natural entre os discípulos-seguidores de Cristo: aproximar à graça e não afastar com os preceitos. Estas são ainda palavras do Geral dos Jesuítas.
Jesus criticou os fariseus por eles colocarem fardos pesados às costas das pessoas. Os fariseus só sabiam o que é que não se podia fazer. Que criticas faria hoje aos que insistem nas duras disciplinas (leis) que querem manter e impor?

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