O verdadeiro São Nicolau

Toda a gente sabe que o Pai-Natal é uma péssima recuperação de São Nicolau, santo que a Igreja hoje celebra. O consumo (em especial a Coca-Cola) transformou-o num velho barrigudo, de barbas brancas e gorro. A única coisa que talvez tenha conseguido transmitir é o sorriso. Não se costumam ver "Pais-Natais" tristes e cansados. Cansados já se vêem. Não sei quem me comentava que na confusão de quem dá as prendas se dizia que era o Pai Natal. E alguém que tinha aprendido que era o Menino Jesus disse que não. E a contra-resposta foi que o Menino Jesus ajudava o Pai Natal porque era velhinho e andava cansado.
Hoje é o dia de São Nicolau e não o dia do Pai-Natal. Na quinta-feira passada li no Jornal Avvenire, um pequeno artigo de uma religiosa sobre a verdadeira história deste santo. Não vou aqui traduzir o artigo mas sim resumi-lo: Nicolau, que ainda não era bispo de Mira, te estando nós no século IV, teve conhecimento de uma história dramática: uma família nobre e rica cai na miséria. O pai, com vergonha do estado de pobreza em que estava, não tendo dinheiro para o dote do casamento de uma das filhas, decide atirá-la à prostituição. E Nicolau, às escondidas, atirou pela janela da casa desta família três bolas de ouro, com as quais o pai poderia casar a filha não deixando que ela seguisse o caminho pensado.
E a autora deste artigo parte daqui para dizer que a fé sustém e a graça vem ao nosso encontro pela Providência. Mas faz uma justa interpretação do Pai-Natal nas nossas decorações, desviando-o da Coca-Cola e do comércio frenético deste tempo, quando diz: "São Nicolau e as suas três bolas de ouro, percorreram a história, passando da casa do nobre de Patara às nossas árvores de Natal, como promessa de uma providência que não faltará e de uma visita do Alto que não deixará de trazer frutos à nossa vida".
Hoje é dia de São Nicolau. Dia de lembrar os mais pobres e aflitos e estar ao serviço da Providência para os ajudar. E posso pensar: porque é que não compro uma prenda a quem, provavelmente, não irá ter nenhuma?
(Fotografia: pormenor do Retábulo de São Cassiano, séc. XV)

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