Entre outras coisas... neuroteologia!

Razão tem a minha mãe em dizer que o pior mês do ano é o Setembro. Desde pequena que experimentou esta realidade que me faz concordar com ela. Eu tenho dito que Setembro dá cabo do que Agosto me fez de bem. As pressões do recomeço e tudo o mais fazem de um mês que até é calmo em termos de agenda num rodopio de alegrias e dores, penas e trabalhos.
Mas não venho aqui carpir nem vitimizar-me do mês pesado que me traz um ano de adianto. Se a chula de Paus canta o "vai-te embora mês de Maio", eu bem que cantaria "vai-te embora mês de Setembro".
Mas estou a ser exagerado; não me posso queixar. Até porque Setembro tem o seu quê de calma e alegria. Por exemplo, faz hoje cinco anos que tomei posse da capelania do Hospital da Luz. Cinco anos que deram para conhecer muitas pessoas e muitas histórias de vida. Graças a Deus ajudado por leigos que me valem nas minhas aflições, vamos tentando levar uma presença e uma palavra de Jesus aos que sofrem e aos que sofrem por ver sofrer. Grande mistério este, o do sofrimento, que Deus não quer, mas que nos ensina a dar-lhe um sentido.
Também nestes dias dei comigo a pensar no livro e no tablet. Quem diz livro diz revista ou outro tipo de literatura. O tablet faz-nos ir à procura, quase o usamos para procurar onde se pode ver um filme, passar os olhos a uma notícia e "borboletar" de detalhe em detalhe, tentando matar a curiosidade do momento. O tablet, para mim, apesar de uma boa ferramenta, muito raramente me surpreende porque quando o ligo abre onde eu quero e encontra o que procuro. Bem diferente é um livro ou uma revista. O papel consegue surpreender-me. Uma amiga minha costuma deixar-me revistas científicas, relacionadas com psicologias e neurologias. No outro dia abri uma totalmente dedicada ao cérebro. Muito sinceramente, se eu visse aquela revista num escaparate não a compraria, mas deliciei-me a lê-la. Desde a muita informação até respostas a mitos e explicações de alguns fenómenos, encontrei um pequeno artigo que diz que o ser humano está "formatado" para Deus. Atenção leitor, não escrevi que o ser humano está formatado para ter uma religião nem para ser católico. Mas é fascinante que a ciência estude este fenómeno, inscrito na nossa génese. De tal modo que a ciência até já tem a cadeira de neuroteologia! Fiquei encantado!
Mas também este Setembro levou-me por três dias ao Algarve. Convidado a ir às festas de Nossa Senhora da Luz, foi um momento de conhecer o Barlavento, tão desconhecido para mim como o Brasil terá sido para o Pedro Álvares Cabral. Passar  pela Costa Vicentina e pela serra de Monchique, onde apreciei um dos mais esplêndidos pôr-do-sol enquanto apanhava umas amoras que achei no cimo da serra, foram momentos tão marcantes como o do acolhimento da família que me acolheu.
Afinal Setembro nem tem sido mau e ainda só vamos a meio. Esta semana vai ser de rever as provas do próximo livro que está para sair. Dias de concentração e alguma solidão para que tudo se faça com calma e em tempo oportuno. O título está praticamente fechado: "Fazei tudo o que Ele vos disser". Uma frase do Evangelho de João, das bodas de Caná, saída da boca de Nossa Senhora. Um novo livro, um outro estilo - homilias - que venha em bem e que ajude a viver o Evangelho de Jesus Cristo.
Um outro começo em Setembro é o curso de italiano que vou começar entretanto. Faz-me falta e vai-me ser útil para os trabalhos da Ordem. Depois das devidas autorizações dos meus superiores, fui hoje inscrever-me. Vedremo che cosa darà.
E mais vai trazer Setembro: mais trabalho e mais afazeres, mas que traga também algumas alegrias e descansos.
(Fotografia: Pôr-do-sol na Serra de Monchique, há oito dias...)

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