Paciência e oração

Paciência não é a minha maior virtude. Há o ditado que diz que quem espera sempre alcança, mas não me serve. Mais bem me serviria o "quem espera desespera". Mas a vida é feita de trabalho: manual, mental e também interior. Ir-se conquistando aos poucos, ter paciência com os outros (há até uma obra de misericórdia espiritual que nos pede que soframos com paciência as fraquezas do nosso próximo!), esperar para alcançar mesmo que não seja no tempo por nós estabelecido.
Quando há um ano me pediram para ser Mestre dos noviços, as pessoas mais ligadas a mim e outras do âmbito religioso/eclesiástico diziam-me: tenha paciência... Certamente que não era a paciência de ter que aceitar mas sim a paciência de levar a bom termo o que nos pedem. E ao longo do ano era o que me diziam: tenha paciência.
Ao que parece, este pedido vai prolongar-se nos anos. Mas agora o discurso mudou: as pessoas dizem "vou rezar por si". Estranho. Em vez de me apoiarem na paciência que bem falta me faz, agora passou para as orações. E dei comigo a pensar: deve ser uma coisa muito difícil, quase parece uma doença (não é o que dizemos aos doentes quando os queremos confortar?).
Preciso de paciência e preciso de orações. Num mail que uma monja dominicana me enviou recentemente estava escrito: "Estamos unidas a ti com as nossas orações no teu trabalho com os noviços. Eu sei que não é fácil... exige paciência heróica e um inacreditável auto-sacrifício. Fazemos o nosso melhor e o Senhor fará o resto. Se por um lado é um privilégio por outro temos consciência das nossas fraquezas".
E no outro dia, ao despedir-me de uma irmã, disse-me ao ouvido: Tens que ter paciência... as coisas de Deus demoram o seu tempo. Devolvi-lhe pedindo: reza por mim. Retorquiu. Vou rezar mas reza tu por ti.

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