Tutti quanti

Gosto do Tutti quanti do italiano. "Todos" pode ser uma tradução. Entre as aulas teórico-práticas e a coincidência de ter, em cada semana, hóspedes italianos, tem sido uma mais valia.
Tutti quanti. Depois do Sínodo, começou o trabalho dos mais "conservadores" da Igreja: desvalorização e imposição da doutrina. A par da conferência do Cardeal Kasper, a mesma editora faz agora sair uma entrevista do Cardeal-Prefeito da Doutrina da Fé, um dos notórios opositores ao Papa Francisco. Creio que o critério terá sido o da isenção: assim como publicaram o livro do Cardeal Kasper, agora também publicam esta entrevista.
Mas ainda vai a procissão no adro. Por cá, nas Jornadas da Família e arredores, diz-se que o Sínodo nada mudou. Já só falta dizer que perderam tempo em lá ir. Faz-me lembrar as atitudes de alguns Bispos quando vieram da primeira sessão do Concílio: que ia ficar tudo na mesma.
Depois, o P. Gonçalo Portocarrero escreve mais uma crónica infeliz: Que São João Baptista foi descanonizado porque não teve sensibilidade pastoral nem misericórdia para com Herodes e a sua segunda mulher (ilegítima). Acha que tem piada, ridiculariza a Igreja, mais grave, ridiculariza a misericórdia, mesmo colocando o asterisco a dizer que a ironia que admite ter estado presente no artigo não nega a misericórdia que se tem de usar para com todos), menos grave, mas mais uma vez, ridicularizou-se. Pode ser que venha a pedir desculpa, como fez no artigo das sobrinhas de Deus, mas não vai levar a nada, porque depois sai em livro.*
Adiante. Recebi hoje um mail com uma notícia de que o Papa disse (e é certo que disse) a um bispo: "Reza por mim: a direita eclesial está-me a esfolar (me esta despellejando). Acusam-me de des-sacralizar o papado". Bem pode o pobre Papa pedir que rezem muito por ele.
Menos mal que grande parte dos Bispos e do Povo de Deus (os que são pastores e usam misericórdia sem ironia) está do lado do Papa. Como Andrea Riccardi, leigo, fundador da Comunidade de Santo Egídio que diz em voz alta que o Papa tem que colocar à frente dos dicastérios pessoas em sintonia com ele. Também não concordo. Isso seria repetir a malvadez dos ditos e dos que estão espalhados por este mundo, que gostam fazer processos, de acusar, excomungar, achincalhar e verbos parecidos a estes. Como o Papa Francisco usa misericórdia e gosta da diversidade, suporta-os. Faz bem. Dá exemplo e mostra a sua força de bispo. De facto, o mais fácil seria mandar embora estes tutti quanti, a quem hoje, o Senhor diz hoje no Evangelho: "Hipócritas, se sabeis discernir o aspecto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente?".
*Aos leitores deste post, defensores do P. Gonçalo e das suas crónicas, peço que não me escrevam mails... estou a usar a ironia, como ele.

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