Programações

Acabam-se as férias e vem o Setembro, com os seus inícios de adaptações e programações. É um recomeço que para uns é desejado, para outros um "eterno retorno" e para outros ainda, o normal da vida. Para mim, os dias de arranque são custosos, porque estamos nós a dia quatro e já tenho coisas agendadas para Julho do ano que vem.
O início de Setembro tem sido, para mim, de viagens físicas e mentais, de recomeçar as rotinas (não desgosto delas) e de programações.
A viagem de regresso de Feirão, um até para o ano. Pareço um emigrante que sai do lugar que gosta,  uma árvore que se tem de transplantar. O dia do regresso, que rápido vem e parece uma fatalidade, é remediado por um "tem que ser que a vida não é isto". Ficam para trás os "amigos do Norte", a família que se juntou e viveu um mês junta... tudo acaba ou, para não ser tão pessimista, tudo se interrompe.
A outra viagem"relâmpago" foi a Sevilha. Levar os noviços num dia e regressar no outro. Como se diz quando é para ir depressa "ir num num pé vir noutro", embora se demore mais do que ir e vir nos dois... Lá os deixei, no primeiro dia do resto da vida deles, para um ano de noviciado.
E chegar a Lisboa para programar o ano: as datas que parecem cachos de uvas que durante o ano se irão vindimar. Datas daqui, datas dali, vale a pena aqui contar um telefonema que recebi de uma comunidade religiosa a pedir-me algumas colaborações. Pediam desculpa pelo abuso e se eu estaria disponível para algumas datas. Hoje mandaram-nas. O mail trazia este título "O amor de Deus que se oferece". Belo título este, que quase apetece usar para um livro meu que vai sair em Novembro, que já tem conteúdo e prefaciador mas o título que se arranjou, provisório como a própria vida, espera um alternativo.
E é Setembro o tempo dos recomeços de rotinas: voltar ao Convento, voltar às Missas, voltar ao hospital, voltar à Ajuda de Berço, onde não ia há mais de um mês. Todos mais crescidos, brincalhões e com montes de histórias para contar. Mais vezes e mais tempo com eles para me "redimir", que estas coisas não se fazem. Hoje foi dia de churrasco a sério, na rua, tipo almoço de família.
E assim começa Setembro. Um amigo meu defende que, quando se recomeça com muita coisa, estragamos as férias que tivemos. Que deveria ser tudo progressivo. Concordo na teoria, mas a prática diz que nem sempre é bem assim.
Como diz o provérbio: Em Setembro, planta, colhe e cava, que é mês para tudo. Assim é o meu Setembro.
(imagem: iluminura de um livro de horas francês do séc. XVI: o mês de setembro)

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